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“Gênios da Pintura:” por Juliana Vannucchi

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Abaixo, listei as minhas maiores influências da pintura, e registrei alguns breves comentários através dos quais justifico minha admiração por tais artistas. Este tipo de texto está sempre sujeito a modificações. Esclareço que não foi escrito em ordem cronológica.

Minha paixão pela pintura começou nos tempos de infância e até hoje, encontra-se firmemente intrínseca em mim. Ao longo deste período de tempo, conheci muitos artistas que me fascinaram e que me instigaram profundamente, levando-me, inevitavelmente a escrever reflexões sobre seus legados e sobre suas vidas. Além dos gênios abaixo, há inúmeros outros que admiro, mas certamente estes são os três primeiros nomes que surgem em minha mente quando alguém questiona quais são meus pintores favoritos.

Bosch:

Conheci este artista através de um livro sobre Ocultismo. Na referida obra, mencionava-se que Bosch pintava nas telas o conteúdo que vislumbrava durante viagens astrais. Jamais li nenhuma outra referência sobre isso e nem preocuparei em buscar qualquer tipo de comprovação a respeito do assunto, apenas me senti fortemente atraída em conhecer unicamente a produção artística de Bosch.

Este pintor certamente não retratou temáticas comuns, como por exemplo, imagens configuradas sob o preceito de belo, críticas sociais (ou outras) explícitas ou figuras realistas. De fato, nas telas deste talentoso gênio, há notável fuga de tais formas que usei como exemplo. O que falta em Bosch é o padrão, pois sua imaginação captava cenas, personagens, ambientes e objetos atípicos e, por vezes, perturbadores. Tentar decifrar a mente de um homem como este grande artista, é uma tarefa impossível de ser realizada. Não duvido que seu legado tenha influência de um plano que está além deste em que vivemos e, neste sentido, preciso admitir que, de certa forma, é possível que ele tenha transpassado os limites da realidade físico-material em que vivemos, e visitado outras dimensões.

A tela que mais me cativou foi “A Extração Da Pedra Da Loucura”. Por que ou “para que” seria necessário retirarmos de nós aquilo que permite que deliremos para além de nossa consciência? A loucura é um brilho da alma! É uma extravagância adocicada que nos permite saborear as ondas amargas da existência. Bosch jamais retirou de si próprio a “pedra da loucura”. E esta (isto é, a loucura), talvez tenha sido a principal assinatura de seu legado. Afinal, se por loucura entende-se “aquilo que se opõe ao ordinário”, então Bosch era um verdadeiro louco.

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O Jardim Das Delícias é uma das telas mais excêntricas da história da arte. Extravasa em confusões imagéticas podendo perturbar qualquer homem. Não compensa tentar atribuir sentido lógico para uma pintura de potencial fantástico! O que mais me encanta nesta maravilha, são as figuras e objetos que desconheço. Admitamos: poucos pintores (ou talvez nenhum) tenha sido capaz de dar vida a um mundo novo com tanta maestria e espontaneidade como o fez Bosch, este gênio inclassificável. Destaques também para “Ecce Homo”, “O Concerto No Ovo” e “Ascent Of The Blassed”.

Düher:

Talvez tenha sido o pintor mais extraordinário da história, embora seu talento tenha sido ofuscado por outros artistas de sua época. Comecei a explorar o universo de Düher através de uma obra na qual ele sugere um diálogo entre a “morte, o diabo e um cavaleiro (sendo este um ser humano)”. Quando vi esta pintura fiquei fascinada tentando supor que tipo de discussão e/ou reflexão poderia surgir entre tais criaturas. Às minhas curiosas e intermináveis especulações, somaram-se as qualidades técnicas da pintura deste grande artista alemão.

Tudo me encantou neste brilhante homem! Há simbolismos místicos e celestes flutuando em grande parte de suas telas, mas tais elementos estão sempre ocultos. Conforme ele próprio escreveu certa vez: “Só uma mente árida não possui autoconfiança para encontrar o caminho de algo que está além, arrastando-se por alguma trilha gasta, contente de imitar os outros e sem a iniciativa de pensar em si mesma”.

