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Vista da exposição de Marcelo Silveira. Foto: Vilma Sonaglio.
Vista da exposição de Marcelo Silveira. Foto: Vilma Sonaglio.

Conversa entre Marcelo Silveira, Gabriela Motta e o público é nesta quarta (18) no V744atelier

Expoente das artes plásticas, o artista pernambucano propõe novos diálogos à arte na exposição “C+asa”, em cartaz na Capital gaúcha

Marcelo Silveira realiza trocas com o público no V744atelier, nesta quarta-feira (18), às 16h, em conversa mediada pela crítica e pesquisadora em artes visuais, Gabriela Motta. O artista plástico pernambucano irá falar sobre o seu processo criativo e sobre sua mais recente produção, a exposição C+asa, em cartaz na Capital gaúcha.





C+asa é uma intervenção no V744atelier. Alguns dos trabalhos foram produzidos durante o período da residência, que realizou no espaço. Nesta residência, suas investigações se concentraram em estabelecer aproximações entre a ficção e a realidade; a memória do espaço, das convidadas e a minha, detalha. – O resultado desta ação foi um diálogo continuado, aberto e rico em dúvidas, comenta. Para ele, interessa, principalmente, pensar a ocupação dos espaços institucionais e não institucionais, o espaço privado e o público. Sem esquecer as relações entre obra e expectadores.

C+asa pretende estabelecer uma conversa entre cinco pontos de interesse de Marcelo Silveira. O primeiro ponto é a casa de Vilma Sonaglio, de onde utilizou materiais originários da habitação, que foi construída em 1962, ano do nascimento do artista; o segundo, a casa de Leno – dos desenhos de Heleno (1987), criança que acompanhou, por dois anos, em atividades relacionadas com arte-educação e convivência realizadas no seu atelier, em Gravatá-PE, cidade a 80 quilômetros de Recife; o terceiro são as Roupas de Casa (2002/2003), realizado em Cachoeirinha-PE, com couro de cabra e aço, tendo como referência a ocupação dos sem-terra ao longo das estradas federais e as capas que são usadas para “proteção” dos eletrodomésticos; o quarto ponto é a Casa Inventada, a partir de seu contato com a obra da escritora gaúcha, Lya Luft, e o quinto ponto é O Desenho da Casa, série de trabalhos desenvolvida a partir de materiais oriundos da extinta Casa do Desenho, de Porto Alegre. “Ata” e “Lições Modernas” são dois trabalhos que fazem parte do projeto, ambos foram produzidos com letra tone e Letraset, respectivamente.

Silveira considera o convite para expor no V744atelier um desafio. – Trata-se de caminhar pelo território das incertezas; em continuar uma conversa iniciada com Vilma em 1985, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, em Diamantina, e também reencontrar a cidade e os amigos que gosto e foram fundamentais na minha formação, afirma.

Carga simbólica

Desde os anos 1980, Marcelo Silveira destaca-se pelo constante interesse em explorar as características físicas dos materiais com os quais trabalha, investigando e revelando as possibilidades de manipulação e significação de cada um deles. Desta forma, faz uso de materiais variados – madeira, couro, papel, alumínio, ferro, vidro – frequentemente combinados entre si. Este traço se mantém na nova exposição. – Quase sempre, sou provocado pela carga simbólica dos materiais. Transparência, fragilidade, maleabilidade, coloração, temperatura ou a possibilidade de deixar de existir, sinalizam o momento da aproximação, coleta, seleção e reflexão nos espaços expositivos, aponta.

Assim, é possível depreender que se estabelece, na obra do artista, um jogo entre produção e apropriação. – Entendo produção como sendo reunir e associar uma infinidade de possibilidades; dentre elas a apropriação, ressalta Silveira.

Exemplo disso pode ser constatado na exposição “Madeira de Lei, Madeira sem Lei”, projeto em desenvolvimento, no qual o artista faz uma reflexão sobre o uso racional da madeira; sobre o descarte do material nas áreas urbanas. A madeira, como sempre foi classificada como de lei, perde a lei quando descartada.

