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Exposição Pintar, Ousar... Sonhar! Foto: Divulgação.

Exposição Pintar, Ousar… Sonhar! por Rosângela Vig

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Eu sou aquela mulher
A quem o tempo
Muito ensinou
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavra e pensamentos negativos,
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
Que vai ligando a família humana
Numa corrente luminosa
De fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
E angústias do presente.
(CORALINA, 2004, p.132)

Nas palavras de uma grande mulher, a simplicidade que fez parte de sua própria existência. Doceira de profissão, a brasileira Cora Coralina (1889-1985) encantou e tornou doce a própria existência e a nossa, com suas lindas palavras. A receita foi o encanto e a coragem para vencer, superar adversidades e ousar, em tempos ainda difíceis. A Aninha 1, como era conhecida, foi mulher de vida simples, criou filhos, ousou trilhar pela Literatura, descrevendo sua Goiás.

Por tantos motivos, nossa Aninha foi um modelo de mulher, à frente de seu tempo. Seu viver encantou; sua coragem e ousadia, foram motivos para se tornar uma das grandes escritoras de nossa Literatura. Embora seu reconhecimento tenha chegado apenas aos 76 anos, sua trajetória pode ser exemplo da luta feminina por um espaço na sociedade e no trabalho. E esse é o desígnio maior do Dia Internacional da Mulher, comemorado a 8 de março.

A origem do movimento foi em 1857, em Nova York, quando trabalhadoras exigiram o direito de voto, melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil. A repressão pela polícia não impediu que o movimento se espalhasse pelo mundo e a data passou a ser oficial, a partir de 1910. Muito foi conseguido desde então, mas há ainda muito o que se trilhar para que as mulheres conquistem seu espaço na sociedade, no trabalho e no respeito.

Lembrar sempre essa data, é fazer acender a chama que se iniciou em 1910; significa mover forças para dar fim à violência contra a mulher e à desvalorização do trabalho feminino; diz respeito a equalizar salários e vantagens profissionais; mas sobretudo levar ao fim preconceitos, pré-concebidos.

Por esses e por tantos outros motivos essa data deve ser sempre lembrada. E essa data é lembrada também em uma exposição que irá ocorrer na OAB, em São Paulo. Para o evento foram propostos transformar pensamentos em Arte; falar por meio da Pintura; atrever-se com as formas e com as cores; mas sobretudo levar a imaginação ao devaneio. Os participantes são apenas mulheres, artistas que se dispuseram a Pintar, Ousar e Sonhar.

Com Giuseppe Ranzini na curadoria, a exposição exclusivamente feminina tem como tema e celebra o Dia Internacional da Mulher e ocorrerá na OAB de São Paulo, no Espaço Cultural da Casa da Advocacia, rua Afonso Celso, 1200, na Vila Mariana. As obras inéditas são de 28 notórias artistas, as integrantes do Grupo M7, Iolanda Cimino, Rita Caruzzo, Kazuhe Shizuru, Sonia Botture, Vera Ranzini; junto a nomes como Adina Worcman, Adriana Konrath, Alexandra Souza Aranha, Ana Bittar, Ana Mora, Carolina Saindenberg, Cynthia Ragosta, Dircéa Mountfort, Fátima Lourenço, Kity Mendonça, Licia Simoneti, Marcia Wolf, Patricia Amato, Regina Freitas, Rosângela Vig, Sandra Honors, Sandra Lozano, Silvana Ran, Stella Gomide, Suzana Meyer, Tereza Viana, Vanda Ramirez, e Zilamar Takeda.

A exposição estará aberta e terá as obras exibidas ao público, a partir do dia 11 de março, graças ao irrecusável convite da Dra. Cíndia Regina Moraca, Diretora da Comissão de Direito às Artes da OABSP Jabaquara, que incluiu o evento na programação de Cultura e Arte prevista para 2017. A mostra ficará na história das comemorações culturais paulistanas do Dia Internacional da Mulher.

Trazer à tona e lembrar datas como essa, significa retomar, propor e suscitar questionamentos. O aprimoramento da sociedade é o resultado disso. Vale a pena ser espectador nessa linda mostra, vale a pena ainda sonhar e elevar a alma.

Dize:
O vento do meu espírito
Soprou sobre a vida.
E tudo o que era efêmero
Se desfez.
E ficaste só tu, que és eterno…
(MEIRELLES, 1995, p.2)

1 A poetisa adotou o nome de Cora Coralina, mas seu nome verdadeiro era Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretas.

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Referências:

CORALINA, Cora. Melhores Poemas. São Paulo: Global Editora, 2004.

MEIRELLES, Cecília. Cânticos. São Paulo: Editora Moderna, 1995.

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