Juliana Vannucchi – Site Obras de Arte https://www.obrasdarte.com Artes Plásticas e Galeria Virtual de Arte Thu, 18 Apr 2019 13:24:17 +0000 pt hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.8 https://www.obrasdarte.com/wp-content/uploads/2014/02/cropped-Logo-Obras-de-Arte-140-x-140-32x32.jpg Juliana Vannucchi – Site Obras de Arte https://www.obrasdarte.com 32 32 “SORAYA BALERA” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/soraya-balera-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/soraya-balera-por-juliana-vannucchi/#comments Wed, 20 Mar 2019 12:49:47 +0000 https://www.obrasdarte.com/?p=50019-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Hoje, com muita satisfação, apresento aos leitores do nosso site, a artista Soraya Balera, residente de Sorocaba (SP), que em suas produções, trabalha com telas pintadas a óleo, acrílico e também utiliza técnicas mistas. Balera já participou de exposições na “Feira de Artes Plásticas”, na qual suas obras expostas na praça Carlos Alberto de Souza e também na Câmera Municipal de Sorocaba, que apresentou uma coleção de suas obras, baseadas no tema “primavera”. Desde então, obteve cada vez mais notoriedade por seus trabalhos e começou a vender alguns de seus quadros.

Soraya aprecia a pintura desde os tempos de infância, período no qual começou a se afeiçoar pelas aulas de artes que tinha na escola. Entretanto, com o passar do tempo, a vida lhe guiou para vários outros rumos, que a distanciaram da pintura, ainda que sua inclinação para a produção artística estivesse sempre latente dentro de si. Mas a realidade é inconstante. As coisas se alteram e mundo dá voltas. Foi justamente em meio uma dessas habituais mudanças existenciais que Soraia, já na vida adulta, retomou o interesse pela pintura e inaugurou suas preocupes, dando luz ao seu universo artístico.

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No dia 17/03/2019, tive o privilégio de ir visitar a artista no apartamento em que reside. Fiquei simplesmente fascinada pela criatividade e capricho das preciosas e singulares obras de arte que ela produz e que dão uma beleza magnífica ao seu lar. É, aliás, curioso o fato de que o próprio apartamento de Soraya é, em si mesmo, uma espécie de pintura: adentrá-lo e presenciar uma sala totalmente cercada e enfeitada por quadros, fez me sentir como se eu mesma estivesse dentro de uma tela, vivenciando numa dimensão mágica e artística, a energia contagiante do universo das pinturas de Soraya. Enquanto a visitava, fui capaz de captar a vibração de cada tela que se fazia presente no local. Pude interagir com elas, sentindo profundamente a expressão de cada um dos elementos que as compunham. Me perdi diante das tantas cores belas, das tonalidades harmônicas, das curiosas e celestiais figuras presentes nos quadros e em seus traços e texturas refinados. Tudo era contagiante e fantástico! Como dito acima, senti que eu mesma estava dentro de uma tela, vislumbrando um novo plano dimensional, que se encontra muito além da realidade ordinária!!

As inspirações para produzir as telas, provém de fontes bem diversificadas: dos sonhos, que a instigam, da natureza, que a encanta, do mistérios do Egito antigo, do espaço sideral, do cosmos e, enfim, de muitos aspectos da vida que, os olhos de muitos indivíduos, podem parecer banais, mas diante do instinto artístico de Soraya, tornam-se objetos singulares e cativantes, capazes de despertar sua aflorada intuição.

De maneira geral, é possível dizer que as pinturas de Soraya atuam como uma espécie de anestesia para a consciência, sendo um verdadeiro remédio para a alma, capaz de tranquilizá-la até em seus dias mais sombrios e turbulentos. Muitas vezes, as interessantes produções da artista sorocabana, misturam elementos oníricos com entidades espirituais, que repousam em ambientes cósmicos ou místicos, aspectos estes que, em conjunto, geram enorme originalidade em suas pinturas. Tudo isso, é feito com traços habilidosos, que elucida cores e texturas muito bem empregadas. Como resultado dessas mesclas, os quadros transmitem uma tranquilidade enorme e imediata ao espectador, que perde-se facilmente diante dos gracejos imagéticos oferecidos por Soraya.

Atualmente, a artista segue produzindo incessantemente – por vezes, passa até 12 ou 13 horas diante de suas telas, em certas ocasiões, pintando até ao longo da madrugada. As inspirações não param de convocá-la para serem intuídas. No próximo dia 01, algumas das tantas obras feitas por Soraya Balera serão expostas no Shopping Sorocaba (Sorocaba/SP). A exposição é indicada para todos aqueles que apreciam o vislumbre artístico.

Deseja conhecer melhor o trabalho de Soraya Balera ou comprar um de seus quadros? Então acesse o link abaixo:

Página no Facebook: www.facebook.com/AtelieSorayaBalera/

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Retrospectiva 2018 Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/retrospectiva-2018-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/retrospectiva-2018-juliana-vannucchi/#respond Fri, 28 Dec 2018 18:37:27 +0000 https://www.obrasdarte.com/?p=49193-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Colunista nova no site, confira as matérias sobre Arte & Reflexão de Juliana Vannucchi em 2018!

 

 

Parabéns Juliana! Sucesso!!

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“A Aura Dionisíaca de Jim Morrison:” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/a-aura-dionisiaca-de-jim-morrison-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/a-aura-dionisiaca-de-jim-morrison-por-juliana-vannucchi/#comments Thu, 09 Aug 2018 13:47:00 +0000 https://www.obrasdarte.com/?p=47302-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

A dor é uma forma de acordarmos (…) Você sente sua força com a experiência da dor (…) ela é um sentimento – seus sentimentos fazem parte de você (…) (trecho de uma entrevista concedida à Lizze James – 1969).

O The Doors é uma das bandas mais populares da história do Rock And Roll. Foi formado em 1965, no estado da Califórnia (EUA) e tornou-se especialmente marcante pela figura do vocalista e poeta Jim Morrison, cujo comportamento era traçado pelo excesso de ousadias e de certas singularidades, além do grande abuso na ingestão de álcool e de drogas.

