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Renato Morcatti. Foto: Divulgação.

Pirajá, Série especial de esculturas de Renato Morcatti chega à Caixa Cultural São Paulo

Ao todo são 796 objetos entre desenhos, a carvão, grafite e esculturas em cerâmica realizados por entalhe, modelagem e fundição.

A Caixa Cultural São Paulo receberá a mostra Pirajá, um conjunto de objetos cerâmicos de pequenos formatos realizados em três técnicas distintas – o entalhe, a modelagem e a fundição –, queimadas na técnica Bizen. A exposição que passou por importantes instituições em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte chega em São Paulo a partir do dia 27 de agosto.

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Acostumado a criar com materiais diversos, entre eles madeira, argila, cimento, aço, Renato Morcatti incluiu a cerâmica em seu repertório escultórico nos últimos três anos, um tanto instigado pelo desafio que surgiu de conversas com a ceramista Erli Fantini.

Pirajá é justamente o resultado dessa incursão pela técnica da cerâmica. A mostra é composta pelas séries “Entre”, “Nós”, “Segredos” e “O Guardião”. Cada uma delas é feita de múltiplas pequenas peças que, dispostas em conjunto, alcançam a intenção do discurso do artista. – Eu sou um artista escultor e desenhista, logo, quando vejo a escultura, enxergo também o desenho dela. Trabalhar com cerâmica em grandes formatos é um processo difícil, é preciso uma olaria como a de Brennand em Pernambuco. Então, fui produzindo pequenas peças e passei a enxergar o desenho das esculturas não na unidade, mas no conjunto –, explica Morcatti.

O conceito de partes que formam o todo é fixado pelo título da mostra: Pirajá, do tupi, nasce da junção dos termos pira (peixes) e já (repleto), e é descrito como “lugar onde se coloca os peixes para serem tratados” ou “o que está repleto de peixes”. Segundo o dicionário Aurélio, seu significado vem da observação de um fenômeno telúrico: aguaceiro súbito e curto, violento e aluvial, acompanhando de ventania, comum nos trópicos, entre a costa da Bahia e os estados nordestinos. Pirajá, por fim, é ainda o nome do bairro, em Belo Horizonte, onde Renato Morcatti tem sua casa-ateliê e que é cenário das tantas vivências desde a infância que o formaram como artista. “O que me interessa neste trabalho é isso: quanto maior o conjunto, mais o desenho da obra se expande no meu pensamento escultórico”, afirma ele.

Fernanda Lopes, que assina um dos textos críticos dessa mostra, destaca que “as séries de esculturas e desenhos apresentam para o público o interesse do artista pelo múltiplo, pela profusão, pela repetição e pela organização em conjuntos”.

AFETO E MEMÓRIA

O fio que une as séries “Entre”, “Nós” e “Segredos” é feito de afeto e memória. Como na série Entre, um conjunto de pequenos totens “trancados” em gaiola de aço retangular, uma analogia a questões sobre liberdade, opinião e posicionamento. Em Nós, simulações de molhos de chaves, unidas por anel de couro, suspensas em um vergalho, tratam subjetivamente da instituição família e seu significado em mutação na sociedade. Em Segredos, aparecem objetos cerâmicos que são a representação da linha de encaixe dos segredos das chaves que fazem girar o tambor. Apresentados em agrupamento, provocam uma observação não plenamente identificável de suas formas, instigando impressões sobre o binômio masculino e feminino e os papéis que são atribuídos a cada qual.

Também será apresentada uma quarta série intitulada “O Guardião”, composta por 8 peças, que Morcatti gosta de definir como um anti pan-óptico, já que funciona como um espectador dos espectadores que trafegam pelo universo escultórico concebido pelo artista. Paralelamente serão ainda apresentadas ao público as obras Escala Madre e Ostiário, compostas, consecutivamente, por oito e cinco desenhos.

O ARTISTA

Bacharel em artes plásticas pela Escola Guignard, da UEMG, Renato Morcatti nasceu e vive em Belo Horizonte, onde mantém ateliê no bairro Pirajá, região nordeste da capital. Seu envolvimento com as artes remonta desde a infância. Aos 10 anos, morando com a família na mesma casa onde trabalha hoje, fazia das paredes do quarto de dormir telas para os seus desenhos. Desde adolescente, se tornou habitué na Escola Guignard, então ainda instalada no Palácio das Artes, e lá passava horas observando o movimento de alunos, professores e desenhando livremente. Foi residente no ateliê dos artistas Marco Túlio Resende e Thaïs Helt, onde experimentou técnicas diversas, da gravura e da litografia à escultura. Seu trabalho já foi exposto em diversas mostras coletivas e integra coleções particulares.

A CAIXA CULTURAL SÃO PAULO

A CAIXA Cultural São Paulo oferece uma programação diversificada, com opções gratuitas, estimulando a inclusão e a cidadania. O espaço está situado em um prédio histórico na Praça da Sé, construído em estilo “Art déco” e inaugurado em 1939. Conta com três galerias, salão nobre, auditório e sala de oficinas. Em 2018, apresentou 40 projetos culturais e educativos tais como espetáculos de dança, teatro, shows, debates, leituras dramáticas, oficinas e palestras. O espaço também abriga o Museu da CAIXA, uma exposição permanente que conta com instalações e inúmeros objetos originais, preservados desde a década de 40, mantendo vivas a história da instituição e de uma época da cidade de São Paulo e do Brasil.

SERVIÇO
Exposição: Pirajá – Renato Morcatii
Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo/SP
Abertura: 27 de agosto às 19h
Período: 28 de agosto até 03 de novembro de 2019
Horário: Terça a Domingo das 9h às 19h
Informações: (11) 3321-4400 | www.caixacultural.com.br
Livre para todos os públicos | Entrada gratuita | Patrocínio CAIXA e Governo Federal
Textos Críticos: Fernanda Lopes, Nuno Ramos e Vicente de Mello
Produção: 4 Art Produções Culturais

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