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Cia. Bruta de Arte elege a memória e os afetos como motes de sua investigação em Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira. Divulgação.
Cia. Bruta de Arte elege a memória e os afetos como motes de sua investigação em Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira. Divulgação.

Cia. Bruta de Arte elege a memória e os afetos como motes de sua investigação em Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira

Peça está calcada na tríade ficção e realidade / memória e esquecimento / tolerância e intolerância

Dia 6 de maio de 2017, sábado, às 21h, estreia na SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo) o espetáculo Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira, da Cia Bruta de Arte, com direção de Roberto Audio, que divide a dramaturgia com Angela Ribeiro, Ana Pereira e Washington Calegari. A realização desse espetáculo contou com o apoio do PROAC 2016.

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Em cena, um grupo de nove amigos que se revê após 10 anos. Estão na Ilhas Galápagos. Ou não. Talvez estejam encenando uma peça de amigos que se reencontra no arquipélago. Mas do que tratam? Dentre os diálogos cercados de lembranças, boas e ruins, surgem revelações, declarações, angústias, invejas e mágoas.

A partir de um jogo vivo de memória, invenção e esquecimento, os atores recriam com o público diferentes momentos do passado, para, no presente, vivenciarem uma experiência conjunta, um novo registro coletivo de memórias, reais ou ficcionais.

Com base nos depoimentos colhidos entre os próprios atores da Cia Bruta e nos obtidos no projeto Cartografias do Esquecimento, a peça busca fazer aflorar experiências individuais e coletivas de memória e esquecimento. A reconstrução de memórias se fundamenta nas relações entre as experiências pessoais e o contexto político-social partindo de questionamentos vitais em uma sociedade em que se afloram a intolerância e o desentendimento. Do que é posto para o público, o que é ficção e o que é realidade? O quanto o afeto (e a falta dele) podemos resgatar, apesar das diferenças?

SINOPSE

Um terremoto abre uma fenda na terra e divide um país inteiro em dois lados. Em vários lados. Por conta disso, um grupo de amigos parte para as Ilhas Galápagos, lugar onde Darwin iniciou seus estudos sobre a teoria da evolução das espécies, com o intuito de recriarem e preservarem experiências individuais e coletivas de memória e esquecimento, num espaço de intersecção entre ficção e realidade. Ao se defrontarem com o comportamento dos animais, traçam um paralelo com as suas próprias relações fragilizadas e percebem o quanto estão regredindo por terem deixado algo muito importante ser esquecido: o afeto.

O que é real / O que é ficção

A poeira pode ser o emblema de uma memória traiçoeira, incapaz de se preservar, eclipsada entre partículas de esquecimento. Esse princípio natural de transformação da lembrança foi o alicerce para o desenvolvimento do jogo teatral do espetáculo.

Concepção da obra

A Cia. Bruta de Arte entende a memória como força ativa, em permanente transformação. Tudo que importa deve ser guardado: as fotos, as senhas, os números de telefone, os nomes, as datas, os rostos, as pequenas mentiras, os traumas, os fatos históricos, as manifestações políticas, os amores, as epifanias, as frustrações e as sensações que nos despertam os sentimentos mais marcantes, e que formam um inventário subjetivo do que somos. Assim, o ato de lembrar se revela não só um mecanismo de sobrevivência, como uma busca pela imortalidade.

No entanto, o que interfere no processo de resgate ou preservação da memória se revela, na perspectiva deste trabalho, como nuvens de poeira. Partículas de desentendimentos, carregadas de preconceitos, desamor, intolerâncias e esquecimentos que se acumulam, turvam a visão e impedem de ver o que está além, adiante, ou o que veio antes de nós. Sob essa perspectiva, o grupo se apropria dos conflitos cotidianos como linha tênue entre a lembrança do que nos une e o esquecimento que nos aparta, entre o que nos eleva e o que nos amesquinha, entre o que nos torna tão humanos e desumanos a um só tempo.

Dessa forma, a nuvem de poeira carrega o peso das atitudes reprováveis, que nos tornam irreconhecíveis a nós mesmos que abrem fendas que nos separam sobre um mesmo solo, sob um mesmo céu. Podem evocar tremores e abrir espaços para condutas que, sob um céu claro, sem poeira, não gostaríamos de lembrar ou reproduzir. Nesse debate, inevitáveis perguntas eclodem: quanto tempo até que a garganta se liberte para dizer o que ainda não foi dito? Quanto tempo até que a nuvem se disperse e vislumbremos o entendimento com o outro? Quanto tempo até que as ilhas que somos, como indivíduos, se reconheçam como um arquipélago, com suas fronteiras alagadas, mas unidas nas profundezas do oceano? Quanto tempo até aprendermos a lidar com os embates de nossas placas tectônicas?

