Barroco – Site Obras de Arte https://www.obrasdarte.com Artes Plásticas e Galeria Virtual de Arte Thu, 18 Apr 2019 13:24:17 +0000 pt hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.8 https://www.obrasdarte.com/wp-content/uploads/2014/02/cropped-Logo-Obras-de-Arte-140-x-140-32x32.jpg Barroco – Site Obras de Arte https://www.obrasdarte.com 32 32 Curso in loco – Arte e Cultura em Minas Gerais: Diamantina e Serro https://www.obrasdarte.com/curso-in-loco-arte-e-cultura-em-minas-gerais-diamantina-e-serro/ https://www.obrasdarte.com/curso-in-loco-arte-e-cultura-em-minas-gerais-diamantina-e-serro/#respond Mon, 10 Apr 2017 18:15:22 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=34664-pt O curso pretende auxiliar na identificação dos diferentes estilos artísticos (Barroco, Rococó e Neoclássico) e aprofundar questões sobre a criação das instituições religiosas e a movimentação dos artistas para atender as demandas da Igreja e da sociedade mineira do diamante.

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PROFESSOR

Marcos Horácio Gomes Dias é Doutor em História Social pela PUC-SP; Mestre em História Social pela USP; pós-graduado em Arte e Cultura Barroca pelo Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Bacharel em Ciências Sociais pela USP. Professor do Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), Universidade São Judas (USJT) e Centro Universitário Assunção (Unifai). Trabalhou no Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura do Município de São Paulo (DPH) e no Museu do Imigrante. Tem experiência na área de História e Sociologia, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: História da Arte; História do Barroco e do Rococó; Arte e Cultura em Minas Gerais; Neoclássico, Império e século XIX no Brasil; Teoria da Cultura; Patrimônio Histórico; História da Produção da Imagem; Teoria da Comunicação e Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira.

Mais informacões, roteiro completo e inscrições: www.museuartesacra.org.br

Período: 05 a 10 de setembro de 2017
Carga horária: 32 horas
Saída: dia 05/09 às 23h pelo estacionamento do museu – Rua Dr. Jorge Miranda, 43.
Inscrições: www.museuartesacra.org.br – VAGAS LIMITADAS
Informações: (11) 5627.5393
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo
Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz | Metrô Tiradentes
Ao final do curso o aluno receberá o certificado de participação.
Antes de realizar sua matrícula, confira as condições em: http://www.museuartesacra.org.br
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Sessão Philos exibe Viagens Sagradas e Barroco no Mais Globosat https://www.obrasdarte.com/sessao-philos-exibe-viagens-sagradas-e-barroco-no-mais-globosat/ https://www.obrasdarte.com/sessao-philos-exibe-viagens-sagradas-e-barroco-no-mais-globosat/#respond Thu, 28 Jul 2016 17:20:20 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=30744-pt 29 de julho, sexta-feira, às 13h

No dia 29 de julho, sexta-feira, às 13h, o público da Sessão Philos no Mais Globosat poderá explorar a cidade de Jerusalém, centro espiritual de três religiões diferentes em “Viagens Sagradas”; e “Barroco”, série que desvenda a tradição barroca italiana em suas principais locações.

Viagens Sagradas. Foto: Divulgação.

Viagens Sagradas. Foto: Divulgação.

Sextas, às 13h
REPRISES: Domingos (8h), terças (2h) e quintas (6h)

29/07 – Viagens Sagradas (Jerusalém) e Barroco (Itália)

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Sessão Philos no Mais Globosat

A Sessão Philos leva para o canal Mais Globosat uma seleção dos melhores documentários sobre arte, história, música, atualidades, ciência, povos e culturas. Todas as produções exibidas fazem parte da grade do Philos.

Sobre o Philos

Criado pela Globosat, o Philos não é um canal tradicional. Com um vasto acervo que reúne os melhores documentários e espetáculos inesquecíveis, Philos está disponível no modelo de subscription video on demand (SVOD), em que o espectador escolhe o momento e o conteúdo que deseja assistir, quantas vezes quiser, por meio de uma assinatura. Com produções de altíssima qualidade, Philos reúne documentários sobre arte, ciência, história, atualidades, música, povos e culturas; debates e entrevistas; e espetáculos de dança e música – tudo em alta definição (HD). Para ter acesso ao Philos, é necessário contratar o serviço através de uma operadora de TV por assinatura que ofereça o pacote (GVT, NET e VIVO, R$ 19,90 mensais) ou pela Globo.com (R$ 21,90 mensais), que dá acesso a todo o acervo. Os conteúdos podem ser assistidos na TV (usando o decoder da operadora), no computador – pelo site www.philos.tv – ou em apps para iPhones, iPads e dispositivos Android.

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Cursos sobre arte com o Dr. Marcos Horácio, especialista em Barroco https://www.obrasdarte.com/cursos-sobre-arte-com-o-dr-marcos-horacio-especilista-em-barroco/ https://www.obrasdarte.com/cursos-sobre-arte-com-o-dr-marcos-horacio-especilista-em-barroco/#respond Tue, 26 Jul 2016 17:40:58 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=30694-pt Prof. Dr. Marcos Horácio Gomes Dias é doutorado em História Social pela PUC-SP; Mestre em História Social pela USP; pós-graduado em Arte e Cultura Barroca pelo Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Bacharel em Ciências Sociais pela USP. Tem experiência na área de História e Sociologia, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: História da Arte; História do Barroco e do Rococó; Arte e Cultura em Minas Gerais; Neoclássico, Império e século XIX no Brasil; Teoria da Cultura; Patrimônio Histórico; História da Produção da Imagem; Teoria da Comunicação e Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira.