Morrison, além de conduzir a voz do The Doors, também possuía afinidades com outras artes além da música. Após intenso período de leitura durante a adolescência, em 1964 ingressou na UCLA e lá estudou cinema e teatro, ao lado de grandes nomes como, por exemplo, Francis Ford Copolla. Durante sua vida, teve dois livros de poesia publicados (ambos em 1969), sendo que o primeiro dividia-se em dois volumes: “The Lords/Notes on Vision” e “The New Creatures”. A primeira obra trata-se basicamente de impressões e reflexões de Morrison acerca de inúmeros aspectos que faziam parte de seu cotidiano, tal como pessoas, lugares ou até mesmo o cinema. Já o segundo, possui linhas construídas com mais emoção e carrega estruturas poéticas mais harmônicas. Posteriormente, os dois títulos foram compilados num único volume chamado “The Lords and The New Creatures” e após o falecimento do músico, outros livros de poesia foram lançados sob organização de seu amigo Frank Lisciandro e dos pais da namorada do músico. O primeiro volume póstumo lançado chamou-se “Wilderness” (1988) e o segundo foi intitulado como “The American Night” (1990), ambos tornaram-se enorme sucesso comercial.

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Além do interesse pela prática artística, o músico lia muitos autores que o inspiravam. Apreciava obras de grandes nomes da literatura, tal como Franz Kafka, Rimbaud e Charles Baudelaire e William Blake. Aliás, o próprio nome da banda, “The Doors” (em português, “as portas”) que refere-se às “portas da percepção” foi escolhido por Morrison com base em um poema de autoria de Blake, que certa vez, escreveu: “Quando as portas da percepção se abrem, tudo parece ao homem tal como realmente é: infinito”. Outra característica que certamente fez parte da carga de conhecimento de Jim Morrison, foi a Filosofia, área com a qual possuia grande afinidade. Em biografias, comumente conta-se que o músico costumava ler obras de Nietzsche, Camus e Jean-Paul Sartre. Dentre estes filósofos mencionados, Morrisson parecia nutrir um interesse especial por Nietzsche, cujo pensamento foi uma de suas grandes inspirações e, aparentemente, o líder do The Doors tentou praticar em sua vida alguns elementos propostos nas obras do filósofo alemão, conforme veremos abaixo.

Em aspectos gerais, tanto no que diz respeito ao comportamento que teve tanto em seu cotidiano privado, quanto no cenário artístico, as atitudes de Jim foram extravagantes, inquietantes e, de certa forma, intrigantes. O músico colocou a liberdade como um dos pontos essenciais de suas produções artísticas, incentivando o público a também ser livre – ao extremo, fosse lá o que cada um compreendesse como “liberdade”. Não é possível sabermos se o vocalista do The Doors estava ciente (plena ou parcialmente) de que sua selvageria poderia trazer problemas, mas Jim parecia abraçar as consequências de suas extravagâncias com certa serenidade. Abusar de entorpecentes era uma atitude que fazia parte de seu cotidiano porque o artista gostava de experiências novas, de debruçar-se na plenitude de sua vida. Há uma letra (“Unhappy Girl”) que parece demonstrar bem essa maneira como o músico encarava a vida:

(…)

“Menina triste

Rasgue sua rede

Arrebente todas as suas grades

Derreta sua cela hoje mesmo

Você foi condenada a uma prisão

Que você mesma criou

(…)

Não perca a sua chance

De nadar no mistério

Você está morrendo numa prisão

Que você mesma criou”. – Livre tradução.

Na letra, vemos a exposição daquilo que Jim pretendia por intermédio sua arte: incentivar a liberdade, demolindo paradigmas. Grades estas, das celas que muitas pessoas criamos (ou nas quais nos inserimos) e que nós próprios podemos romper. O ser humano é livre para escolher, para tomar caminhos diversos e o faz. Porém, muitas vezes o faz sob influências externas, não de maneira pura e honesta, não como gostaria. É nesse momento em que surgem as celas que o aprisionam.

The Great Red Dragon and the Beast from the Sea, 1805. William Blake. National Gallery of Art, Washington. Coleção Rosenwald.

Obscenidades nos palcos, provocações à plateia, desafiar as autoridades e, a qualquer momento, proferir o que se encontrava em sua mente, foram alguns dos atos que Jim concretizou, mas que, como qualquer ação gera reação. Jim Morrison, certa vez, auto-entitulou-se como o “rei orgástico”, codinome cabível considerando que em muitos de seus shows, o músico empregava um comportamento traçado por uma sensualidade sem pudores. Aliás, foi justamente o excesso de apologias sexuais que praticamente comprometeu sua carreira, pois em uma das várias apresentações da banda, as consequências deste tipo de extrapolamento foram sérias. Conforme citado pelo jornal The Miami News (1969): “Agora seus dias estão contados, e o caminho para prendê-lo está totalmente aberto” (…) simulou ato de masturbação e abriu a braguilha num degradante espetáculo em que prevaleceram a linguagem chula e palavras de baixo calão (…). As consequências sociais geradas por este fato foram imensas. Jim Morrison foi manchete dos mais importantes meios de comunicação da época. Poucos dias após este show, o capitão da Divisão de Segurança da Polícia de Miami fez um pedido de prisão para o músico. Somado a isso, no mesmo período, Mike Levesque, um jovem católico, com apoio do presidente Nixon, deu início a um movimento chamado “Cruzada Pela Decência”, cujo um dos alvos era o vocalista do The Doors. Morrison defendia-se. Acreditava que sua música consistia numa experiência essencialmente catártica e que as apologias sexuais eram um dos inúmeros componentes desta finalidade musical: “A música é muito erótica. Uma de suas funções consiste em purgação catártica das emoções. Chamar nossa música de orgástica é o mesmo que dizer que somos capazes de levar as pessoas a um tipo de orgasmo emocional, por meio das letras e do som“. (Entrevista à Danny Sugerman). Lembremos que Morrison havia estudado teatro e cinema e, aparentemente, estas áreas refletiam o seu comportamento em cima dos palcos. A performance era fundamental para o músico. Ela precisava ser caprichada e qualquer elemento poderia fazer parte deste processo: “O sexo é apenas uma parte de minha performance. Existem milhares de outros fatores. É decerto importante, mas não creio que seja a coisa principal. Evidentemente é uma das bases naturais da música. Não pode ser separado“. (Entrevista à Mike Grant, Rave, 1968).