Por outro lado, a poeira pode ser o emblema de uma memória traiçoeira, incapaz de se preservar, eclipsada entre partículas de esquecimento. Assim, o processo de resgate e reconstrução das lembranças gera distorções e perdas de informações originais em relação ao que realmente aconteceu. Esse princípio natural de transformação da lembrança foi o alicerce para o desenvolvimento do jogo teatral proposto no espetáculo.

No resgate de memórias vivenciadas pelo grupo, o jogo teatral evidencia as múltiplas possibilidades sobre uma mesma lembrança. Ao destacar diferentes elementos e até mesmo distorcê-los, os atores, junto com o público, geram uma nova estrutura, uma nova memória, que não necessariamente corresponde à antiga realidade.

O que é real / O que é ficção

O grupo se apropria dos conflitos cotidianos como linha tênue entre a lembrança do que nos une e o esquecimento que nos aparta.

Cenário, Figurino, Iluminação e Música

A proposta de cenografia sugere um espaço aberto instaurado em qualquer lugar do mundo. Um acampamento que pode acontecer em uma ilha, num território devastado, numa cidade em erupção, numa floresta ou num teatro ocupado. É através dessa estrutura que os atores/personagens, nômades do tempo/espaço, transitam entre diferentes experiências de realidade e ficção.

A ideia inicial dos figurinos, acompanha a mesma linha de raciocínio do cenário, representando ora o momento real, era uma memória ficcional fantástica entre o homem e o animal.

A iluminação parte da atmosfera real que transita entre o estado de delírio e a crueza do excesso de lucidez, gerando rupturas no tempo e espaço e atmosferas oscilantes entre o sonho e a realidade.

E por fim, a música, que além de trazer a nostalgia das memórias vividas, servirá como impulso para uma recriação musical. Formando um conjunto de experiências sonoras, algumas vezes sobrepostas, a trilha servirá como suporte para inaugurar diferentes níveis de partituras corporais e danças incomuns que têm como objetivo resgatar as memórias antigas de experiências vividas e compartilhadas, celebrar algo desejado, ou tentar esquecer, como numa catarse, algo que precisa ser pulverizado.

Uma ilha é, por definição, um prolongamento do relevo, algo que emerge de uma depressão profunda e circundada por água. Algo que emerge. Um conjunto de ilhas é chamado de arquipélago. Arquipélago é um conjunto de relevos, emergidos de depressões profundas, circundados por água. Água por todos os lados. Uma ilha é uma cisão, uma fenda visível entre ela e o continente e preenchida pelo mar. Cada indivíduo é uma ilha. Um prolongamento de relevo, emergido de uma depressão profunda. Um arquipélago é uma reunião de indivíduos. Indivíduos preenchidos por água, por todos os lados. Com suas fronteiras afogadas, seus pontos submersos de contato, suas conexões. Laços líquidos. Nada é palpável. A intangibilidade que leva à intolerância. A tentativa de construir pontes, ainda que feitas de cadáveres, de ossos, de fósseis, de animais mortos, de involuções. Pontes construídas sobre um território frágil. Uma ilha pode ser também, uma ausência de contato e um excesso de contato com você mesmo. (trecho da peça)

O diretor Roberto Audio

O ator e diretor Roberto Audio é formado pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral) e pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) em Artes Visuais. No CPT, sob a direção de Antunes Filho, trabalhou como ator durante cinco anos. De 1998 a 2015, foi integrante do Teatro da Vertigem. Em ambas companhias, participou de vários espetáculos e também festivais nacionais e internacionais. Também já trabalhou com outros diretores, entre eles, Franz Castorf (Volksbünne – Berlim/Alemanha), Cibele Forjás, etc. Desde 2008 é também diretor da Companhia Bruta de Arte. No cinema, atuou nas seguintes produções: “Vazante”, de Daniela Thomas; “Linha de Passe”, de Walter Salles;, “Carandiru”, de Hector Babenco; “Xingu” de Cao Hamburguer; “Riocorrente” e “O Olho e a Faca”, de Paulo Sacramento; “Insolação”, de Felipe Hirsch; “O Magnata”, de Jhonny Araújo; “O Rei da Manhã”, de Daniel Rezende; “Boca do Lixo”, de Flavio Frederico; “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini; Restô de André Pellenz, “Nina” e o “Cheiro do Ralo”, de Heitor Dália, etc.

