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CRAB (Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro) 2016. Foto: Divulgação.

CENTRO DO SEBRAE LEVARÁ O MELHOR ARTESANATO BRASILEIRO PARA A PRAÇA TIRADENTES

Meta é contribuir para valorização da atividade em todo o país; inauguração será no dia 10 de março

A apresentação de um panorama abrangente da produção artesanal no Brasil marcará a inauguração, no dia 10 de março, do CRAB (Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro), instituição idealizada e criada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) como plataforma para reposicionamento e qualificação da atividade. A exposição “Origem Vegetal” apresentará peças elaboradas por artesãos em atividade nos 27 estados. A abertura para o público será no dia 22 de março.

Para o diretor-superintendente do Sebrae no Rio de Janeiro, Cezar Vasquez, o novo espaço funcionará como uma âncora da região e criará um corredor de cultura e comércio. “Será um espaço urbano inovador, contemporâneo, peça-chave para as experiências que transformarão o artesanato em objeto de desejo por meio de um mix de atividades, como mostras e oficinas. Um pouco do savoir faire de todo o Brasil, mas com o charme carioca”, afirma.

O Sebrae atua no segmento de artesanato desde 1997, a partir da visão de que esse tipo de atividade da economia criativa gera renda, fixa as pessoas nas suas regiões de origem e expressa culturas. A instituição conduz oficinas em todo o país com o objetivo de capacitar os agentes dessa cadeia, com especial foco no aperfeiçoamento dos aspectos técnicos e gerenciais da produção artesanal.

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Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento da Produção, órgão ligado ao MIDIC (Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, a atividade envolve 8,5 milhões de pessoas e movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano, o que corresponde a 2,8% do PIB nacional. No Rio de Janeiro, os números apontam para a existência de, aproximadamente, 13 mil artesãos, 80 associações e inúmeras cooperativas de profissionais ligados ao artesanato.

Além de expor o artesanato brasileiro em sua diversidade regional e de tipologia, o CRAB será um espaço de reflexão e de aproximação comercial. Um auditório de 80 lugares abrigará seminários e debates sobre o tema e salas permitirão contatos e rodadas de negócio que ampliem o mercado do artesanato. Uma loja-conceito oferecerá ao público uma seleção apurada de peças provenientes de todo o país, publicações e livros. Já o restaurante servirá pratos da gastronomia brasileira. Estão previstas três exposições por ano e já na inauguração o público poderá conferir mais de quatro mil peças, entre expostas e à venda.

Origem Vegetal – No panorama artesanal de um país de dimensões continentais são muitos os materiais e as técnicas utilizados. A exposição de abertura reunirá objetos elaborados com matérias-primas de origem vegetal tais como madeiras, palhas, sementes e resina, de mais de 40 espécies, como açaí, arumã, babaçu, balata, buriti, café, carnaúba, dendê, jarina, jequitibá, mandacaru, miriti, pariri, pupunha, sisal, tucum e tururi.

Os curadores Adélia Borges e Jair de Souza se empenharam em conceber um painel transversal, incluindo as diversas vertentes do artesanato brasileiro da atualidade. Na seleção predominam trabalhos de autoria coletiva, de cerca de 50 associações e cooperativas artesanais e por mais de dez etnias indígenas. Nessas comunidades, espalhadas pelo país, iniciativas marcadas pelo empreendedorismo e pela inovação social trazem um novo impulso ao desenvolvimento sustentável local.

A exposição também apresentará peças concebidas e assinadas pelo designer Rodrigo Ambrósio, que utiliza elementos artesanais. A criação autoral será representada por mestres reconhecidos, como Getúlio Damado, do Rio de Janeiro.

Os objetos selecionados incluem jogos americanos, luminárias, móveis, cestas, bolsas, talheres, esteiras, joias, adornos, instrumentos musicais, painéis decorativos, flores, brinquedos, tapetes, almofadas, chapéus, mantas e esculturas, entre outros.