Os hábitos de Jim, muito provavelmente, em partes, possuíam sua inspiração no pensamento de um dos maiores filósofos que já existiu, e que ele muito apreciava: Friedrich Nietzsche. Para o pensador alemão, a arte se traduz em um antagonista no qual há o aspecto apolíneo, em oposição ao dionisíaco. O filósofo os define como sendo as duas formas do mundo estético: “O homem dotado de um espírito filosófico tem mesmo o pressentimento de que, por trás dessa realidade em que existimos e vivemos se oculta uma segunda bem diferente e que, por conseguinte, a primeira também não passa de uma aparência (…)” (NIETZSCHE, p. 46, 2013). Esse outro plano era o que Morrison almejava atingir por intermédio da sua arte hipnótica: o plano do novo, do desconhecido, do irregular, da desmedida, do oculto. Eis as “portas da percepção”- conforme o próprio Morrison certa vez declarou: “Há o conhecido, há o desconhecido e entre ambos há uma porta”. Pensando ainda dentro do conceito estético de Nietzsche, notamos que se encontra o combate entre a força da razão (apolínea) e a força do delírio (dionisíaca), sendo que esta última representa a afirmação da vida, aceitação dos instintos, e que molda o perfil do indivíduo que abraça a existência em sua plenitude, amando com tudo o que ela oferece, sejam coisas boas ou ruins. Essa última força seria o modo de vida que Morrison representava através de seu comportamento extravagante e delirante, e por meio de suas letras e melodias, que visavam levar os ouvintes para além de si mesmos, embriagá-los, libertá-los dos limites morais e conduzi-los para um estado de vida no qual não há pudores.

Dionísio é a figura que simboliza o delírio. Dionísio figura mitológica que representa a embriaguez. Filho de Zeus e da princesa Semele e o símbolo do caos, do insano, é o inesperado. É aquilo que se opõe ao racional, ao linear, ao conceitual, ao equilibrado. Através dos efeitos da embriaguez, objetos do inconsciente se manifestam e podem se expressar. É a intuição pura, a potência do êxtase que se contrapõe ao intelecto e ao equilíbrio do apolíneo. Jim Morrison, através de seus hábitos comportamentais, brindava o extase e talvez vivesse mais frequentemente no plano incosciente do que no consciente. Jim era essencialmente dionisíaco: agia com liberdade, entregava-se, sem pudores aos seus sentimentos, guiava-se pela emoção. Morrison vivia abraçado com seu lado mais insano. E esse comportamento dionisíaco, para ele, tinha um sentido, pois o vocalista acreditava que seu papel como vocalista de uma banda de Rock era muito grandioso e estava além de simplesmente cantar. Em uma entrevista, fez a seguinte declaração: “Penso na atividade do artista ou do xamã como um canal de escape. As pessoas projetam sobre ele suas fantasias e elas se tornam reais“. (Lizze James, 1969). Morrison, justamente buscava o êxtase obtido através do ritmo das músicas de sua banda.

Certa vez, num artigo intitulado “Apatia Pelo Demônio”, Mike Gershman indagou: “Mas o que está por trás deste demônio que supostamente corrompeu a juventude de Miami?”. Ele próprio respondeu nas linhas seguintes deste mesmo texto: “Ele (Jim Morrison) pega as pessoas numa dimensão mítica – como xamã, símbolo sexual, poeta e filósofo”. (Revista Rock, 1968). Ele paga as pessoas, enfim, através de sua potente aura dionisíaca.

Referências:

  1. MARSICANO, Alberto. Jim Morrison: por ele mesmo. São Paulo: Martin Claret, 2005.
  2. NIETZSCHE, Friedrich. O Nascimento da Tragédia. São Paulo: Editora Escala, 2013.
  3. SUGERMAN, Danny; HOPKINS, Jerry. Jim Morrison: Ninguém Sai Vivo Daqui. São Paulo: Novo Século, 2013.

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JULIANA VANNUCCHI
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“Gênios da Pintura:” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/genios-da-pintura-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/genios-da-pintura-por-juliana-vannucchi/#comments Mon, 09 Jul 2018 19:37:47 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=45523-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Abaixo, listei as minhas maiores influências da pintura, e registrei alguns breves comentários através dos quais justifico minha admiração por tais artistas. Este tipo de texto está sempre sujeito a modificações. Esclareço que não foi escrito em ordem cronológica.

Minha paixão pela pintura começou nos tempos de infância e até hoje, encontra-se firmemente intrínseca em mim. Ao longo deste período de tempo, conheci muitos artistas que me fascinaram e que me instigaram profundamente, levando-me, inevitavelmente a escrever reflexões sobre seus legados e sobre suas vidas. Além dos gênios abaixo, há inúmeros outros que admiro, mas certamente estes são os três primeiros nomes que surgem em minha mente quando alguém questiona quais são meus pintores favoritos.

Bosch:

Conheci este artista através de um livro sobre Ocultismo. Na referida obra, mencionava-se que Bosch pintava nas telas o conteúdo que vislumbrava durante viagens astrais. Jamais li nenhuma outra referência sobre isso e nem preocuparei em buscar qualquer tipo de comprovação a respeito do assunto, apenas me senti fortemente atraída em conhecer unicamente a produção artística de Bosch.

Este pintor certamente não retratou temáticas comuns, como por exemplo, imagens configuradas sob o preceito de belo, críticas sociais (ou outras) explícitas ou figuras realistas. De fato, nas telas deste talentoso gênio, há notável fuga de tais formas que usei como exemplo. O que falta em Bosch é o padrão, pois sua imaginação captava cenas, personagens, ambientes e objetos atípicos e, por vezes, perturbadores. Tentar decifrar a mente de um homem como este grande artista, é uma tarefa impossível de ser realizada. Não duvido que seu legado tenha influência de um plano que está além deste em que vivemos e, neste sentido, preciso admitir que, de certa forma, é possível que ele tenha transpassado os limites da realidade físico-material em que vivemos, e visitado outras dimensões.

A tela que mais me cativou foi “A Extração Da Pedra Da Loucura”. Por que ou “para que” seria necessário retirarmos de nós aquilo que permite que deliremos para além de nossa consciência? A loucura é um brilho da alma! É uma extravagância adocicada que nos permite saborear as ondas amargas da existência. Bosch jamais retirou de si próprio a “pedra da loucura”. E esta (isto é, a loucura), talvez tenha sido a principal assinatura de seu legado. Afinal, se por loucura entende-se “aquilo que se opõe ao ordinário”, então Bosch era um verdadeiro louco.

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O Jardim Das Delícias é uma das telas mais excêntricas da história da arte. Extravasa em confusões imagéticas podendo perturbar qualquer homem. Não compensa tentar atribuir sentido lógico para uma pintura de potencial fantástico! O que mais me encanta nesta maravilha, são as figuras e objetos que desconheço. Admitamos: poucos pintores (ou talvez nenhum) tenha sido capaz de dar vida a um mundo novo com tanta maestria e espontaneidade como o fez Bosch, este gênio inclassificável. Destaques também para “Ecce Homo”, “O Concerto No Ovo” e “Ascent Of The Blassed”.

