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Performance Spiro Biloura. Foto: Pier Giorgio Naretti.

Performances marcam Ocupação Intercultural Biloura na Oficina Cultural Oswald de Andrade

Com a realização de duas performances, um workshop e uma
mesa-redonda, o coletivo artístico Biloura Intercultural Theatre Collective
apresenta a segunda parte do projeto EFFIMERIA, que começou em
2015 na Itália. Em nomes, umas das performances da mostra, o
público é recebido para um jantar, onde conversas, confissões, música
e dança contam a história de um amor a três autobiográfico

Nascido em 2013 em Piemonte, Itália, o Biloura Intercultural Theatre Collective é um coletivo artístico que atua de modo intercultural e multidisciplinar nas artes performativas. O grupo, composto por cinco artistas ligados às artes cênicas, dança, música,filosofia e estudos culturais, realiza de 15 a 20 de fevereiro a OCUPAÇÃO INTERCULTURAL BILOURA na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Do dialeto italiano da região de Rueglio, Biloura quer dizer agora, neste exato momento. A palavra também aparece popularmente nos estados brasileiros da Paraíba e Rio Grande do Norte com o significado de loucura ou acesso de loucura, vertigem e síncope.

Performance Nomes. Foto: Dalton L. Watabe.

Performance Nomes. Foto: Dalton L. Watabe.

Formado por Angela Rottensteiner (Áustria), Eduardo Colombo (Brasil), Silvia Ribero (Itália), Tiago Viudes (Brasil) e Victor Kanashiro (Brasil), o coletivo realiza durante a ocupação duas performances – nomes (dia 18 de fevereiro, quinta-feira, às 19 horas) e Spiro (dias 19 e 20 de fevereiro, sexta-feira e sábado, às 20 horas) –, um workshop e uma mesa-redonda. Todas as atividades são gratuitas.

A OCUPAÇÃO INTERCULTURAL BILOURA mostra para o público de São Paulo, a segunda parte do projeto de longa duração EFFIMERIA, dedicado ao tema da proximidade com a morte, e que teve início em 2015 na Itália. Com o projeto o coletivo deseja refletir sobre a morte com graça, ironia, poesia, mas também com leveza e com todas as cores que possam ser úteis para liberá-la da esfera obscura de um tabu social. Assim, ao falar de morte, o Biloura procura refletir sobre a vida, a forma como as pessoas passam seus dias, o valor que elas dão e as escolhas que fazem a cada momento, além de questionar a efemeridade da existência da humanidade.

Para Eduardo Colombo, um dos integrantes do grupo, o modo de investigação artística do Biloura parte da premissa de que a construção das identidades e a abertura às diferenças se fortalecem pela troca com o outro. “Se, por um lado, as diferenças culturais podem ser empecilhos ao encontro, o convívio intercultural pode fortalecer a integridade e o respeito, preservando riquezas singulares e construindo novos saberes e modos de vida. O contato com o outro se torna convite para rever a si mesmo”, explica ele.

Amor a três autobiográfico

A refeição é um dos mais cotidianos rituais da vida familiar. Na performance nomes, o público é recebido para um jantar (com entrada, prato principal e sobremesa) pelos performers brasileiros do Biloura: Eduardo Colombo, Tiago Viudes e Victor Kanashiro. Entre a bebida e a comida, conversas, confissões, cantos, histórias, danças e ações contam a história de um amor a três autobiográfico.

Segundo Tiago Viudes nomes é, a um só tempo, pesquisa continuada e obra performativa que fricciona as fronteiras entre vida e arte, intimidade e alteridade, presença cênica e presença cotidiana, e faz do público cúmplice e parceiro da relação afetiva vivida pelo trio de artistas nos últimos três anos. “O percurso e as situações do jantar são inspirados no ritual do Pêssach (páscoa judaica) e no livro bíblico Êxodo, a partir dos quais a trajetória de um estado de privação para um estado de liberdade é ressignificada através das relações entre alimento e memória”, conta ele.

Para a composição dramatúrgica, o grupo também se utiliza de textos e cantos em hebraico, português, uchinaguchi e yoruba, criando uma narrativa cênica que atravessa discussões contemporâneas em torno de identidade, gênero e sexualidade, tradição e contemporaneidade.

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Proximidade com a morte

Apresentada na Itália em espaços não convencionais como o Priorato di Santo Stefano del Monte (século XI); a Igreja da Confraria de Santa Marta, em Agliè; o Salão Polifuncional de Torre Canavese e a Sinagoga da cidade de Ivrea, a performance Spiro é inspirada em uma condição/situação fundamental: a proximidade com a morte. Uma condição humana comum, traduzida em cena através de uma vigília fúnebre, onde cinco figuras acompanham o público numa viagem pelo inexprimível e efêmero, revelando pouco a pouco a fragilidade, a força e a beleza humana frente à morte. A apresentação transita sutilmente no cômico, no poético, no absurdo, na composição de imagens sonoras e visuais sustentadas pela presença dos cinco performers do Biloura.

