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Anna Anapana – A simplicidade das formas e das cores por Edmundo Cavalcanti

Edmundo Cavalcanti é Colunista de Arte.

Edmundo Cavalcanti é Colunista de Arte.

Anna Anapana – A simplicidade das formas e das cores
por Edmundo Cavalcanti

Anna Anapana é paulistana, nasceu em 1953 e é professora.

Pinta telas, tecidos, sedas. Agitadora cultural realiza desenhos digitais, ilustração, figuras-objetos em tecido sobre suportes variados.

Os trabalhos de Anapana (Anna Maria Martins Ferreira) são inspirados no humor, na alegria, nas formas da natureza real e imaginária. Construções divertidas, tridimensionais, “gente forma” que formam gente – em forma de gente mesmo… Ou pássaros gente… Estrelas gente… Peixes gente… Gente de todo jeito e cor. As obras evoluem conforme o tempo, o tema e o invisível da natureza verde, em suportes variados: tela, lona e tecido, entre outros, além de imagens digitais em que o desenho à mão livre equivale ao mouse.

Vamos saber um pouco mais sobre sua trajetória artística.

Como e quando se dá o seu primeiro contato com as Artes?

Tecidos foto by Bubby CostaDesde sempre, primeiro Música, música sempre, compositora e poeta.

Aluna de Theo de Barros, Paulinho Nogueira, Vinicius de Moraes.

Diogo Pacheco, Inezita Barroso e outros.

Sempre desenhando, fui ter aulas com Maria Célia Calmon.

E pelo decorrer dos tempos fui tendo contato com vários artistas, que me empurraram para tudo que era pintura, desenho, arte. Vi muitas imagens de tudo, adoro.

Comecei pintando panos, tecidos de algodão, em Belém do Pará, pelo fato de adorar cangas, e pelo motivo: para eu voltar a pintar e desenhar, nada melhor que tecido, acabo a obra, dobro e guardo. Quadro toma muito espaço…!!!!!!

Não tem mais lugar para mim no meu espaço. E fui pintando, até que um dia surge Frans Krajcberg em minha vida, em Belém do Pará, morando em minha casa.

Foi algo assim indescritível a amizade e respeito que cresceu entre nós, e ele me falou muita coisa de mim mesma e para mim, e um dia começando a pintar um tecido grande, entra ele e me vê pintando e grita “Anna você parece um pintor de parede” (com aquele sotaque polonês-bravo! eu adoro), pois estava pintando tudo, então eu lhe disse: “Pode pegar o pincel, pode ser que eu seja mesmo, nunca pintei!”, e pintou e me ensinou a luz!

Depois disso vim vindo, Carlito Maia, me batizou “ANAPANA” (por causa dos panos) quando começou minha vida artística com Nome e tudo, muitos, muitos, muitos tecidos eu pintei, até criar um calo no começo da coluna, então diminuí o ritmo e me entreguei às telas, ao digital, mas nunca abandonei o tecido, só diminui a loucura. Isso foram 31 anos direto de tecido.

Tive aulas de escultura com Calabrone, uma pessoa incrível, gosto muito de esculpir, só não faço tanto, pois também toma um espaço enorme. Hoje falo esculturas em tecido. Figuras Objetos. Acrílico sobre algodão, costurado e recheado de algodão.

Em 1995, conheci Anísio Campos, designer, artista, desenhista de tudo, pintor, escultor, arquiteto e ficamos juntos até hoje, aprendi muito o vendo trabalhar e o ajudando como assistente muitas vezes, desenhando automóvel, desenhando mulheres, projetos, esculturas, muita arte e com isso vivemos fazendo arte, cada um na sua, cada qual em si mesmo e arte ali tomando conta, daí a vida virou uma arte só na vida, cada qual, cada qual. Uma Maravilha de Vida.

Como surgiu ou você descobriu este dom?

Muito trabalho! Determinação, amor à pintura, amor à arte, desenhar e pintar aconchega a alma, faz crescer o espírito, nos torna mais próximos a nós mesmos e à Deus! Muita coragem, muita luta, muita perseverança, muita oração, rezei, rezei para todos os santos, todos os orixás, a muitas partes espirituais, muita história pelo caminho e muito estar sozinha, a arte é egoísta, ela te exige, te chama, te critica, te zomba… te ordena… te alegra… te realiza… te assume… e assumimos seu estilo… nos tornamos a luz dela !!!!! que nada mais… Deus !!!!! E todos os olhos olhando Você…!

Quais são suas principais influências?

África, França, Índios Brasileiros, Brasil, Índia.

Quais os materiais que você utiliza em suas obras?

Tinta acrílica, tinta para seda pura, tinta para seda sintética, tinta para algodão, parafina, colas, fixadores, gráficas, impressões, tesouras, linhas, agulhas, algodão, ferro, secador de cabelo. Papel vários tipos, muitos e muitos pincéis.

Como é o seu processo criativo em si? O que te inspira?

A paz, a suavidade, o silêncio, pensamentos, situações, coisas que nunca posso imaginar, nem esperar, de repente! A Natureza acende, o mar mergulha, o sol, as montanhas, o vento, a lua, os barulhos da natureza, do silêncio da noite! Pincel e cor.