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Curso de Extensão:
Simbologia e História da Arte

Curso de Extensão: Simbologia e História da Arte. Foto: Divulgação.

O objetivo do curso é apresentar um estudo sobre o papel dos símbolos na História da Arte, discutindo a produção, a circulação e a apropriação de representações simbólicas que qualificam a arte como experiência humana. O curso pretende entender o papel da Arte como meio de transmissão de cultura e apresentar como artistas e artesão se apropriam das convenções simbólicas e iconográficas. Com o auxílio da Antropologia Cultural, o curso contribui para a discussão sobre a origem e evolução simbólica das principais manifestações artísticas ao longo das diferentes etapas históricas no Ocidente.

Período: 10/08 a 16/09 (quartas-feiras)

Horário: 19h30 às 22h (intervalo para o café)
Carga horária: 36 horas
Valor: R$550 à vista ou R$600 (03 vezes)

Inscrições: mfatima@museuartesacra.org.br

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo

Endereço: Avenida Tiradentes, 676 – Luz | Estação Tiradentes do Metrô
Estacionamento gratuito: Rua Jorge Miranda, 43
Informações: (11) 5627.5393
O museu emitirá certificado de participação.

Mais informações: www.museuartesacra.org.br

Curso Livre:
O Império no Brasil

Curso Livre: O Império no Brasil. Foto: Divulgação.

O objetivo do curso é apresentar um estudo sobre a arte e a cultura do Brasil Império, discutindo as formas que a arte neoclássica e acadêmica assumiu na sociedade do século XIX. O curso pretende discutir as transformações ocorridas no Brasil com a instalação da corte no Rio de Janeiro, a criação de instituições culturais, a movimentação dos artistas para atender as demandas da família real e da nobreza, a construção da identidade do Império por meio da Academia Imperial de Belas Artes, o papel das imperatrizes e muito mais.

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Período: 13/08 a 24/09 (sábados)

Horário: 9h30 às 12h30 (intervalo para o café)
Carga horária: 18 horas
Valor: R$400 (à vista) ou R$430 (03 vezes)

Inscrições: mfatima@museuartesacra.org.br

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo

Endereço: Avenida Tiradentes, 676 – Luz | Estação Tiradentes do Metrô
Estacionamento gratuito: Rua Jorge Miranda, 43
Informações: (11) 5627.5393
O museu emitirá certificado de participação.

Mais informações: www.museuartesacra.org.br

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O Barroco no Brasil por Rosângela Vig https://www.obrasdarte.com/o-barroco-no-brasil-por-rosangela-vig/ https://www.obrasdarte.com/o-barroco-no-brasil-por-rosangela-vig/#comments Tue, 19 Jan 2016 11:33:16 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=27775-pt Você também pode ouvir esse artigo na voz da própria Artista Plástica Rosângela Vig:

 

Rosangela_Vig_Perfil_2

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

O Barroco no Brasil por Rosângela Vig

O alegre do dia entristecido;
O silêncio da noite perturbado;
O esplendor do sol todo eclipsado;
E o luzente da luz desmentido.
(MATOS in MASSAUD, 2000, p.50)

Em meio ao dizer e ao desdizer, as palavras de Gregório de Matos (1623-1696) perpetuaram as impressões de seu tempo. Sua irreverência e seu espírito, muitas vezes contundente, acabaram por levá-lo ao exílio, em Angola. Mas talvez, ao maior poeta do Barroco brasileiro, nascido na Bahia do século XVII, coube a tarefa de refletir acerca das incertezas de sua época. Sua poesia religiosa descortinou desejos de sublimação espiritual e pedidos de perdão; revolveu emoções; e, acima de tudo, traduziu os ajuizamentos de um período dividido entre o misticismo medieval e o ceticismo renascentista.

Harmoniosamente, em meio a antíteses e a paradoxos, suas reflexões indagam; desconfortam; suscitam as inquietações da alma, do pensamento e as dúvidas entre a razão e a fé. No Brasil, em meio a uma consciência literária ainda em formação, a Literatura barroca teve início oficialmente, em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia de Bento Teixeira. Mas o Barroco chegou primeiro pelas mãos dos jesuítas, comprometidos inicialmente com o ensino da moral e da religião, à população. Aqui, num Brasil colonial, o estilo tomou forças entre os séculos XVIII e XIX, quando já havia sido abandonado na Europa. Segundo estudiosos, foram identificadas quatro fases no Barroco brasileiro, definidas pela apresentação, pela riqueza de detalhes e pelo uso das cores e dos ornamentos. Na última delas, os ornamentos já denotavam indícios do Rococó, com flores, laços e conchas.

Fig. 1 – Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: KamilloK.

Fig. 1 – Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: KamilloK.