Com Spiro, o Biloura também dá continuidade à sua pesquisa sobre os limites do território artístico, refletindo sobre as possibilidades de ocupação de espaços não teatrais na contemporaneidade. Seguindo caminhos de performances anteriores, o grupo coloca os artistas e seu processo a serviço e em diálogo com a arquitetura e paisagem dos locais escolhidos, encontrando na especificidade dos diferentes locais a justa adaptação para a estrutura performativa.

O processo artístico de Spiro envolveu ainda a assessoria da bailarina italiana Raffaella Soluri, da cantora moçambicana Lenna Bahule e do mestre de dança tradicional de Ryukyu Satoru Saito.

Artes performativas e interculturalidade

De 15 a 19 de fevereiro a OCUPAÇÃO INTERCULTURAL BILOURA realiza o workshop Narrativas do Corpo-Voz: Escuta e Ação com o objetivo de compartilhar o trabalho do Biloura com atores, bailarinos, cantores, dramaturgos, performers e diretores interessados no corpo-voz como veículo de criação e composição.

Já no dia 16 de fevereiro, terça-feira, às 19 horas, acontece a mesa-redonda Artes Performativas e Interculturalidade – Zona de Contato e Transformação. Com coordenação de Victor Kanashiro (performer do Biloura e Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP) e participação da atriz italiana Silvia Ribeiro e da cantora moçambicana Lenna Bahule, o encontro discutirá os desafios e possibilidades das artes performativas como zona de contato intercultural. A partir da pesquisa do Coletivo e da experiência de um workshop de criação teatral com um grupo de refugiados nigerianos na Itália, o Biloura abre-se à reflexão: Quais são as possibilidades de contribuição dos contatos interculturais para as artes performativas? Quais são as possibilidades de contribuição das artes performativas para os contatos interculturais?

Sobre o Biloura Intercultural Theatre Collective

Biloura é um coletivo artístico que atua de modo intercultural e multidisciplinar nas artes performativas. Nascido em 2013 no Piemonte (Itália), o grupo consolidou-se através de um intenso trabalho de pesquisa e criação, realizando projetos, performances e workshops na Itália, Suíça, França, Espanha/Ilhas Canárias e Brasil. O grupo desenvolve sua pesquisa a partir de suas duas sedes: na Itália, na cidade de Alice Superiore, e recentemente no Brasil, no distrito de Taiaçupeba/Mogi das Cruzes-SP, junto à Samauma Residência Artística Rural. Para o Biloura, a sensibilidade intercultural é parte fundamental do desenvolvimento humano e do processo criativo, sobretudo nos tempos atuais. Compreendendo as artes performativas como um espaço privilegiado em que subjetividades, corpos e culturas entram em contato, o Biloura procura investigar artisticamente questões socioculturais relevantes na fronteira da tradição e da contemporaneidade. A pesquisa artística do grupo é caracterizada por um teatro performativo que explora poesia, música, dança e artes visuais numa linguagem expressiva singular. As performances do Biloura criam ações poéticas e visuais multilinguísticas como experiência de um tableau vivant.

Para roteiro:

OCUPAÇÃO INTERCULTURAL BILOURA – De 15 a 20 de fevereiro na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Performances

NOMES – Dia 18 de fevereiro, quinta-feira, às 19 horas.

Com Eduardo Colombo, Tiago Viudes e Victor Kanashiro.

Capacidade: 40 lugares. Indicação Livre. Duração: 150 minutos.

Grátis – retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

SPIRO – Dias 19 e 20 de fevereiro, sexta-feira e sábado, às 20 horas.

Com Angela Rottensteiner, Eduardo Colombo, Silvia Ribero, Tiago Viudes e Victor Kanashiro.

Capacidade: 40 lugares. Indicação Livre. Duração: 45 minutos.

Grátis – retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

Workshop

NARRATIVAS DO CORPO-VOZ: ESCUTA E AÇÃO – De 15 a 19 de fevereiro, segunda a sexta-feira, das 14 às 17 horas.

15 vagas. Inscrições até 8 de fevereiro. Indicado para maiores de 16 anos.

Mesa-redonda

ARTES PERFORMATIVAS E INTERCULTURALIDADE – ZONA DE CONTATO E TRANSFORMAÇÃO – Dia 16 de fevereiro, terça-feira, às 19 horas.

Coordenação: Victor Kanashiro.

Com Silvia Ribeiro e Lenna Bahule.

Capacidade: 40 lugares. Indicação para maiores de 16 anos. Duração: 150 minutos.

Grátis – retirada de ingressos com 30 minutos de antecedência.

OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro (próximo a estação Tiradentes do metrô). Informações (11) 3222-2662. Horário de atendimento – Segunda a sexta-feira, das 9 às 22 horas e sábado, das 10 às 18 horas. www.oficinasculturais.org.br

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