Düher:

Talvez tenha sido o pintor mais extraordinário da história, embora seu talento tenha sido ofuscado por outros artistas de sua época. Comecei a explorar o universo de Düher através de uma obra na qual ele sugere um diálogo entre a “morte, o diabo e um cavaleiro (sendo este um ser humano)”. Quando vi esta pintura fiquei fascinada tentando supor que tipo de discussão e/ou reflexão poderia surgir entre tais criaturas. Às minhas curiosas e intermináveis especulações, somaram-se as qualidades técnicas da pintura deste grande artista alemão.

Tudo me encantou neste brilhante homem! Há simbolismos místicos e celestes flutuando em grande parte de suas telas, mas tais elementos estão sempre ocultos. Conforme ele próprio escreveu certa vez: “Só uma mente árida não possui autoconfiança para encontrar o caminho de algo que está além, arrastando-se por alguma trilha gasta, contente de imitar os outros e sem a iniciativa de pensar em si mesma”.

“Melancolia I”, por exemplo, é uma verdadeira e atraente complexidade de enigmas. Já me deparei com inúmeras interpretações dessa obra, mas acredito que seja inútil tentar desvendá-la. A meu ver, há duas figuras angelicais que por si representam o conceito de melancolia. Há materiais de construção espalhados pelo ambiente. Além disso, note-se que um dos seres celestiais carrega consigo uma chave. Pendurados na parede há um quadrado contendendo números, e uma ampulheta. É possível notar também um terceiro objeto: uma balança (que liga-se, inclusive, com um dos signos do zodíaco – libra, significando o equilíbrio), além de uma escada. Há ainda algumas figuras geométricas preenchendo o ambiente da tela.

Melencolia I, 1514. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Presente de R. Horace Gallatin. “Melencolia I“ (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. – Juliana Vannucchi.

Melencolia I, 1514. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Presente de R. Horace Gallatin. “Melencolia I“ (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. – Juliana Vannucchi.

Perceba que realizei uma descrição puramente física, e é de extrema complexidade especular se há ligação lógica entre os elementos mencionados (ou seja, se existe encadeamento), ou se trata-se somente de um monte de itens despojados intuitivamente de forma desconexa. Seriam os sagrados espíritos, um prelúdio da melancolia? Será que estes seres são os arquitetos deste sentimento que assola os homens? A matemática, que é remetida pelas formas geométricas é portadora de algum sentido especial para nosso autor? O que são, de fato, as sequências numéricas presentes na tela?

No quadrado mágico (que se tornou bastante conhecido), é possível notar que a soma de todas as fileiras horizontais ou verticais, culmina curiosamente no número 34. Esse resultado também é obtido numa soma feita na diagonal e também em várias outras combinações. Além disso, é um tanto complicado fazer suposições.

O fato é que a obra de Düher jamais será desvendada, e isso a torna fascinante. O que vemos até hoje, é uma sucessão de tentativas subjetivas de interpretar os símbolos dispostas em suas várias telas, mas não há nenhuma conclusão final e plausível, e esta situação proporciona uma atmosfera abstrata ao legado deste grande pintor alemão.

Também aprecio com enorme prazer os animais que este artista pintou, pois tal temática demonstrou a plenitude de seu talento técnico. Coelhos e rinocerontes foram desenhados com imensa maestria, e o resultado final destas gravuras assemelham-se à fotografias.

William Blake:

Este cativante gênio, na maior parte de sua obra, deu ênfase à Religiosidade. A espiritualidade prevalecente nas gravuras de Blake é carregada de esoterismo.

Quando criança, teria avistado anjos pairando sobre uma árvore em Londres. A tal ocorrência, somam-se uma série de visões de cunho espiritual. Este tipo de experiência conduziu o artista a compreender a própria arte como um campo que se encontra além dos limites da racionalidade, e que se situa na esfera da intuição. Escrevi um texto mais completo sobre a filosofia de arte de William Blake, que pode ser lido no “Acervo Filosófico“. De qualquer forma, resumidamente (e suficientemente), para o pintor, é falha a tentativa de interpretar uma obra por meio dos princípios racionais. O campo físico, material e científico não são capazes de apreender a arte. Pelo fato de já possuir um material e estudo mais completo sobre Blake, não entrarei em maiores detalhes, apenas o menciono aqui e resumo os motivos pelo qual tanto o admiro. Talvez tenha sido o primeiro pintor pelo qual me apaixonei. Eu o conheci através de uma (popular) frase de sua autoria: “Quando as portas da percepção forem abertas, tudo parecerá ao homem como realmente é: infinito”. Estas palavras me agradaram muito porque até agora não sei se concordo com ela ou não, embora, na realidade, seja insensato me posicionar enquanto as minhas próprias dimensões da percepção não estiverem abertas.

Suas pinturas transbordam originalidade. A composição dos personagens é um tanto caricata e o uso das cores é um diferencial do artista: ou empregava cores frias ou quentes, de forma que sua arte praticamente se dividia entre o “belo” ou o “sublime”, sendo que os ambientes, quase sempre eram celestiais. Blake dizia que “sem contrários não há progresso”, talvez por isso houvesse esse tipo de dualismo em suas pinturas.

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“Dez anos de Woodgothic:” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/dez-anos-de-woodgothic-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/dez-anos-de-woodgothic-por-juliana-vannucchi/#respond Thu, 10 May 2018 17:49:50 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=42827-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

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O Festival Woodgothic é um evento underground realizado em São Tomé das Letras (Minas Gerais) desde 2008. É idealizado por Karolina e Zaf, músicos do duo Escarlatina Obsessiva e residentes da mesma cidade em que o festival acontece.

Em 2018 completa-se dez anos da primeira edição do Woodgothic e este texto, visando a valorização das práticas undergrounds em solo nacional, se propõe a homenagear e divulgar o evento. Assim sendo, convido os leitores para uma viagem através do espaço, do tempo e da música, para que possam conhecer um pouco mais sobre o maior festival independente da América Latina. Voilà!