Quando você começou efetivamente a produzir ou criar suas obras?

Comecei em Belém do Pará, onde fui morar com um amigo querido Luiz Vitor Marsala, que me levou para a mata, floresta de Belém, caminhos incríveis na mata Mojú, entre, bichos, rios, igarapés, seringueiras. Muitos Peões, andei pelas matas com eles, dormíamos em redes, comida arroz, ovo e carne salgada (eu não) – caçadores, gente da selva, ratos, jaguatiricas, macacos… etc… (1977).

A arte é uma produção intelectual primorosa, onde as emoções estão inseridas no contexto da criação, porém na história da arte, vemos que muitos artistas são derivados de outros, seguindo técnicas e movimentos artísticos através do tempo, você possui algum modelo ou influência de algum artista? Quem seria?

Vários me ensinaram como eu deveria olhar, através dos olhos deles. Estudei muito Miró, Kandinsky, Paul Klee. Os pássaros vieram do meu Pássaro Preto, que viveu comigo 22 anos, quando morreu eu fiquei viúva… sofri muito… grande companheiro e amigo de meus amigos… Um dia ele veio nas telas, e se fantasiou de todos os pássaros, virou pica-pau, canário, papagaio, maritaca, trouxe seu mundo para mim, até hoje ele vive aqui, dentro de mim, e fora de mim, em forma de Pássaro Gente.

O que a arte representa para você? Se você fosse resumir em poucas palavras o significado das Artes na sua vida…

A arte é para ela que eu vivo que eu sinto que eu amo, por ela existir, nada me atrapalha, tudo é prazer, tudo é vida, a dificuldade se transforma, a dor fica pequena, ela empurra a responsabilidade para frente, e nos torna grande em generosidade!

Quais as técnicas que você usa para expressar suas ideias, sentimentos e percepção a cerca do mundo? (Se é através da pintura, escultura, desenho, colagem, fotografia… ou usa várias técnicas no sentido de fazer um mix de formas diferentes de arte).

Não acredito que pela arte eu expresse minhas ideias, mas sim meu sentimento, minha emoção, algumas vezes eu faço digitalmente uma brincadeira com uma ilustração bem humorada, que leva através da alegria, uma esperança, mas ideia do mundo, para expressar eu não tenho em nada, penso apenas e medito… sofro e fico preocupada, escrevo.

Todo artista tem seu mentor, aquela pessoa a quem você se espelhou que te incentivou e te inspirou a seguir essa carreira, indo adiante e levando seus sonhos a outros patamares de expressão, quem é essa pessoa e como ela te introduziu no mundo das artes?

Não tive mentor, sempre fui assim, a pintura cresceu e desabrochou, me entreguei a ela, ao pano, as cangas, as roupas… sozinha, sem ninguém.

Morei na Ilha Bela/São Paulo. Pituca uma pessoa incrível me disse um dia: “Para você só a arte… é a única salvação… para viver e se ter felicidade, vai em busca de você !!!!”

Isso foi enorme, entrou e brotou, amo essa minha amiga escorpiã, pintora, essa sim, expressa pela pintura o que pensa do mundo! “Fantasticamente.”

Quando entrei no mundo da arte, que é uma super responsabilidade nunca mais saí, sempre anda comigo integral, e quando não, anda ao lado, mas na minha mão.

Você tem outra atividade além da pintura? Você dá aulas, palestras etc.?

Tenho várias atividades além dessa, tudo gira em torno da arte, algumas sobrevivência, artista, como já dizia minha mãe: “Artista minha filha… morre de fome”, por isso que demorei tanto a me assumir, pois sabia através dela, que artista e pintor R$, R$, é difícil!!! O que é verdade para alguns, então só vim voltar a pintar com 26 anos. Antes, trabalhei, trabalhei, trabalhei, adorei, conheci muita gente, e aprendi a vida de verdade! Daí mudou tudo. Longa história.

Dou aulas de pintura em tecido seda pura, algodão etc…

Divulgo arte, através da Internet.

Suas principais exposições nacionais e internacionais e suas premiações?

Foram muitas, em muitos lugares, alguns importantes, outros necessários para meu caminho, criei o “Entrepanos”, evento esse, uma instalação de tecidos, que um dia, resolvi dividir com os artistas companheiros de “Cooperartista”, cujo presidente era o também artista plástico Antonio Peticov, somos muitos… e no 9º Entrepanos – dia do aniversário de São Paulo – Ibirapuera , participaram 120 artistas, uma loucura. Muito gostoso para todos, ver aqueles panos cheios de arte, voando em cima da gente, mostrando sua presença, entre os grandes, os mestres e os novos.

Uma beleza. E assim fui fazendo muitos outros eventos, como na Câmara Municipal, quando homenagearam a Revolução dos Cravos e Rita Alves convidou o “Entrepanos” de 20 artistas, quando criei – “Entre flâmulas”, em respeito à Política, muito bonito.

Seus planos para o futuro.

Continuar o presente…

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ANNA ANAPANA
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