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Plano de Fuga, Sabrina Barrios. Foto: Divulgação.

Arte para conectar e construir um mundo menos segregado

As obras tridimensionais que brilham sob a luz ultravioleta, da artista brasileira radicada em Nova York, Sabrina Barrios – que já passaram pela Bélgica, Espanha, Dinamarca e Estados Unidos–chegaram ao Brasil em uma trilogia (três instalações durante três meses consecutivos–meses que antecedem nossa eleição presidencial). Cada unidade desse tríptico geométrico é parte de um quebra-cabeça maior. Cabe ao espectador/participante conectar os pontos para entender a narrativa completa. Além disso, o público é convidado a participar da discussão explorando e fisicamente navegando por essas obras.

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Para a curadora Daniela Mattos, a pesquisa artística da Sabrina compreende muitas intensidades “Algo de um feminino selvagem e alquímico (tramando o que dá corpo e materialidade às instalações, pinturas e objetos); com o rigor projetivo de seus desenhos; com suas pesquisas que imbricam teoria da conspiração, aspectos formais (mas não literais) que remetem à questões identitárias e históricas de brasilidade; com tantas outras velocidades que não caberiam aqui, talvez por sua natureza conceitual e poética quase holográfica”, define Daniela.

“O que cabe a nós, portanto, é abrir nossa potência vibrátil à alquimia das formas, linhas e planos, decidindo como entraremos pelos portais que estes trabalhos geram e escolhendo nossas próprias cartografias e planos de fuga”, completa.

Como parte do seu processo de imersão no Rio de Janeiro, Sabrina viverá os dois lados de um país dividido socialmente e politicamente. De Abril até o fim deste ano a artista está vivenciando duas realidades, morando entre a zona sul carioca e a comunidade da Providência (favela mais antiga da cidade), onde terá a oportunidade de compreender a realidade daqueles cujas vozes são raramente ouvidas.

Seu objetivo é, através da arte, criar um espaço para reflexão ilustrando as consequências dessas visões extremas que dividem o país. Ouvindo os dois lados, que já não conversam mais.

“Plano de fuga” é uma instalação construída em um bunker subterrâneo no jardim da casa onde hoje funciona a galeria de arte Marquês456. Na década de 60 era a residência de um diplomata e o bunker foi construído para que ele escapasse de tortura durante a ditadura militar. Em sua narrativa, que mistura simbologia e física quântica com teorias da conspiração, a artista criou um buraco de minhoca que conecta esses dois períodos importantes da nossa história: os 21 anos de ditadura e o golpe de 2016; para ressaltar que um país que não conhece sua própria história está fadado a repetí-la.

A segunda instalação da trilogia, “Partidos” (construída no Espaço Despina), ilustra nossa história de segregação política e social através da geometria. Dois triângulos podem ser vistos (um deles aponta para cima enquanto o outro para baixo), cada um contendo parte da bandeira brasileira. Conforme o observador transita pela obra, esses desenhos no espaço ganham forma. Quando visualmente sobrepostos (somados), Partidos viram um todo, inteiro; e nossa bandeira, completa.

A terceira instalação (que está sendo construída neste mês de setembro) se chama “Feixe”, e encerra a trilogia com uma mensagem de consciência individual e esperança (como um feixe de luz). Será criada com as crianças e adolescentes da Providência, e por estar localizada no topo do morro, poderá ser vista de diversos pontos da cidade–principalmente durante a noite, quando estará iluminada.

A sequência que começa no bunker como espaço subterrâneo; a transição pelo Espaço Despina que é um ponto de profusão artística e resistência política; e o final no ponto alto, construído pelas mãos do nosso futuro (crianças da Providência); remete a uma trajetória rumo à luz–como símbolo de consciência–para que esses dois mundos coexistentes possam respeitosa e pacificamente habitar um mesmo lugar no espaço.

As três instalações estarão abertas a visitação durante o Art Rio de 27 a 30 de setembro.

Trilogia:

  1. Plano de Fuga(Julho; Marques456)
  2. Partidos(Agosto; Espaço Despina)
  3. Feixe(Setembro; Casa Amarela – dia 22/09)

A abertura da exposição na Casa Amarela acontece sábado, dia 22 de setembro, das 16 às 20h; e por ser sediada na comunidade contará com uma lista de confirmação para os interessados. Mais informações no email casaamarelaprovidencia@gmail.com

Algumas exposições da artista:

The Fourth Bronx Museum Biennial (New York, 2017);
Epic of Creation (Finland, 2017);
The Earth Experiment (Brooklyn, 2017);
The Horse Rider and The Eagle (Brussels 2016);
JustMAD Art Fair (Madrid, 2016);
MoMA (Museum of Modern Art) NY: Abstract Currents (New York, 2013).

Para saber mais sobre a artista:
www.sabrinabarrios.com

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