O que considerar ao planejar uma cozinha funcional

Descubra como planejamento, conforto, organização e escolhas inteligentes contribuem para um espaço mais eficiente, seguro e agradável para o dia a dia

Durante um projeto de arquitetura e design residencial, um dos cômodos que costuma causar mais dificuldade é a cozinha.

Criar uma cozinha funcional que seja prática para o uso diário, bonita, fácil de limpar e alinhada às necessidades de quem mora ali é um desafio que envolve planejamento técnico e conhecimento das normas de segurança.

A ideia de ter nesse ambiente a praticidade de cozinhar e, ao mesmo tempo, conseguir manter tudo organizado é justamente o que leva as pessoas que estão construindo ou reformando a optarem por projetos de cozinhas práticas e bem planejadas.

Aqui, o design é aliado à arquitetura do ambiente, aos móveis e até à escolha dos eletrodomésticos.

Tudo é pensado para garantir ergonomia, facilidade na rotina e otimização de tempo e espaço.

Essa preocupação faz ainda mais sentido diante dos hábitos dos brasileiros.

A população brasileira é considerada uma das que mais realizam refeições principais, sendo também a que menos consome refeições prontas.

É o que aponta o levantamento Appetite for Growth 2024, da consultoria de pesquisa de mercado Kantar, que analisou comportamentos alimentares em diferentes países e destacou que o Brasil é o que passa mais tempo cozinhando.

No Brasil, cozinhar vai além de uma necessidade nutricional.

Preparar e consumir refeições feitas em casa também representa uma demonstração de afeto que, muitas vezes, promove bem-estar e traz benefícios psicológicos para quem cozinha.

Já para as famílias que encaram essa atividade apenas como uma necessidade da rotina, realizada de forma rápida devido à correria do dia a dia, é fundamental que a experiência seja prática e agradável.

Em ambos os cenários, contar com uma arquitetura bem planejada e com itens de qualidade faz toda a diferença para tornar o ambiente mais funcional e facilitar o uso cotidiano.

O triângulo de trabalho e a ergonomia no ambiente

Uma das principais questões que fazem uma cozinha ser funcional é a promoção de um ambiente capaz de tornar a rotina prática.

No projeto, é aconselhável investir na ideia do “triângulo de trabalho”, ou seja, traçar um triângulo imaginário entre os três principais pilares do cômodo: a pia, o fogão e a geladeira.

Nesse conceito, o objetivo é que o morador não precise ficar se deslocando por todo o ambiente desnecessariamente enquanto cozinha.

Por isso, a ideia é que os pilares fiquem entre 1,20 metro e 2,70 metros de distância.

Mas é importante lembrar que essas medidas não são uma regra definitiva, já que cada casa possui um tamanho diferente.

O ideal é definir uma estrutura que seja confortável e que o triângulo facilite a execução das refeições.

Além disso, a ergonomia é um fator determinante para o bem-estar enquanto se cozinha. Por passar muito tempo nesse ambiente, quem está no preparo das refeições muitas vezes se sente cansado e com dores sem nem perceber o real motivo.

E ele pode estar justamente na falta de ergonomia que os móveis e as bancadas oferecem.

Na média, a altura das bancadas, da pia e do fogão varia entre 90 e 100 centímetros, com profundidade de 60 centímetros.

Essa base é considerada para não prejudicar a circulação e facilitar o manuseio dos alimentos durante o preparo.

Mas é importante que, durante a conversa com o arquiteto e o designer de interiores, essa altura seja definida de acordo com as necessidades de quem vai viver naquele ambiente.

Aproveitamento inteligente de armários e bancadas

A otimização de espaço é a chave para uma cozinha funcional e prática. Além de manter tudo em seu devido lugar, a proposta de verticalização garante bancadas livres e um visual muito mais bonito.

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Durante o planejamento da cozinha, é ideal tirar as medidas de todas as paredes consideradas livres, ou seja, aquelas que não possuem coifa ou geladeira.

Vale destacar que a parte superior das bancadas e até da porta tem potencial para receber móveis que ajudarão no dia a dia.

Investir em opções prontas ou modulares irá ajudar a instalar esses móveis de acordo com cada metragem disponível, além de economizar durante a obra.

Além disso, vale colocar no projeto prateleiras para decoração e armazenamento de itens que podem ficar expostos, como temperos, por exemplo.

O ideal é que esses móveis tenham gavetas, divisórias e organizadores que manterão todos os utensílios em seu devido lugar.

Para famílias que utilizam eletrodomésticos como fritadeiras elétricas, micro-ondas ou liquidificador na rotina, o ideal é que eles fiquem armazenados em um local prático e de fácil acesso.

Para que a cozinha fique, de fato, funcional, é fundamental que as bancadas fiquem livres, sem a necessidade de fazer grandes arrumações no dia a dia.

Isso facilitará muito o preparo das refeições.

Segurança e infraestrutura básica no projeto

Por ser um cômodo com fogo, gás e itens eletrônicos, a segurança deve ser um dos pilares do projeto.

Por isso, o planejamento deve priorizar itens de segurança, garantindo que a instalação de gás de cozinha, por exemplo, seja feita em local ventilado e por profissionais qualificados, seguindo as normas técnicas brasileiras.

Segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as instalações de gás devem seguir requisitos específicos de segurança, incluindo ventilação adequada, distância mínima de fontes de ignição e uso de materiais apropriados.

É fundamental que a execução seja realizada por profissional habilitado.

Além disso, o ideal é que o projeto tenha janelas, garantindo a circulação e a renovação do ar.

O indicado é investir em janelas que ocupem pelo menos 1/8 da área do cômodo.

Para quem não tem essa opção, o ideal é investir em exaustores mecânicos.

A iluminação também precisa ser levada em conta.

Mesmo que, em alguns momentos, possa ser interessante cozinhar com luz baixa e de menor intensidade, o ideal é ter uma opção que seja mais eficiente e potente, principalmente nas horas de fazer a manutenção, como nas limpezas mais pesadas.

Uma cozinha bem planejada pode, ainda, ser muito bonita e seguir o gosto dos moradores.

Para isso, os pisos e os revestimentos das paredes podem ter cores e texturas que agradem quem vive ali, assim como a inclusão de plantas, quadros, ímãs de geladeira e outros objetos decorativos.

Mas é importante se atentar ao material desses revestimentos.

Para o chão, o ideal são pisos impermeáveis e não porosos, facilitando a limpeza.

Além disso, é preciso que eles sejam antiderrapantes, para evitar acidentes.

Quanto mais fácil for manter o ambiente limpo e organizado, mais otimizado será o preparo das refeições, assim como aumentará também o prazer em cozinhar.

O que considerar ao planejar uma cozinha funcional. Imagem de magnific.
O que considerar ao planejar uma cozinha funcional. Imagem de magnific.

Texto elaborado pela equipe da Conversion.

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