A presença da Arte barroca foi mais notada nos grandes centros urbanos, onde se edificaram igrejas, onde imagens foram entalhadas e pintadas, com o sentido principal de reafirmação do Cristianismo. A complexa ornamentação estética e a grandiosidade de detalhes vinham com o propósito de ilustrar o ensinamento de valores à população, por meio da compreensão da religiosidade. Como consequência, empenhados no sentido de serem guias da fé cristã, os jesuítas acabaram por difundir a estética europeia. Diretamente influenciado pelo Barroco português, o estilo, por aqui, tomou diferentes feições, nas várias regiões por onde se disseminou.

Fig. 2 – Centro Histórico, vista do Lar Franciscano, Salvador, Bahia. Foto: Site Guia Geográfico - Jonildo.

Fig. 2 – Centro Histórico, vista do Lar Franciscano, Salvador, Bahia. Foto: Site Guia Geográfico – Jonildo.

No Brasil de diferentes Barrocos, em regiões como Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, enriquecidas pelo ouro e pela cana de açúcar, como exemplares do estilo, ficaram as igrejas com sofisticadas esculturas e talhas douradas, feitas pelas mãos de grandes artistas. Por outro lado, em locais como São Paulo, com menor riqueza, foram deixadas obras mais simples, feitas por artistas menos conhecidos.

Muitos paulistas, organizados em expedições chamadas de bandeiras, dirigiram-se para as cidades de Minas Gerais, em busca de pedras preciosas e de ouro, estagnando, com isso, o desenvolvimento da região, o que justifica a simplicidade das peças, dos materiais utilizados e até mesmo a quantidade de construções barrocas. Desse período, em São Paulo, destacam-se o convento de Nossa Senhora da Luz, local onde fica atualmente o Museu de Arte Sacra.

Entre as regiões que mais prosperaram com o açúcar, está Pernambuco. Das riquezas da Arte barroca, sua capital, Recife, guarda a igreja de São Pedro dos Clérigos. A obra foi iniciada em 1728 e terminou somente em 1782.

No período do Brasil-colônia, o açúcar também enriqueceu a Bahia, que, no século XVII, foi considerada a região mais rica do Brasil. Sua capital, Salvador, chegou a ser também a capital do país. Ali, na ladeira do Pelourinho, em meio aos sobrados do século XIX, fica o mais conhecido e um dos mais importantes conjuntos arquitetônico de Salvador: a igreja da Ordem Terceira de São Francisco (Fig. 3), a igreja de São Francisco (Fig. 4) e o Convento de São Francisco. Na praça central, à frente do edifício, o cruzeiro (Fig. 4), típico das construções franciscanas, abre espaço para o conjunto. Na fachada da igreja da Ordem Terceira (Fig. 3), foram esculpidos em pedra, as flores, os anjos, os santos e os elementos mitológicos, em meio a uma exuberância de linhas e de arabescos. Na igreja de São Francisco, a exuberância não é diferente. A beleza da fachada também apresenta as particularidades características do Barroco, mas a rica decoração de seu interior (Figuras 6, 7, 8, 9 e 10), justifica o título de uma das dez igrejas mais belas do Brasil. Na fartura de detalhes e no preciosismo de todas suas superfícies, incluindo-se o teto, as colunas e as paredes, há entalhes dourados em que se incluem anjos, pássaros, em meio a flores, a frisos e a arcos. No altar-mor, a imagem que ilustra a aparição do Cristo estigmatizado para São Francisco, foi esculpida em 1930, pelo artista baiano Pedro Ferreira (1896-1970) 1, que seguiu rigorosamente os padrões e as técnicas do Barroco. O azulejo também é elemento decorativo e harmoniza perfeitamente com o conjunto, apresentando episódios da vida de São Francisco, passagens da Bíblia, paisagens e cenas bucólicas. Os azulejos também decoram o corredor que liga à sacristia e o acesso para o convento (Figuras 12 e 13) e muitas das cenas retratadas são de conteúdo moralizador.

O crescimento do Rio de Janeiro, veio no século XVIII, com a exportação do ouro de Minas Gerais. A cidade portuária servia como local de intercâmbio para Portugal e, em 1763, passou a ser a capital do país. Ali, entre as igrejas de estilo Barroco, estão a da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência; a de São Francisco de Paula (Ordem Terceira do Carmo); e a de Santa Cruz dos Militares, em cuja fachada há influências neoclássicas. Nessas e em outras igrejas da região, talhas, esculturas e altares passaram pelas mãos do mineiro Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813). Conhecido como Mestre Valentim, o entalhador e escultor, também acumulou a função de urbanista e foi responsável pelo projeto do Passeio Público, na cidade do Rio de Janeiro, local onde também estão várias de suas esculturas.

Em Minas Gerais, o ouro levou o desenvolvimento a muitas cidades, como Diamantina, Sabará, Mariana, Tiradentes, São João Del Rei, Caeté, Catas Altas, Congonhas do Campo, Ouro Preto, antiga Vila Rica, e várias outras vilas mineiras. Essa região, viveu o apogeu da Arte, no século XVIII, com influências de outras regiões da colônia e de Portugal. Para alguns estudiosos, a estética ali desenvolvida, foi considerara um estilo à parte. A localização interiorana, de Minas dificultava o transporte de materiais, inclusive de azulejos. Com isso os artistas improvisavam com o que havia na região, aperfeiçoavam e combinavam materiais e técnicas, tanto na construção, como na pintura, ou na decoração de interiores. Na escultura, um bom exemplo disso é o uso da pedra-sabão, abundante em Minas. Entre as tantas construções, cabe citar as igrejas de Nossa Senhora do Pilar e a de São Francisco de Assis (Fig. 16), ambas em Ouro Preto.