Também é relevante na trajetória de Marcelo Silveira sua atuação como arte-educador, fato que se reflete indelevelmente na sua atividade artística. – A minha prática como educador, muitas vezes, confunde-se com a de artista, observa. Ele lembra que, por duas vezes, participou do Festival de Inverno de Porto Alegre, tendo, em sua segunda visita, ministrado uma oficina na Ilha da Pintada. – Pensar os processos de construção do conhecimento, a partir de uma prática artística, interessa-me bastante, constata.

Ele ainda lembra que, em 2004, realizou uma intervenção no Torreão. O trabalho consistiu em construir uma malha de couro de cabra reproduzindo as dimensões do espaço; em seguida foi apresentado na Usina do Gasômetro, em Recife (Mamam), João Pessoa (Centro Cultural São Francisco), Belo Horizonte (Escola Guinard) e São Paulo (Galeria Nara Roesler). A obra foi destruída em um incêndio em março/2021. Em 2005, participou da 5ª Bienal do Mercosul com um trabalho comissionado. “Tudo ou Nada” resultou de uma pesquisa sobre a “estética do armazém”; o trabalho, hoje, integra a coleção do MAC-USP. – As trocas estabelecidas em Porto Alegre foram muito ricas. Foram duas experiências produtivas, enriquecedoras, muitos desdobramentos aconteceram, enfatiza.

Concomitante à sua presença no V744atelier, em Porto Alegre, Silveira está com duas exposições em cartaz. Em Recife, apresenta trabalhos resultantes do descarte da arquitetura urbana, e em New York, uma série de trabalhos que vêm sendo produzidos desde a década de 90, a partir de uma pesquisa com a cajacatinga, uma madeira coletada na zona rural. Ambas as mostras receberam o nome de “Hotel Solidão”, por reunirem um conjunto de colagens, que integraram os diferentes espaços. Estas obras falam da dificuldade de se iniciar um processo criativo, pelo fato de que é preciso convencer o outro de que este é o caminho a ser tomado.

Sobre Marcelo Silveira

Marcelo Luiz Silveira de Melo (Gravatá-PE, 1962) é escultor e, desde os anos 1980, destaca-se pelo contínuo interesse em explorar as características físicas dos materiais com os quais trabalha, investigando e revelando as possibilidades de manipulação e significação de cada um deles. Participou da 1ª Bienal Internacional de Buenos Aires, Argentina (2000); da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (2005); a 4ª Bienal de Valência, Espanha (2007), e da Bienal de São Paulo (2010). Suas obras integram importantes coleções institucionais, como a do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Sobre o V744atelier

Idealizado pela artista visual Vilma Sonaglio, o V744atelier é um local para criar, expor, divulgar e fruir arte contemporânea. Abriga exposições de artistas convidados, mas também aceita propostas de criadores que estejam desenvolvendo sua pesquisa e produção em todas as linguagens na arte contemporânea. Inaugurado em 18 de setembro de 2021, com a exposição “ViCeVeRSa…pode não ser o que é”, de Sonaglio, o atelier já sediou a exposição “Paisagem sem Volta”, de André Venzon e Igor Sperotto (19/12/21 a 25/02/22) e “Beabá”, de Maria Paula Recena e Marcos Sari (12/03/22 a 28/04/22). “C+asa” é a quarta mostra do espaço expositivo.

Acesse e curta os canais de comunicação do V744atelier:

www.instagram.com/v744atelier

www.facebook.com/vilma.sonaglio

www.instagram.com/vilmasonaglio

Acesse e curta a rede social de Marcelo Silveira:

Instagram: @marcelosilveiraarte

SERVIÇO:

Quê: Conversa sobre o processo criativo da exposição “C+asa”, do artista plástico Marcelo Silveira com mediação da crítica e pesquisadora Gabriela Motta.

Quando: Dia 18 de maio de 2022, quarta-feira, às 16h.

Visitação até 22 de julho de 2022, de quartas as sextas, das 14h às 17h. Outros horários serão contemplados com agendamento pelo direct do Instagram V744atelier.

Recomenda-se o uso de máscara e álcool em gel à disposição.

Onde: V744 Atelier | Rua Visconde do Rio Branco, 744, Bairro Floresta, Porto Alegre-RS

Quanto: Entrada franca

Recomendação etária: 12 anos

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