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Exposição “Multiverso” de Raimundo Rodriguez no Rio

Exposição “Multiverso” de Raimundo Rodriguez no Rio

Está em cartaz até 10 de outubro a exposição individual “Multiverso: nada que você já não tenha visto antes” do artista plástico Raimundo Rodriguez. Ele é um empreendedor nato na área de artes visuais. Tanto como artista como produtor.

O artista participa ainda de outras coletivas na cidade do Rio: Mostra Artefacto 2015 (Casa Shopping) e Rio Setecentista, quando o Rio virou capital (MAR). Raimundo também participou recentemente das mostras “Sobre Papel”, no Parque das Ruínas e “Ser Carioca da Gema”, no Solar da PUC RJ.

Diretor de arte, com premiadas produções na TV e no cinema, o artista Raimundo Rodriguez é fundador do grupo Imaginário Periférico e responsável artístico e curador da galeria Café Baroni, localizada no edifício da Bolsa de Valores do Rio (na Praça XV). Representado pela Sergio Gonçalves Galeria participou das quatro últimas edições da SP-Arte e de feiras internacionais como a Pinta Art Fair.

Na mostra, pequenos multiversos serão resgatados e ressignificados. Entre eles estão o trevo da sorte, os latifúndios de papel, a fórmica e o tecido, os lactofúndios de caixas de leite, a série “diapositivos”, que poderão ser conferidos na Galeria, de terça a sexta-feira, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h, com entrada gratuita.

Raimundo Rodriguez traduz a capacidade criativa desenvolvendo inúmeras linguagens, em suportes alternativos como pinturas, desenhos, objetos, “não-objetos”, assemblages/colagens, esculturas, entre outros. A grande inspiração do artista vem da arte popular brasileira, do neodadaísmo, do dadaísmo, do neorrealismo e pop art.

Autor Raimundo Rodriguez. Titulo :" multiverso", montagem com latas dobradas, ano 2015 . Foto: Divulgação.

Autor Raimundo Rodriguez. Título: “Multiverso”, montagem com latas dobradas, ano 2015. Foto: Divulgação.

Os multiversos habitados por objets trouvé de Raimundo Rodriguez.

Sorte ou revés? O mundo dos jogos e dos vícios é de certa forma, também, o mundo atrativo dos números, das formas e das cores. Curiosamente, em física e cosmologia, a ideia da existência de vários universos simultaneamente é admitida através de algumas teorias. Estas confirmam também a possibilidade de vivermos em uma de muitas dimensões ou como são chamados, em um dos inúmeros “multiversos”. Provados ou não no campo da física, correto é afirmar que uma proposição conceitual pode ser convertida em uma equação (lógica formal), e que sob o olhar da matemática, tudo o que existe, existe em números, em cálculos e em repetições. Poder-se-ia então, neste sentido, por meio de uma metáfora, estender poeticamente, para o campo das artes visuais a existência desses “multiversos”, mais precisamente, deslocando-os para a produção multifacetada do artista plástico Raimundo Rodriguez.

Tais “multiversos”, formados a partir da subjetividade artística traduziriam com excelência a complexidade e a capacidade criativa enquanto um traço pós-moderno gerador de inúmeras linguagens que se cruzam, produzindo diferentes pinturas, desenhos, objetos, “não-objetos”, assemblages/colagens, e esculturas. Sorte!

Nessas incontáveis dimensões categóricas em que a obra de Rodriguez parece transitar multiplicando-se incessantemente, repousa uma constatação sutil, relativa à presença da temática de elementos lúdicos que justapostos dialogam com mais um universo invisível, entre tantos possíveis, que é o universo dos jogos jogados e gastos, das cartas usadas, dos irônicos trevos de cédulas e de perdas e ganhos indecifráveis.

Uma charada artística e um delírio hipnótico, como o que acomete o jogador de Dostoievski, fazendo-o ver estrelas em pleno dia. As apostas de Rodriguez são altas, apesar do título da exposição indicar a construção de um “olhar” estético pouco surpreso, mas não menos encantado; um “olhar” maduro, e já conhecedor das criações do artista. Todavia, é notável constatar a etapa singular do processo pelo qual a obra do artista atravessa, isto é, desde os latifúndios dos últimos anos, feitos, ainda exclusivamente a partir da manipulação de latas de tinta (suas “sobras” do mundo” prediletas), até sua conversão material em latifúndios distintos, como os feitos de tecido, carpete, fórmica, papel. Abusando de cores vívidas, do jogo matemático inveterado de formas presentes na geometria harmônica de quadrados e triângulos que se interpenetram quase infinitamente por meio de dobras e redobras – como ocorre no retângulo áureo e nas espirais de Fibonacci, do jogo de palavras que se misturam em sagazes neologismos, e do uso irrestrito de materiais variados, tais como: cédulas, carpete, tecido, fotografias, latas de tinta, cartas de baralho, caixas de leite, etc., o artista vai povoando seus multiversos exponencialmente com particulares objets trouvé, não hierarquizados, através de obras denominadas: “Trevo da sorte”, “Latifúndios”, “Mimetização de interiores”, “Lactofúndios”, “Diapositivos”, entre outras, na exposição “Multiverso: nada que você já não tenha visto antes”. Apostas na mesa. Os dados estão, enfim, lançados.

Profª drª Renata Gesomino. Departamento de Teoria e História da arte do IART-UERJ. Crítica de Arte e Curadora independente.

Serviço:

Exposição “Multiverso: nada que você já não tenha visto antes”, do artista plástico Raimundo Rodriguez
Sergio Gonçalves Galeria Centro
Até 10 de outubro de 2015
Visitação: de terça a sexta-feira, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h
Entrada Gratuita
Endereço: Rua do Rosário, 38 – Centro

Informações: 2263-7353 e 2253-0923

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Fotos da Inauguração:

Crédito Fotos: Divulgação. Mais em: facebook.

Sobre o artista plástico Raimundo Rodriguez

Nascido no Ceará, em 1963, desde 1969 mora no Rio de Janeiro. Raimundo Rodriguez utiliza materiais descartados para criar obras magníficas, como a série Latifúndios – que vem sendo desenvolvida desde os anos 2000 e foi apresentada recentemente em uma mostra individual no MAC – Museu de Arte Contemporânea de Niterói. A obra ficou conhecida nacionalmente após se apresentada na novela Meu Pedacinho de Chão (Rede Globo, 2014). O artista plástico Raimundo Rodriguez e sua equipe experimentam por um ano a sensação de serem “engenheiros da arte”. Em uma área de cerca de 7 mil m² no Projac, Raimundo levou a essência da série de obras em folha de metal Latifúndios para compor as 28 edificações da Vila de Santa Fé. Em diversas cenas da novela era possível perceber os “Latifúndios” nas paredes, janelas, portas, peitoris.

Responsável artístico e curador da galeria Café Baroni, localizada no edifício Bolsa do Rio (na Praça XV), Raimundo Rodriguez é representando pela Sergio Gonçalves Galeria (www.sergiogoncalvesgaleria.com) pela qual participou das quatro últimas edições da SP-Arte e de feiras internacionais como a Pinta Art Fair.

Fundador do Imaginário Periférico, possuiu duas galerias físicas no Rio (o Espaço Imaginário e a Caza Arte Contemporânea) e agora segue com o projeto Caza Intinerante – que constitui parcerias com outros artistas e galerias e tem como carro-chefe o jornal Página da Caza especializado no segmento.

Para saber mais sobre o artista e sua obra acesse:

raimundorodriguez.blogspot.com.br ,

facebook.com/rraimundorodriguez ,

instagram.com/rodriguezraimundo .

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