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Artistas Baianos na SP ARTE 2015

Baianos na SP ARTE 2015

Feira terá a segunda edição do espaço Solo e debaterá a Arte como valor na programação do Talks DOIS ARTISTAS BAIANOS EM DESTAQUE NA PROGRAMAÇÃO SOLO:

Mario Cravo Junior – Paulo Darzé galeria

e

Almandrade – Roberto Alban galeria

Revista Muito

Sobre Mário Cravo

Quando se fala em artes plásticas na Bahia, o nome Mário Cravo é logo lembrado, um pioneiro e um mito da arte moderna baiana. É quase impossível ver as esculturas do artista sem pensar no circuito cultural de Salvador, os anos de 1940, quando o artista iniciou sua carreira, impondo gestos modernos numa Bahia provinciana. Uma obra com muitos contrastes, marcada pela vontade de experimentar muitos caminhos. Dúvida ou resistência em aceitar uma única alternativa para não se acomodar? Não sabemos. As dúvidas e incertezas podem pertencer a quem olha. O artista, quem sabe, com a generosidade e o humor que o tempo lhe concedeu, apenas ri de nossas especulações. A arte é assim.

Um percurso de muitas frentes, um jogo de tendências. O expressionismo, um detalhe cubista, a fantasia popular, mitos e deuses da África negra. São tantas formas, tantas influências, tantas figuras, muitas experiências dialogando com a tradição local. Vários resultados estéticos. Um mundo caótico? – Um mestre da escultura, intuitivo, incansável na utilização de vários materiais: barro, madeira, pedra, metais, plástico, resina, etc. Com uma paixão, o espaço público. Sem entrar na questão da inserção da escultura no espaço público, os monumentos de Cravo Jr. estão presentes na paisagem urbana de Salvador, circulam nos cartões postais. A fonte luminosa da cidade baixa próximo ao elevador Lacerda já é um ícone da cidade.

(Almandrade)

Sobre Almandrade

A PERSISTÊNCIA DO NUDISMO ABSTRATO

Pensei em elementarismo, despojamento, abecedarismo geométricos mas acabei por optar pela idéia do nudismo abstrato, para tentar caracterizar a postura e a impostação de Almandrade ante suas criações e criaturas sígnicas que hesitam entre a bi e a tridimensionalidade, em duas ou três cores, em duas ou três texturas.

A parcimônia desses objetos franciscanamente contundente, desenhados, signados (designed), compostos segundo uma grafia de cartilha, porém enganosamente sig-nificada e simplista, posto que metafísica.

Criam um campo significante que parece rechaçar instruções extratexto, mesmo quando inclui algum elemento metafórico in memorian Dadá.

Meteoritos geométricos do pensamento, taquigrafia precisa de uma claríssima visão cuja totalidade se ofuscou, indício e impressão minimal de um evento artístico-mental; ocorrido no panorama ecológico da arte do século XX, como um pássaro em extinção, aparição de ordem inegavelmente metafísica, essência e forma divinas (diria Baudelaire) do pássaro nu da poesia e de seus amores descompostos.

Um nudismo Proun (El Lissitsky) nos trópicos, lembranças metonímica do paraíso, graciosas construções-instalações não habitáveis, amostras quase-duchampescas, quase-vandoesburguesas de um ex-Éden artístico, onde a provável ironia embutida não passa de meio-sorriso.

Esses seres correta e rigorosamente nus, o olho os colhe por inteiros, como objetos cabíveis no bolso. E há música neles, mas não é sequer de câmara – é de cela, nicho e escrínio: são microtonais, minideogramas sólidos à Scelsi.

O Almandrade capricha nas miniaturas de suas criaturas, cuja nudez implica mudez, límpido limpamento do olho artístico, já cansado da fantástica história da arte deste século interminável, deste milênio infinito.

Décio Pignatari

Almandrade

1973Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia. Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; “Em Busca da Essência” – mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista “Semiótica” em 1974. Realizou cerca de trinta exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 2005; escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Prêmios nos concursos de projetos para obras de artes plásticas do Museu de Arte Moderna da Bahia, 1981/82.

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