Na abertura da mostra, que ocupa um total de 620 metros quadrados, uma projeção de imagens apresentará o contexto em que as obras são produzidas. Fotografias de rostos, mãos e gestos de pessoas trabalhando, processos e matérias-primas funcionarão como um portal para que o visitante seja transportado ao universo do mundo vegetal e sua transformação. Na sequência, cinco salas temáticas reunirão mais de 200 objetos. O projeto de ambientação permite ao visitante apreender todo o processo de produção das peças.

A obra e a praça – Berço da boemia, palco da cultura, encontro do antigo e do novo, frequentada por lendas como Noel Rosa e Moreira da Silva. Localizada a meio caminho entre o cais do porto e a zona rural da cidade, com indubitável vocação pública e frequentado por artistas, intelectuais e políticos, além de vendedores, agricultores e atacadistas, a Praça Tiradentes teve muitos nomes e funções ao longo dos anos. Desde 1892, centenário da morte do líder da Inconfidência Mineira, adotou seu nome para homenageá-lo, embora o enforcamento do mártir da independência não tenha ocorrido exatamente no local, mas sim ali perto, na esquina da Avenida Passos com a Rua Buenos Aires.

A região respira história: lá encontram-se ainda nos dias de hoje o centenário Real Theatro de São João (atual João Caetano) – construído em 1813; a Igreja da Lampadosa, na frente da qual Tiradentes fez suas últimas preces, que começou a ser levantada em 1748; o Real Gabinete Português de Leitura, inaugurado em 1887, com a presença da Princesa Isabel; o Largo de São Francisco que, criado em 1756, era utilizado como lixeira e cocheira dos animais que faziam a tração dos ônibus, sendo calçado apenas em 1817; o Teatro Carlos Gomes, cuja reconstrução começou em 1929, após grande incêndio; a Igreja Presbiteriana, único prédio em estilo gótico no centro do Rio de Janeiro; a centenária sapataria Tic-Tac, que criou fama na época da guerra por se especializar em cravejar tachinhas de ferro nas extremidades do solado dos calçados e a casa da intérprete lírica Bidu Sayão.

Um casarão que viu Machado – Localizado em uma das esquinas da praça, o edifício que abriga o CRAB já existia no início do século XIX quando o príncipe regente D. João chegou ao Brasil (na época, era o segundo prédio mais alto da colônia). Logo em seguida foi reformado e ganhou ornamentação neoclássica. Foi residência do barão do Rio Seco até 1836 e sede do elegante Clube Fluminense em 1860, frequentado por ninguém menos que Machado de Assis. A mais duradoura função do velho palacete foi como sede da Secretaria/ Ministério da Justiça e Negócios do Interior desde o segundo reinado (1873) até 1930. A partir de 1934 passa a abrigar o Departamento de Trânsito, sucessivamente, do Distrito Federal e dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.

A construção atual tem três pavimentos de planta retangular desenvolvida em torno de um pátio interno. A simplicidade austera do seu aspecto exterior com embasamento de pedra e linhas retas é suavizada pelas estátuas sobre os cunhais e pela platibanda com folhas de acanto estilizadas, em harmoniosa obediência à regra clássica. Nos anos 90, o edifício ficou desocupado e posteriormente foi tombado pelo Iphan. O casarão foi escolhido como sede do CRAB por reunir razões históricas, localização privilegiada, acesso fácil, ampla área útil e infraestrutura.

A obra – O prédio foi submetido a cuidadosa restauração, que mobilizou 130 trabalhadores entre pedreiros, eletricistas, marceneiros, bombeiros e montadores durante dois anos. Na obra, que teve o acompanhamento do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), foram usados mais de 1,1 mil metros quadrados de Ipê Champanhe de reflorestamento, de Manaus, e 540 metros quadrados de ladrilhos hidráulicos, de São Paulo e Minas Gerais. Até mesmo a cor original da fachada foi pesquisada e reproduzida.

