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Ação performativa Listening To The Sheep Sleeping. Foto: Léo Pinheiro/Futura Press.

Performer Alexandre D’angeli faz Ocupação no Palacete Carmelita

Artista participa do projeto Segunda da Performance com seis ações diferentes. Destaque para Resíduo apresentada recentemente em Portugal e Listening to the Sheep Sleeping com textos de Caco Galhardo

Com o propósito de investigar além da performance, elementos da arte ambiente e apostando em novas possibilidades de diálogo com o público fora de espaços habituais o artista Alexandre D’Angeli realiza uma ocupação no Projeto Segunda da Performance do Palacete Carmelita, um antigo hotel desativado, situado no centro da cidade de São Paulo. A ocupação, que conta com seis ações do artista, acontece dia 16 de novembro, segunda-feira, das 19 às 23 horas.

De volta ao Brasil (o artista apresentou, em outubro, a performance Resíduo na cidade do Porto, em Portugal), Alexandre D’Angeli vem experimentando diversas linguagens desde o espetáculo Molloy – O fim está no começo e no entanto continua-se, solo de teatro gestual inspirado no romance de Samuel Beckett, que também agregava elementos da performance e, sobretudo, do teatro de formas animadas. Para ele, o convite para participar do Projeto Segunda da Performance vem em um momento de afirmação da condição de artista da performance e do desejo de compartilhar com as pessoas parte do processo que disparou cada trabalho.

“Nesta ocupação o público terá a possibilidade de conhecer como operam minhas ações e conhecer um pouco do processo de cada uma delas. Há registros fotográficos e de vídeo das principais performances. Além disso, vou refazer duas delas, Listening to the Sheep Sleeping e Resíduo”, conta D’Angeli.

Performance Resíduo. Foto: Jorge Etecheber.

Performance Resíduo. Foto: Jorge Etecheber.

Seis ações diferentes

Para a ocupação no Palacete Carmelita, Alexandre D’Angeli criou alguns ambientes nas salas do local com instalações e performances. Logo na entrada, o público confere Para que as Coroas Venham ao Chão, ação que relembra a performance realizada pelo artista na cidade de Petrópolis. Para o Palacete a ação será realizada como instalação usando purpurina dourada na criação de coroas em relevo que ficarão na área do passeio, na parte externa do edifício. Para entrar, as pessoas pisaram sobre os ícones, criando borrões e desconstruindo este símbolo de poder. A obra propõe pensar as relações de poder na contemporaneidade e refletir a respeito dos tempos áureos do Palacete, que junto com o centro da cidade, resiste em se manter presente.

O Estúdio do Palacete será ocupado com a instalação 436, onde o público poderá ver uma parte do processo do trabalho 436, obra realizada pelo artista em 2014 no Memorial da Resistência de São Paulo, onde juntamente com o público, montou 436 máscaras de papel para tratar da morte e desaparecimentos de pessoas durante a ditadura militar brasileira. A sala ainda receberá uma projeção com o vídeo registro da performance realizada no Museu.

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Na Sala Nobre acontece a performance Listening to the Sheep Sleeping (das 19 às 20h30), que traz um sujeito híbrido, um homem carneiro deitado sobre uma cama de casal onde a audiência pode deitar-se ao seu lado para escuta de textos que foram escritos pelo cartunista e autor Caco Galhardo. A performance integrou os projetos É Logo Ali do Sesc Ipiranga, Casa das Rosas 10 anos e esteve recentemente no Festival Sesc de Inverno do Rio de Janeiro.

O vídeo registro Objetos de Valor poderá ser visto no Banheiro Carmelitas. Instalado em um dos banheiros do Palacete, o vídeo traz o registro da performance Objetos de Valor, que foi realizada pelo artista em 2010, durante a Virada Cultural no Terminal Rodoviário do Tietê. Nesta ação, um único performer tem a tarefa de desenrolar duzentos metros de papel que servem de suporte para que o público escreva palavras, frases, impressões, ou até mesmo desenhe algo ligado ao seu objeto de valor.

