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Título: Sem título. Data: 2019. Técnica: Acrílica sobre tela. Dimensões: 160 x 110 cm. Foto: Divulgação.

Baró Galeria inaugura individual de Maria Lynch

“Talismã: Uma Profecia da Cor” apresenta 20 obras coloridas e de composições marcantes, com temáticas alheias à realidade, inseridas em um universo essencialmente abstrato e conceitual

A Baró Galeria exibe “Talismã: Uma Profecia da Cor”, da artista visual brasileira Maria Lynch, com curadoria de Marc Pottier. A individual apresenta 20 obras – pintura acrílica sobre tela -, de estética colorida, rica em contraste e de composições marcantes, elementos recorrentes na produção da artista. Alheios à realidade, os trabalhos ocupam um universo essencialmente abstrato e conceitual, porém não inteiramente isentos da representação.

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Pensamento e filosofia são componentes cruciais na produção de Maria Lynch. “Com a artista, a tentação é se perder em pensamentos. Platão vem primeiro. O termo platonismo geralmente se refere a uma doutrina de acordo com a qual conceitos ou ideais abstratos realmente existem, são imutáveis e universais e formam os modelos das coisas e formas que percebemos com nossos órgãos sensoriais”, comenta Marc Pottier. Em uma primeira conversa entre artista e curador, quando perguntada sobre seu “museu imaginário”, a maior parte dos nomes que vieram à mente da artista foram os filósofos: “Michel Foucault, Nietzsche, Spinoza… ou ainda Gilles Deleuze e Félix Guattari, que ela cita nesta longa lista e cuja influência podemos imaginar. Pensamos em ‘Corps-sans-Organes’ [‘Corpo sem Órgãos’, conceito desenvolvido por Deleuze e Guattari]. (…) Na natureza e em todo corpo existem apenas arranjos maquínicos, uma multiplicidade de máquinas, máquina-desejante, mas também máquina-órgão, máquina-energia, e casais, acoplamentos de máquinas. Deleuze une homem e natureza por um processo acoplando máquinas: ‘O homem e a natureza produzem um no outro’”, explica o curador.

Em “Talismã: Uma Profecia da Cor”, o visitante se torna protagonista de uma realidade enquadrada, mas não um prisioneiro. Nos trabalhos expostos, produzidos entre 2018 e 2019, há ausência da figura humana. “As formas e os objetos abstratos podem ser tridimensionais em tecido, ela sabe como desenvolver ambientes em que o público entre no trabalho (…). Na galeria Baró, ela convida a você entrar em seu céu, um universo onde muitas esferas plásticas transparentes são colocadas livremente no chão, permitindo que cada um imagine seu itinerário ou altere a ordem desses planetas, da forma em que estão jogados aos seus pés”, diz Marc Pottier. Questionada sobre sua principal inspiração para esta individual, Maria Lynch comenta: “São várias de interesse e convergência. A pintura por si, por exemplo, o ato de pintar, o ato de criar um mundo imaginário, onde eu coloco uma elaboração simbólica desses signos que nos afetam. Ou seja, são afetos em forma de pintura. São pluralidades que me transformam, são máquinas-desejantes [em referência a Deleuze e Guattari], atualidades das possíveis corporeidades”.

Acerca do método de criação, Maria Lynch revela que nunca seguiu nenhum, pois acredita que fazer arte é “arte do não método”, ou seja, deixar de fora a realidade e experimentar o que não somos. Marc Pottier afirma o apetite da artista pela cor, em algumas obras por cores puras, sobre a quais insere cores quentes e frias, criando contraste e composições vívidas: “O desenho que, às vezes, aparece como está no fundo branco, nu, similar a ‘ordem de desenho’ do pintor neoclássico Jacques-Louis David, é apenas um meio para justificar a harmonia entre as linhas. E a cor, por sua vez, é um meio de destacar o desenho. Fundo e sujeito, executados no mesmo plano, chamam a atenção e convidam a uma viagem tridimensional”. Nas palavras da artista: “Não há critérios pré-estabelecidos para a determinação de cores ou das formas, que vão surgindo num processo análogo aos acontecimentos que vão nos afetando e nos transformando ao viver”.

