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Bestas da areia: as impressionantes esculturas cinéticas de Theo Jansen

Há mais de 30 anos, uma nova espécie passou a habitar as praias da Holanda

Caminhando sobre a areia de certas praias da Holanda se encontram majestosas criaturas esqueléticas. Toda primavera, uma nova geração chega à praia, enquanto outra se torna extinta. As strandbeests, ou “animais/bestas da areia”, em holandês, são esculturas cinéticas criadas pelo engenheiro e artista holandês Theo Jansen.




Esculturas cinéticas são esculturas com partes móveis e mecanismos diversos, projetadas para converter forma e movimento em composições visuais. A obra que é frequentemente atribuída ao início da popularização dessas esculturas é Roda de Bicicleta, do francês Marcel Duchamp, o icônico inventor do Ready Made.

As esculturas de Jansen, no entanto, dão um passo além das intenções artísticas tradicionais. Feitas de PVC branco amarelado, altas como carros e arranjadas como esqueletos de animais mitológicos, as strandbeests são impressionantes, sem dúvida, mas o apelo estético é a última coisa que o autor tem em mente quando constrói uma nova peça.


Uma nova espécie

Jansen trata suas criações como animais vivos e como uma espécie em evolução. Na primavera, ele traz novas esculturas à praia e observa como elas se comportam durante todo o ano. Após este período, ele declara extinta a geração anterior e passa para a próxima geração, construindo seus membros com as informações obtidas a partir do sucesso dos seus antepassados.

As strandbeests se movem captando os ventos da praia com suas velas e hélices. Algumas dessas velas funcionam como pistões, bombeando ar para garrafas que armazenam esse ar pressurizado, que é liberado quando a praia se torna calma, fazendo com que a escultura continue andando. Na chuva ou tempestade, certos mecanismos impedem que a escultura seja levada, prendendo-a no chão, e, quando encontram água, elas também são capazes de mudar de direção.

Jansen, frequentemente, se refere a suas esculturas como “uma nova forma de vida”, e já declarou que sua intenção é que elas evoluam e se tornem independentes dele, sobrevivendo por conta própria. O artista afirma que se tivesse mais um bilhão de anos, pelo menos, isso não seria problema.

Sua paixão por desenvolver as strandbeests nasceu há 30 anos, quando o então engenheiro teve a ideia de desenvolver um algoritmo evolutivo, que pudesse descobrir a melhor configuração mecânica possível para produzir uma peça capaz de reproduzir um caminhar estável.

Foi assim, após quase um mês de cálculos, que o engenheiro criou a Articulação de Jansen, uma peça mecânica que pode ser criada a partir de 13 seções de qualquer material e que produz um movimento de caminhada estável e único: as pernas das strandbeests! 

Nesses dias, muitos projetos para uma articulação de Jansen podem ser encontrados na internet. Artistas de todo o mundo replicam suas criações e inventam as suas próprias, utilizando canos de PVC e madeira, cortando e colando com serras circulares e pistolas de cola quente.

“Os animais impressos em 3D sobrevivem muito bem e se multiplicam muito bem. […] Espero que eles encontrem sua forma de sobreviver em todas as salas de estar e todas as estantes de livro no mundo”, afirmou o artista em um de seus vídeos promovendo os modelos imprimíveis, disponibilizados na internet.

Sua afirmação, apesar de casual e cheia do seu tom conscientemente lúdico, faz perceber que as strandbeests, de fato, estão vivendo sem a sua ajuda, se reproduzindo e tornando-se uma espécie própria.

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