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Exposição Alegoria por Marcin Jaszczak e Olga Pelipas no Museu El Greco por Rosângela Vig

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

O fim de uma obra de arte seriamente visado, perfeito para si mesmo, lógico, pode ser subordinado ao fim estético, ao fim da beleza, como os produtos da eloqüência. Aqui a beleza serve à perfeição. Se o fim lógico é meramente imaginado, então a beleza domina; assim não há nada na obtenção do fim anunciado; o artista como que joga com seu objeto. Aqui pode ser incluída toda a Arte Poética. (SCHILLER, 2004, p.43)

A Poesia vem impressa nas palavras do livro; na letra da canção; nas notas musicais; no céu colorido do final de tarde; no frescor da chuva; no aroma do café; no perfume das flores; no olhar inocente da criança; e no pensamento perdido de saudade. Mas a Poesia não se cansa de alargar seus braços e irradia pelo campo da Arte. Contagiante, ela fala pelas mãos daqueles que criam e utiliza as cores e as formas para se materializar, soltando suas amarras pelos espaços em branco da tela, expressando-se em um idioma silencioso e universal, o das imagens. As palavras de Schiller são repletas de um profundo significado. Para o filósofo do Iluminismo, a Poesia está presente no propósito de uma obra; revela-se na intenção do artista; espelha a harmonia de uma obra. Todas as definições de Poesia estão presentes nas cenas, nos personagens e nas obras da exposição Alegoria, na Associação Cultural de Fodele “Domenikos Theotokopoulos”, Museu El Greco, organizado pelo Município de Malevizi.

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Sob curadoria de Magdalena Wozniak-Melissourgaki, Embaixadora da Grécia para a Academia de Arte Mondial, a exposição faz parte do Festival Cultural Fodele que abre a Janela para a Vida do Mundo e mostra obras de grandes artistas de todo o mundo para o público de Creta. O evento foi organizado pelo Município de Malevizi.

No conjunto de pinturas há olhares perdidos, pensativos, distantes; há naturezas mortas repletas de vida; há, sobretudo a indizível incidência de luz solar sobre as coisas e sobre os rostos, refletindo as cores do céu, as nuances da tarde e as sombras azuladas. O efeito final é o de um lento gesto das pessoas, com os olhares penetrantes, muitas vezes dirigidos a remotas distâncias; vez por outra os olhos ficam estreitos numa nítida tentativa de evitar a claridade excessiva. É possível ainda perceber as sombras leves como ligeiras ausências de claridade, onde o sol apenas se esqueceu de iluminar deixando evidentes somente os protagonistas da cena. E o deleite não termina nunca, porque a cada olhar, o observador percebe nuances, avista cores suaves permeando faces e descortina a vida pulsando em cada obra, evidenciando sensações e permitindo participar das cenas, como se a experimentar-les todas as impressões.

É aí que a Arte se torna um objeto da imaginação, com um fim lógico e anunciado. É aí que o artista completa seu jogo e o Belo domina o olhar daquele que o aprecia. Assim a Arte se carrega de Poesia; e a Poesia se dissemina pela Arte. As obras da Mostra são de Marcin Jaszczak e Olga Pelipas. O casal que a vida uniu, também se ligou pela Arte.

O conjunto de obras dos dois artistas segue as tradições dos pintores do final do século XIX, que utilizavam como tema a natureza e a incidência de luz solar sobre cenas, pessoas e objetos. Os efeitos de nuances não misturadas permitem ao olhar que perceba essas variações de luz sobre os imponentes retratos femininos.

Olga Pelipas junta a suas protagonistas femininas, cenas abstratas ao fundo, com ornamentos, com uma estética inspirada na Art Nouveau. Para Marcin Jaszczak são importantes as figuras mitológicas e fica nítida a influência dos Simbolistas e dos Pré-Rafaelitas.

As 35 obras dos dois artistas entre óleo, acrílico e mistura técnica ficaram expostas ao público de 15 a 30 de setembro, das 9h00 às 19h00, no espaço expositivo do Museu El Greco em Fodele.

Medidas sanitárias estão sendo observadas nos eventos.

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Referências:

  1. SCHILLER, Friedrich. Fragmentos das Preleções sobre Estética. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.

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O fim de uma obra de arte seriamente visado, perfeito para si mesmo, lógico, pode ser subordinado ao fim estético, ao fim da beleza, como os produtos da eloqüência. Aqui a beleza serve à perfeição. Se o fim lógico é meramente imaginado, então a beleza domina; assim não há nada na obtenção do fim anunciado; o artista como que joga com seu objeto. Aqui pode ser incluída toda a Arte Poética. (SCHILLER, 2004, p.43) A Poesia vem impressa nas palavras do livro; na letra da…

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