
John Keats foi um dos maiores poetas ingleses de todos os tempos. Ao lado de seus contemporâneos Lord Byron (1788-1824) e Percy Shelley (1792-1822) figura entre os principais representantes da segunda geração do romantismo.
Nascido em Londres, em 1795, no dia do Halloween. Teve quatro irmãos (sendo que um morreu quando criança) e uma irmã. Era o mais velho. Keats perdeu o pai em 1804 e sua mãe faleceu em 1809. John cuidou dedicadamente da mãe quando ela adoeceu. Preparava suas refeições e administrava seus medicamentos. Pelo que se sabe, senta-se ao lado dela todas as noites. Essas duas tragédias fizeram com que Keats, durante um tempo, assumisse o posto de responsável pela família e também lhe causaram uma forte sensação de solidão e desamparo. Durante a juventude, a escola suas redações lhe renderam prêmios e ele se empenhou em traduzir textos escritos em francês e latim. Mais tarde, foi educado para se tornar farmacêutico e obteve licenciatura na área. No entanto, mesmo estando inserido na área da saúde, possuía enorme afinidade com outros campos do saber, como a literatura, a história e a mitologia, além de ter grande interesse por idiomas. Devorava livros e sua maior influência foi Edmund Spenser, que foi o nome mais decisivo na formação poética de Keats. A literatura, conforme certa vez escreveu, tinha “reinos de ouro”, ou seja, era um universo que podia consolar, inspirar e mesmo proteger uma alma desolada. Movido por essas paixões e determinado, aos poucos, Keats se afastou de sua profissão, até que, em 1816, contando com o apoio de amigos, se entregou totalmente à poesia.
John Keats teve sua vida interrompida aos 26 anos, falecendo em Roma após contrair tuberculose. Tudo indica que a doença foi transmitida por seu irmão, de quem cuidou zelosamente até a morte. Quando os sintomas começaram a se manifestar, sua formação médica o ajudou a compreender que se tratava de um quadro severo. Um amigo foi visita-lo. John, debilitado em sua cama tossiu e expeliu sangue. Pediu que o amigo lhe pegasse uma vela e examinou a cor do sangue. Em seguida, proferiu: “esse sangue é minha sentença de morte”. Ele ainda viveria um pouco de um ano após esse episódio. Já doente, escreveu cartas românticas para Fanny Browne, musa do final de sua vida que, ao que tudo indica, não nutria por ele sentimentos recíprocos. Em seu túmulo foi gravada uma inscrição que o próprio Keats elaborou: “Aqui jaz alguém cujo nome foi gravado na água”.
No decorrer de sua breve vida, seus poemas não foram bem recebidos e o reconhecimento de Keats, de um modo geral ocorreu apenas postumamente. Seus primeiros poemas foram publicados na revista The Examiner, cujo editor era o poeta e amigo de Keats, Leigh Hunt, que lhe deu grande força, sendo importante em sua vida. Keats também contou com o apoio de Shelley e outros conhecidos seus, e precisou lutar para conquistar seu espaço como poeta. Atualmente, no entanto, como sabemos, sua obra representa uma força poética sem precedentes. Keats, explorou formas distintas, destacando-se, sobretudo, por suas odes, e navegou por temas amplamente diversificados. Talvez seu maior dom seja transformar qualquer elemento mundano ou sentimento em algo demasiadamente profundo. É como se ele pudesse ler a vida de uma maneira sensível e intensa, e traduzisse isso para nós por meio de seus versos, tão tocantes e vigorosos. Keats escreveu, por exemplo, sobre o outono, rouxinóis e gatos, os analisando e os percebendo de um modo absolutamente elevado e criativo – contemplando-os ao máximo- de tal forma que seus poemas absorvem por completo o nosso espírito. Descreve as coisas com um refinamento e destreza únicos. Em seus versos também abordou a melancolia, a tristeza, o prazer e outros temas e emoções cuja abordagem ele ainda coroou com um certo teor filosófico. Afinal, poesia e filosofia entrelaçam-se, definitivamente na obra de Keats.
As discussões e análises da poesia de Keats não cessam, são inesgotáveis. Há ainda muito a se compreender, conhecer e interpretar em relação ao seu rico legado.
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JULIANA VANNUCCHI
Sorocaba – São Paulo
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