Histórico – Cia. Bruta de Arte

A Cia. Bruta de Arte é núcleo de criação e pesquisa, interessado na investigação de novas linguagens teatrais e em outras expressões artísticas, como a dança, o cinema, a performance e as artes plásticas.

Em 2007, com direção de Roberto Audio, o grupo apresenta El Truco, livremente inspirado em Sonhos de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare.

Em 2009, Roberto Audio dirige a Cia. Bruta em Cine Belvedere, espetáculo criado a partir da pesquisa do universo onírico e do universo cinematográfico de alguns diretores, como David Lynch, Alejandro Jodorowsky e Tim Burton. Esse trabalho itinerante foi realizado durante um ano no Casarão Belvedere.

Em 2010, o grupo apresenta o experimento cênico Assento Reservado, que resulta, em 2012, no espetáculo Máquina de Dar Certo, criado a partir do estudo das teorias do psicólogo Frederich Skinner e da espetacularização do condicionamento humano. Entre 2012 e 2015, o espetáculo, também dirigido por Roberto Audio, cumpriu temporadas em diversos teatros da capital: Espaço Parlapatões, TUSP, Teatro Cacilda Becker, Teatro Martins Penna, Teatro Flávio Império, Teatro Arthur Azevedo e Teatro Paulo Eiró. Máquina de Dar Certo também participou dos festivais de teatro de Araçatuba/SP, Bauru/SP, Itajaí/SC, Presidente Prudente/SP e São José dos Campos/SP.

Em 2013, a Cia. Bruta dá início a duas novas pesquisas, dirigidas por dois atores da companhia. Os dois trabalhos, Pequeno- Burgueses: Rapsódia em Duas Partes e Fotossensível, estrearam em 2014.

Em 2015, sob direção de Roberto Audio, a Cia. Bruta de Arte realiza a intervenção cênica Cartografia do Esquecimento, na qual pequenas instalações ambulantes abrigam o grupo de performers que caminham pela cidade, realizando intervenções individuais e coletivas. O trabalho foi apresentado na Virada Cultural, nas Satyrianas, SESC Interlagos e nas cidades de Itajaí/SC e de Presidente Prudente/SP. No mesmo ano, o grupo apresenta o experimento cênico Ou Em Qualquer Lugar, como parte do processo de criação do espetáculo Quantos Segundos Dura Uma Nuvem de Poeira.

Minibios dos atores

Ana Pereira
Atriz e dramaturga, formada em Letras pela USP. Na Cia Bruta de Arte desde sua formação, atuou nos espetáculos Vestir o Corpo de Espinhos, dirigido por Alberto Guzik, El Truco e Cine Belvedere e na intervenção urbana Cartografia do Esquecimento dirigidos por Roberto Audio – e Pequeno-Burgueses, Rapsódia em Duas Partes, sob direção de Paulo Maeda. É produtora do espetáculo Máquina de Dar Certo, da mesma companhia. Atualmente integra o Núcleo de Dramaturgia do Sesi. É uma das dramaturgas do espetáculo Quantos Segundos Dura Uma Nuvem de Poeira.

Ana Lúcia Felippe
Com a Cia Bruta de Arte, atuou nos espetáculos Máquina de Dar Certo, Cine Belvedere, El Truco, Assento Reservado e na intervenção urbana Cartografia do Esquecimento, todos dirigidos por Roberto Audio e também Pequeno-Burgueses, Rapsódia em Duas Partes, dirigido por Paulo Maeda e ainda em Vestir o Corpo de Espinhos e Rua Taylor 214, do Núcleo Experimental dos Satyros, dirigidos por Alberto Guzik.