Entre os nomes que a pintura barroca mineira trouxe, vale lembrar o de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), conhecido como Mestre Ataíde. E, na Escultura, distinguiu-se Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), nosso querido Aleijadinho, que também foi decorador de igrejas e arquiteto. Concluída em 1810, a igreja de São Francisco, teve a presença dos dois artistas, que transformaram a construção, em uma verdadeira obra-prima. Lembrando muito a ousadia de Andrea Pozzo 2, 3, em seu afresco na Igreja de Santo Inácio, na Itália, Mestre Ataíde demonstrou não só um grande talento, mas um profundo conhecimento de perspectiva e de ponto de fuga. A imagem que se abre, no teto da igreja, projeta a mais divina cena, em que a Virgem Maria, cercada por anjos, parece olhar para a Terra, com serena expressão. Os tons de claro e de escuro e o uso de cores puras, reforçam os contrastes, típicos do Barroco. A verticalidade e a perfeita perspectiva conduzem o olhar ao firmamento. Tudo, na cena, parece se mover ao mesmo tempo, como se fosse ao vivo.

É de Antônio Francisco Lisboa 4, o projeto e a execução da igreja de São Francisco. Em pedra sabão, suas esculturas decoram a parte frontal da igreja e, tanto nos altares, como na decoração do teto da capela, estão presentes as linhas curvas, os motivos florais, os anjos, as fitas e os santos. Como não há a talha dourada no revestimento, o efeito final é o de leveza, no interior do ambiente. De Aleijadinho, também são as importantes esculturas da cidade de Congonhas do Campo, mas há obras do artista em igrejas e em museus de Ouro Preto (Figuras 17, 18 e 19). Em suas imagens, o contorcer e o suplicar exagerados, tornam evidente os maiores traços do Barroco, que eram a ideia de movimento e de exaltação de sentimentos. Em seu Pastor de Presépio, a adoração ao Cristo se acentua em ternura, pela posição do personagem, ajoelhado, com as mãos juntas, em doce expressão. Seu movimento se acentua no caimento das vestes, que parecem lhe colar junto ao corpo, formando dobras. A imagem, que é estática, aparenta estar em sua plena ação. Suas notáveis obras merecem todo o reconhecimento, não somente pela beleza, mas talvez, mais ainda por seu histórico de vida. A doença misteriosa que, aos trinta e nove anos, acometeu Antônio Francisco Lisboa, tirou-lhe os movimentos das mãos. Apesar das severas deficiências físicas, que o acometeram, as ferramentas eram amarradas, nas mãos atrofiadas, e assim produzia as mais lindas esculturas, que a Arte brasileira conheceu.

Na Arte brasileira, são dignos de serem lembradas a Pré-história, com seus sítios arqueológicos e a Arte indígena, com evidências de elevados graus de sofisticação, cada qual, merecedora de um capítulo à parte. Mas foi no Barroco que se testemunhou o florescer da Cultura brasileira, reunindo as influências europeias a uma sociedade em formação. Aqui, a criatividade encontrou campo e criou nova roupagem. Pode-se traduzir isso, para o que diz Kandinsky (1991, p.89),

Com o passar dos anos compreendi que um trabalho feito com o coração palpitante, com o peito opresso (provocando dores nas costas) com uma tensão de todo o corpo, não pode bastar. Esta pode simplesmente esgotar o artista, mas não sua tarefa. O cavalo leva seu cavaleiro, com vigor e rapidez. Mas é o cavaleiro que conduz o cavalo. O talento conduz o artista a altos picos, com vigor e rapidez. Mas é o artista que domina seu talento. Eis o que constitui o elemento consciente do trabalho – chamem-no como quiserem. O artista deve conhecer seus dons a fundo e, como homem de negócios prudente, não deve deixar uma mínima parcela deles inutilizada ou esquecida; ao contrário, seu dever é explorar, aperfeiçoar cada uma dessas parcelas até o limite do possível.

A Arte semeia encantos e faz colher maravilhas, porque o artista, pelos tempos, soube explorar a fundo suas habilidades, soube expor sua faculdade criativa, dominando os objetos que seu tempo lhe oferecia. E foi esse o espírito criativo brasileiro que já se revelava, no Brasil colonial. O talento do artista permitiu o domínio da forma e possibilitou que revelasse a originalidade de seu traço. Isso é o que torna a Arte ainda mais bela.

Estranhas maravilhas
De algum gênio mortal jamais tentadas!
Ideias animadas
Na mais nova, mais rara fantasia!
(COSTA, 2014, p.143)

1 Escultor Pedro Ferreira:
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000200010

2 Andrea Pozzo, Barroco:
www.obrasdarte.com/barroco-por-rosangela-vig

3 Andrea Pozzo:
www.sabercultural.com/template/especiais/IgrejaSantoInacio

4 Antônio Francisco Lisboa:
www.museualeijadinho.com.br

Museu Aleijadinho

Aos amantes da Arte e da Cultura, o Museu Aleijadinho é o símbolo do espírito de um artista que dedicou sua vida à Arte, enaltecendo a religião e a fé.

