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Exposição celebra os 50 anos de carreira de Elifas Andreato no Museu Correios, em Brasília

Elifas Andreato. Foto: Divulgação.

Elifas Andreato. Foto: Divulgação.

A partir de 4 de fevereiro, o Museu Correios recebe a exposição Elifas Andreato, 50 Anos, que reúne alguns dos principais trabalhos elaborados pelo artista paranaense ao longo de meio século de carreira, em uma trajetória que se liga à fase áurea da música popular brasileira, à luta contra o regime militar e pela afirmação da identidade cultural brasileira.

A exposição, que conta com patrocínio exclusivo dos Correios, poderá ser contemplada no Museu Correios até 3 de abril de 2016. Depois segue para o Centro Cultural Correios em São Paulo.

A mostra tem início com uma linha do tempo, que narra desde os primeiros trabalhos, realizados ainda nos tempos de operário, até as mais recentes produções, passando por alguns dos principais capítulos da história da música, do teatro e da política no Brasil.

No campo musical, estão presentes trabalhos feitos para alguns dos mais importantes nomes da MPB, como Paulinho da Viola, Elis Regina, Martinho da Vila, Tom Zé, Chico Buarque, Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes, entre outros.

Em estações multimídia, os visitantes podem selecionar e assistir a depoimentos do artista sobre a realização de alguns de seus principais trabalhos para a música: capas de disco, coleções de fascículos, projetos culturais.

Os visitantes podem ainda sentar-se em torno de estações digitais para ouvir discos que Elifas embalou, a partir de um aplicativo que reproduz as velhas vitrolas, seus característicos chiados e sua forma de operação.

Arca de Noé. Foto: Divulgação.

Arca de Noé. Foto: Divulgação.

O trabalho do artista voltado para o universo infantil também está representado, com destaque para uma reprodução em grande escala da arca e dos bichinhos que compõem a capa do inesquecível Arca de Noé, de Vinicius de Moraes. Crianças e adultos podem se colocar dentro da capa, em uma proposta expográfica que desdobra os planos da obra, quase como em um livro pop-up.

A mesma experiência de adentrar os trabalhos de Elifas os visitantes têm com discos como Canto das Lavadeiras, de Martinho da Vila, e de cartazes para Elis Regina e para a peça Rezas de Sol para a Missa do Vaqueiro.

Outro destaque é a releitura da histórica capa do disco Ópera do Malandro, de Chico Buarque – uma das mais caras produções de arte para a indústria fonográfica. O malandro de branco que repousa num vagão de trem de subúrbio ganha espaço na exposição em uma escultura com tamanho humano. Assim, os visitantes têm a oportunidade de participar da cena, sentando-se ao lado do personagem no banco do vagão, como se tivessem entrado na capa do disco de Chico Buarque.

A contribuição de Elifas Andreato para o teatro ganha espaço também com a reprodução de cartazes como A Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, com direção de Flávio Rangel; Mortos Sem Sepultura, de Jean-Paul Sartre, dirigida por Fernando Peixoto; e Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal, com direção de Paulo José.

A atuação política, sobretudo durante o regime militar, tem espaço com a reprodução de alguns dos trabalhos que ilustraram a resistência à ditadura no período, como capas para publicações alternativas que fundou e dirigiu: os jornais Opinião e Movimento e a revista Argumento.

Cartaz Greve. Foto: Divulgação.

Cartaz Greve. Foto: Divulgação.

Como denúncia dos crimes cometidos pelo regime, comparecem 25 de Outubro (1981), que escancarou em tela o assassinado do jornalista Vladimir Herzog nas instalações do DOI-CODI, e o majestoso painel A Verdade Ainda que Tardia (2012), encomendado pela Comissão da Verdade da Câmara, presidida pela deputada federal Luiza Erundina.

A exposição traz ainda um raro exemplar do Livro Negro da Ditadura Militar, com capa assinada pelo artista, além de outras reproduções e objetos valiosos que ajudam a recontar a trajetória de Elifas Andreato e seu compromisso com a cultura e a história do País.

SOBRE O ARTISTA

Elifas Andreato nasceu no Paraná em 1946. O marco inicial da sua carreira é 1965, quando abandonou o trabalho de aprendiz de torneiro mecânico na fábrica da Fiat Lux, em São Paulo, para dar os primeiros passos em sua trajetória artística profissional.

Nos anos 1960, na Editora Abril, participou da equipe de criação de inúmeras revistas, fascículos e coleções, como Placar, Veja e História da Música Popular Brasileira. Durante o regime militar, fundou órgãos da imprensa alternativa como Opinião, Argumento e Movimento. Iniciou também o trabalho como programador visual e cenógrafo para peças teatrais memoráveis.

Ainda nesse período, destacou-se como criador de capas de discos para os mais importantes nomes da MPB. Ao longo da carreira, calcula que tenha produzido em torno de 400 trabalhos – capas antológicas de praticamente todos os grandes nomes da nossa música.

A partir dos anos 1990, seu trabalho voltou-se para a área editorial, tornando-se responsável pelas históricas coleções MPB Compositores e História do Samba, ambas lançadas pela Editora Globo, e pelo Almanaque Brasil, publicação mensal que circula nos voos da TAM.

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Em 2011, pelo conjunto da obra, recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog, concedido a pessoas que se destacam na defesa de valores éticos e democráticos e na luta pelos direitos humanos. O reconhecimento, assim como a comenda da Ordem do Mérito Cultural, se junta a diversos prêmios que recebeu ao longo da carreira pela contribuição ao País, seja no campo artístico, político ou social.

SERVIÇO
Abertura: 4 de fevereiro de 2016, às 19h
Visitação: de 5 de fevereiro a 3 de abril de 2016
Terça a sexta, das 10h às 19h
Sábado, domingo e feriados, das 12h às 18h

Entrada Franca

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Museu Correios
Setor Comercial Sul

Quadra 04, Bloco A, 256
Brasília – DF

AÇÃO EDUCATIVA
Agendamento de visitas monitoradas:
agendamento@vanguardaproducao.com

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