“Melancolia I”, por exemplo, é uma verdadeira e atraente complexidade de enigmas. Já me deparei com inúmeras interpretações dessa obra, mas acredito que seja inútil tentar desvendá-la. A meu ver, há duas figuras angelicais que por si representam o conceito de melancolia. Há materiais de construção espalhados pelo ambiente. Além disso, note-se que um dos seres celestiais carrega consigo uma chave. Pendurados na parede há um quadrado contendendo números, e uma ampulheta. É possível notar também um terceiro objeto: uma balança (que liga-se, inclusive, com um dos signos do zodíaco – libra, significando o equilíbrio), além de uma escada. Há ainda algumas figuras geométricas preenchendo o ambiente da tela.

Melencolia I, 1514. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Presente de R. Horace Gallatin. “Melencolia I“ (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. – Juliana Vannucchi.

Melencolia I, 1514. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Presente de R. Horace Gallatin. “Melencolia I“ (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. – Juliana Vannucchi.

Perceba que realizei uma descrição puramente física, e é de extrema complexidade especular se há ligação lógica entre os elementos mencionados (ou seja, se existe encadeamento), ou se trata-se somente de um monte de itens despojados intuitivamente de forma desconexa. Seriam os sagrados espíritos, um prelúdio da melancolia? Será que estes seres são os arquitetos deste sentimento que assola os homens? A matemática, que é remetida pelas formas geométricas é portadora de algum sentido especial para nosso autor? O que são, de fato, as sequências numéricas presentes na tela?

No quadrado mágico (que se tornou bastante conhecido), é possível notar que a soma de todas as fileiras horizontais ou verticais, culmina curiosamente no número 34. Esse resultado também é obtido numa soma feita na diagonal e também em várias outras combinações. Além disso, é um tanto complicado fazer suposições.

O fato é que a obra de Düher jamais será desvendada, e isso a torna fascinante. O que vemos até hoje, é uma sucessão de tentativas subjetivas de interpretar os símbolos dispostas em suas várias telas, mas não há nenhuma conclusão final e plausível, e esta situação proporciona uma atmosfera abstrata ao legado deste grande pintor alemão.

Também aprecio com enorme prazer os animais que este artista pintou, pois tal temática demonstrou a plenitude de seu talento técnico. Coelhos e rinocerontes foram desenhados com imensa maestria, e o resultado final destas gravuras assemelham-se à fotografias.

William Blake:

Este cativante gênio, na maior parte de sua obra, deu ênfase à Religiosidade. A espiritualidade prevalecente nas gravuras de Blake é carregada de esoterismo.

Quando criança, teria avistado anjos pairando sobre uma árvore em Londres. A tal ocorrência, somam-se uma série de visões de cunho espiritual. Este tipo de experiência conduziu o artista a compreender a própria arte como um campo que se encontra além dos limites da racionalidade, e que se situa na esfera da intuição. Escrevi um texto mais completo sobre a filosofia de arte de William Blake, que pode ser lido no “Acervo Filosófico“. De qualquer forma, resumidamente (e suficientemente), para o pintor, é falha a tentativa de interpretar uma obra por meio dos princípios racionais. O campo físico, material e científico não são capazes de apreender a arte. Pelo fato de já possuir um material e estudo mais completo sobre Blake, não entrarei em maiores detalhes, apenas o menciono aqui e resumo os motivos pelo qual tanto o admiro. Talvez tenha sido o primeiro pintor pelo qual me apaixonei. Eu o conheci através de uma (popular) frase de sua autoria: “Quando as portas da percepção forem abertas, tudo parecerá ao homem como realmente é: infinito”. Estas palavras me agradaram muito porque até agora não sei se concordo com ela ou não, embora, na realidade, seja insensato me posicionar enquanto as minhas próprias dimensões da percepção não estiverem abertas.

Suas pinturas transbordam originalidade. A composição dos personagens é um tanto caricata e o uso das cores é um diferencial do artista: ou empregava cores frias ou quentes, de forma que sua arte praticamente se dividia entre o “belo” ou o “sublime”, sendo que os ambientes, quase sempre eram celestiais. Blake dizia que “sem contrários não há progresso”, talvez por isso houvesse esse tipo de dualismo em suas pinturas.

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JULIANA VANNUCCHI
Sorocaba – São Paulo
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Website Acervo Filosófico
E-mail: ju.vannucchi@hotmail.com

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