Entre os destaques estão estátuas de terracota do século XIX – as originais, restauradas com a ajuda de especialistas, inclusive italianos, serão expostas no chão, enquanto réplicas de fibra de vidro assumirão seus lugares na platibanda. Elas representam a sabedoria, medicina, indústria e agricultura e têm 2,10 metros.

Ficha técnica:

Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro
Endereço: Praça Tiradentes, nºs 67, 68 e 71 – Centro – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3065-4333
Horários: De terça a domingo, das 10h às 18h.

Entrada gratuita

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Por dentro do CRAB

No total são 3.227,95m², divididos em três andares e unificados arquitetonicamente.

Térreo (1.054,47 m²)

No térreo, fica a Loja-conceito, a Rua do Mercado e o Espaço Gastronômico.

A Rua do Mercado (180,93 m²) é a entrada principal do CRAB, local de chegada e recebimento do público. Espaço de circulação e de articulação entre os três prédios que compõem o CRAB, serve como ponto de encontro, informações, organização de grupos.

A Loja-conceito (547,91 m²) ocupa integralmente os 547 m2 do térreo do Solar Visconde do Rio Seco e tem dois acessos: pela Praça Tiradentes e pela Rua do Mercado (entrada principal do CRAB). Está distribuída em sete grandes ambientes, destinados à exposição e à venda dos produtos artesanais de todas as categorias. Mostrados de forma interativa, essas peças artesanais sempre contarão as histórias dos artesãos e de seus universos criativos.

Com arquitetura contemporânea, o Espaço Gastronômico (117,62 m²) é um ponto de atratividade e uma opção de lazer, que ainda conta com um ambiente externo no coração da Praça Tiradentes.

Primeiro andar (921,41 m²)

Aqui estão localizados o Espaço Conexões e o Espaço Exposições.

O Espaço Conexões (231,27 m²) é um local amplo, constituído de Midiateca, Praça e Café – aberto e sem divisórias. Um lugar de convívio, voltado ao encontro ocasional e às reuniões programadas. Ali todos podem se conectar com as ações e os programas do CRAB. Projeções multimídia, o acervo da Midiateca, além dos serviços do CRAB Web (em tablets) estarão à disposição do público e dos profissionais que fazem parte da cadeia produtiva do artesanato brasileiro.

O Espaço de Exposições ( 531,98 m²) representa toda a potência conceitual do CRAB. Nele serão apresentados exposições de diferentes olhares sobre o artesanato produzido no Brasil e suas possíveis conexões com outras formas de expressão como a moda, o design, as artes visuais e a cultura popular.

Segundo andar (1.065,07 m²)

No segundo andar estão localizados o Espaço Experimental, o Espaço Oficinas, o Espaço das Crianças, o Espaço Multiuso e a Administração.

O Espaço Experimental (128,26 m²) é uma área complementar à de exposições e parte do Espaço Multiuso. Um laboratório de invenções, pronto para receber desde pequenas mostras de novos artesãos urbanos a instalações e performances.

O Espaço Multiuso (118,28 m²) terá uma programação diversificada, prevista pelos programas de todas as áreas do CRAB. Poderá abrigará shows, encontros, debates, oficinas, palestras, lançamentos de produtos e cursos livres.

Um ponto estratégico do CRAB é o Espaço Oficinas (112,5m²). Este espaço será destinado à capacitação, formação e especialização. Terá um calendário de cursos – permanentes ou temporários – que atenderá a diferentes perfis de público e de níveis de conhecimento, visando atender às demandas de aprendizagem com os próprios segmentos do mercado, para capacitar com eficiência toda a cadeia do artesanato.

Ambiente próprio para brincar e para criar com materiais (barro, madeira) e recicláveis (alumínio, plástico, papel), o Espaço da Criança (50.50m²) é o local do encontro da criança com o artesanato brasileiro.

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