Angela Ribeiro
Publicitária, atriz e dramaturga. Formada pela Escola de Arte Dramática da USP e em dramaturgia pelo SESI Britsh Council. Atualmente seu texto Refluxo está em cartaz no Mezanino do Sesi, em São Paulo, sob direção de Eric Lenate. No teatro foi dirigida por Georgette Fadel, Bete Dorgan, Mirian Rinaldi, Rodolfo Vasquez, Rogerio Toscano, Luis Damasceno, Jose Fernando Azevedo e Roberto Audio entre outros. Atuou em todos os espetáculos da Cia. Bruta de Arte. É uma das dramaturgas do espetáculo Quantos Segundos Dura Uma Nuvem de Poeira.

Fabiana d’Praga
Na Cia Bruta de Arte, atuou em Cine Belvedere e El Truco e na intervenção urbana Cartografia do Esquecimento, todos dirigidos por Roberto Audio. Atuou ainda nos espetáculos Vestir o Corpo de Espinhos e Rua Taylor 214, do Núcleo Experimental dos Satyros, dirigidos por Alberto Guzik.

Marba Goicochea
Com a Cia Bruta de Arte, atuou nos espetáculos Máquina de Dar Certo, Cine Belvedere, El Truco, Assento Reservado e na intervenção urbana Cartografia do Esquecimento dirigidos por Roberto Audio. Atuou ainda em Divinas Palavras, dirigida por Rodolfo Gárcia Vásquez; Escola de Tiranos e O Mal Dito, dirigidos por Fransérgio Araújo, da Cia. Ópera Ritual.

Rodolfo Morais
No teatro atuou em Depois de Tudo, Frames e Só Entre Nós, dirigidos por Flávio Faustinoni. Também trabalhou com o Teatro da Vertigem no espetáculo BR3 e no seriado Descolados, produzido para MTV e Band.

Teka Romualdo
Além de participar de todos os espetáculos da Cia Bruta de Arte, atuou nos filmes Os Amigos, de Lina Chamie – pelo qual foi indicada a melhor atriz coadjuvante no Festival de Gramado; Mãe Só Há Uma, de Ana Muylaert; Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano; Correndo Atrás, de Jeferson De; e na série 3%, produzida pelo Netflix.

Wanderley Salgado
Ator, formado pelo Teatro Escola Macunaíma. Na Cia Bruta de Arte desde sua fundação, atuou nos espetáculos Vestir o Corpo de Espinhos, El Truco, Cine Belvedere e Máquina de Dar Certo, além da intervenção urbana Cartografia do Esquecimento. Participou como ator em óperas do Teatro Municipal de São Paulo de 2013 a 2015. Atualmente é integrante do Coral da Casa das Rosas.

Washington Calegari
Ator e jornalista, formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Estreou no teatro com o espetáculo Chico em Obras, do Núcleo Experimental do Satyros, sob direção de Nora Toledo. Na Cia Bruta de Arte desde sua fundação, atuou em Vestir o Corpo de Espinhos, El Truco, Cine Belvedere e Máquina de Dar Certo, além da intervenção urbana Cartografia do Esquecimento. É um dos dramaturgos do espetáculo Quantos Segundos Dura Uma Nuvem de Poeira.

FICHA TÉCNICA
Concepção e Direção: Roberto Audio

Dramaturgia: Angela Ribeiro, Ana Pereira, Roberto Audio e Washington Calegari
Elenco (Atores e Personagens):
Ana Lúcia Felippe – Fernandina Romualdo
Ana Pereira – Floreana Goicochea
Angela Ribeiro – Genovesa d’Praga
Fabiana d’Praga – Daphne Salgado
Marba Goicochea – Marchena Calegari
Rodolfo Morais – Cristóvão Pereira
Teka Romualdo – Isabela Ribeiro
Wanderley Salgado – Bartholomé Felippe
Washington Calegari – Santiago Morais
Direção de movimento: Fabiano Benigno
Figurinos: Rosângela Ribeiro
Cenografia: Cia. Bruta de Arte
Iluminação: Paulo Maeda
Sonoplastia: Érico Theobaldo
Produção: Rodolfo Morais e Cia. Bruta de Arte
Projeto Gráfico: Angela Ribeiro
www.ciabrutadearte.com
www.facebook.com/ciabrutadearte

SERVIÇO:

Quantos Segundos Dura uma Nuvem de Poeira
Escola SP de Teatro
Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação
Temporada de 06 de maio a 26 de junho de 2017
Sábados, às 21h; domingos, às 20h; segundas, às 21h
Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos
Ingressos: R$ 20

Capacidade: 60 lugares

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