Home / Arte / Poesia concreta ganha objetos e instalações em mostra inédita no Parque das Ruínas, em Santa Teresa
Francisco Zorzete. A rosa doente. Poema de William Blake; “intradução” de Augusto de Campos, 1975. Maquete de instalação em madeira, PVC e esmalte, 2017. (80 x 76 x 12 cm) Instalação ocupando 120 m² em espaço público, exposta no campus da Cidade Universitária de São Paulo, 1984.

Poesia concreta ganha objetos e instalações em mostra inédita no Parque das Ruínas, em Santa Teresa

de 10 de novembro de 2018 até 13 de janeiro de 2019

Concrescer é uma exposição inspirada na poesia concreta brasileira e apresenta dez obras (objetos e instalações) criadas entre 1983 e 2017, pelos artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani, a partir da leitura e da reinterpretação plástico-espacial de poemas concretistas da primeira fase – na passagem dos 1950 para 1960. A exposição, inédita no Rio de Janeiro, será ambientada no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, a partir do dia 10 de novembro. A exposição mostra que, apesar da revolução digital que derrubou todos os limites entre códigos e linguagens, a experiência poética é sempre sensorial, corporal. A espacialização dos poemas em sua concretude conduz a outras condições de experimentação da poesia, preservando muitos de seus atributos semânticos e gráficos, mas propondo novas formas de percepção e leituras.

Publicidade: Banner Luiz Carlos de Andrade Lima

No Centro Cultural Parque das Ruinas serão expostas as obras: Concretus (poema de Pedro Xisto), Cheio/Vazio (poema de Pedro Xisto), Velocidade (poema de Ronaldo Azeredo), Infinito (poema de Pedro Xisto), LIFE (poema de Décio Pignatari), Gravidade Zero (poema de Pedro Xisto), Forma (poema de José Lino Grünewald) e Bola Azul (poema de Pedro Xisto), a Rosa Doente (poema de Willian Blake, traduzido por Augusto de Campos) e Ocupe se Vire (poema de Torquato Neto). Esta última é uma obra adesivo inspirada no poema “pílulas do tipo deixa o pau rolar” de Torquato Neto, que no dia da abertura da exposição marca 46 anos morte. O público poderá levar a obra para casa. “Esta homenagem ao Torquato não é para lembrar a morte do grande poeta, mas para agradecer a poesia e a vida que ele nos deixou”, dizem os artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani.

A pesquisa que originou as obras desta mostra recebeu o nome de Transcodificações, cujo título surgiu da ideia de tradução para códigos diferentes – no caso, do verbal gráfico (a palavra escrita e toda a superestrutura sintática e léxica) para o puramente visual (cores e formas sem relação mimética com o pressuposto semântico). “Desde o início, contamos com a colaboração e a orientação valiosíssima de Augusto de Campos e Júlio Plaza, além de muitas outras grandes personalidades da poesia concreta, como Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo Azeredo e Pedro Xisto”, explicam os artistas Jorge Bassani e Francisco Zorzete. “Todos generosamente nos receberam e se dispuseram a longos debates sobre a intrínseca relação de suas obras poéticas com a visualidade da folha impressa.”

Os anos 1980 foram uma espécie de “ponto de ruptura” do eletromecânico para o digital. Ou seja, Bassani e Zorzete iniciaram sua produção experimental no vórtice da mais profunda revolução nos meios de produção, de reprodução e de operacionalização das linguagens. “A poesia concreta não apenas atravessou todo esse vendaval com um status inabalado de experiência profunda, como foi alçada a patamares mais elevados em suas perspectivas visionárias da operação poesia + vida urbana + tecnologia da informação + cultura pop + explosão midiática dos signos”, ressaltam. Os artistas acreditam que, no mundo de hoje, esta pesquisa contribui para esse debate, mas não se restringe aos poemas. A releitura propõe, também, novos olhares sobre a enorme importância de artistas como Julio Plaza, no sentido de expandir e explodir os limites semânticos e formais do signo. “Mais do que uma referência fundamental para nossa pesquisa, foi do contato com conceitos de tradução intersemiótica, especialmente a partir de Roman Jakobson, que ela de fato tomou corpo”, contam.

Concrescer que tem a produção executiva de Mariana Várzea, da Inspirações Ilimitadas Projetos Culturais, foi realizada em São Paulo, no Centro Cultural Casa das Rosas, em novembro de 2017, com grande sucesso de público.

Os artistas: Jorge Bassani e Francisco Zorzete iniciaram suas carreiras nos anos 1970, com o grupo Manga Rosa, atuando especialmente com intervenções artísticas na cidade. Com o grupo realizaram ações na cidade como Sinalização (de) Formativa (1979) Projeto Ao-ar-livre (1980) e Homenagem a Flavio de Carvalho (1982). Com o término das atividades do grupo, em 1983, realizaram durante quatro anos um extenso trabalho investigando diálogos entre o espaço tridimensional e a poesia concreta. Entre as exibições de produtos desse trabalho, destacam-se as instalações em espaços públicos A Rosa Doente (1984) e Concretus (1985). Bassani e Zorzete participaram de exposições em dupla e também de coletivas, como Imagicidade (CCSP, 1986), Panorama da Arte Atual Brasileira (MAM-SP, 1985) e Transcriar (MAC-SP, 1986). Em 2013, publicaram o São Paulo: Cidade e Arquitetura – Um Guia, com a seleção de 284 obras arquitetônicas mapeadas no contexto da infraestrutura urbana de cada época, nos diversos períodos históricos de São Paulo.

Jorge Bassani é graduado, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo e professor no Departamento de História da FAU-USP, onde coordena o Grupo de Estudos Mapografias Urbanas. Integra como co-coordenador o grupo de pesquisa internacional ARTSBANK sediado no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, dedicado ao estudo das transformações nas bordas metropolitanas a partir de suas produções culturais. Nos últimos anos vem desenvolvendo a pesquisa “Das intervenções artísticas às ações políticas urbanas”. Autor de As Linguagens Artísticas e a Cidade (2003) e organizador de PDP – Mapografias Urbanas (2012). Depois do Manga Rosa e do projeto Transcodificações, realizou outros trabalhos de intervenções urbanas, como As cores do MAC (Parque Ibirapuera, SP, 1992), Caminho (os “arcos da Av. Paulista”, com Dr. Arnaldo, 1993) e Tramas Urbanas (SESC Paulista, 1994).

Francisco Zorzete trabalhou na Divisão de Preservação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) de São Paulo, tendo depois assumido a Chefia da Seção do Laboratório de Restauro, dedicada às obras de escultura dos logradouros públicos da cidade. Em 1997, estruturou a Companhia de Restauro, empresa especializada na restauração e conservação de bens de interesse histórico, e responsável pelo restauro de importantes imóveis, entre eles o Edifício Central dos Correios, Edifício Altino Arantes (Banespão), Edifício Itália, Palácio dos Campos Elíseos, além de obras de arte, como os Chafarizes e Monumento do Parque da Independência, Esculturas da Praça Ramos de Azevedo, Monumento às Bandeiras, Esculturas da Praça da Sé e Jardim das Esculturas do MAM. Foi também um dos idealizadores da Escola Paulista de Restauro e do MuBE Virtual.

Exposição Concrescer – Rio de Janeiro/RJ Parque das Ruínas:
abertura: sábado, 10 de novembro, de 14h às 17h.
Exposição: de 10 de novembro de 2018 a 13 de janeiro de 2019
Rua Murtinho Nobre, 169 Telefone: (21) 2215-0621
Telefone: (21) 2215-0621
Entrada gratuita

Comentários

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios estão marcados *

*