Marc Pottier ainda destaca alguns trabalhos nos quais os fundos brancos desaparecem, e evocam a pintura “Talismã”, obra-prima e de referência de Paul Sérusier, produzida no Bois d’Amour em Pont-Aven, em 1888, supervisionado por Gauguin. “Para continuar com ‘Talismã’, a conselho de Gauguin, o jovem Sérusier foi convidado a pintar o que sentia e não o que via, a ir ao misterioso centro do pensamento. Como ele, Maria Lynch apresenta uma obra que não é inteiramente liberada da representação, mas que a sublima”, comenta e conclui: “Um talismã é um objeto que tem sinais consagrados, aos quais são atribuídas virtudes de proteção e de poder. Para alguns, o talismã mantém sua força a partir das imagens que carrega. Forças astrológicas, invocações e encantamentos em um turbilhão de cores e imagens para interpretar, esta nova série de obras de Maria Lynch é um terreno fértil de reflexões para o espectador”.

Exposição: “Talismã: Uma Profecia da Cor
Artista: Maria Lynch
Curadoria: Marc Pottier
Abertura: 30 de março de 2019, sábado, às 19h
Período: 2 de abril a 18 de maio de 2019.
Local: Baró Galeria www.barogaleria.com
Endereço: Rua da Consolação, 3417 – Cerqueira César – São Paulo/SP
Horários: Terça a sexta-feira, das 10 às 19h | Sábado, das 11 às 19h
Tel.: +55 11 3661-9770
Número de obras: 20
Técnicas: Pintura acrílica sobre tela
Dimensões: de 76 x 76 cm a 160 x 110 cm
Valores: de R$ 17.000,00 a R$ 30.000,00

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Maria Lynch (Rio de Janeiro/RJ, 1981)

Vive e trabalha em NY. Formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu Pós-graduação e Mestrado em 2008. Entre suas principais exposições coletivas estão, ‘The Jerwood Drawing Prize’ London, 2008. ‘Nova Arte Nova’ no CCBB, RJ e São Paulo, 2008. Em 2009 foi convidada para o ‘Salão Paranaense’, Curitiba, e apresentou a performance ‘Incorporáveis’ no Oi Futuro e no SESC 24 Horas, Pier maua, RJ. Em 2010, foi convidada para a exposição coletiva ‘entre‘ na Galeria IBEU e foi contemplada com o Prêmio Marcantônio Vilaça, Funarte com exposição no MAC de Niteroi, no mesmo ano foi convidada para a 6º Bienal de Curitiba, VentoSul. Maria também participou da exposição no Barbican ‘ Creative Cities’ Olimpíadas de Londres, 2012. E também da exposição “Bordalianos do Brasil’ no Fundação Calouste Gulbeikein em Lisboa, Portugal. Entre suas individuais mais recentes estão ‘Ocupação Macia’ no New Museum em 2015, que já havia mostrando antes numa individual no Paço Imperial em 2012. ‘Aforismas, Rizomas e Selvageria’, Anita Schwartz, Rio de Janeiro Brazil 2015. ‘Janela Provisória’, O grande Campo- Oi Futuro Rio de Janiero, Brazil 2015. ‘Time is Never Past Nor Present’, curated by Sarah Crown Spazio522, NY, USA 2014 e ‘Becomings’ – Bathroom Project, Rooster Gallery, New York, USA 2014. Em 2014 Foi comissionada para fazer uma obra para a Fundação Getúlio Vargas, no novo prédio do Oscar Niemayer. Nesse ano lançou seu livro pela Cosac Naif, intitulada ‘Desenhos’. Em 2014 Fez a residência artística RU em Nova Iorque. No mesmo ano ganhou um prêmio do Consulado do Brasil nos EUA para fazer a exposição individual, Ocupação Macia que aconteceu no Festival Ideias City no New Museum, NY. Apresentou também a exposição individual na galeria, Anita Schwartz, Rio de Janeiro, intitulada Aforismas, Rizomas e Selvageria. No ano de 2016 fez a exposição individual, Spaces and Spetacles, na Wilding Cran gallery em Los Angeles. Maria iniciou o ano de 2017 abrindo sua primeira exposição individual numa instituição no Brasil, intitulada Máquina devir no Oi Futuro Rio de Janeiro. A artista tem obras em importantes coleções, como o Museu de Arte Contemporanea Niterói, Brasil, Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, Brasil, Commite Olímpico Fine Arts, Londres, UK, Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM-RJ, Rio de Janeiro, Brasil, Ministério das Relações Exteriores – Palácio do Itamaraty, DF, Brasil, Fundação Getúrlio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil.