Localizado em Ouro Preto, no estado de Minas Gerais, na Praça de Antônio Dias, o museu conta, não somente com obras do grande Mestre do Barroco nacional, mas também de outros artistas, muitas vezes anônimos, que ajudaram a construir um pedaço da História da Cultura brasileira.

Criado em 1968, pelo pároco Padre Francisco Barroso Filho, Bispo Emérito de Oliveira, o objetivo inicial era reunir e divulgar o acervo da paróquia. O nome do museu, foi em homenagem a Antônio Francisco Lisboa, construtor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Fazem parte do circuito, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de São Francisco de Assis e a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões.

Site do Museu:
www.museualeijadinho.com.br

Presidente do Museu:
Cônego Luiz Carlos César Ferreira Carneiro, Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição.

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Referências:

BAYER, Raymond. História da Estética. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. Tradução de José Saramago.

COSTA, Cláudio Manuel da. Poemas Escolhidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

FARTHING, Stephen. Tudo Sobre a Arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

KANDINSKY, Wassily. Olhar sobre o Passado. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1991.

MASSAUD, Moisés. A Literatura Brasileira através dos Textos. São Paulo: Ed. Cultrix, 2002.

PROENÇA, Graça. Descobrindo a História da Arte. São Paulo: Editora Ática, 2005.

SANTA ROSA, Nereide Schilaro. Relevos e Curvas – O Barroco no Brasil, Séculos XVII a XIX. Rio de Janeiro: Editora Pinakotheko, 2003.

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As figuras:

Fig. 1 – Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: KamilloK.

Fig. 2 – Centro Histórico, vista do Lar Franciscano, Salvador, Bahia. Foto: Site Guia Geográfico – Jonildo.

Fig. 3 – Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, Salvador, Bahia. Foto: Sandra Santana.

Fig. 4 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia. Foto: Sandra Santana.

Fig. 5 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia. Foto: Sandra Santana.

Fig. 6 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, interior. Foto: Sandra Santana.

Fig. 7 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes da entrada, abaixo do coro. Foto: Sandra Santana.

Fig. 8 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes do interior. Foto: Sandra Santana.

Fig. 9 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes da sacristia. Foto: Sandra Santana.

Fig. 10 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes do altar de Santa Ifigênia. Foto: Sandra Santana.

Fig. 11 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes da Sala do Capítulo. Foto: Sandra Santana.

Fig. 12 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, claustro conventual. Foto: Sandra Santana.

Fig. 13 – Igreja de São Francisco, Salvador, Bahia, detalhes. Foto: Sandra Santana.

Fig. 14 – Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, Salvador, Bahia. Foto: Rhea Sylvia Noblat.

Fig. 15 – Igreja da Boa Viagem, Salvador, Bahia. Foto: Rhea Sylvia Noblat.

Fig. 16 – Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto, Minas Gerais. Foto: Franck Camhi.

Fig. 17 – São Jorge, Aleijadinho, Museu Aleijadinho, Ouro Preto. Foto: Aldo Araújo.

Fig. 18 – Rei Mago de Presépio, Aleijadinho, Museu Aleijadinho, Ouro Preto. Foto: Aldo Araújo.

Fig. 19 – Pastor de Presépio, Aleijadinho, Museu Aleijadinho, Ouro Preto. Foto: Aldo Araújo.

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Barroco por Rosângela Vig https://www.obrasdarte.com/barroco-por-rosangela-vig/ https://www.obrasdarte.com/barroco-por-rosangela-vig/#comments Tue, 03 Nov 2015 14:59:40 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=26069-pt Você também pode ouvir esse artigo na voz da própria Artista Plástica Rosângela Vig:

 

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer,
Animoso, constante, firme e inteiro:

Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer;
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

Mui grande é o vosso amor e o meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar.
(MATOS in BASTOS, 2004, p.13)

A competência de Gregório de Matos (1636-1696) lhe valeu o título de um dos maiores poetas do Barroco, no Brasil e em Portugal. Seu espírito crítico lhe conferiu a alcunha de Boca do Inferno, por muitas vezes satirizar políticos, comerciantes e o clero. Escreveu poesias líricas e satíricas, mas foi em sua poesia religiosa que trouxe à tona seus anseios, espelhando as próprias aflições humanas do século XVII, dividido entre a herança religiosa da Idade Média 1 e o teocentrismo; em oposição ao legado antropocentrista e humanista do Renascimento e ao Movimento de Contrarreforma 2, 3, do século XVI. A poesia religiosa de Gregório de Matos é como um reflexo do pensamento humano, do Barroco. Sob a forma de lamentação; exprime a oposição entre a razão e a fé; externa a consciência do pecado, do arrependimento; faz um pedido de perdão; e demonstra o desejo de purificação espiritual.

Fig. 1 – Praça de São Pedro, Vaticano, projetada por Bernini, 1656-1667. Foto de FedeCandoniPhoto.

Fig. 1 – Praça de São Pedro, Vaticano, projetada por Bernini, 1656-1667. Foto de FedeCandoniPhoto.

