Sutura: vidas em restauro é a primeira exposição individual do artista visual Fabio Alves e apresenta um território em que a imagem deixa de operar como simples registro para tornar-se gesto de recomposição.
Com curadoria de Lu Valença, a mostra reúne obras em que a fotografia, atravessada pela inteligência artificial, não busca simular o real, mas agir sobre suas fraturas, criando imagens que tensionam memória, corpo e reconstrução.
As obras revelam superfícies marcadas por fissuras luminosas, enxertos orgânicos e sinais de reparo. A sutura surge não apenas como metáfora, mas como linguagem visual.
Linhas douradas percorrem corpos e estruturas como mapas de trauma e resistência, evocando práticas ancestrais de restauração ao mesmo tempo em que projetam futuros possíveis para corpos historicamente vulnerabilizados. O que poderia ser entendido como cicatriz transforma-se em ornamento e continuidade.
A presença recorrente da cadeira de rodas desloca o olhar do espectador para questões ligadas à mobilidade, autonomia e estrutura social. No entanto, as imagens recusam qualquer leitura da deficiência como ausência ou limitação.
Ao contrário, instauram uma poética em que o corpo se apresenta como campo de invenção, onde natureza e matéria técnica coexistem. Ramos brotam de superfícies rígidas, flores emergem de territórios áridos e aquilo que parecia inerte revela potência vital.
Na produção de Fabio Alves, a inteligência artificial não aparece apenas como ferramenta de criação de imagens, mas como dispositivo crítico que tensiona autoria, representação e memória.
Ao operar com dados e algoritmos, o artista constrói visualidades híbridas, em que o humano e o artificial convivem sem hierarquia. O resultado são imagens atravessadas por uma estranheza precisa, situadas entre o sonho, o documento e a fabulação.
Em Sutura: vidas em restauro, o tempo também abandona a linearidade. Infância, maturidade e velhice coexistem como camadas simultâneas de experiência. As figuras apresentadas não funcionam como retratos individuais, mas como arquétipos de permanência e transformação.
Cada obra sugere que restaurar não significa retornar ao estado original, mas construir novas formas de existência a partir daquilo que foi quebrado.
A exposição propõe uma reflexão sobre cuidado, dignidade e reconstrução. Em vez de apagar marcas, evidencia-as. Em vez de ocultar fragilidades, transforma-as em linguagem. Entre colapso e florescimento, Fabio Alves cria um campo sensível onde a vida insiste, reorganiza-se e continua.
A exposição virtual ficará em cartaz no site da Contemporâneos Galeria até o dia 30 de maio.
Visitação: contemporaneosgaleria.com/exposicaosutura





Parabéns Fábio ! Pela linda e comovente exposição 👏🏼👏🏼
Parabéns tb a Lu pela curadoria e olhar sempre sensível e atento 👍🏼👍🏼👍🏼
A Exposição “Sutura : Vidas em Restauro” de Fábio Alves;
É uma especial percepção da arte mais sensível, em sua forma mais pura e mágica conectada à grandeza universal da mãe natureza…!
Simplesmente bem inspirada!!..
Salve!