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Thiago Pethit. Foto: Divulgação.

Thiago Pethit revive mito de Orfeu no Pré-Carnaval

Cantor apresenta seu quarto álbum de estúdio, “Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)”, dias 8 e 9 no Teatro Cacilda Becker

Em seu mais novo trabalho, “Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)”, o cantor e compositor Thiago Pethit transforma São Paulo em cenário para uma tragédia moderna na qual as lutas interiores de seu herói, reencarnado pelo próprio artista, misturam-se e tornam-se uma extensão da cidade. Esse épico moderno é apresentado nos próximos dias 8 e 9 de fevereiro, no Teatro Cacilda Becker. A apresentação conta, ainda, com a participação de integrantes da Escola de Samba Vai-Vai e com a cuiqueira Ariane Molina, criadora do projeto Tambores Femininos de Mbeji.

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O álbum reinventa o mito grego de Orfeu, transportando sua história e ressignificando seus símbolos para a atualidade. “É um mito de amor, é um mito sobre a arte, o fazer artístico”, afirma Pethit. Na mitologia grega, Orfeu era o mais talentoso músico e poeta, extasiando todos os seres que ouviam suas canções. Perturbado pela morte de sua mulher, Eurídice, o poeta leva sua lira para o inferno, onde consegue comover Hades com seu canto de tristeza e alcança a permissão do rei dos mortos para trazer sua esposa de volta para a superfície. No entanto, nessa jornada rumo ao mundo dos vivos, o poeta descumpre um acordo e perde sua amada, que retorna ao submundo.

Orfeu chega ao mundo dos vivos amargo, em completa contradição consigo mesmo. É sobre essa volta do inferno que “Mal dos Trópicos” trata. “Como sugere o nome, é um disco de mal-estar, de doenças tropicais, pestes, catarses e curas. É um disco de paixões. Para viver ou perder um grande amor”, conta Thiago. “É o poeta que precisa ‘escolher’ entre a realidade e a poesia, entre a arte mais pura e viva ou a arte consumível e morta.”

O cantor conta também que, para reconstruir esse personagem, teve como referência “Orfeu da Conceição”, peça de Vinicius de Moraes. “Foi inevitável revisitar essas obras e, ao mesmo tempo, querer dialogar com a urbanidade, com São Paulo e com o Brasil que estou vivendo agora.”

A capital paulista teve papel fundamental na conversão de Pethit em Orfeu. “É a minha cidade, onde nasci e cresci, me tornei músico. É onde vivo minhas paixões, minhas histórias”, conta o artista. “Assim como no disco, o beijo no Copan realmente ocorreu. A festa Tenda no L’Amour é aonde vou quando quero sair na noite paulista. Todos os eventos e citações fazem parte do que é ou foi de fato meu cotidiano”. Na obra, São Paulo transforma-se no cenário perfeito para a saga deste Orfeu moderno, lar de bacantes, sacerdotisas de Dionísio que mataram Orfeu por tê-las desprezado e que, no disco, devoram o herói em bares da Consolação.

“Mal dos Trópicos” é, como o nome sugere, um disco de mal-estar. “É um álbum de doenças tropicais, pestes, catarses e curas, mas também um disco de paixões e um disco político”, afirma. “É um trabalho que olha para dentro, de mim e do Brasil, é sobre esses anos e essa sensação coletiva de perda e desamparo.”

O cantor afirma, no entanto, que não se trata de “um disco pessimista”, pelo contrário. “É sobre olhar, encarar o luto e a perda, e, por meio deles, ressignificar, renascer e exorcizar-se”, pontua. Thiago queria “que esse álbum fosse um abraço nos seus ouvintes”, mas não um abraço ingênuo: “um abraço que encara as verdades e, ainda, um abraço.”

Os arranjos e a produção musical do disco ficaram por conta de Diogo Strausz, que mesclou referências antigas, como a ópera, com ritmos como o trip hop, batidas eletrônicas e samba.

Onde: Centro Cultural da Diversidade

| Teatro Décio de Almeida Prado. R. Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi. Zona Oeste.| tel. 3079-3438. 8/2 e 9/2. Sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Gratuito. Livre (retirar ingresso uma hora antes).

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