Opondo-se à tendência, críticos conservadores, posteriormente designaram o nome Barroco para conceituar o estilo, como absurdo ou grotesco. Para eles, os modelos gregos e romanos jamais deveriam ser abandonados e “Desprezar as normas da Arquitetura antiga parecia, a esses críticos, uma deplorável falta de gosto” (GOMBRICH, 1988, p.302). Contradizendo tais ajuizamentos, o Barroco aflorou, atestando a competência dos artistas em carregarem suas obras de emoção.

As primeiras manifestações do Barroco ocorreram nas Artes Plásticas e tiveram origem na Itália, difundindo-se depois, para outros países da Europa e para a América, inclusive para o Brasil. Atraídos pelo trabalho nas construções de igrejas e de palácios, muitos artesãos, pintores e escultores iam para Roma, que na época, era um grande centro de inovações. O predomínio da emoção sobre a razão foi uma das marcas registradas do Barroco, opondo-se, pois ao equilíbrio e à austeridade renascentistas. Essa dualidade ficou evidente, no contraste entre claro e escuro, na Pintura. A Arte Maneirista, que havia deixado o legado do dinamismo e do movimento, associou-se à dramaticidade exagerada, ao uso de cores mais fortes, e aos temas mitológicos e religiosos, com uma inclinação para o decorativo.

Fig. 2 – Castelo de Versailles, França. Foto de bargotiphotography.

Fig. 2 – Castelo de Versailles, França. Foto de bargotiphotography.

A opulência e os excessos do estilo podem ser explicados por meio da situação histórica. As Reformas Religiosas levaram ao surgimento de novas Igrejas, como a Anglicana, a Calvinista e a Luterana. Contestava-se o poder da Igreja Católica, que reagiu com a Contrarreforma, fazendo combater o protestantismo; levando à criação da Companhia de Jesus; e fazendo retornar a Inquisição. A Arte entrava nesse quadro, como uma forma de promoção da imagem da Igreja, que perdia sua força, na Europa.

A Arquitetura

O intuito de impressionar e de divulgar a doutrina cristã ficou nítido na grandiosidade das igrejas. Entre os nomes do período, cabe destacar o pintor, escultor e arquiteto italiano Gianlorenzo Bernini (1598-1680); e o cenógrafo, pintor, teórico, professor, decorador e arquiteto Andrea Pozzo (1642-1709), que também atuou como irmão leigo, na Companhia de Jesus. E foi de Bernini, uma das obras mais representativas da Arquitetura e do Urbanismo barrocos. Católico fervoroso, Bernini projetou a Praça de São Pedro (Fig. 1), no Vaticano. O harmonioso conjunto arquitetônico apresenta uma colunata, ou fileira de colunas simetricamente dispostas, de forma circular, composta por 284 colunas, com 17 metros de largura, por 23 metros de altura. Sobre elas, estão 162 esculturas de 2,7 metros de altura. Essas colunas ligam-se à fachada da igreja, em linha reta. O centro da praça ainda apresenta um obelisco de 40 metros, do Antigo Egito, do século I, levado a Roma, pelo imperador Calígula. Além da praça, porta de entrada para o Estado do Vaticano, Bernini deixou várias esculturas que ainda podem ser vistas, no Vaticano e em Roma.

Fig. 3 – Palácio de Versailles, França, The Royal Orangery. Foto de ivantagan.

Fig. 3 – Palácio de Versailles, França, The Royal Orangery. Foto de ivantagan.

Se, por um lado, o estilo rebuscado revelava um objetivo maior para a Igreja, que era a afirmação da fé; por outro lado, aos governantes, o Barroco vinha como uma forma de demonstração de poderio e de ostentação de riqueza. Nos palácios, opondo-se, pois à racionalidade renascentista, a decoração esmerada deixou as marcas da magnificência e do esplendor.

Construído no século XVII e representando o poder econômico da realeza, durante o Absolutismo, o Palácio de Versailles (Fig. 2), no subúrbio da França, é um dos maiores do mundo. Transformado em museu em 1837 e considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, a luxuosa construção abriga inúmeras obras de Arte e uma pomposa decoração, em seu interior, com detalhes em ouro nas paredes e no teto. Entre os arquitetos que projetaram sua longa construção, estão os franceses Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansant. Seus jardins (Fig. 3), os maiores já criados, são verdadeiras obras de Arte, com canais, lagos, fontes, esculturas e bosques. Seu projeto paisagístico grandioso, atingiu o objetivo maior de sua construção, o de impressionar os visitantes.

Fig. 4 – A Gloria de Santo Ignazzio, de Andrea Pozzo, 1691-1694. Foto de wastesoul.

Fig. 4 – A Gloria de Santo Ignazzio, de Andrea Pozzo, 1691-1694. Foto de wastesoul.

A Escultura

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
(PESSOA, 2006, p.75,76)

Opondo-se ao Renascimento, o artista do Barroco procurou comover o espectador, por meio do drama e da exaltação de sentimentos, de forma intensa, traços que ficaram evidentes na Escultura do período. As imagens, ocasionalmente agrupadas, formam belíssimas e dramáticas cenas, com pessoas interagindo, movimentando-se e se contorcendo exageradamente.

Fig. 5 – Anjo sobre a ponte próxima ao Castelo de Santo Ângelo, Bernini, Roma, 1669. Foto de membio.

Fig. 5 – Anjo sobre a ponte próxima ao Castelo de Santo Ângelo, Bernini, Roma, 1669. Foto de membio.