De acordo com os idealizadores, o início de todo o projeto do primeiro festival, que aconteceu há uma década atrás, surgiu “do movimento de bandas no underground brasileiro a partir de 2006, somado à disponibilidade do Centro de Eventos em São Thomé, que era considerado um “elefante branco” e ficava lá, às moscas, monumento do abandono do recurso público. Essencial para o desenvolvimento da primeira edição foi a colaboração do Sr. Juan Uviedo, artista, psicólogo, xamã, entre inúmeras outras coisas, e nosso saudoso amigo..”. Aliás, eis aqui um ponto importante que precisamos citar: falar do Woodgothic sem mencionar Uviedo, é uma grande injustiça. Figura conhecida e respeitada em São Tomé das Letras, Juan Uviedo, ativista social e artístico, foi quem, através de vários meios, apoiou e incentivou Karolina e Zaf a realizarem a primeira edição do festival, oferecendo suporte logístico, financeiro e prático. Ele ajudou a tirar o projeto do papel e a concretizá-lo; migrou uma idealização imaginária para o mundo real. Porém, infelizmente, o grande incentivador do duo e “padrinho” do festival, faleceu durante os preparativos da segunda edição, fato que abalou os organizadores, mas que, por outro lado, os motivou a colher forças e a ter persistência em dar continuidade àquela edição e também às seguintes. Até os dias de hoje, Uviedo é uma inspiração para cada edição do Woodgothic.

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De 2008 pra cá, o festival sofisticou-se, melhorou, atraiu cada vez mais público e tornou-se mais popular no meio underground. Conforme com Karolina e Zaf comentaram, desde os primórdios, o objetivo principal do festival é: “Criar uma situação em que o público possa ter acesso a um momento de experiência real, fora do mundo virtual, onde as pessoas que têm um interesse artístico comum vão se encontrar em carne e osso, em uma situação objetiva, distante da realidade urbana, e não em uma rede social em um mundo virtual qualquer. No Festival as coisas se realizam de maneira real e humana, olho no olho, naturalmente sem separação entre categorias, do tipo público e artista, e etc. Todos que participaram da última edição tiveram, cada um à sua maneira, essa mesma sensação de contato, de comunicação real, de liberdade na individualidade, da afirmação da heterogeneidade e identidade das pessoas, e da total inexistência de limites entre elas… é um momento de realização da utopia, sua concretização na realidade”. Não há dúvida de que o objetivo principal do evento é sempre conquistado com êxito, pois a cada edição que ocorre, fica claro o quanto o público aproveita a ocasião, se envolve e se apaixona, e também sempre há elogios feitos tanto pelos que participam, quanto por aqueles que acompanham à distância.

Público fiél e sempre presente no festival. Foto: Divulgação.

Público fiél e sempre presente no festival. Foto: Divulgação.

Um aspecto interessante do evento, cuja menção é importante, é o caráter filantrópico do festival. Desde a primeira edição, além do valor da entrada para o evento, o público leva alimentos não perecíveis que, posteriormente, são doados para a Associação Viva Criança (fundada por Uviedo), e que divide a arrecadação com outras associações beneficentes do município de São Tomé das Letras.

Apesar de alguns obstáculos para realização do festival e da falta de apoio por parte da prefeitura, o Woodgothic segue sendo realizado a partir do notável esforço de Karolina e Zaf, do suporte do público e da divulgação dos meios de comunicação undergrounds. Desde 2008 até a última edição, realizada em 2017, quase cem bandas já tocaram no festival. Dentre tais, vários artistas internacionais já subiram aos palcos, além, é claro, de vários músicos e bandas brasileiros. Se tudo correr bem, em 2019 haverá mais uma edição do evento. Por hora, nos resta aguardar ansiosamente.

Site Oficial do Evento: www.festivalwoodgothic.com

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“A Relevância da Mentira como Componente Artístico em Oscar Wilde:” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/a-relevancia-da-mentira-como-componente-artistico-em-oscar-wilde-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/a-relevancia-da-mentira-como-componente-artistico-em-oscar-wilde-por-juliana-vannucchi/#respond Thu, 03 May 2018 18:13:27 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=42249-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Este texto visa explorar e compartilhar com os leitores, algumas observações e interpretações sobre um ensaio escrito por Oscar Wilde em 1891, intitulado A Decadência da Mentira. O referido texto trata-se de um diálogo entre Vivian e Cyril, dois personagens que se encontram numa biblioteca, e que passam a refletir sobre a inserção da mentira na obra de arte. Logo no segundo parágrafo do texto, Wilde, expressa a base de sua reflexão artística quando um dos personagens convida o outro para ir apreciar a natureza, e recebe como resposta, o seguinte comentário: “Quanto mais estudamos a Arte menos nos importamos com a Natureza, pois esta última, em nossas vidas, se mostra cheia de “falta de conclusões”, “crueldades curiosas” e “monotonia” e “caráter absolutamente indefinido”. (WILDE, 1992, p. 25). Nesta passagem, notamos que o personagem destaca a oposições entre razão e emoção, e busca desvincular a Arte de ligações com a primeira, pois ele acredita que a lógica é dispensável para a percepção artística (tanto na contemplação quanto na produção).

Oscar Wilde, 1854 – 1900. Foto: W. and D. Downey em 23 de mario de 1889. CMG Worldwide.

Oscar Wilde, 1854 – 1900. Foto: W. and D. Downey em 23 de mario de 1889. CMG Worldwide.

Posteriormente, há um complemento em que se propõe que a Arte surge como “nosso esforço para acomodar a natureza” (Ibid., p. 26). Ou seja, a Arte não precisa, necessariamente explicar aquilo que está ao seu redor e tampouco possui algum compromisso intelectual específico com essa realidade, a Arte é uma apresentação irracional de sentimentos que podem possuir influência externa ou interna, e não é e tampouco atua de maneira racional. A conversa entre os personagens segue, e um deles profere a seguinte frase a respeito da atividade do pensamento: “Pensar é o que há de mais doentio no mundo. Disto se morre como de qualquer moléstia” (Ibid., p. 26).

Na sequência da conversa, Wilde, então, introduz a ideia da mentira ao diálogo, apontando-a como um fato cuja ausência desencadeia decadência à literatura da época. Mostra que a poesia (conforme já afirmava Platão) caminha junto com a mentira: ambas são artes e ambas possuem seu conjunto de técnicas. O personagem afirma que a mentira é necessária para a obra de arte e que, ao invés de prejudicá-la e torná-la banal ou repulsiva, ela a fortalece. Para Platão, a arte era uma ilusão com efeitos negativos, pois esta consistia numa cópia da cópia, ou seja, o artista copiava aquilo que o cercava e que, por si só, representava uma cópia do mundo das Ideias. “Nada suprimi tanto as qualidades de uma história quanto tentar torná-las demasiado verídicas” (Ibid., p. 30).

Oscar Wilde, 1854 – 1900. CMG Worldwide.

Oscar Wilde, 1854 – 1900. CMG Worldwide.

