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Lucia Laguna, Paisagem nº 81, Acrílica e óleo, 170 x 250 cm. Ano: 2015. Foto: Sumara Rouff.

MAR inaugura duas exposições em novembro

Enquanto bebo a água, a água me bebe – Lucia Laguna
Meu mundo teu – Alexandre Sequeira

De 29 de novembro de 2016 a 26 de fevereiro de 2017

Conversas de galeria (29/11):
15h Enquanto bebo a água, a água me bebe – Lucia Laguna
16h Meu mundo teu – Alexandre Sequeira

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon, inaugura em 29 de novembro duas exposições individuais que marcam o início da gestão de Evandro Salles como diretor cultural do museu. As mostras Enquanto bebo a água, a água me bebe – Lúcia Laguna e Meu mundo teu – Alexandre Sequeira exploram diferentes pontos de vista das práticas relacionais e colaborativas na arte. Lucia apresenta pinturas, desenhos e mobiliário que foram elaborados com a participação de seus assistentes. Por sua vez, Alexandre Sequeira traz para o espaço uma retrospectiva com obras desenvolvidas a partir de sua relação com diferentes comunidades e pessoas.

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Enquanto bebo a água, a água me bebe – Lucia Laguna

Com a curadoria de Cadu e Clarissa Diniz, a mostra Enquanto bebo a água, a água me bebe – Lucia Laguna apresenta obras produzidas nos anos 2000. A seleção de trabalhos conta a trajetória de Lucia, professora de português que começou a pintar nas aulas de Charles Watson no Parque Lage, após sua aposentadoria do magistério. Das pinturas figurativas, Lucia passou para o estudo de sobreposição de camadas a partir da apreciação de um quadro renascentista que condensava o espaço. A artista de Campos dos Goytacazes tinha como intenção de sua pesquisa planificar suas pinturas. Os experimentos eram realizados da janela de seu ateliê no Rio de Janeiro, que funcionava como moldura do que ela enxergava.

Lucia Laguna, Desenho nº 12, 62,5 x 44 cm. Foto: Sumara Rouff.

Lucia Laguna, Desenho nº 12, 62,5 x 44 cm. Foto: Sumara Rouff.

Lucia começou a explorar então as malhas urbanas com traços de geometria e cartografia, com a utilização de fitas crepes que após retiradas revelam diferentes camadas. “Em sua experimentação, era como se ela quisesse fazer as cidades caberem na moldura de sua janela”, explica Clarissa Diniz. Logo depois, a artista passa a fazer uma referência mais direta a seu ateliê, usando como modelos objetos que faziam parte do espaço. A mostra apresenta 35 pinturas, sendo 11 delas inéditas. Um dos trabalhos nunca antes apresentados tem uma relação com o MAR: Lucia fotografou a vista de uma das janelas do museu e utilizou a imagem para a realização de mais uma obra da série Paisagem.

As telas apresentadas foram produzidas em parceria com dois assistentes, Davi Baltar e Cláudio Tobinaga, que sem qualquer tipo de censura ou proibição inseriram cores, traços e fitas nos quadros. Essa técnica faz com que sua arte faça parte um intenso modelo de colaboração. Além das telas, Lucia apresenta pela primeira vez seus desenhos produzidos com as fitas crepes retiradas dos quadros. E também mobiliário que ela está fabricando com o auxílio de Cláudio Silva, da fábrica de brinquedos da qual era dona e, atualmente, um de seus assistentes.

Lucia Laguna, Desenho nº 5, 42 x 59,5 cm. Ano: 2016. Foto: Sumara Rouff.

Lucia Laguna, Desenho nº 5, 42 x 59,5 cm. Ano: 2016. Foto: Sumara Rouff.

Atualmente, Lucia conta com os assistentes Sumara Rouff, Cláudio Santos, Cláudio Tobinaga e Davi Baltar. Ao longo de sua trajetória, fizeram parte da equipe: Pollyana Freire, Rafael Alonso, Arthur Chaves e Tatiana Chalhoub.

