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Centro Histórico de Planaltina. Foto: Johnatan Reis da Silva.
Centro Histórico de Planaltina. Foto: Johnatan Reis da Silva.

Comissão Escolar – Desbravando Nossa História

A história de sítios de referência cultural na região de Planaltina (DF), ganha registros a partir de pesquisa feita por alunos da rede pública com vistas a reforçar os laços entre população e cidade

Ao longo de janeiro de 2021, 120 estudantes de seis escolas da rede pública irão conduzir pesquisas a fim de resgatar a memória de locais históricos, culturais, turísticos e ecológicos da região de Planaltina.

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Os locais a serem explorados por estes jovens historiadores são o Centro Histórico de Planaltina, o Morro da Capelinha, a Pedra Fundamental o Vale do Amanhecer e a Estação Ecológica de Águas Emendadas.

Como resultado, serão produzidos livretos e uma exposição fotográfica. Por conta da pandemia, os cinco vídeos [de 30 min cada e previstos no projeto] serão produzidos pela equipe realizadora da iniciativa. Todo o material estará disponível gratuitamente para a consulta de todos e todas, nas plataformas virtuais YouTube, Facebook e Instagram.

Para a realização dos trabalhos, os alunos atenderão, remotamente, a oficinas direcionadas a enriquecer o conhecimento acerca dos locais, bem como de estruturação de conteúdos em publicações e de fotografia. Todos receberão um auxílio no valor de R$ 100, para custear o acesso à internet.

Registrar as histórias destes locais, para Leonio Matos, coordenador da iniciativa, “é reconhecer a própria história e reforçar os laços entre população e cidade”, o que, segundo ele, “fortalece a consciência cidadã e a vontade em reivindicar uma vida mais digna”.

Os primeiros registros do quadrilátero, que hoje forma o Distrito Federal, datam de 1892, quando passou por aqui a Missão Cruls. Os seguintes foram da Comissão Polli Coelho, em 1946, e em 1954, o Relatório Belcher, da empresa norte-americana Donald Belcher & Associates.

Um ponto comum entre os três e que vale ressaltar, é o levantamento de dados e informações feito por engenheiros. Com isso, relatam a topografia, o clima, a biodiversidade e a qualidade do solo. Desta maneira, “as manifestações e expressões culturais, que existiam no território, perderam relevância e foram reduzidas ao esquecimento”, aponta Leonio.

A produção destes relatórios estava em consonância com a ideia de modernização. Conceito que tomou corpo, e foi à prática na erradicação do antigo com JK e seu Plano de Metas: “50 anos em 5”, no qual Brasília seria a síntese. Na literatura da época, por exemplo, o homem do campo foi estigmatizado como desmantelado e boçal pelo personagem Jeca-Tatu, de Monteiro Lobato na obra “Urupês”.

Ter jovens estudantes atuando na edição dos livretos, com suas visões e impressões, e nas fotos das localidades os tornam reeditores sociais. Ou seja, pessoas cujo papel social têm a capacidade de readequar mensagens, segundo circunstâncias e propósitos, com credibilidade e legitimidade.

Matos destaca que “no mundo em que vivemos, onde a manipulação da informação é um fato, nos contrapor a essa manipulação é trabalhar efetivamente por um mundo melhor, igualitário, fraterno”.

Como desdobramento do projeto, a comunidade e o ambiente escolar serão integrados. Pois esses estudantes serão porta-vozes do conhecimento adquirido e os disseminarão entre seus colegas, familiares e vizinhos.

Comissão Escolar – Desbravando Nossa História, visa “fortalecer a convivência comunitária, evidenciar a cultura popular, as expressões juvenis e o protagonismo da comunidade, além de contribuir para valorizar o território e os sentimentos de identidade e pertencimento”, ressalta Leonio Matos. O projeto conta com fomento do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do DF, e vai gerar 11 empregos diretos e 40 indiretos.

Os sítios:

Vale do Amanhecer – Movimento doutrinário religioso que agrega elementos de várias religiões. Foi fundado em 1969 por Neiva Chaves Zelaya, conhecida como Tia Neiva. O templo mãe, unidade localizada em Planaltina, foi o primeiro a ser construído e no decorrer dos anos toda uma comunidade se ergueu ao redor, o bairro, homônimo, compõem a região administrativa de Planaltina.*

Morro da Capelinha – O Morro da Capelinha se localiza a 4 km de Planaltina e é o palco da maior encenação da Paixão de Cristo da região. O espetáculo atrai mais de 150 mil pessoas todo ano e ocorre há mais de 42 anos.*

Pedra Fundamental – Localizada a 8 km do centro de Planaltina no Morro do Centenário. Foi erguida para comemorar o centenário da independência em 7 de setembro de 1922 pelo persistente Epitácio Pessoa. A escolha do local está relacionada à Missão Cruls e ao sonho de Dom Bosco, que previu o surgimento de uma civilização entre os paralelos 15° e 20°.*

Centro Histórico – Além do Museu Histórico e Artístico de Planaltina, fundado em 1974, compõem o Centro Histórico de Planaltina a Igrejinha de São Sebastião e casarões na proximidade. O museu possui um acervo fixo com móveis e utensílios típicos do século XIX e abriga outras mostras.*

A Estação Ecológica de Águas Emendadas – Estação ecológica com área de 10 mil 547 hectares destinada à proteção do ambiente natural. Trata-se de um fenômeno hidrográfico de dispersão de águas, fluindo a partir de um mesmo ponto para lados opostos, formando a Bacia do Tocantins-Araguaia e a Bacia Platina.

*fonte: Fotorreportagem por Johnatan Reis da Silva.

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