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Gilvan Nunes, Beatrice, 2021, Cerâmica de parede. Medidas: 3. 46 x 30 x 30 cm. Foto: Divulgação.
Gilvan Nunes, Beatrice, 2021, Cerâmica de parede. Medidas: 3. 46 x 30 x 30 cm. Foto: Divulgação.

“Hilomorfismos”

Radicado nos Estados Unidos, Gilvan Nunes abre individual com a curadoria de Fernando Cocchiarale na Galeria Patricia Costa

“O caminho sempre acaba convergindo”, definiu Gilvan Nunes ao falar sobre as pinturas a óleo, desenhos, cerâmicas e porcelanas que apresenta na individual “Hilomorfismos”, a partir do dia 14 de julho, após um hiato de 5 anos sem expor no Brasil. Morando atualmente nos Estados Unidos, o artista abre a exposição sob curadoria de Fernando Cocchiarale, na Galeria Patricia Costa, no Shopping Cassino Atlântico.




As obras são fruto de um processo que aconteceu durante a pandemia, entre 2020 e 2022. Este período se revelou bastante fértil, tendo o artista produzido 30 pinturas em grandes e pequenos formatos, 28 desenhos e 50 cerâmicas, entre vasos e peças de parede. Segundo Gilvan, as cerâmicas ganharam força de 10 anos para cá, desde que se mudou para a Filadélfia, onde adquiriu um forno e pôde evoluir na técnica.

“Meu trabalho sempre foi matérico: paisagens e todas as pinturas. De repente, foi como se eu tivesse uma necessidade de retirar um pouco a matéria e organizar em outro lugar. Talvez tenha sido esse o desejo maior: reorganizar a matéria, separando nas telas e nas superfícies. A experiência de morar fora proporcionou mais tempo para pensar, redirecionar as ideias. Esse ‘hiato’ possibilitou uma espécie de recomeço”, diz Gilvan Nunes que já participou de duas coletivas nos Estados Unidos, onde também já tem marcada uma individual no ano que vem.

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“Hilomorfismo” nas palavras de Fernando Cocchiarale

Anotações sobre gosto, demiurgo

Esta mostra de Gilvan Nunes reúne obras em pintura, desenho, cerâmica e porcelana por ele recentemente produzidas. Parte considerável das obras expostas pode ser associada ao abstracionismo, posto que são de difícil identificação levando-nos a buscar no título dado pelo artista à exposição maior consistência poética: Hilomorfismo.

Tal conceito remete-nos ao pensamento de Aristóteles, há mais de dois mil anos, segundo o qual todos os seres corpóreos são compostos por matéria e forma. A poética de Nunes e o hilomorfismo encaminham-nos a áreas contíguas como a questão do demiurgo, que trabalhava a matéria ou o caos para dar-lhes forma. No pensamento grego, particularmente no de Platão, é um deus ou o princípio organizador do universo que não cria formas, apenas as modela, com base na contemplação do mundo das ideias.

A distinção entre matéria e forma observável na dinâmica poética da obra Gilvan Nunes, de outra maneira, parece ser bastante próxima. A partir desse ponto é que a consideramos importante para certos jogos que exercitam, alimentam e produzem a invenção poética.

Gosto é o critério ou o cânone usado para julgar os objetos do sentimento. Foi somente a partir do século XVIII que o gosto foi reconhecido como uma faculdade autônoma, distinta da faculdade teorética (filosófica e matemática), posto que possuía um campo e um pensamento técnico próprio, fato percebido por Leonardo da Vinci já no século XVI (“pittura é cosa mentale”) e, progressivamente, por Kant e Baumgarten no século XVIII.

Fernando Cocchiarale, julho de 2022.

Sobre o artista

Gilvan Nunes nasceu em Vermelho Novo, Minas Gerais, Brasil, em 1966. Sempre foi fascinado pela natureza, suas cores e formas e passava muito tempo desenhando e pintando. Quando ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em meados dos anos 1980, teve a oportunidade interagir com outros artistas de sua geração e com professores fundamentais para sua formação. Naquele momento, ocorria o renascimento da Pintura Brasileira e o Parque Lage era o epicentro desse movimento. Gilvan é enormemente conhecido pelas suas pinturas densas, e também trabalha com desenhos, colagens e gravuras de temas invariavelmente relacionados à sua visão da constante transformação da natureza. Esculpir e trabalhar com cerâmica são paixões mais recentes, paralelamente à pintura. Seu trabalho tem sido exibido em diversas mostras coletivas e individuais, além de feiras de arte em diferentes cidades do Brasil, África, Europa e EUA. Em 2017, Gilvan mudou-se para os Estados Unidos, o que inspirou o artista a criar uma nova série de pinturas a óleo e cerâmica esmaltada.

Atualmente, é representado pela Galeria Patricia Costa no Rio de Janeiro, no Brasil, e pela InLiquid Gallery na Filadélfia, EUA.

Serviço

“Hilomorfismos”Gilvan Nunes apresenta pinturas a óleo, cerâmicas e porcelanas inéditas, produzidas entre 2020 e 2022.

Curadoria: Fernando Cocchiarale

Abertura: 14 de julho, quinta-feira, das 17h às 21h

Visitação: de 15 de julho a 14 de agosto de 2022

Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 17h

Local: Galeria Patricia Costa

Endereço: Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana – RJ

Telefone: +55 21 2227-6929/98868-1993

Classificação livre

Entrada franca

Contatos:

www.gilvannunes.com

www.galeriapatriciacosta.com.br

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