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Programação do ANEXO exibe o que não foi visto

Aprimoradas e retrabalhadas na quarentena, obras ganham luz na virada de um ano repleto de peculiaridades

Anexo LONA, com coordenação artística de Duílio Ferronato, reabre sua agenda expositiva de 2020 com a coletiva “Quase Fim” -virtual e presencial com agendamento prévio – e trabalhos de sete artistas convidados: Clara de Cápua, Daniel Mello, Gabriel Pessoto, Gabriel Torggler, Higo Joseph, Irene Guerriero e Maria Luiza Mazzetto.

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“Este foi um ano que parecia não ter fim: projetos cancelados, meses intermináveis, notícias desencontradas e de quebra duas eleições conturbadas: uma local e outra internacional. Agora, com Quase Fim, o Anexo LONA se propõe a dar fim a 2020 com uma mostra dos trabalhos que perderam oportunidade de serem vistos. Os artistas convidados têm em comum além da persistência do trabalho no ateliê, projetos adiados e cancelados”, explica Duilio Ferronato. Desenhos, pinturas, vídeos e esculturas em exposição, exibem um recorte desse período criativo em confinamento.

Clara de Cápua reflete sobre as lembranças que vão se esvaindo e acabam por deixar um buraco na memória enquanto Daniel Mello desenvolve uma pesquisa através do gestual, onde o movimento das mãos e braços faz com que o suporte revele cores e formas intensas. Irene Guerriero mantem seu olhar nas transformações da natureza, mas desta vez também com uma atenção a mais nos espaços vazios; Higo Joseph, que também trabalha com grandes regiões abertas, mantém espaços no papel a serem preenchidos. Gabriel Pessoto desenha, dobra e costura papeis numa tentativa de revelar discussões do lugar do gênero humano e Gabriel Torggler esculpe pequenas peças e as coloca numa paisagem azul, como um grande mar. Maria Luiza Mazzetto, inspirada em organismos vivos, vai preenchendo o papel de forma a princípio intuitiva mas com elaboração bioquímica criando um efeito visual que transforma o visitante em um ser hipnotizado.

A proposta de Quase Fim é a de arrematar 2020 com cores, formas e bom humor!

“Atualizamos nossas questões de virada. Vamos deixar 2020 para ser contado como um ano dolorido e difícil, mas que ao mesmo tempo nos proporcionou tempo para reorganizar questões que o cotidiano vai postergando”, conclui Duilio Ferronato.

Um pouco da história do isolamento de cada um:

Clara de Cápua — Esta obra integra um projeto desenvolvido após o falecimento de seu pai, em agosto de 2019. Em uma série de trabalhos, busca-se refletir sobre os limites entre presença e ausência. Sobre uma seleção de arquivo fotográfico pessoal – fotos tiradas pela mãe da artista entre os anos 1970 e 1980, em GO e MT – pequenas interferências são realizadas. A figura do pai é recortada em cada uma das cenas.

Daniel Mello — Série de paisagens abstratas onde explora a ilusão de profundidade em uma superfície bidimensional. A pintura acontece em camadas de tinta sobrepostas e sua narrativa é construída através de processo de criação e transgressão dos planos geométricos. Combinação de diferentes formas, elementos gráficos e materiais.

Higo Joseph — As esculturas buscam inspiração em monumentos megalíticos, como menires e dolmens, erguidos por diferentes culturas e períodos, desde o paleolítico até o século 19. Já meus trabalhos de aquarela e pintura buscam reflexões relacionadas aos limites, embates e aproximações, explorando a distribuição das formas no espaço.

Irene Guerriero — Cor e natureza são os principais assuntos de sua poética em pinturas a óleo ou acrílica sobre tela e colagens sobre papel. Viver num país tropical com vistas coloridas e luz intensa tem um impacto significativo no trabalho, além do movimento psicodélico dos anos 1960. Começando por um ponto equidistante de onde seja possível ajustar um foco na natureza externa e interna, concomitantemente, faz recortes que formam paisagens oníricas.

Gabriel Pessoto — Apresenta parte da série “ambiente moderno”, desenvolvida ao longo de 2020, que se desdobra em mídias variadas. A pesquisa discute a imagem enquanto elemento que opera na construção de desejos e idealizações românticos e eróticos e reflete sobre o trânsito que sofrem entre o analógico e o digital. Também discute papéis de gênero e de pontos de encontro entre conceitos talvez conflitantes como arte x artesanato, público x privado e útil x enfeite.

Gabriel Torggler — Propõe uma tentativa de evidenciar alguns personagens contidos nos desenhos que passam muitas vezes despercebidos, devido ao acúmulo de informações no papel, e os pequenos objetos que são muitas vezes banalizados pela saturação de oferta. Utilizo o latão e o inox com o intuito de emular metais valiosos como a prata e ouro criando assim um jogo de valores.

