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Plano geral - exposição de Amelia Toledo. Foto: Filipe Berndt. Cortesia Galeria Marcelo Guarnieri.

Galeria Marcelo Guarnieri São Paulo – Esculturas de José Carlos Machado e Horizontes de Amelia Toledo

sala 1: Zé Bico (José Carlos Machado)

sala 2: Amelia Toledo

abertura 17 de outubro de 2019 / 19h – 22h
período de exposição 17 de outubro a 14 de novembro de 2019
Alameda Lorena, 1835
São Paulo, Brasil
www.galeriamarceloguarnieri.com.br

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 17 de outubro a 14 de novembro de 2019, em sua sede de São Paulo, as exposições de Amelia Toledo e Zé Bico (José Carlos Machado). Zé Bico apresentará na Sala 1 um conjunto de esculturas produzidas durante os últimos quatro anos, exibidas pela primeira vez. Amelia Toledo ocupará a Sala 2 com pinturas da série “Horizontes”, produzidas em 2012 e “Poço”, escultura produzida entre a década de 1990 e os anos 2000.

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Sala 1
Zé Bico (José Carlos Machado)

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP, Zé Bico (José Carlos Machado) produz e expõe como artista desde meados da década de 1980. Em sua terceira exposição individual na Galeria Marcelo Guarnieri, Zé Bico apresenta uma pesquisa sobre forças de atração e efeitos ópticos desenvolvida nos últimos quatro anos a partir de uma variedade de procedimentos que deram origem a peças de madeira, vidro e espelho. Ter trabalhado por tantos anos com ímãs na produção de suas obras permitiu ao artista desenvolver uma prática baseada em movimentos sutis, de cálculos exatos, gerados não por métodos teóricos, mas sim empíricos.

A partir da força magnética dos ímãs, Zé Bico amplia sua investigação sobre o equilíbrio e a instabilidade, explorando, através de novos objetos, a força gravitacional. Daí surgem peças pendentes feitas em madeira que se articulam em conjunto e percorrem uma trajetória que vai do alto, rente ao teto, até uma base que as permitem pousar. O desenho dessas peças pendentes, cubos incompletos que se formam apenas por algumas arestas, se repete em algumas outras que compõem a exposição. Também parecem desintegrados nas peças que nos remetem a encaixes: ainda mais distantes do contorno e volume original do cubo, suas partes se montam umas sobre as outras em diversas posições de equilíbrio.

É nas peças em que trabalha com o vidro e com o espelho que leva a ideia de desintegração mais além. Em “Piano”, da série “Eu não vi” (2017/2019) faz uso de um vidro temperado que, a depender da distância em que se olha, vira um espelho. Dessa maneira, os cubos de ferro dispostos em ambos as faces do vidro, ora se revelam, ora se duplicam ou desaparecem. Já na peça em que posiciona uma placa de alumínio quadrada pendendo frente a um espelho também quadrado de mesmas dimensões, trabalha não só com os efeitos da superfície reflexiva, mas integra na composição um duplo que se forma pela sombra. Mais uma vez as questões referentes ao equilíbrio e a instabilidade aparecem, agora associadas a outro ramo da física: a óptica. A prática de Zé Bico, no entanto, dispensa cálculos matemáticos e elaborações teóricas: suas descobertas provêm das experiências cotidianas.

Indo contra todas os ângulos retos que compõem a maior parte das obras da mostra, está a dupla de ovos de ganso e laca. Como se estivessem paralisados no tempo, se equilibram de maneira pouco usual. Também contrário às demais peças da exposição que tratam de vazios e desaparecimentos, o ovo é o símbolo do nascimento, um invólucro que guarda um conteúdo repleto de possibilidades. Tendo sido produzidos durante quatro anos, a dupla tal como se vê é resultado do processo de endurecimento da gema associado à escolha de Zé Bico pela composição. Embora não se toquem, o arranjo dos ovos nos remete à ideia de peso e contrapeso, bem como às esculturas anteriores que o artista fazia com ímãs. “A Beira do abismo” (2019) trata da mesma lógica, em uma relação de peso e contrapeso entre o cubo de madeira e as barras de latão. No limite da instabilidade, suscitam em nosso imaginário a possibilidade da queda, assim como todas as outras peças, parecem estar por um triz.