Vivian lança críticas a certos escritores, colocando alguns destes como gênios artísticos e outros como produtores de uma arte que se fideliza erroneamente com a realidade externa e material. Como primeiro exemplo, ele exalta Balzac: “ele criava a vida e não a copiava” (Ibid., p. 36). Em oposição, está Zola cujos personagens excessivamente moralistas não são construídos com qualquer beleza artística. Shakespeare também é acusado de abandonar a imaginação e produzir um material com linguagem natural, diretamente inspirado na vida.

A Arte é compreendida como objeto sensível que é moldado por uma produção resultante de um processo criativo e expressivo de seu produtor, e que cujo produto final irá ser assimilado por um espectador através de seus sentidos. Dentro deste quadro, exclui-se a noção da lógica ou do engajamento artístico. Qualquer fator que prenda a Arte às circunstâncias externas, e que a prenda a descrições deste ambiente, tornam-na enfraquecida, pois o poder que a Arte possui e a sua singularidade de efeitos na humanidade, reside justamente no fato de que ela não necessita da verdade, nem da linearidade ou da lógica e, tampouco, deve ter como função, simplesmente espelhar a realidade externa. A Arte não representa mais nada a não ser a si própria. “A Arte começa com a decoração abstrata, com um trabalho puramente imaginativo e agradável, não se aplicando senão ao irreal, ao não existente”. (Ibid., p. 39).

Oscar Wilde, 1854 – 1900. CMG Worldwide.

Oscar Wilde, 1854 – 1900. CMG Worldwide.

Em certo momento do texto, Vivian afirma que a própria natureza é quem imita a Arte, pois quando nos atentamos ao que está ao nosso redor, nos inserimos numa atividade artística, já que a observação atenta da natureza, isto é, ver o que se dispõe em nosso entorno, é diferente de simplesmente olhar superficialmente, e esse ver atentamente, é uma verdadeira busca pelas mais sutis e simples belezas que estão nos rodeando. Ora, é por intermédio da Arte que aprendemos a perceber aquilo que é belo, e, portanto, consequentemente, é a própria Arte que nos ensina a realmente contemplar o mundo a nossa volta. “Não se vê uma coisa se não quando se compreende sua beleza” (Ibid., p. 56). A Arte é que nos mostra os encantos e efeitos da natureza, é ela que lhes dá, proporciona harmonia através de seu caráter sensorial.

Os personagens de Oscar Wilde neste diálogo recusam o realismo como aspecto artístico, pois este é pautado na descrição de fatos científicos e/ou materiais, sendo que a Arte, por sua vez, é uma produção cujo ponto de partida é justamente a imaginação, sendo que este elemento por si, dispensa o caráter da busca por verdades. Ela se apresenta diretamente para a percepção, e esta não necessita da reflexão, da conceitualização e da racionalidade. Por isso a mentira pode compor positivamente a obra de arte, visto que esta não possui compromisso com a verdade, e, portanto, não deve ser imitativa, e sim traçada pelo uso da imaginação: “A Arte começa com a decoração abstrata, com um trabalho puramente imaginativo e agradável, não se aplicando senão ao irreal, ao inexistente”. (Ibid., p. 39).

Agradecimento:

Agradecimento especial à CMG WORLDWIDE por autorizarem o uso das imagens de Oscar Wilde que ilustram esse artigo.

Referências:

  1. WILDE, Oscar. A Decadência da Mentira e Outros Ensaios. Rio de Janeiro: Imago, 1992. 199 p. (Coleção Lazuli). Tradução e Apresentação de João do Rio.

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“Algumas Observações sobre o Legado Artístico de Düher” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/algumas-observacoes-sobre-o-legado-artistico-de-duher-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/algumas-observacoes-sobre-o-legado-artistico-de-duher-por-juliana-vannucchi/#respond Tue, 17 Apr 2018 18:15:10 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=41828-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Caríssimos leitores, abaixo, prazerosamente compartilharei com vocês as principais percepções que tive com as pinturas de Düher, como elas me afetaram esteticamente e porquê tanto me intrigam todas as vezes em que as aprecio e a elas me entrego.

Antes de mais nada, ouso dizer que talvez Düher tenha sido o pintor mais extraordinário de toda a vasta história da arte, embora, de certa forma, seu talento tenha sido parcialmente ofuscado por outros grandes artistas renascentistas de sua geração. Se não foi o mais primoroso e talentoso que já existiu, certamente é um dos que mais se destacou e, muito possivelmente é o pintor mais brilhante que já surgiu na Alemanha.

Comecei a explorar o universo de Düher há cerca de dois anos atrás, e a porta de entrada para as obras deste grande gênio foi uma gravura sombria, datada de 1513, na qual ele retratou a morte, o diabo e um cavaleiro juntos. Quando vi esta impactante imagem pela primeira vez, fiquei fascinada e instigada, tentando supor que tipo de discussão e/ou reflexão poderia surgir entre tais personagens. Que encontro inusitado: um mortal, a morte, em si, representada fisicamente, e o diabo, um antigo e familiar companheiro do ser humano. O que será que um representa para o outro? O que um sente pelo outro? A morte segura uma ampulheta e parece estar tentando mostrá-la ao cavaleiro que, por sua vez, aparentemente (ainda que assombrado, sufocado, talvez), persiste em ignorar as duas aterrorizantes figuras que o cercam e que, abruptamente interromperam sua trajetória. E que aspecto simbólico: penso que o Diabo e a morte, de uma maneira ou de outra, sempre, ainda que em diferentes intensidades e tempos, interrompem a jornada da maior parte dos seres humanos, assim como, na gravura de Düher, interromperam friamente o caminho do cavaleiro. É também possível observar um crânio no chão (lado esquerdo da imagem), na frente do cavaleiro, que talvez represente seu inevitável destino – e não seria esta a marca da finitude que se encontra adiante de nossa estrada, de nossa vida? Mais claramente falando, o crânio, parece-me, expressa a morte, o fim que se expõe no caminho que o homem percorre.

Fig. 1 – Knight, Death and Devil, 1513. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Rosenwald Coleção. “Mais claramente falando, o crânio, parece-me, expressa a morte, o fim que se expõe no caminho que o homem percorre”. – Juliana Vannucchi.