Maria Luiza Mazzetto — Constrói mundos orgânicos. Desenhando sobre papel, cria grandes paisagens ou fragmentos de paisagem que poderiam dizer sobre o fundo de mares ou o interior de um organismo vivo, incluindo a proliferação de sociedades fantásticas. Partindo dos desenhos, agora experimenta a colagem, a animação e o biscuit. Para a artista, os organismos vivos, tanto animais, quanto vegetais ou microorganismos são visualmente semelhantes em suas estruturas internas e externas, evidenciando uma proximidade do ser humano com seu entorno natural.

SERVIÇO
Exposição: “Quase Fim”
Artista: Clara de Cápua, Daniel Mello, Gabriel Pessoto, Gabriel Torggler, Higo Joseph, Irene Guerriero, Maria Luiza Mazzetto.
Coordenação: Duilio Ferronato
Abertura: 01 de dezembro de 2020
Período: de 01 de dezembro de 2020 à 30 de janeiro de 2021
Local: Anexo LONA
R. São Bento, 181 – 1º. Andar – Centro, São Paulo
wtsp (11) 99403-0023
Atendimento com horário agendado
Número de obras: 28
Técnicas: desenhos, pinturas, vídeos e esculturas
Preços: sob consulta
Site: www.lonagaleria.com
Instagram: www.instagram.com/lonagaleria
Facebook: www.facebook.com/lonagaleria

LONA GALERIA

A LONA Galeria abre suas portas na Barra Funda em março de 2019 – uma parceria entre o curador Duílio Ferronato e o artista Higo Joseph. Com foco em artistas que estão iniciando a carreira e em ascensão, com potencial artístico e de mercado, a galeria apresenta exposições individuais e coletivas, produzidas através de curadores parceiros. Conta com dois espaços: um sobrado no bairro da Barra Funda (galeria) e espaço no primeiro andar de um edifício histórico no centro de São Paulo (anexo). Tem como missão a inserção de artistas emergentes no circuito e um primeiro contato com o mercado e instituições de arte, como também o incentivo a novos colecionadores

ARTISTAS

Clara de Cápua – seu trabalho se desenvolve entre as artes da cena e visuais. Graduada em Artes Cênicas (2006) e Mestre em Artes (2010) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), estudou a imagem como um suporte para o trabalho e para a reflexão do ator, com o apoio financeiro da FAPESP (Brasil). Em 2020, foi artista convidada pelo Museu da Diversidade Sexual para integrar a exposição virtual Queerentena; bem como pela Lona Galeria a participar na mostra de videoarte Empena na Quarentena. Ainda em 2020, participou no XV SIMULTAN Festival (Timisoara, Romênia), da exposição coletiva de videoarte Corpo Brasileiro, exibida na Hošek Contemporary (Berlim, Alemanha) e na Mala Voadora (Porto, Portugal). Em 2019, foi artista residente no Skammdegi AiR (Ólafsfjörður, Islândia), expondo no Skammdegi Festival; participou da mostra internacional de videoarte Teerã-São Paulo, exibindo na Lona Galeria (São Paulo) e na galeria Platform 3 (Teerã, Irã); e foi artista selecionada para compor a III Mostra Diversa, organizada pelo Museu da Diversidade Sexual (São Paulo, Brasil). Em 2018, colaborou com a exposição coletiva AI5: Ainda não terminou de acabar, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo). Em 2017, integrou a residência artística Brashnar Creative Project (Escópia, Macedônia) e participou da exposição coletiva Our Small Global Neighborhood, no Cultural Center Gjorce Petrov, na Macedônia. Como atriz, atuou no longa-metragem As Boas Maneiras (Brasil, 2017) e foi integrante da MiniCia Teatro, atuando nos espetáculos Acusação a uma atriz, do qual também é co-autora, e Melhor não incomodá-la.

Daniel Mello (1992 – Joaçaba, SC)

Atualmente vive e trabalha em Balneário Camboriú. Entende os atravessamentos da cidade e da ocupação humana como a observação inicial na construção de suas narrativas. Utiliza principalmente a tinta acrílica e óleo sobre tela, papel e madeiras de descarte na produção de seus trabalhos. Sua pesquisa se desenvolve na pintura abstrata explorando as relações e ressonâncias produzidas cores, formas e texturas em um constante processo de construção e desconstrução.

Higo Joseph (1994 – São Benedito, CE)

Vive e trabalha em São Paulo. É artista visual multidisciplinar, formado em Multimídia (2014) Comunicação Visual (2016) pela ETEC- SP e cursando Artes Visuais na Faculdade Paulista de Artes. Artista selecionado da temporada de projetos 2020 do Paço das Artes. 18ª edição do Programa Exposições 2020 | MARP e do 48º Salão de arte contemporânea Luiz Sacilotto. Nos últimos 4 anos vem participando de diversas exposições, com destaque para as individuais; Além do universo fálico (2019) na Lona Galeria e Linhas de cinema (2018) no CineSesc. E das coletivas; IV Bienal do Sertão (2019) II Mostra Diversa (2017) no Museu da Diversidade Sexual, e Solidão (2017), no mesmo Museu. Burgos (2017) na Funarte, SP. Portfólio #3 (2017) na Mais Galeria de Arte, Lixuosidade (2016) no Estúdio Lâmina e 18 na coleta (2015) no Centro Cultural Casa da Luz, também em São Paulo. Participou das residências; Galpão Funarte (2017) Estúdio Lâmina (2016) e Atelier Amarelinho da Luz (2015)