Dentre as diversas exposições individuais e coletivas realizadas, destacam-se as seguintes: Projeto Macunaíma, Funarte, Rio de Janeiro, Brasil; O Reducionismo na Arte Brasileira (19º Bienal de São Paulo), Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil; Exposição Internacional de Esculturas Efêmeras, Fortaleza, Brasil; O Estado da Arte, Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil.

Sala 2
Amelia Toledo

Responsável por uma produção de mais de cinquenta anos, Amelia Toledo (1926-2017) contribuiu de maneira significativa para a arte contemporânea brasileira, tendo participado em vida de cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo e sido premiada nacional e internacionalmente. “Horizontes”, série iniciada na década de 1990, é parte da investigação que desenvolveu ao longo de sua carreira sobre as noções de paisagem, tanto no espaço pictórico, quanto no espaço físico. A linha do horizonte possui uma presença marcante na tradição da pintura ocidental figurativa, servindo como ponto de referência na construção da imagem e da relação que nosso corpo estabelece com ela. As pinturas desta série são compostas por duas faixas de cores que ocupam, cada, uma metade da tela, encontrando-se em algum momento. Segundo a própria artista, esse encontro marca “o limite de ser ou deixar de ser”, como “um espaço vazio entre dois pensamentos”. O tensionamento entre tons de cores tão próximas dividindo o mesmo retângulo produz um tipo de vibração que, embora cause um efeito mais imediato à visão, mobiliza também, a um olhar mais demorado, outros sentidos.

Se o horizonte pode ser pensado como aquilo que dá limite à nossa visão, o poço, por outro lado, pode representar a ideia de infinito, daquilo que não possui um anteparo onde o olhar pode se firmar. Chegar ao “fundo do poço” significa ir longe demais, aceitar a condição da derrota, encontrar-se com o que há de mais soturno em nós – ou com o que há de mais profundo na Terra: o inferno. Por outro lado, ir além do horizonte pode ter o significado de ultrapassar os limites da invenção, de ganhar asas e chegar a um lugar etéreo. O poço de Amelia Toledo, no entanto, é formado por uma chapa metálica curva que amplia as propriedades reflexivas dos cristais, invertendo a lógica do senso comum e se aproximando talvez da imagem do poço mágico. O estudo sobre a profundidade do campo visual que em “Horizontes” se desenvolve através da tinta sobre a tela, se materializa em “Poço” através do encontro entre dois materiais de origens distintas, que juntos, provocam a expansão do espaço e estimulam ainda mais a aproximação do observador.

O encontro entre materiais industriais e a matéria orgânica é uma frequente na produção de Toledo, prática que pode ser entendida como uma maneira de questionar a estrutura do pensamento dualista que rege a nossa forma de entender o mundo, onde natureza e cultura ocupam categorias opostas. Transitando constantemente entre o controle formal e a intuição, Amelia Toledo investiga as relações que construímos com o espaço a partir da nossa sensibilidade às cores, substâncias, volumes, texturas e dimensões.

Dentre as diversas exposições individuais realizadas, destacam-se nas seguintes instituições: Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo; Paço Imperial, Rio de Janeiro; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo.

Dentre as coletivas, destacam-se as recentes: Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, Hammer Museum, Los Angeles, EUA; A marquise, o MAM e nós no meio, Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brasil; Pedra no Céu: Arte e a Arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, MUBE – Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo; Visões da Arte no Acervo do MAC USP 1900 – 2000, MAC USP – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Futuro do Presente, Itaú Cultural, São Paulo; Correspondências, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo.

SERVIÇO
Galeria Marcelo Guarnieri
Exposição: Esculturas ,José Carlos Machado; Horizontes, Amélia Toledo.
Abertura 17 de outubro de 2019 / 19h – 22h
Período de exposição 17 de outubro a 14 de novembro de 2019
Entrada gratuita
Alameda Lorena, 1835 – Jardins
São Paulo – SP – Brasil / 01424 002
tel +55 (11) 3063 5410 / 3083 4873 | contato@galeriamarceloguarnieri.com.br
seg – sex: 10h às 19h / sábado 10h às 17h
Mais informações, acessar a página www.galeriamarceloguarnieri.com.br

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