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Salvador, Brasil - 1958. Fotografia de Pierre Verger.

Exposição Dorminhocos traz fotos inéditas de Pierre Verger ao Sesc Santo André

Em parceria com Fundação Pierre Verger, unidade expõe 98 fotografias que retratam pessoas dormindo em locais públicos pelo mundo

Pierre Verger (1902-1996) foi um etnólogo, antropólogo, pesquisador e acima de tudo, fotógrafo, que viveu grande parte da sua vida em Salvador, capital da Bahia. Aficcionado pelas culturas populares, Verger produziu registros fotográficos de grande relevância e obras escritas sobre as culturas afro-baianas e da diáspora africana, consolidando seu olhar antropológico para traços da arte e religiosidade brasileiras, seu principal foco de interesse.

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Durante suas múltiplas viagens pelo mundo, o francês também direcionou seu olhar para o cotidiano urbano e suas relações com o trabalho e o corpo humano. Essa relação é matéria-prima das fotos que compõem a exposição Dorminhocos, com abertura na próxima terça-feira, dia 12 de março, no Sesc Santo André.

Com curadoria de Raphael Fonseca, a exposição reúne 98 fotografias – muitas delas inéditas – que exibem o ponto de vista característico de Verger a partir de fotografias produzidas entre as décadas de 1930 e 1950, em países como Argentina, Peru, Congo, China, Polinésia Francesa, Guatemala e México. No Brasil, Verger fotografou os dorminhocos na Bahia, Pernambuco e Maranhão.

As fotos escolhidas para exposição integram o acervo da Fundação Pierre Veger, em Salvador, localizada na casa em que o fotógrafo viveu durante anos. As imagens, de origens singulares, mostram os caminhos percorridos por Verger em seu estúdio público: ruas, vielas, praças. Seu olhar se debruça para a relação de corpos fatigados que descansam em locais públicos devido à intensa modernização e consolidação de uma rotina de trabalho extenuante.

Constantes nas obras de Verger, os tons de preto e branco contextualizam o trabalho como uma atividade melancólica, que afasta o corpo dos desejos da mente e se adapta às condições oferecidas e disponíveis para expurgar o cansaço. Um homem que dorme sobre o lombo de um burro, no México; outro que se apoia em uma tenda de frutas em Salvador. Árvores, bancos, balcões, escadas e calçadas se tornam camas. Braços, colunas, paredes e degraus como travesseiros. Pierre Verger convida o espectador a olhar atentamente flagrantes preciosos de simplicidade impactante, onde a ausência de gestos os torna silenciosamente elegantes e originais.

Dorminhocos é uma oportunidade para o público conhecer outro aspecto da obra de Verger, que é marcada pelo tema das religiões afro-brasileiras. Além disso, a mostra provoca questões como a relação entre classe, raça e contrastes sociais; o lugar da mulher no mercado de trabalho e no espaço público (são poucas as fotos com presença feminina na exposição) e a relação das pessoas com o meio urbano.

Pierre Edouard Léopold Verger nasceu em Paris, no dia 4 de novembro de 1902. Desfrutou de boa situação financeira e levou uma vida convencional até 1932, ano em que aprendeu um ofício e descobriu uma paixão: fotografia e viagens. De dezembro daquele ano até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo. Verger negociava suas fotos com jornais, agências, empresas e centros de pesquisa. Mas tudo mudou quando desembarcou na Bahia ainda naquele ano. Enquanto a Europa vivia o pós-guerra, Verger encontrou em Salvador a hospitalidade e riqueza cultural que o seduziram logo de cara.

Apesar de ter se fixado na Bahia, o francês nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, publicou suas pesquisas em artigos acadêmicos, comunicações e livros.

Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Verger faleceu em fevereiro de 1996, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

A abertura é na próxima terça-feira, 12 de março, às 20h, na Galeria do Sesc Santo André.

Exposição Dorminhocos – Sesc Santo André
Visitação
13 de março a 16 de junho de 2019.
Terça a sexta, das 10h às 22h.
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

 

SESC SANTO ANDRÉ
Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André
Telefone – (11) 4469-1311
Estacionamento (vagas limitadas): Credencial Plena – R$ 5 (R$ 1,50 por hora adicional) |
Outros – R$ 10 (R$ 2,50 por hora adicional).
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