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A forma desconhecida da Virgem Maria – Exposição no Museu Nikos Kazantzakis, por Rosângela Vig

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Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

É uma grande e bela coisa ver desdobrar-se com esta amplidão um drama em que a arte desenvolve poderosamente a natureza; um drama em que a ação caminha para a conclusão com um andar firme e fácil, sem difusão e sem estrangulamento; um drama enfim em que o poeta preencha plenamente a finalidade múltipla da arte, que é abrir ao espectador um duplo horizonte, iluminar ao mesmo tempo o interior e o exterior dos homens; o exterior pelos discursos e ações; o interior, pelos apartes e monólogos; cruzar, em uma palavra, no mesmo quadro, o drama da vida e o drama da consciência. (HUGO, 2007, p.69, 70)




Talvez somente pela Arte o ser humano consiga trazer a luz interior de que tanto necessita para que se faça um mundo melhor. O olhar se ilumina pela bela obra e tal enlevo sensibiliza seu ser. A Arte promove um despertar de sensações que arrebatam o mais indiferente dos seres e nestes suscita as emoções profundas, trazendo-as à tona. Assim é em todos os campos por onde o espírito criativo atua, seja na arte da Poesia; seja na arte da Pintura.

E a sensibilidade está presente na exposição solo de obras iconográficas da artista Eleni Antonakaki. O encanto de seu trabalho remete às obras da Idade Média, à Arte Bizantina, com pinturas da Virgem Maria. A exposição foi intitulada de Figuras desconhecidas da Virgem Maria. A abertura foi em 8 de agosto e contou com a presença do Arcebispo de Creta, Sr. Evgenios; e permanecerá até 15 de agosto de 2022, no Museu Nikos Kazantzakis, em Heráclito, cidade da Grécia.

Pintora de muitos ícones e murais, de tamanhos e dimensões variados, a artista tem obras em igrejas como a de Agia Varvara; e a Igreja de Agios Dimitrios Kato Nevrokopi; além de exposições em salões de eventos culturais e o Museu da Guerra de Atenas. Pouco antes da festa da Ascenção da Virgem Maria, o Museu Nikos Kazantzakis abriu suas portas para as imagens da Virgem, da artista Eleni.

A representação de figuras religiosas, também chamada de iconografia requer não apenas a atenção que a Arte exige, mas toda a simbologia de cada detalhe; exige paciência, disciplina e conhecimento da História da Arte. Entre os itens da obra religiosa estão os olhos grandes simbolizando a visão que tiveram de grandes espíritos; a cabeça aumentada que indica sabedoria; o nariz alongado e estreito, pela falta de compreensão do mundo terreno.




O rosto dessa grande personagem bíblica é retratado pela artista com o olhar sereno e bondoso, assim como Lucas, o Evangelista o captou pela primeira vez. Seu rosto iluminado tem olhos amendoados, delicado nariz e boca pequena. Adornada por suas vestes internas em tons de azul e verde, sua divindade é acentuada pelas vestes externas em vermelho escuro. Adornado com franjas nas mangas, simbolizando as virtudes, sua veste ainda tem dobras que levam à idéia de pulso espiritual. Os sinais da virgindade são representados por três estrelas douradas nos ombros e na cabeça.  

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Para a artista os seres humanos são transferidos para um mundo ideal pelos olhos da Virgem Maria. Impecavelmente pintadas, as obras de Eleni apresentam com perfeição os efeitos de sombra e de luz e para a artista, é pelos olhos da Virgem que a alma é conduzida ao mundo ideal.

Referências:

  1. FARTHING, Stephen. Tudo Sobre a Arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.
  2. HUGO, Victor. Do Grotesco e do Sublime. São Paulo: Editora Perspectiva, 2007.
  3. SCHILLER, Friedrich. A Educação Estética do Homem. São Paulo: Ed. Iluminuras, 2002.

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