Meu mundo teu – Alexandre Sequeira

Os trabalhos do paraense Alexandre Sequeira são processos de encontro e convivência que costumam ter, na fotografia, uma potente mediação. As obras exploram a sua relação com pessoas, lugares e motivações. Com curadoria de Clarissa Diniz e Janaína Melo, o museu apresenta uma retrospectiva do artista com seus maiores projetos, incluindo o que dá nome à mostra, além de um trabalho feito, exclusivamente, para esta exposição e que apresenta uma relação com o território do museu. Em parceria com Aline Mendes, participante do Vizinhos do MAR, Alexandre explorou o acervo de Tião, que foi durante muitos anos fotógrafo do cotidiano do Morro da Providência. A partir do material encontrado, Aline e Alexandre procuraram as pessoas dos retratos feitos por Tião e, além de uma nova imagem, capturaram depoimentos desses personagens. A instalação apresentará imagens antigas de Tião, ao lado de fotografias de Alexandre formando uma constelação que conta também com diversos monóculos do mesmo acervo.

Alexandre Sequeira e Rafael, 2010. Da série Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim. Foto: Divulgação.

Alexandre Sequeira e Rafael, 2010. Da série Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim. Foto: Divulgação.

Em Meu mundo teu, série de 2007, Alexandre atua como mediador da relação de dois adolescentes por meio de cartas e fotografias. Essa jornada de autoconhecimento deu origem ao trabalho que apresenta imagens sobrepostas que representam metaforicamente o encontro de duas pessoas de universos distintos. Em Nazaré de Mocajuba, Alexandre conviveu com a comunidade de mesmo nome (500 km de distância da cidade de Belém, na região da Amazônia brasileira) e acabou prestando serviço como fotógrafo para seus moradores. As imagens foram impressas em objetos pertencentes e escolhidos pelos moradores para uma exposição no meio da mata. Com a possibilidade de chuva, Alexandre pediu que os moradores colocassem as fotografias em suas respectivas casas, nos locais de suas preferências, realizando, então, outra exposição. O MAR apresentará esses objetos, que integram a Coleção MAR.

Alexandre Sequeira, Da série Nazaré do Mocajuba Branca. Foto: Divulgação.

Alexandre Sequeira, Da série Nazaré do Mocajuba Branca. Foto: Divulgação.

A exposição ainda traz uma instalação de 2008, Cerco à memória, ano em que Alexandre trabalhou com comunidades quilombolas e se envolveu com a problemática dos incêndios criminosos dos cemitérios dessas comunidades, maneiras perversas de romper vínculos afetivos e assim expulsar as pessoas daquela terra. A instalação vai fazer com que o público se sinta parte deste espaço em chamas. Em Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim, Alexandre criou uma relação com Rafael e seu avô em Lapinha da Serra, Minas Gerais. Alexandre deu vida à imaginação do menino de 13 anos a partir da fotografia e, além das imagens, leva para o MAR uma armadilha para caçar discos voadores criada pelo menino e uma foto em tamanho real da “mulher mangueira”.

Alexandre Sequeira, Da série Meu Mundo Teu, Tayana e Jefferson. Foto: Divulgação.

Alexandre Sequeira, Da série Meu Mundo Teu, Tayana e Jefferson. Foto: Divulgação.

A partir de sua trajetória na fotografia, Alexandre recebeu convites para realizar projetos em escolas. E, valorizando o lado educacional da arte do fotógrafo, o MAR apresenta pela primeira vez em uma mostra os trabalhos produzidos em parceria com os alunos de escolas municipais e ONGs, em Minas Gerais e no Paraná.

Alexandre Sequeira, A mulher do pé de manga, 2010. da série Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim. Foto: Divulgação.

Alexandre Sequeira, A mulher do pé de manga, 2010. da série Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim. Foto: Divulgação.

