
William Wordsworth nasceu em 1770 e faleceu em 1850. Ele é considerado um dos maiores expoentes do romantismo inglês e, ao lado de Coleridge (1772-1834), figura entre os precursores desse movimento literário.
Wordsworth cresceu em Cockermouth, junto aos seus quatros irmãos. Teve um pai ausente, mas cujo papel foi decisivo em sua formação literária, pois foi o progenitor quem introduziu a poesia na vida de William que mais tarde, já tendo assumido o posto de poeta, a definiria como sendo “o transbordamento espontâneo de sentimentos poderosos”.
Na infância, dessa forma, por influência do pai, teve contato, por exemplo, com a obra de autores como Milton, Shakespeare e Spenser. Dorothy, irmã com quem William sempre teve imensa afinidade, também foi poeta.
O primeiro soneto composto por este célebre poeta inglês, data de 1787. Desse ano em diante, produziu uma série de outros poemas ilustres dentre os quais muitos estão entre os mais consagrados da língua inglesa.
Um marco importante da vida de Wordsworth é que, ao lado de Coleridge e Robert Southey (1774-1843), ele se tornou conhecido com um “lake poet”, título atribuído a essa tríade que durante um tempo viveu na região de Lake District, que engloba um vasto conjunto de parques do Reino Unido. Essa experiência forneceu inspiração aos três poetas que extraiam da natureza grande parte de sua matéria-prima poética.
No caso de Wordsworth, esse aspecto é bastante prevalecente em suas composições sendo, talvez, a característica mais marcante de sua poesia que, em diversas ocasiões, parece ser o resultado de uma captação da essência de determinados elementos da natureza com os quais William Wordsworth se conectava, e que eram celebrados em sua escrita.
Uma de suas composições mais célebres que elucida esse traço é I wandered lonely as a Cloud, de 1804, inspirada em narcisos que o poeta havia visto. Neste poema, ele descreve em minúcias o avistamento de “narcisos dourados atrás de um lago” e diz que eles “dançam para ele”, indicando afinidade com tais flores e revelando-nos o que há de mais profundo nelas.
Conforme consta no portal Wordsworthy.org: “Ele usou sua poesia para analisar a relação entre a natureza e a vida humana e para explorar a crença de que a natureza pode ter um impacto em nossas vidas emocionais e espirituais”.
Sua poesia, assim, em certa medida, versifica o que há de mais sútil na natureza e oferece isso ao leitor. Wordsworth dialogava com a natureza como nenhum outro poeta jamais fez – ele era capaz de escutar seus sussurros, desvendar alguns de seus segredos, acessar o que nela permanece oculto ou simplesmente expor seus enigmas em sua poesia.
Na natureza também, mesmo o silêncio pode ser revelador. Além disso, é preciso contextualizar que Wordsworth acompanhou as transformações sociais que a Revolução Industrial imprimiu na sociedade inglesa e presenciou alguns danos provocados por esse grandioso movimento exploratório, altamente opressor, urbanizado e que parecia, aos seus olhos, alienar demasiadamente a civilização e afastá-la da natureza através de um novo modo de se estabelecer as relações sociais e econômicas. Essas questões certamente influenciaram a centralidade da natureza em seus poemas.
Ademais, um outro componente relevante em sua obra, são as temáticas sombrias, tal como a morte, o sofrimento, a perda, a mágoa e o abandono, que são apresentados constantemente e com notável maestria em muitos de seus versos – esses temas, vale observar, estavam fortemente presentes na segunda geração romântica.
Por fim, um outro fator bastante significativo de sua trajetória poética é a ênfase dada à linguagem popular, afim de mostrar que sua poesia pertencia às massas e poderia ser consumida por elas. Nesse sentido, certa vez escreveu que “homens que não vestem roupas finas são capazes de sentir profundamente”.
A herança poética de William Wordsworth porta um valor atemporal e merece ser admirada. Esse talentoso poeta inglês deixou mensagens fundamentais para a posteridade, especialmente no que diz respeito à nossa relação espiritual com a natureza.

Referências:
wordsworth.org.uk/wordsworth/the-poetry/
JULIANA VANNUCCHI
Sorocaba – São Paulo
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