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Para Fabiano de Abreu, a dor da perda ameniza-se com boas lembranças por Vanessa Scarcella

A psicóloga Roselene Espírito Santo Wagner
comenta sobre a conclusão do autor

Na conclusão sobre o sentimento de “dor da perda” descrita pelo filósofo Fabiano de Abreu, publicada em seu canal de pensamentos em forma de frase no Instagram @escritorfabianodeabreu, devemos absorver as boas experiências de convivência com o que perdemos para esta “dor” não se tornar algo desconfortável em nossa vida.

“A espera inconsciente, a tristeza da perda, pode ser menos dolorosa quando se prende à boas lembranças.” escreveu o escritor.

Fabiano de Abreu. Foto: Jayro Cerqueira / MF Press Global.

Fabiano de Abreu. Foto: Jayro Cerqueira / MF Press Global.

Segundo o escritor, o apoio à boas lembranças de forma positiva ameniza o sofrimento da perda:

“Temos que nos apoiar nas boas lembranças. Devido a cultura proposta pelas religiões, quando perdemos quem amamos, acreditamos que um dia podemos encontrar essa pessoa, isso nos causa uma espera inconsciente. A dor da perda ameniza com o tempo pois o ser humano é adaptável a tudo, mas ela perdura por toda uma vida pois ninguém nunca será como aquela pessoa, ficando assim gravado as coisas boas que tirávamos dela. Mas não podemos elevar isso a tristeza da perda de forma desconfortável, a pensar que nunca mais teremos aquilo ou aquela pessoas e momentos novamente. Temos que nos agarrar nas boas lembranças e qualificar a importância daquela pessoa em nossa vida para que possamos evoluir de alguma forma e continuar a nossa trajetória.” conclui o filósofo.

Na opinião da renomada psicóloga e psicanalista Roselene Espírito Santo Wagner sobre o texto do autor Fabiano de Abreu ela acrescenta com base na psicologia que tem gente que paralisa a dor perdendo as possibilidades:

“A dor é inerente ao homem, em qualquer vida haverá dor, o sofrimento é uma escolha. A gente escolhe sofrer ou não, elaborar, progredir, evoluir, estar sempre em atualização de si é uma constante na vida humana. Tem gente que paralisa diante da dor e perde a possibilidade de construir essa nova configuração de si mesmo.” Roselene Espírito Santo Wagner.

A psicóloga conclui com um texto de Carlos Drummond de Andrade:

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.
Acreditar num reencontro futuro e possível, com quem amamos e “partiu” é da natureza humana.
Aprendemos isso com algumas religiões e com nossa fé.
Isso traz conforto, amparo.
Porque quem parte deixa algo e leva algo.
Porém ficar preso num lapso do tempo revivendo eternamente a lembrança ainda que boa. Nos rouba o melhor da vida: o presente!
Elaborar e ressignificar a memória daquilo ou daquele que foi, é o melhor que pudemos fazer por nós.
Podemos viver apartados do outro, podemos viver sem o outro… mas não podemos nos perder de nós.”
Carlos Drummond de Andrade

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