“Pra cá ou pra lá?” O encantamento e os aprendizados de contar histórias

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Sarau na Casa de Cultura da Vila Guilherme, em 10 de dezembro, reúne jovens
para contar histórias-dilema após quatro meses de formação

No dia 10 de dezembro, 30 adolescentes entrarão em cena para mostrar coisas que prepararam com afinco ao longo de quatro meses. Após curso de narração de histórias com os atores Cristiana Ceschi e Paulo Federal, as meninas e meninos farão um sarau de contar histórias, tanto as tradicionais como as recém-criadas ao longo das aulas. O que as histórias têm em comum? Não tratam de um único tema nem são todas sobre os mesmos personagens: são histórias-dilema, que se desenrolam até chegar a um impasse, uma situação difícil de resolver, que tem várias soluções possíveis, todas elas implicando perdas e ganhos.

O espetáculo foi todo elaborado pelos jovens e educadores, desde o roteiro de histórias que serão contadas até os objetos de cena e os elementos de figurino, cenário e iluminação. O evento é o resultado mais visível do projeto “Pra Cá ou Pra Lá? – Escolhas e encontros”, produzido pela Aymberê Produções Culturais com o patrocínio da Cometa, por meio do ProAC ICMS, programa de fomento à cultura do Governo do Estado de São Paulo. Os participantes são pré-adolescentes e adolescentes de 11 a 16 anos que estudam nas escolas EMEF General Paulo Carneiro Thomaz Alves, EMEF Cel Ary Gomes e EMEF Célia Regina, situadas no Parque Vila Maria, Zona Norte de São Paulo.

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“As histórias tradicionais trazem situações e personagens arquetípicos, que falam de todos nós”, explica Cristiana Ceschi. “Quando a gente escolheu trabalhar as histórias-dilema, a ideia era propor situações em que não existe um único caminho certo e que, para decidir como a história vai seguir, a gente tem que questionar os nossos valores. Esse tipo de história faz muito sentido, porque está muito presente na vida dessas meninas e desses meninos”, completa. Por exemplo: uma mulher, sua mãe e seu companheiro, todos os três cegos, caminham juntos por uma estrada quando, magicamente, encontram olhos que lhes permitem ver; porém, não há olhos para todos, então é preciso decidir: quem vai ficar com os olhos? Vários são os critérios que podem ser mobilizados, e em nenhum caso haverá 100% de benefício para todos, mas não há como não tomar a decisão.

Ao longo do curso, os jovens trabalharam corpo, voz, gesto e expressão. Porém, mais do que tudo isso, o principal recurso que eles tiveram que desenvolver foi a disponibilidade para ouvir – e não julgar – os outros. “Uma das principais coisas que a gente tem trabalhado é o silêncio, a capacidade de ouvir os outros, de acolher as histórias que são de outra pessoa”, avalia Paulo Federal. Num mundo em que somos provocados (e quase obrigados) a opinar o tempo todo sobre tudo, a dar like na hora e a fazer o comentário “certo” imediatamente (e se não for o “certo” somos massacrados por uma enxurrada de julgamentos) é muito difícil buscar respostas menos automáticas e de sentido mais autoral de cada um. “Mais do que técnicas, a gente trabalhou a capacidade de não julgar os outros e a si mesmos, para que cada um possa estar inteiramente presente e aceitar cada um como é”, completou Paulo.

Um projeto artístico-educativo continuado

“Pra Cá ou Pra Lá” faz parte de uma ação artística e educativa continuada desenvolvida pelo Instituto JCA – ligado ao grupo econômico do qual faz parte a Cometa – em parceria com a Aymberê. O programa envolve projetos especialmente elaborados para o Parque Vila Maria, bairro onde a empresa está situada há mais de 65 anos e que ajudou a construir, além do apoio a outros projetos artístico culturais.

Em 2016, aconteceu o projeto “Caminhos da Arte”, uma exposição do fotógrafo Daniel Kfouri que aconteceu dentro da escola General Paulo Carneiro Thomaz Alves, que envolveu, em paralelo, intenso processo de formação em fotografia e apreciação de arte com estudantes e professores da escola. Ao final, foi apresentada uma exposição com as fotografias dos alunos na Casa de Cultura da Vila Guilherme.

Conforme escreveu Tatiana Antunes, presidente do IJCA, uma marca do instituto “é a de buscar trabalhar a partir das vontades e potencialidades que se apresentam no território, e criar projetos que despertem e estimulem novas configurações das relações entre as pessoas, a empresa e os parceiros, visando ao desenvolvimento local em sentido mais amplo e sustentável”. Essa diretriz se funda no entendimento de que “a arte não deveria ter um lugar restrito de circulação” e que o Parque Vila Maria pode ser visto, também, como um centro produtor de sua cultura e sua arte, além de consumidor de outras culturas e artes.

*O Sarau contará com tradução para libras.

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SOBRE OS PARTICIPANTES

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Cristiana Ceschi

Atriz formada pelo Bayside College – Australia, arte-educadora, mestra em ensino e aprendizagem de arte pela ECA – USP, cientista social (FFLCH-USP) e narradora de histórias. Trabalhou com o coletivo britânico – alemão Gob Squad nas performances multimídia Super Night Shot, Now Fly e Revolution Now!

Na Associação Arte Despertar, desenvolve trabalho de narração de histórias em dois hospitais especializados em Câncer – ICESP e GRAAC – e elaborou um curso de narração de histórias para os profissionais da saúde inserido no programa de humanização hospitalar. Em 2013 estreou como diretora na peça infantil “Até as princesas soltam Pum” inspirada na obra de Ilan Brenman, da cia Toc Toc Posso entrar?. Atualmente integra o Coletivo As Rutes; trabalha com o grupo Pé de Maravilha e faz parte da equipe de organização do Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias.

Paulo Federal

Ator, palhaço e arte educador, atua nas áreas desde 1986. É professor formado em magistério, sempre lecionou em escola e centros de cultura paralelamente a seu trabalho de ator. Em 1991 integra a trinca Os Charles & Cia dando início a sua pesquisa na linguagem do palhaço. Criador da Cia Megamini e do espetáculo Jogando no Quintal. Utiliza se da narrativa tanto em sala de aula como no palco. Fundador dos grupos Bicicletas Voadoras e Forças Amadas e é curador artístico na CASA360graus.

SOBRE A AYMBERE PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

Graduada em Relações Públicas pela USP SP, com pós-graduação em Administração para o Terceiro Setor e Gestão Cultural, Patricia Souza Ceschi trabalha com produção cultural há mais de 15 anos. Em 2010, juntamente com o artista plástico Breno Menezes, fundou a Aymberê Produções Artísticas Ltda, aonde vem se dedicando à produção e criação de trabalhos artísticos nacionais e internacionais em diversas linguagens. Mais informações em www.aymbere.com.br ou pelo facebook.

O projeto “Pra Cá ou Pra Lá? – Escolhas e Encontros” tem a realização de:
Patrocínio: Viação Cometa
Concepção e Produção: Aymberê Produções Artísticas
Direção de Produção: Patricia Souza Ceschi
Produção executiva: Ivan Medeiros Masocatto
Incentivo Fiscal: Proac ICMS
Apoio: Instituto JCA e Cometa Social
Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura

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