Marc Pottier

Nasceu em Dijon/França, vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Paris. Começou a trabalhar em arte contemporânea através do mundo dos leilões, posteriormente ocupou-se da coleção de arte contemporânea e moderna Sawada (Nagoya, Tokyo, Paris, Nova York). Desde 1992 se envolveu com artistas brasileiros, por exemplo apresentou Tunga no evento ‘Art From Brasil in NY’ e na Bienal de Veneza em 1995. Em 1996 incluiu Tunga e Lygia Pape na exposição ‘Walk on the SoHo Side’ em NY. Por oito anos (1998-2006) trabalhou no Ministério das Relações Exteriores Francês tendo sido Adido Cultural no Rio de Janeiro e em Lisboa. Desde 2007 voltou a ser curador independente. Organizou importantes exposições tais como “Aleksander Rodchenko” no MAM-SP, “Cerâmicas de Picasso” no Rio de Janeiro e “Luzboa – a bienal da Luz”, em Lisboa, além de circuitos culturais por cidades como Veneza, Paris e Nova York. Foi responsável pela curadoria e pela coordenação de eventos e exposições como “Pulso Iraniano” (Oi Futuro RJ, BH e SESC Vila Mariana São Paulo 2011-12) e “Elles@Pompidou” (Centre George Pompidou, em Paris, CCBB RJ, CCBB BH). É autor do livro “Made by Brazilians” (Enrico Navarra Publisher 2014) com relatos de 230 pessoas que representam o mundo da arte contemporânea brasileira, autor também do livro “Ashaninkas, paradis perdu? ” (Ed Arcadia. 2016). Foi curador convidado da 3a Bienal da Bahia, em 2014 e curador responsável pela invasão criativa “Made by… Feito por Brasileiros” na Cidade Matarazzo em São Paulo. Até hoje ele é o curador dos projetos futuros da Cidade Matarazzo (abertura em 2019). Curador das exposições “Monumental, Arte na Marina da Gloria RJ”. Criador e apresentador do ‘Olhar Estrangeiro, Rio de Janeiro’, um programa semanal no canal Arte1 (2015/2016: 27 programas sobre Rio de Janeiro). Prepara o novo programa de TV ‘Museus Imaginários’ e o Blog ‘As Dicas do Curador’.

Baró Galeria

Abriu suas portas em 2010 e desde então se estabeleceu como referência em arte internacional no circuito brasileiro. Dirigida pela expatriada espanhola Maria Baró, a galeria está localizada em São Paulo. Baró Galeria busca realçar o diálogo entre artistas, curadores, colecionadores e instituições culturais. Baró tem como prioridade a exibição de trabalhos site-specific e projetos curatoriais, com grande ênfase nos artistas dos anos 1970 e 1980, como o filipino David Medalla, o mexicano Felipe Ehrenberg e o argentino Roberto Jacoby, possiblitando sua coexistência com um time de jovens talentos. O constante fluxo de ideias, projetos e trabalhos atribui ao espaço uma atmosfera única. A galeria também hospeda um programa de residência para jovens artistas. A exposição History of Mondrian Fanclub: Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape é um dos muitos exemplos de excelentes mostras produzidas pela Baró Galeria. Assim como outras mostras igualmentes importantes e inéditas no Brasil como as de Tatiana Trouvé e Roman Signer, Lourival Cuquinha, Pablo Siquier, Daniel Arsham, entre outras. Extremamente ativa no mercado internacional, a galeria também participa de várias feiras como Miami Basel, Armory- NY, ArtBO, ArtBA, SP-Arte, ArtRio, MACO-Mexico, Arco-Madrid, ArtDubai, Pinta London e NY entre outras.

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