A Vida de Voltaire em Ferney: Escritora Brasileira e Arqueólogo Europeu publicam Livro Inédito sobre o Consagrado Poeta-Filósofo

Juliana Vannucchi, professora de Filosofia e o arqueólogo inglês Flavio Parrinello, lançaram recentemente o livro A vida de Voltaire em Ferney, publicado pela Editora Grou, no qual abordam detalhes a respeito do período em que o mencionado pensador iluminista residiu em Ferney, de 1760 a 1778. 

O livro é resultado de um cuidadoso e extensivo exame histórico da vida e dos escritos de Voltaire, realizado pelos autores que se encontraram em meados de julho de 2024, em Ferney-Voltaire, nas imediações do chatêau, no qual Parrinello trabalhou de 2023 até o final de 2025, sendo posteriormente transferido para o Museu do Louvre.

A produção foi desenvolvida durante um período de quase dois anos, nos quais os autores se dedicaram a uma série de leituras, pesquisas, traduções e trabalho de campo no próprio castelo de Voltaire, onde aprofundaram o conhecimento sobre o pensador e obtiveram importantes imagens de itens pessoais do filósofo, pinturas e esculturas tanto de sua época quanto posteriores a ela e ainda de vários compartimentos do castelo.

Como resultado, elaboraram um conteúdo inédito em língua portuguesa. 

De acordo com Juliana Vannucchi, um dos aspectos mais importantes do livro é mostrar que Voltaire não foi apenas um filósofo: “Antes mesmo de ser filósofo, Voltaire que com as palavras era estilisticamente versátil, foi poeta.

E conforme o Flavio constatou em nossas pesquisas, ele era sobretudo, um homem dos palcos. Voltaire escreveu inúmeras peças, sendo que algumas delas atingiram um sucesso estrondoso, como foi o caso de Oedipe, sua primeira tragédia, que triunfou em Paris, ficando em cartaz durante mais de quarenta noites. 

Ademais, foi ensaísta e historiador. Entendemos que Voltaire merece ser visto a partir dessas múltiplas perspectivas, embora geralmente no Brasil sua imagem seja quase sempre unicamente associada à Filosofia”. 

Historicamente falando, é preciso considerar que, de fato, Voltaire inicialmente foi reconhecido em Paris como poeta e dramaturgo, antes que viesse a se popularizar propriamente como filósofo.

Afinal, seus primeiros grandes sucessos além da peça Oedipe, foram o poema Épître á Uranie, de 1721, em que contesta criticamente o Cristianismo, e o famoso poema épico La Henriade, publicado pela primeira vez em 1723, no qual comenta a vida de Henrique IV da França, enaltecendo-o como símbolo da tolerância religiosa.

Inclusive, segundo o filósofo Denis Diderot (1713-1784), este grandioso poema poderia até mesmo ser comparado à Ilíada e à Odisseia. Ademais, o site Voltaire Foundation nos lembra que aos cinquenta anos, Voltaire já era uma figura consagrada por seus escritos e havia assumido o posto de maior poeta de sua geração.

Receba Notícias de Exposições e Eventos em geral em nosso grupo no Whatsapp!
*Só nós postamos no grupo, então não há spam! Pode vir tranquilo.

Conforme refletiu Vannucchi: “Cabe lembrarmos que no sarcófago de Voltaire foi gravada uma belíssima inscrição que traduz precisamente a importância de seu amplo majestoso legado. E nessa inscrição de sua urna, há um detalhe interessante, ao qual devemos nos ater, que é o fato de que ele é primeiramente lembrado por sua poesia. Está escrito: Poeta. Historiador e filósofo. Ele engrandece o espírito humano. E ensina-o a ser livre. Voltaire chegou a escrever que a poesia era a melodia da alma, ele foi um poeta brilhante”.

No livro, além abordarem Voltaire como poeta e dramaturgo, Juliana e Flavio discorrem, sobretudo, a respeito dos importantes feitos sociais, humanitários e econômicos que o pensador deixou em Ferney, cidade que, em 1878, passou, inclusive, a chamar-se “Ferney-Voltaire” e que o reconheceu como patriarca local.

Ademais, em 1890, nas proximidades do castelo em que Voltaire viveu, foi erguida uma estátua em sua homenagem. Os autores contam que esse vasto apreço local por Voltaire se deu porque o filósofo construiu inúmeras casas em Ferney, deu à cidade uma igreja e também uma fonte.

Além disso, conforme cita Vannucchi: “Na estátua, é dito que Voltaire emprestava dinheiro sem interesse às comunidades e que alimentou os mais necessitados durante períodos de fome”.

O livro também conta que o filósofo era procurado por pessoas que precisavam de conselhos e pelos que eram vítimas de injustiça, sendo todos acolhidos por Voltaire que, inclusive, empreendeu grandiosas campanhas a favor da tolerância e da liberdade de pensamento, ao mesmo tempo em que denunciou diversos abusos cometidos pelo clero.

Para Parrinello e Vannucchi, esse ativismo voltairiano coloca o escritor num patamar que poucos filósofos ocuparam. Afinal, conforme os autores nos mostram no livro, através não somente de seus textos, mas de suas condutas, Voltaire nos ensina que o pensamento é um ato de militância com potencial para mudar a realidade que nos cerca. 

A vida de Voltaire em Ferney estará disponível para compra em julho em diversas plataformas digitais, no formato e-book, além da versão física comercializada pela Amazon e diretamente com a autora.

A Vida de Voltaire em Ferney: Escritora Brasileira e Arqueólogo Europeu publicam Livro Inédito sobre o Consagrado Poeta-Filósofo. Foto: Divulgação.
A Vida de Voltaire em Ferney: Escritora Brasileira e Arqueólogo Europeu publicam Livro Inédito sobre o Consagrado Poeta-Filósofo. Foto: Divulgação.

Deixe um comentário