Todas as obras da exposição passam a compor o acervo do Museu de Arte do Rio – MAR, tornando a instituição o principal centro de referência da obra do artista. O MAR agradece a generosidade de Alexandre Sequeira.

O Museu de Arte do Rio – MAR

O MAR é um espaço dedicado à arte e à cultura visual. Ocupa dois prédios na praça Mauá: um de estilo eclético, que abriga o Pavilhão de Exposições; outro em estilo modernista, onde funciona a Escola do Olhar. O projeto arquitetônico une as duas construções com uma cobertura fluida de concreto, que remete a uma onda – marca registrada do museu –, e uma rampa, por onde os visitantes chegam aos espaços expositivos.

Uma iniciativa da Prefeitura do Rio em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o MAR tem atividades que envolvem coleta, registro, pesquisa, preservação e devolução à comunidade de bens culturais. Espaço proativo de apoio à educação e à cultura, o museu já nasceu com uma escola – a Escola do Olhar –, cuja proposta museológica é inovadora: propiciar o desenvolvimento de um programa educativo de referência para ações no Brasil e no exterior, conjugando arte e educação a partir do programa curatorial que norteia a instituição.

O MAR é gerido pelo Instituto Odeon, uma organização social da Cultura, selecionada pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro por meio de edital público. O museu tem o Grupo Globo como mantenedor, o BNDES como apoiador de exposições e o Itaú como copatrocinador de Leopoldina, princesa da Independência, das artes e das ciências. A Escola do Olhar tem o Sistema Fecomercio RJ, por meio do Sesc, como parceiro institucional. Conta ainda com o apoio do Banco Votorantim e do Grupo Libra como apoiador das visitas educativas, e a Accenture e a Nova Rio como apoiadoras do MAR na Academia via Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O projeto MAR de Música recebe apoio da TIM via Lei Estadual de Incentivo à Cultura e a Souza Cruz é copatrocinadora do Domingo no MAR. Conta ainda com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Serviço

Ingresso: R$ 20 I R$ 10 (meia-entrada) – pessoas com até 21 anos, estudantes de escolas particulares, universitários, pessoas com deficiência e servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro. O MAR faz parte do Programa Carioca Paga Meia, que oferece meia-entrada aos cariocas e aos moradores da cidade do Rio de Janeiro em todas as instituições culturais vinculadas à Prefeitura. Apresente um documento comprobatório (identidade, comprovante de residência, contas de água, luz, telefone pagas com, no máximo, três meses de emissão) e retire o seu ingresso na bilheteria. Pagamento em dinheiro ou cartão (Visa ou Mastercard).

Bilhete Único: R$ 32 – R$ 16 (meia-entrada) cariocas e residentes no Rio de Janeiro, mediante apresentação de documentação ou comprovante de residência comprobatórios. Serão considerados documentos comprobatórios aqueles que contenham o local de nascimento, tais como RG, carteira de habilitação, carteira de trabalho, passaporte etc. Serão considerados comprovantes de residência os títulos de cobrança com no máximo 3 (três) meses de emissão, como serviços de água, luz, telefone fixo ou gás natural, devidamente acompanhado de documento oficial de identificação com foto (RG, carteira de habilitação, carteira de trabalho, passaporte etc.) do usuário.

Política de gratuidade: Não pagam entrada – mediante a apresentação de documentação comprobatória – alunos da rede pública (ensinos fundamental e médio), crianças com até cinco anos ou pessoas a partir de 60, professores da rede pública, funcionários de museus, grupos em situação de vulnerabilidade social em visita educativa, Vizinhos do MAR e guias de turismo. Às terças-feiras a entrada é gratuita para o público geral. No último domingo do mês, o museu tem entrada grátis para todos por meio do projeto Domingo no MAR.

Terça a domingo, das 10h às 17h. Às segundas o museu fecha ao público. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (55 21) 3031-2741 ou acesse o site www.museudeartedorio.org.br.

Endereço: Praça Mauá, 5 – Centro.

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