Irene Guerriero (1964)

Vive e trabalha em São Paulo. Graduada em Artes Plásticas pela FAAP- Fundação Armando Álvares Penteado, em 1988. Participou do grupo de acompanhamento de projetos do Hermes Artes Visuais de janeiro a maio de 2020 e é representada pela Lona Galeria de Arte. Em 2020 foi selecionada para participar da 18° edição do programa de exposições do MARP- Museu de Arte de Ribeirão Preto, participou da exposição Penitência, organizada pela Lona Galeria para a SP-Arte, da exposição “Ressetar” no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, da Sección Planta, Hermes Artes Visuais, Ch.ACO, Santiago do Chile e da Exposição online internacional Casulo (Capullo/Coccon), Confluências de Arte. Em 2019 participou da exposição coletiva “Dá Pra Levar” no Anexo Lona. Em 2018 participou da Artbox Projects New York 1.0 e da Coletiva Eixo Contemporâneo na Fabrica Bhering no Rio de Janeiro. Em 2017, participou da exposição “Spanic Heritage”na Pfizer em Nova York, NY- EUA. Em 2016 executou o projeto do painel permanente em edifício tombado (Nigri Plaza) no Rio de Janeiro. Em 2005 participou do Salão de Arte na Casa de Portugal, entre outras exposições coletivas. Seu trabalho faz parte da coleção do Museu da Diversidade Sexual em São Paulo e de diversas coleções particulares no Brasil, Estados Unidos e Europa.

Gabriel Pessoto (1993 – Jundiaí, SP)

Estudou Produção Audiovisual (PUCRS) e iniciou o curso de Artes Visuais (UFRGS). A partir de 2015, passou a exibir trabalhos em exposições coletivas e foi contemplado pelo edital da prefeitura de Porto Alegre para ocupar Galeria Lunara, onde montou a instalação “Glória” em parceria com Filipe Rossato, indicada ao Prêmio Açorianos de Artes Visuais na categoria Destaque em Novas Mídias. Em 2016, apresentou a exposição “Trégua”, primeira experiência individual, e desenvolveu o projeto de residência artística “Variações sôbre contato: vistas” na Casa13, espaço cultural em Córdoba, Argentina. Em 2017, mudou-se para São Paulo, onde frequentou o grupo de acompanhamento de projetos artísticos Hermes Artes Visuais. Em 2018 realizou sua primeira exposição individual em São Paulo, “um pouco por dia já é muito” no centro cultural Casa da Luz. Em 2020, participou do programa de residência “Temos vagas!” do Ateliê397, foi premiado pela ArtConnect Magazine pelo projeto “trocando figurinhas” desenvolvido em parceria com Nicole Kouts e teve um trabalho incorporado no acervo do Museu da Diversidade Sexual. Trabalha também como produtor da mostra de vídeo Festivau de C4nn3$ que já conta com 12 edições, sendo a última totalmente online.

Gabriel Torggler (1990)

Formado no curso de bacharelado em artes plásticas pela FAAP em 2012, utiliza o desenho como principal técnica em sua produção. Participou de exposições como Video Brasil (2013/2014) no Sesc Pompéia e também na ultima edição do prêmio EDP no instituto Tomie Ohtake(2015). Em 2017 fez sua primeira individual ‘‘Máquina Falha’‘ na Galeria TATO. Em 2019 foi selecionado para Temporada de Projetos Paço das Artes 2020 onde realizará uma individual. Vive em São Paulo e trabalha em sua produção artística e como arte educador.

Maria Luiza Mazzetto (1977)

Vive e trabalha em São Paulo. Formou-se em arquitetura pelo Mackenzie , cursou artes dramáticas no Célia Helena, história da Arte com Renata Pedrosa, ilustração com Laura Teixeira, Fernando Vilela e Odilon Moraes, leituras e escrita acerca do seu processo em artes com Nancy Betts, Sandra Lapage e Carlos Pileggi. Participou de grupos de acompanhamento de projetos com Mônica Rubinho, Sydnei Philocreon e no Hermes Artes Visuais, com Nino Cais, Carla Chaim e Marcelo Amorim. Integra, junto com outros 7 artistas, o Vão Espaço Independente de Arte. Participou de alguns salões como o SARP e o Salão de Arte de Jataí- GO, bem como de algumas exposições coletivas. Realizou 3 exposições individuais: Procura, no qualcasa, em parceria com Hermes Artes Visuais, Interstício, na Sala da Praça e Dentro do Corpo, durante a Temporada de Projetos do Paço das Artes em 2019. Seu trabalho parte da observação da natureza viva. Essa natureza observada passa por processos de reinvenção, resultando em imagens-ficção.

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