Às minhas curiosas e intermináveis especulações, somaram-se a admiração pelas incríveis qualidades técnicas da pintura deste grande artista alemão, que se fazem presentes não apenas nesta pintura em questão, mas também em todas as outras que foram por ele produzidas. Düher criou obras cujos detalhes minuciosos são deslumbrantes. Os desenhos de cunho realista, isto é, aquelas em que ele retrata objetos baseados no mundo real, como, por exemplo, uma lebre, leão, mãos e plantas, possuem uma notável harmonia e uma refinada sutileza em cada mínimo aspecto, sendo que tais características resultam num incrível perfeccionismo, de tal forma que as pinturas parecem ser verdadeiras fotografias. A habilidade de Düher era imensa e esse tipo de produção realista, evidencia tal fato. O pintor, inclusive, chegou a escrever um livro sobre geometria, o que demonstra sua afinidade e atenção pela perfeição das formas, pelo equilíbrio e pela simetria de imagens.

Tudo me encantou neste brilhante homem! Além dos desenhos de cunho realista, há também certos simbolismos místicos e celestes flutuando em grande parte de suas telas, embora tais elementos estejam “ocultos”, apenas esperando que os espectadores tentem desvela-los (tal como eu mesma fiz acima). Conforme o artista alemão escreveu certa vez: “Só uma mente árida não possui autoconfiança para encontrar o caminho de algo que está além, arrastando-se por alguma trilha gasta, contente de imitar os outros e sem a iniciativa de pensar em si mesma”.

“Melencolia I” (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. Já me deparei com inúmeras e divergentes interpretações dessa obra, mas acredito que seja inútil tentar desvendá-la. Há duas figuras angelicais centrais na gravura. Há também materiais de construção espalhados pelo ambiente. Além disso, note-se que um dos seres celestiais carrega consigo uma chave. Pendurados na parede encontram-se um quadrado contendendo números, e uma ampulheta. É possível perceber também um terceiro objeto: uma balança (que se liga, inclusive, com um dos signos do zodíaco – libra, significando o equilíbrio), além de uma escada. Há ainda algumas figuras geométricas preenchendo o ambiente da tela.

Fig. 2 – Melencolia I, 1514. Albrecht Düher. National Gallery of Art, Washington. Presente de R. Horace Gallatin. "Melencolia I" (1514), por exemplo, consiste numa verdadeira e atraente complexidade de enigmas. – Juliana Vannucchi.

Perceba que acima realizei uma descrição puramente física, e é extremamente dificultoso especular se há ligação lógica entre os elementos mencionados (ou seja, se existe encadeamento, se havia uma ideia primordial de Düher em liga-los uns aos outros e atribuir-lhes sentido), ou se se trata somente de um monte de itens despojados intuitivamente de forma desconexa. Seriam os sagrados espíritos, um prelúdio da melancolia? Será que estes seres são os arquitetos deste sentimento que assola os homens?

No quadrado mágico (que se tornou bastante conhecido), é possível notar que a soma de todas as fileiras horizontais ou verticais, culmina curiosamente no número 34. Esse resultado também é obtido numa soma feita na diagonal e também em várias outras combinações. Além disso, é um tanto complicado fazer suposições. Conforme já citei, existem diversas interpretações e leituras disso. Pode, por exemplo, ser referência a uma data uma passagem bíblica ou outra coisa. Certamente esse tipo de especulação cabe mais à matemáticos e apreciadores de numerologia. Será que os anjos se aborreceram por suas criações ou destinos divinos? Estão cercados de instrumentos e de ferramentas, mas parecem exaustos e entediados. Ou estariam eles simbolizando o próprio ser humano em seus momentos de angústia? O fato é que essa misteriosa e complexa obra de Düher, que é tão hipnótica e envolvente, certamente jamais será desvendada em sua plenitude, e isso a torna extremamente fascinante.

O que vemos até hoje em relação ao legado de Düher, é uma sucessão de tentativas subjetivas de interpretar os símbolos dispostos em suas várias telas, mas não há nenhuma conclusão final, objetiva e plausível, e esta situação proporciona uma atmosfera abstrata e misteriosa ao legado deste grande pintor alemão. Há vários caminhos e possibilidades de interpretação que podem ser tomados, mas de maneira geral, as produções de Dürer ainda permanecem sendo um dos grandes mistérios da história da arte.

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“As obras de William Blake em Contraponto com a Razão” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/as-obras-de-william-blake-em-contraponto-com-a-razao-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/as-obras-de-william-blake-em-contraponto-com-a-razao-por-juliana-vannucchi/#respond Fri, 13 Apr 2018 18:47:07 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=41787-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

William Blake foi um pintor e poeta inglês, que enquadra-se e costuma ser associado ao Romantismo (mais especificamente, como um pré-romântico), embora a totalidade de suas produções também possua aspectos pertencentes ao Simbolismo.

Blake era excêntrico. Suas produções foram amplamente recusadas durante o período em que foram criadas, pois estavam além de qualquer padrão estilístico vigente. E se suas pinturas e poesias foram mal vistas, ressalte-se que o próprio artista foi considerado louco e foi constantemente desprezado por seus contemporâneos. Porém, Blake nunca pareceu incomodar-se com rótulos e atributos direcionados a ele ou ao seu material artístico.

“Blake foi o primeiro artista, depois da Renascença, que se rebelou conscientemente contra os padrões aceitos da tradição, e não podemos criticar os seus contemporâneos porque o consideraram chocante”. (GOMBRICH, 1999, p. 490).

O habitual desapego do artista inglês para com as normas e costumes de seu tempo, resultou em grande pobreza material, e conta-se que ele só não morreu de fome porque algumas poucas pessoas acreditaram em seu potencial e assim, ajudaram-no a sobreviver no cotidiano.

Fig. 1 – The Circle of the Corrupt Officials; the Devils Tormenting Ciampolo, 1827. William Blake. National Gallery of Art, Washington. Rosenwald Coleção. “A Arte, segundo ele (Blake), é conhecimento intuitivo não mais das coisas individuais, mas das forças eternas e sobre-humanas da criação”. (ARGAN, 1988, p. 35).

Blake certamente foi um dos artistas mais herméticos que já existiu. Sua ênfase em temáticas religiosas e místicas se expressa por meio de figurações, fato que dificulta compreensões lógicas de suas obras. É um artista singular porque talvez só possa ser lido/interpelado claramente, quando o espectador distancia-se da matéria e desliga-se da racionalidade, pois Blake utilizou-se de uma linguagem que se traduz de maneira espiritual. Talvez seja neste ponto que resida sua genialidade, já que a razão parece fracassar diante de suas obras. E, aliás, essa falha da lógica em tentativas de compreensão das produções do artista, parecem terem sido construídas propositalmente, já que Blake, assumidamente encarava com recusa o avanço excessivo do racionalismo. A arte, para ele, pertencia a um campo interior, ao espírito, à intuição. Giulio Carlo Argan (1988, p. 35) menciona sobre a maneira como o artista inglês interpretava a arte: “A Arte, segundo ele (Blake), é conhecimento intuitivo não mais das coisas individuais, mas das forças eternas e sobre-humanas da criação”.