As linhas curvas dos corpos, por vezes, cobertas por vestes, tem movimento em seus drapeados e tecidos, como se estivessem ao sabor do vento. Na obra de Bernini (Fig. 5), é possível que o olhar se perca, por tanta riqueza de detalhes do anjo, no rosto, nas mãos, nos pés e nas vestes. O cabelo e as roupas do anjo deslocam-se com a brisa, deixando à mostra partes do corpo. Um leve esboço das pernas sugere que ameace caminhar. Atento para o objeto em suas mãos, ele parece esboçar um sorriso.

A Pintura

Nasce o sol e não dura mais que um dia,
Depois da lua se segue a noite escura
Em tristes sombras morre a formosura
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o sol porque nascia?
Se formosa a luz é, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena, assim se fia?
(MATOS in MASSAUD, 2000, p.44, 45)

Fig. 6 – A Repreensão de Adão e Eva, 1626, Óleo sobre tela, Domenichino, National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund.

Fig. 6 – A Repreensão de Adão e Eva, 1626, Óleo sobre tela, Domenichino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

Distanciando-se da graça maneirista, a pintura do Barroco despontou seus primeiros sinais em Roma, com Caravaggio (1571-1610) e com Annibale Carracci (1560-1609). O estilo foi então seguido por outros pintores, como Domenichino (1581-1641), Guido Reni (1575-1642), Pietro da Cortona (1596-1669), Luca Giordano (1634-1705) e acabou avançando para outras cidades cidades italianas e para outros países. Cabe ainda destacar Bernini que, além de escultor e de arquiteto, tinha a pintura, como um hobby. Despontou ainda no Barroco, o talento de Artemisia Gentileschi (1593-1654), uma das primeiras mulheres renomadas como artista. Seu estilo independente consistia em pinturas muitas vezes sombrias, sérias e temas religiosos, distanciando-se, pois das pinturas tradicionais femininas.

O realce para as emoções, o movimento acentuado e teatral criaram um novo realismo na pintura, apartado da graça maneirista. Eram retratados, a Mitologia, os costumes da época e a religião. Os temas bíblicos apareciam como um instrumento da Igreja, para a divulgação da fé cristã, demonstrando a grandeza de Deus. Nas cenas de Caravaggio, há um acentuado contraste entre claro e escuro; e as figuras mundanas, adquirem aspecto pesaroso. Nas de Caracci, por sua vez, o herói é idealizado; apresenta-se numa cena mais equilibrada e iluminada.

Fig. 7 – José e a esposa de Potifar, 1649, Óleo sobre tela, Guercino, National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund.

Fig. 7 – José e a esposa de Potifar, 1649, Óleo sobre tela, Guercino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

Conhecido como Domenichino, em virtude de sua baixa estatura, Domenico Zampieri foi pintor, escultor e músico. Seu estilo classicista foi mais próximo ao Annibale Carracci, de quem foi aprendiz. Destacou-se na pintura de temas religiosos e demonstrou grande habilidade com figuras e com paisagens. O contraste entre claro e escuro e o colorido exuberante, uma de suas marcas, está presente em sua obra “Adão e Eva” (Fig. 6). Na narrativa, Deus está castigando Adão, que aponta para Eva, culpando-a por caírem em pecado. Eva, por sua vez, culpa a serpente. A figura de Deus com os anjos é inspirada na imagem A Criação de Adão, de Michelangelo, no teto da Capela Sistina. Na pintura, há animais livres ao redor e a Árvore do Conhecimento, representada por uma figueira, de acordo com a tradição italiana. As obras de Domenichino eram admiradas por artistas franceses acadêmicos e seu estilo narrativo chegou a influenciar Nicolas Poussin, do Neoclássico.

A Arte de Caravaggio influenciou também os pintores flamengos. De Flandres e da Espanha, vale citar nomes como o de Antoon Van Dyck (1599-1641) e de Jacob Jordaens (1593-1678) que, no início de suas carreiras, trabalharam para Peter Paul Rubens (1577-1640). Na Holanda, cabe destacar Rembrandt (1606-1669); e na Espanha, Bartolomé Esteban Perez Murillo (1617-1682), Valdés Leal (1622-1690) e Diego Velázquez (1599-1660).

Fig. 8 – Las Meninas, ou A Família de Felipe IV, 1656, Óleo sobre tela, Diego Velázquez, Museo del Prado, Colección Real.

Fig. 8 – Las Meninas, ou A Família de Felipe IV, 1656, Óleo sobre tela, Diego Velázquez, Museo del Prado, Colección Real.

Uma simples cena do cotidiano da família real, na Corte de Felipe IV, foi retratada de maneira brilhante, por Velázquez (Fig. 8). O artista trabalhou com a metalinguagem, ao viabilizar possibilidades criativas e várias interpretações, possíveis, na mesma imagem. O ambiente é decorado com quadros, que fazem parte do acervo do palácio. O contraste entre claro e escuro permite que a distribuição de pessoas e de objetos adquira diferentes planos, proporcionando a sensação de profundidade. Todos parecem estar olhando para um casal, que não aparece na cena, mas sua imagem está refletida no espelho, ao fundo da sala. Em outro plano, mais iluminadas e mais à frente, estão a filha do rei, com algumas pessoas e um cachorro. Ao fundo, próximo à porta entreaberta, está um funcionário do palácio, que parece saudar a todos. Velázquez pintou a si próprio na cena e, em suas vestes, há uma cruz da Ordem de Santiago, que pode ter sido com a intenção de hierarquizar sua profissão (VIG, 2010, p.58,59). Em virtude da claridade, é provável que exista uma janela aberta. A obra, uma das mais estudadas, recebeu em 1957, uma releitura de Picasso, aos moldes do Cubismo.

