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Exposição: "ToTa Machine", de Katia Wille. Foto: Divulgação.

Exposição une arte e inteligência artificial no MAS/SP

Obras de arte reagem à presença de pessoas, refletem sentimentos e interagem através de movimentos diante de estímulos visuais e faciais

Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, dando sequência aos eventos comemorativos de seu Jubileu de Ouro a ser completado em Junho de 2020, exibe a mostra individual “ToTa Machina” da artista plástica carioca Katia Wille, sob curadoria de Bianca Boeckel. Ambientada na Sala MAS/Metrô Tiradentes, a artista preenche os nichos expositivos com pinturas em tela e pequenas esculturas que permanecem em diálogo constante com as instalações cognitivas em eco látex.

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Na exposição, a artista convida o visitante a criar um espelho de si mesmo, com reflexo nas obras, unindo AI (Inteligência Artificial, em inglês) e Arte. “Quero expor ao máximo a vulnerabilidade das relações humanas; e questiono: como seria esticar-se para além do nosso ponto de ruptura? ToTa Machina, representa a eterna busca pelo impossível, alcançar o outro e estabelecer relações de ressonância”, especifica a artista.

Em projeto expográfico elaborado exclusivamente para São Paulo a mostra, que já foi montada em Brasília e no Rio de Janeiro, se utiliza da robótica e IA para análise de ambiente e sentimentos, conectando o público com as obras e proporcionando uma experiência única a cada espectador, por meio da tecnologia. Cada uma das obras traz uma experiência diferente, abrindo, assim, o debate sobre a crescente interseção entre arte e tecnologia. “E se a obra de arte pudesse ver o espectador antes mesmo que ele a visse? A ideia é estabelecer uma simbiose entre obras de arte e o público”, explica Katia Wille.

Para concretizar seu conceito, a artista cria uma possibilidade de estabelecer uma simbiose entre obras de arte e o público. Para tanto, desenvolve parceria inédita com a empresa de software de um conceito de máquinas cognitivas integradas ao ambiente, pela primeira vez utilizado em São Paulo. Utilizando a capacidade de inteligência artificial na nuvem, as obras reagem a presença de pessoas, refletem sentimentos e interagem através de movimentos diante de estímulos visuais, faciais e sonoros.

Ao entrar no espaço, o visitante se depara com uma mistura de materiais dispostos de modo a ocupar todo o espaço de forma fluida. Katia Wille ocupa as vitrines com pinturas em telas feitas em tecido metálico e pequenas esculturas em tecido moldado, todas dialogando com as instalações cognitivas feitas em eco látex – material desenvolvido pela própria artista a partir da mistura de látex líquido reciclado com tecidos e outros materiais que se movem através da emoção do espectador. As obras estão tanto suspensas pelo teto como onduladas nas paredes, desenvolvidas a partir deste material poroso, ora em forma de bolhas, ora esticado ou ondulado, destacando texturas e o brilho cobreado da superfície. As pinturas e esculturas estão em constante diálogo.

Em “ToTa Machina” – que significa “Mulher Máquina” –, as peças se retroalimentam, ou seja, a pessoa vê a pintura e isso gera uma emoção que promove o movimento das esculturas, que por sua vez geram outra emoção, uma vez que o visitante é convidado a ser espectador e em seguida passa a ser protagonista do movimento e, assim, das próprias obras.

“O objetivo final é começar a criar um espelho de nós mesmos nas obras: o corpo é representado pelos braços robóticos e sensores responsáveis pelos movimentos, a mente pela inteligência artificial que aprende com os nossos sentimentos e dá os comandos para que os movimentos aconteçam e a alma é representada pela arte das membranas de ecolatex pintadas como uma pele frágil e reluzente”.

Katia Wille

Exposição: “ToTa Machine
Artistas: Katia Wille
Curador: Bianca Boeckel
Abertura: 25 de janeiro – sábado – às 11hs.
Período: 26 de janeiro à 23 de março de 2020
Horários: Terça a domingo, das 9hs às 17hs.
Local: Sala MAS/Metrô Tiradentes – www.museuartesacra.org.br
Estação Tiradentes do Metrô – São Paulo – SP
Tel.: 11 3326-5393 – agendamento / educativo para visitas monitoradas
Ingresso: Grátis aos usuários do Metrô
Número de obras: 15
Técnicas: pinturas, esculturas e máquinas cognitivas
Dimensões: variadas

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Katia Wille

Nascida no Rio de Janeiro, Katia Wille é formada em artes e design de moda pela Universidade de Amsterdã, na Holanda, e passou os últimos 10 anos morando e trabalhando entre a Europa, Ásia e Brasil. As questões do feminino, do corpo em busca de sua essência e transformações, sempre povoaram as obras do artista, que pretende estabelecer um diálogo entre o espectador e a obra, destacando a fragilidade das relações humanas e a busca incessante do olhar do outro. Partindo de preocupações e questões levantadas ao longo de sua carreira, a artista busca entender o movimento do interno sobre o externo, a dinâmica complexa da relação humana com o mundo. Corpos em movimento, entrelaçados, curvos ou muito esticados são constantes em seu trabalho e estabelecem uma relação com a delicada questão da busca pelo equilíbrio. Corpos misturados perdem sua identidade para formar uma massa homogênea, semelhante às entranhas e partes internas do ser humano. Os materiais escolhidos por Katia buscam expressar conceitos como transformação, elasticidade, porosidade e fragmentação através de instalações e pinturas em material elástico e tecido metálico. Em 2018, a artista iniciou a pesquisa sobre esculturas cognitivas e instalações com apoio tecnológico, Assim, ela começa a criar obras que se movem de acordo com as emoções dos espectadores. Isso permite, através do material utilizado, que o espectador se reflita no trabalho, e se sinta Co criador da obra de arte. Corpo, cérebro e pele, as três camadas ou pilares da obra da artista, que busca ir além dos conceitos estabelecidos na delicada relação que a arte possibilita.

Bianca Boeckel

Proprietária e diretora da galeria que leva seu nome, especializa-se em Curadoria, Art Advisory e Art Collection pela Sotheby’s em Nova York e frequentou cursos de História da Arte na NYU, no Museu Brasileiro de Escultura – MUBE e na Casa do Saber, em São Paulo. Ao longo de 6 anos, atuou como curadora em 24 das 29 exposições que promoveu em sua galeria; e em parceria com outros curadores como Ricardo Resende, Fausto Chermont, Thomas Baccaro e Heloisa Vivanco nas demais mostras realizadas. A partir de 2018, passa a oferecer cursos de História da Arte ministrados pelo colecionador e palestrante Fábio Faisal – iniciando seu projeto educacional voltado para a cultura e disseminação da arte em diversas vertentes. Organiza visitas guiadas à coleções particulares, exposições em museus e debates sobre arte contemporânea. Foi responsável pela curadoria, expografia e execução do projeto idealizado por 10 artistas independentes e integrantes dos grupos de acompanhamento artístico e coletivos Hermes e VÃO – SP. Em 2019 foi convidada pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo para a curadoria da exposição Adagio, na Sala Metrô Tiradentes.

MAS/SP

O Museu de Arte Sacra de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, é uma das mais importantes do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 29 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulo passou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, última chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979. Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulo detém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 18 mil itens no acervo. O museu possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.

MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO – MAS/SP

Presidente do Conselho de Administração – José Roberto Marcelino
Diretor Executivo – José Carlos Marçal de Barros
Diretor de Planejamento e Gestão – Luiz Henrique Marcon Neves
Museóloga – Beatriz Cruz

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