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Jorge Macchi, Mare Tranquilitatis. Foto: Divulgação.
Jorge Macchi, Mare Tranquilitatis. Foto: Divulgação.

Começa a 1ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul – BIENALSUR

Começa a 1ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul – BIENALSUR, com a realização de 100 exposições simultâneas em 32 cidades de 16 países

Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul integram o circuito do evento, que reúne obras de mais de 300 artistas dos cinco continentes. As mostras serão realizadas de setembro a dezembro ao redor do mundo e estarão interligadas através da tecnologia.

A partir de setembro, um novo universo cartográfico irá eliminar as fronteiras através da arte, num diálogo cultural instantâneo entre a América do Sul e o resto do mundo. O ponto de partida – Km 0 – é Buenos Aires, Argentina; o mais distante, Tóquio, Km 18.370. O Brasil está no Km 2.240. E a conexão não se dará apenas entre os artistas e curadores que irão exibir seus trabalhos simultaneamente até dezembro. O público terá a oportunidade de fazer parte dessa inovadora rede cultural criada pela BIENALSUR, participando ao mesmo tempo de diferentes eventos e exposições em todas as 84 sedes da bienal, graças à utilização de uma ferramenta de dimensão virtual, as Ventanas BIENALSUR, que oferece aos visitantes de qualquer uma das mostras a possibilidade de ver o que está acontecendo em cada uma das outras exposições. Essa ferramenta também permite o diálogo ao vivo entre as pessoas que estejam em diferentes eventos da programação.

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No Brasil, o Memorial da América Latina, na capital paulista, será um dos ícones da BIENALSUR, ao lado da Casa do Povo, Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (SP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Universidade Federal de Santa Maria (RS), Central do Brasil e Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Nas sedes nacionais poderão ser apreciados trabalhos de artistas de Madagascar, Argentina, Espanha e França. Em paralelo, a arte de brasileiros como Eduardo Srur, Regina Silveira, Shirley Paes Leme, Ivan Grilo, Vik Muniz, José Bechara, Cildo Meireles, Hélio Oiticica e Anna Bella Geiger, entre outros, irá compor esse intercâmbio cultural, com mostras na Argentina, em Porto Rico e no Peru.

Organizada pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), desde o final de 2015, a BIENALSUR conta com o reitor Aníbal Jozami como Diretor Geral e Diana Wechsler como Diretora Artístico-acadêmica. É uma bienal de arte que, pela primeira vez na história das bienais, coloca vários artistas e cidades do mundo em relação de igualdade. Multidisciplinar, destaca-se ainda pelo o ineditismo de contar com diversos países promotores de uma mesma iniciativa e pelo protagonismo das instituições universitárias: 20 universidades de todo o mundo participam do projeto. Mais de 95% das obras que fazem parte da Bienal foram escolhidas através de duas seleções internacionais abertas, que receberam mais de 2.500 propostas de 78 países.

EXPOSIÇÕES NO BRASIL

SÃO PAULO

Memorial da América Latina – 04/09

El mundo cabe en una obra – Ana Gallardo, Edgardo Antonio Vigo, Federico Manuel Peralta Ramos, Mirtha Dermisache, Mariana Ferrari, Lucrecia Lionti, Jorge Macchi, Tomás Maglione, Pablo Rosales Edgardo, Ivana Vollaro, Juan Carlos Romero, da Argentina. Curadoria: Jimena Ferreiro Pella.

As obras reunidas nessa exposição buscam repoetizar o mundo. Obras simples mostram o artista com lápis na mão, ou atrás da câmera, no lugar de observador ou cronista, confirmando sua capacidade de configurar uma nova existência poética da vida cotidiana. Esse projeto, segundo a curadora, “procura refundar uma nova autonomia do trabalho baseado no imediatismo, onde a arte pode voltar a negociar com a vida testando outras formas de estar juntos e ser-mundo”.

Memórias de Corpo e Sombras – Coleção de Coleções Oscar Muñoz (COL), Graciela Sacco (ARG), José Alejandro Restrepo (FRA/COL), Harun Farocki (DEU), Pedro G. Romero (ESP), Botto & Bruno (ITA) e Ana Gallardo (ARG). Curadoria: Diana Wechsler.

Seleção de instalações de vídeo de diversas coleções sul-americanas. O foco são as diferentes formas de comunicação do corpo, que muitas vezes “fala” antes da palavra. A retórica de um personagem encarna possíveis respostas; um catálogo de mãos em diferentes ações é capaz de condensar as vicissitudes de várias vidas, enquanto a pancada do calcanhar de um dançarino serve como marca rítmica para a descrição do seu corpo tenso.

Sombras para Llevar – Juliana Iriart (ARG).

Mostra interativa onde o público é convidado a posar para “materializar a sua sombra”, na posição que desejar. Diante de um holofote, a sombra projetada é capturada num rolo de papel de embrulho e transformada em um origami, que será entregue ao participante.

Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (SP) – 05/09

Continuado – Eduardo Basualdo (ARG).

O projeto irá exibir a instalação “Voluntad”, selecionada pelos curadores da Bienal, além de quatro outras obras de momentos distintos da carreira do artista. Em “Voluntad” o artista instala um portão de garagem dentro de uma sala, dividindo-a em duas metades. O portão se move automaticamente fechando um lado e abrindo o outro ao mesmo tempo. Ambos os lados da barreira permanecem ligados por uma passagem; a localização desta passagem é o que muda de lugar. As três outras obras são: “Hambre”, escultura cinética; “Homeless”, uma roleta que gira indefinidamente; “Lluvia de Fuego”, instalação que projeta a sombra da luz de um abajur no chão, e “Las Horas”, instalação sonora.