Considerações Finais

A sensação que é objetiva pode ser chamada pura e simplesmente de sensação; a que é subjetiva porém, sentimento. A sensação é uma representação que é referida ao sujeito e, por isso, distingue-se do conhecimento. O prazer é uma sensação na qual eu desejo permanecer; desprazer uma tal que eu desejo afastar. (SCHILLER, 2004, p.41)

Fig. 9 – O Triunfo de Galateia, 1650, Óleo sobre tela, Bernardo Cavallino, National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund.

Fig. 9 – O Triunfo de Galateia, 1650, Óleo sobre tela, Bernardo Cavallino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

Talvez as palavras de Schiller sejam ideiais para uma reflexão acerca do estilo Barroco. O filósofo fala a respeito de um sentido mais profundo, na Arte. Assim foi o Barroco, no agir criativo do artista; ao permitir que emergissem as emoções. É assim mesmo que a Arte atua. O artista opera livremente sobre o material que mais o encanta; ele permite que seu interior aflore e que se traduza em pensamento, em história. Os excessos e os estados emocionais do Barroco formam um conjunto sedutor, que nos convoca à fruição. Compreender esse jogo é voltar no tempo; é permitir que emoções venham à tona; é o prazer maior, na Arte.

O estilo ainda despontou no Brasil, dexando marcas em igrejas de várias cidades e merece um capítulo à parte. Aqui, ficaram nomes como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Mestre Valentim e Mestre Ataíde. E vale ainda refletir um pouco mais:

Durante anos procurei a possibilidade de conduzir o espectador a “passear” dentro do quadro, de força-lo a fundir-se no quadro, esquecendo a si mesmo.
(KANDINSKY, 1991, p.87)

1 Idade Média:
www.obrasdarte.com/idade-media-arte-romanica-e-arte-gotica-por-rosangela-vig

2 Reforma e Contrarreforma:
www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=918

3 Ver mais sobre o Movimento de Reforma e Contrarreforma no artigo sobre o Maneirismo:
www.obrasdarte.com/maneirismo-por-rosangela-vig

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Você poderá gostar também:

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Referências:

BASTOS, Alcmeno. Poesia Brasileira e Estilos de Época. Rio de Janeiro: Viveiros de Castro Edtora, 2004.

BAYER, Raymond. História da Estética. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. Tradução de José Saramago.

CHILVERS, Ian; ZACZEK, Iain; WELTON, Jude; BUGLER, Caroline; MACK, Lorrie. História Ilustrada da Arte. Publifolha, S.Paulo, 2014.

EAGLETON, Terry. A Idéia de Cultura. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

FARTHING, Stephen. Tudo Sobre a Arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. Martins Fontes, São Paulo, 2003.

KANDINSKY, Wassily. Olhar sobre o Passado. São Paulo: Ed.martins Fontes, 1991.

MASSAUD, Moisés. A Literatura Brasileira através dos Textos. São Paulo Ed.Cultrix, 2000

PESSOA, Fernando. Obra Poética I. Porto Alegre: L& PM Pocket, 2006.

SCHILLER, Friedrich Von. Fragmentos das Preleções sobre Estética. Belo Horizonte: Ed. UFMG – Departamento de Filosofia, 2004.

VIG, Rosângela Araújo Pires. DA ARTE COMO COMUNICAÇÃO À COMUNICAÇÃO COMO ARTE. Comunicação, Cultura e Mídia, Uniso, Sorocaba: 2010. Disponível em:
comunicacaoecultura.uniso.br/prod_discente/2010/pdf/Rosangela_Vig.pdf

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As figuras:

Fig. 1 – Praça de São Pedro, Vaticano, projetada por Bernini, 1656-1667. Foto de FedeCandoniPhoto.

Fig. 2 – Castelo de Versailles, França. Foto de bargotiphotography.

Fig. 3 – Palácio de Versailles, França, The Royal Orangery. Foto de ivantagan.

Fig. 4 – A Gloria de Santo Ignazzio, de Andrea Pozzo, 1691-1694. Foto de wastesoul.

Fig. 5 – Anjo sobre a ponte próxima ao Castelo de Santo Ângelo, Bernini, Roma, 1669. Foto de membio.

Fig. 6 – A Repreensão de Adão e Eva, 1626, Óleo sobre tela, Domenichino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

Fig. 7 – José e a esposa de Potifar, 1649, Óleo sobre tela, Guercino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

Fig. 8 – Las Meninas, ou A Família de Felipe IV, 1656, Óleo sobre tela, Diego Velázquez, Museo del Prado, Colección Real.

Fig. 9 – O Triunfo de Galateia, 1650, Óleo sobre tela, Bernardo Cavallino, National Gallery of Art, Washington, Patrons’ Permanent Fund.

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