Ressalte-se que Blake viveu num período histórico de grandes acontecimentos, tendo presenciado a Revolução Industrial e o Iluminismo. Este contexto o levou a acreditar na arte como uma atividade que, naturalmente, encontra-se aquém dos limites do campo físico, material e científico. A arte é elevação, é transcendência e consiste exatamente naquilo que a razão não explica e da qual a razão não faz parte.

Referências:

  1. ARGAN, Giulio. Arte Moderna. 1988. São Paulo: Companhia das Letras.
  2. GOMBRICH, Ernst. A História da Arte. 1999. Rio de Janeiro: LTC.

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“As Fendas Místicas das obras de William Blake” por Juliana Vannucchi https://www.obrasdarte.com/as-fendas-misticas-das-obras-de-william-blake-por-juliana-vannucchi/ https://www.obrasdarte.com/as-fendas-misticas-das-obras-de-william-blake-por-juliana-vannucchi/#comments Mon, 26 Mar 2018 20:22:03 +0000 http://www.obrasdarte.com/?p=41156-pt Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Juliana Vannucchi é graduada em Comunicação Social, licenciada em Filosofia e Editora-chefe do site Acervo Filosófico.

Foi por intermédio de Jim Morrison, vocalista do The Doors, que conheci William Blake, notável artista inglês do século XIX. Eu li duas biografias sobre o líder do Doors e em ambas, ainda que de maneira distinta, Blake, encontrava-se presente como uma das grandes influências do músico, afinal, foi justamente uma passagem textual escrita pelo artista e utilizada por Aldous Huxley que inspirou Morrison a nomear sua banda como “The Doors” (“As Portas”, em Português). Eis o referido trecho: “Quando as portas da percepção se abrem, as coisas parecem ao homem como realmente são: infinitas“.

Desde esse contato inicial que tive com o nome de William Blake, meu interesse por suas obras sempre foi crescente. O primeiro aspecto de seu legado artístico que me cativou foram suas telas, que são repletas de simbologias diversificadas e moldadas por uma aura profundamente mística. Admiro em suas pinturas as constantes aparições de figuras celestiais que tendem a despertar curiosidade e vislumbre no espírito daqueles que as contemplam. Além do meu apreço por seus quadros e desenhos, recentemente, buscando aproximar-me de suas produções textuais, aventurei-me na leitura de um livro intitulado “O Casamento do Céu e do Inferno & Outros Escritos”. Na edição que adquiri, há vários poemas e frases do artista, e todos eles transbordam enigmas através de suas palavras, sugerindo certos significados, embora estes pareçam estar sempre cuidadosamente velados e construídos para serem lidos e percebidos apenas intuitivamente. Dessa forma, a maneira como Blake escrevia é bastante singular e suponho que muitas pessoas tendam a desistir facilmente da leitura pela dificuldade de interpretá-la de forma clara e direta. Mas eis este justamente um dos pontos que considero mais atraentes e valiosos na totalidade das obras de nosso artista: o desafio que ele propõe; o mistério que ele deixou para ser desvendado.

Fig. 1 – Job and His Daughters, 1825. William Blake. Britânico, 1757 - 1827. National Gallery of Art, Washington. Presente de W.G. Russell Allen. "A contemplação de uma obra de arte é um instante mágico e único no qual o espectador se desliga do mundo físico que o cerca habitualmente."

Acredito que até este ponto, o leitor percebeu que destaquei acima dois aspectos comuns que se fazem presentes tanto nas pinturas quanto nas poesias do artista inglês, a saber, a forte presença da religiosidade e a atmosfera mística, sendo que ambos são bastante simbólicos e sugestivos. Parece-me que não é possível que haja estudos ou aprofundamentos de análises de suas produções, sem que haja também conscientização (ainda que básica) dos dois pontos que citei acima. Blake, ao longo de sua vida, teve contato com obras clássicas de Ocultismo e desde a infância, dizia ter visões de entidades espirituais. Essas informações podem cooperar para que penetremos em suas criações artísticas e tentemos desvendar os mistérios que as mesmas legam, e também nos indicam que Blake nutria grande atenção à intuição humana, mostrando, inclusive, certo afastamento da razão que imperava durante o período histórico em que viveu. Contudo, é importante citar que o conhecimento de tais fatos não significa, necessariamente, a compreensão plena (ou mesmo parcial) de suas produções, pois já me deparei com estudiosos que sabiam de tais detalhes e cujas interpretações sobre as poesias e telas de Blake eram divergentes. Dessa forma, torna-se dificultoso encontrar e/ou postular um sentido objetivo para as produções do artista inglês. Aliás, pergunto-me se é realmente possível desvendar o que uma obra de arte carrega como mensagem (se é que há mensagem – seja ela proposital ou mera obra do acaso).

Fig. 2 – The Vision of God, 1825. William Blake. Britânico, 1757 - 1827. National Gallery of Art, Washington. Presente de W.G. Russell Allen. "Quando as portas da percepção se abrem, as coisas parecem ao homem como realmente são: infinitas". – William Blake.

Talvez, tentar desvendar uma produção artística seja algo demasiadamente arriscado, especialmente se tratando de William Blake, uma vez que a interpretação envolve a racionalidade, a conceitualização e a reflexão e a arte, por sua vez, não é uma linguagem racional. Assim sendo, penso que a contemplação livre e espontânea que se dá através dos sentidos é o caminho mais nobre e verdadeiro que existe na relação entre o ser humano e a obra de arte. Esse instante mágico e único no qual o espectador se desliga do mundo físico que o cerca enquanto contempla uma obra, pode ser a chave para abrir as portas da percepção, referidas por Blake. Por tais motivos, por hora, esta é minha interpretação e proposta reflexiva: a arte é a chave que desvenda o que existe por trás das portas da percepção, e quando nos permitimos adentrá-las, nos afastamos do mundo material e de suas leis, e reconhecemos o infinito, que sugeri intermináveis possibilidades e que está além do espaço e do tempo.

Portanto, ao invés de tentarmos examinar racionalmente as figuras e palavras de William Blake, tentando postular significados conceituais e encadeamentos a elas, talvez devêssemos simplesmente intuí-las através de nossa percepção, para que assim, nos conectemos com as portas que nos guiam para suas profundezas herméticas.

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JULIANA VANNUCCHI
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