Quem foi?– Graciela Sacco (ARG).

A artista apresentará uma intervenção pública que questiona, ao mesmo tempo, o espaço íntimo. “A multidão sempre tem um rosto anônimo. Todo mundo é culpável e ninguém é culpável”, afirma Graciela. Quem foi? é um dedo que nos sinaliza, nos intimida, nos acusa, nos inquieta.

RIO DE JANEIRO

Fundação Getúlio Vargas – FGV – 12/10

Captura formal “El espacio como sustancia inmaterial para la construcción de arquitecturas y morfologías ideales” – Marcolina Dipierro (ARG).

A artista propõe uma intervenção com diferentes elementos geométricos para gerar um diálogo com o espaço existente do edifício. Segundo a artista, suas obras podem projetar e demarcar pontos esquecidos, gerando diferentes formas de interpretação, de reflexão crítica e de prazer do presente no nosso dia a dia natural e urbano.

Estação Central do Brasil – 12/10

M2 – Graciela Sacco (ARG).

Em M2 a artista questiona o direito que assiste a todo ser humano de nascer em, ao menos, um metro quadrado. Esse direito, uma proposta utópica, se vê violentado por trânsitos, migrações e exílios. O tema dos trânsitos se fará visível através de imagens translúcidas colocadas nas janelas da populosa estação, despertando perguntas sobre a própria condição “em trânsito” de cada um de nós.

RIO GRANDE DO SUL

Universidade Federal de Santa Maria – 28/08

Factors 4.0 – O Festival de Arte, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – FACTORS reúne artistas nacionais e estrangeiros para o desenvolvimento de projetos nas mais diferentes linguagens no campo da arte, ciência e tecnologia. Esse ano, o evento acontece em parceira com a Universidad Nacional de Tres de Frebrero (UNTREF) e tem como tema a Bioarte, que compreende a arte produzida através da utilização de seres vivos e recursos naturais, em contato com meios e tecnologias artificiais. Artistas convidados: Ana Laura Cantera (UNTREF); Eduardo Kac (SAIC/Estados Unidos); Fernando Codevilla (UNIFRA) e Leonardo Arzeno; Gabriela Lílian Munguía Ortíz e Guadalupe Chávez Prado (UNTREF); Gilbertto Prado (UAM/USP); Guto Nóbrega (UFRJ); Laura Nieves, Leandro Nuñes, Mariela Yeregui, Miguel Grassi (NIXSO/UNTREF); Paula Guersenzvaig (UNTREF); Rebeca Stumm (UFSM); Walesca Timmen e Raul Dotto (UFSM); e Yara Guasque (UDESC).

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre – 04/10

Le La tour du monde – Instalação de Joel Andrianomarisoa (MDG) no Campus Centro e Campus Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Seu trabalho envolve as relações humanas e o espaço urbano. O artista busca nos ruídos, cheiros e luzes o movimento incessante que gera a vida da cidade. “Eu preciso ser surpreendido pelas imagens. A situação tem de ser absolutamente incrível. Não me considero um fotógrafo, eu sou alguém que constrói as imagens”.

Humus | La Pier no Calla – Videoinstalação site specific de Teresa Pereda (ARG), no Planetário de Porto Alegre (Planetário Professor José Baptista Pereira, Campus Saúde, na UFRGS).

Pereda intervém, com um imponente declive natural, na cúpula do Planetário de Porto Alegre, situando o espectador num templo de contemplação da bravura da água e do som de nossos dias imersos no trânsito urbano. O fluxo caótico da natureza nos alerta sobre a frágil condição do homem. Embora a experiência de um planetário seja a de nos fazer viajar para qualquer céu no mundo, neste caso, as imagens do vídeo gravam o poderoso impulso da subida da água de um curso subterrâneo.

Luz – Teresa Pereda (ARG) – Videoinstalação – Salão de Festas da Reitoria da UFRGS

Tribute – Mireille Kassar (LIB) – Projeção de filme – Sala Redenção Cinema Universitário da UFRGS

Ciclo Amos Gitai – Projeção de filme – Sala Redenção Cinema Universitário da UFRGS

Maratona de vídeoarte BIENALSUR – Sala Redenção Cinema Universitário da UFRGS

A partir de novembro

Em Buenos Aires, a Bienal fará intervenções em espaços como a antiga Confitería del Águila (nova sede do MUNTREF Centro de Arte Contemporânea para a Biodiversidade, em processo de recuperação), o zoológico da cidade, que está sendo transformado em um parque ecológico interativo, diferentes sedes do MUNTREF, o MALBA, o Museo Nacional de Bellas Artes, a Casa del Bicentenario, a Fundación PROA, o Centro Cultural Kirchner, a Usina del Arte e fachadas de prédios emblemáticos, praças e aeroportos. Além disso, estará presente em Tigre, Caseros, Rosário, Córdoba, San Juan, Tucumán, Salta e Bahía Bustamante (Chubut) na Argentina. Depois, o caminho seguirá por outros países: Uruguai (Montevidéu), Paraguai (Assunção), Chile (com sedes em Santiago, Valdívia e Valparaíso), Peru (Lima), Equador (Guayaquil) e Colômbia (Bogotá e Cúcuta). No continente africano, a parada é em Ouidah, em Benim. Na Europa, Espanha (com sedes em Madri e Palma de Mallorca) e França (com sedes em Paris e Marselha) e Austrália (Frankston, Victoria). Por último, na Ásia, o Japão (Tóquio).

Visite o site: www.bienalsur.org

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