A performance Resíduo ocupa, das 21 às 22 horas, o Quintal do Palacete. A obra dá continuidade a pesquisa de Alexandre D’Angeli acerca das interações possíveis entre corpo e espaço e seus vestígios|memórias na busca por aproximações sensíveis com a arquitetura e seus equipamentos. Neste trabalho o artista propõe pensar os vestígios imateriais resultados da ação do homem nas grandes cidades – sobras de seus projetos, investimentos, trocas e afetos. Realizada pela primeira vez em São José do Rio Preto como intervenção urbana, a performance integrou o projeto Performance Em Encontro do Sesc Campinas e em outubro deste ano foi realizada em Portugal, na cidade do Porto, no Maus Hábitos – Espaço de Intervenção Artística.

O público também poderá ver, em primeira mão, no Espaço Coin Rouge a instalação Quase, que traz registro, rascunhos e aproximações do mais recente trabalho do artista.

Cela 2, Exposição 436, Alexandre D'Angeli. Foto: Divulgação.

Cela 2, Exposição 436, Alexandre D’Angeli. Foto: Divulgação.

Sobre Alexandre D’Angeli

Graduado em Artes Cênicas, Alexandre D’Angeli é performer, ator e bonequeiro. Estudou Mímica Corporal Dramática e Acrobacia Teatral pela Ecole International de Mime Corporel Gestuel Dramatique de Paris, sob orientação do mestre Ivan Bacciocchi. Interessa-se especialmente pelas linguagens mais diretamente relacionadas ao corpo, e que operam no cruzamento entre a performance e o teatro. É fundador e diretor artístico do ânima Dois. Recentemente em Portugal, realizou no Maus Hábitos – Espaços de Intervenção Artistica, na cidade do Porto a performance Resíduo, ação que integrou o Projeto Performance em Encontro do Sesc Campinas em maio de 2015. Em março do mesmo ano participou da exposição Terra Comunal – Marina Abramovic+MAI como facilitador do método Abramovic. Em 2014 participou do projeto ocupação É Logo Ali, do Sesc Ipiranga com Listening to the Sheep Sleeping, obra performativa com textos do autor e cartunista Caco Galhardo. No mesmo ano teve início a primeira etapa do projeto 436, performance de longa duração, onde propôs aos visitantes do Memorial da Resistência de São Paulo a montagem de quatrocentos e trinta e seis rostos de papel em memória aos mortos e desaparecidos políticos. Em 2010 foi responsável pelas intervenções artísticas realizadas no Terminal Rodoviário do Tietê durante a Virada Cultural, destaque para Objetos de Valor e Présence Decroux. Participou com a performance Objetos de Valor da abertura da paralela da 29ª Bienal de São Paulo promovida pelo Sesc Campinas. Criador e performer em Molloy – O fim está no começo e no entanto continua-se, espetáculo solo de teatro gestual inspirado no romance de Samuel Beckett, que participou da mostra Samuel Beckett – 100 anos organizada pelo SESC Santana e integrou a VII Mostra Cariri das Artes por meio do Palco Giratório do SESC Ceará. Para mais informações acesse cargocollective.com/alexandredangeli

Sobre o Palacete Carmelita

Criado por Rebecca Carratu e Ila Girotto o Palacete Carmelita é um espaço para arte e cultura, em um imóvel de 1912 com 400 metros quadros, divididos em ambientes internos e externos, localizado na Rua Dom Francisco de Sousa, 165 no centro de São Paulo, próximo a Estação da Luz e das famosas ruas de comércio popular, 25 de Março e Santa Efigênia. O Palacete Carmelita abre suas portas com o intuito de preservação, valorização da arte e cultura e revitalização do centro da cidade enquanto ponto efervescente de criação. Ampliar a manifestação artística sem barreias sociais ou culturais, criando assim um intercâmbio de ideias e intercâmbio entre artistas de diversos segmentos e nacionalidades.

Para roteiro:

OCUPAÇÃO ALEXANDRE D’ANGELI NO PALACETE CARMELITA – Dia 16 de novembro, segunda-feira, das 19 às 23 horas. Livre. Ingressos – R$ 20,00. Local – Rua Dom Francisco de Souza, 165 – Centro – São Paulo (próximo a estação Luz do metrô).

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