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ESTREIA Peça do francês Pascal Rampert faz curta temporada no Rio de Janeiro

Espetáculo “Encerramento do Amor” chega ao Rio de Janeiro para apresentações em ambiente intimista.

Em circulação nacional, a versão brasiliense da obra Clôture de l’Amour, do premiado dramaturgo francês Pascal Rambert, traz ao Rio de Janeiro uma discussão em dois rounds, que precede o fim de um relacionamento com várias camadas de complexidade. O formato do texto propõe um exercício de escuta e de fala.




Dias 23, 24 e 25 de setembro, no Espaço Tápias, na Barra da Tijuca, com ingressos grátis.

“Quem amamos quando amamos?” é a pergunta detonadora de Encerramento do Amor, dirigido por Diego Bresani, que neste mês de setembro chega ao Rio de Janeiro – desde abril está em circulação nacional, já tendo passado por Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Porto Alegre – para curta temporada no Espaço Tápias, na Barra da Tijuca. A peça do premiado dramaturgo francês Pascal Rambert traz uma conversa composta por dois monólogos que marcam o término de um relacionamento amoroso, “todo relacionamento longo tem suas camadas e complexidades, isso é evocado na nossa obra, mas fugindo aos clichês dos espetáculos que falam de relacionamentos”, ressalta o diretor. O formato do texto propõe um exercício de escuta e de fala.

A montagem que o público carioca vai assistir é a versão brasiliense da obra Clôture de l’Amour, de Pascal Rambert. Encenada pela primeira vez no Festival de Avignon em 2011, a obra recebeu o Grand Prix de Literature Dramatique 2012, assim como o prêmio de melhor autor no Palmarés du Théâtre 2013. Após a temporada francesa, surgiram diversas versões para diferentes culturas e línguas, Japão e Itália, por exemplo.




O desejo de montar uma versão brasiliense da obra veio da atriz Ada Luana, que via na ousadia do texto não somente um dos maiores desafios que enfrentaria como intérprete, mas também a potencialidade das relações humanas. “Tratar o tema de um amor que vive seus últimos suspiros diante do público, através de um duelo de palavras, me pareceu a melhor maneira de colocar em questão a nossa capacidade de escuta, de diálogo, de compreensão e acolhimento do outro”, comenta Ada. Questão essa que achou eloquência perfeita nos tempos que estamos vivendo hoje no atual contexto político-social.

A adaptação do texto para o Brasil trouxe desafios para além da tradução. “É um texto extremamente francês no sentido da palavra, na paixão que eles têm pela palavra, pela retórica. O que nos seduziu no texto foi justamente isso. São muitas páginas de texto sem nenhuma pontuação. Nosso desafio foi esse, pontuar e trabalhar o texto como a grande partitura que ele é. Descobrindo como ir criando cada pontuação durante o espetáculo”, explica Bresani.

A pesquisa do diretor e elenco se debruçou sobre o verbo e a escuta como elementos estruturantes na construção da narrativa e condução da expressividade no palco. O formato contemporâneo proposto pela encenação do texto francês – uma discussão que precede o fim de um relacionamento onde apenas uma pessoa fala ininterruptamente, em dois rounds separados por um breve número de sapateado – remete o espetáculo à uma intensa paisagem sonora. A distância entre os corpos no palco, a limpeza e simplicidade do figurino e da cenografia, e a iluminação fria, reforçam e conduzem o foco da experiência cênica ao trabalho dos atores, ao ato de falar e de ouvir.

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Encerramento do Amor estreou no CCBB Brasília, durante o Festival Internacional de Brasília Cena Contemporânea, edição 2017. No mesmo ano realizou temporada no Teatro Sesc Garagem. Em 2019 participou no FTB – Festival do Teatro Brasileiro, em Recife. Em 2022, o espetáculo retornou em circulação nacional, com apresentações em Belo Horizonte (abril), Salvador (maio, durante o Festival de Teatro Brasileiro), São Paulo (julho), Porto Alegre (agosto) e Rio de Janeiro (setembro). As temporadas em BH, SP e RJ receberam apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Distrito Federal.

As apresentações no Espaço Tápias acontecem nos dias 23, 24 e 25 de setembro, sexta e sábado, às 20h, e domingo às 19h, com ingressos gratuitos. A sessão de sexta-feira (23) será com intérprete de Libras.

A PEÇA E SEU AUTOR

Dentro de uma grande sala, uma mulher e um homem se falam. É ele que começa a conversa. Ela escuta, atenta, e lhe responde com um segundo monólogo. Eles evocam sua separação, falam do antes e do agora. Pascal Rambert não traz uma resposta pronta à questão: “Quem amamos quando amamos?”. Ele circula pelas possibilidades. Ele não nega os clichês dos quais se utilizam, pelo menos uma vez, aqueles que se separam, que procuram uma razão para o desamor, que revivem suas memórias, as embelezando antes de destruir tudo com algumas frases assassinas. O rio ininterrupto de palavras, as questões-respostas que se ligam, a respiração contida em uma espécie de maratona entre o medo e a libertação: é aqui, no coração deste momento doloroso, que Pascal Rambert nos coloca. Na brutalidade de um verbo onipresente, no rigor inacreditável de uma escrita fria e mortal se manifesta um combate impiedoso. Ele ataca e Ela deve lutar contra o desaparecimento que ele quer lhe impor. Eles têm armas iguais, mas não as utilizam da mesma maneira. Há o masculino e o feminino. Há dois olhares, dois silêncios, dois discursos para dizer a violência de um amor que morre.

Pascal Rambert foi diretor do Théâtre de Gennevilliers (T2G), o qual transformou em Centro Dramático Nacional de Criação Contemporânea, dedicado ao teatro, dança, ópera, arte contemporânea, cinema e filosofia. Suas criações são apresentadas mundialmente e seus textos já foram traduzidos para diversas línguas. Suas obras são apresentadas nos principais festivais de Montpellier, Avignon, Utrecht, Berlim, Hamburgo, Nova York e Tóquio. Pascal Rambert encenou também várias óperas na França e nos Estados Unidos. Dirigiu curtas-metragens que foram selecionados e premiados em festivais em Pantin, Locarno, Miami e Paris.

SOBRE O DIRETOR

Diego Bresani é fotógrafo e diretor de teatro, graduado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília, em 2006. Iniciou sua carreira de direção como assistente de Antônio Abujamra e Hugo Rodas no espetáculo Os Demônios que teve temporada no CCBB Brasília e Rio de Janeiro. Dirigiu diversos espetáculos, entre eles A História do Jardim Zoológico, classificada pela Revista Veja São Paulo entre as 10 melhores peças de 2006. No mesmo ano foi indicado ao Prêmio Sesc de Teatro Candango, nas categoria Melhor Direção. Dirigiu A Trilogia Sobre a Violência, da Cia. Setor de Áreas Isoladas, composta pelos espetáculos Vialenta, Terapia de Risco e Qualquer Coisa eu Como um Ovo. Todas indicadas na categorias de Melhor Direção e Melhor Espetáculo, em premiações do SESC, nos anos 2010, 2012 e 2013. Com as peças viajou para diversos festivais no Brasil, entre eles o Janeiro de Grandes Espetáculos em Recife. Diego também trabalha com fotografia e iluminação teatral profissionalmente desde 2001. Atualmente trabalha entre Brasília e Paris.

FICHA TÉCNICA

Direção: Diego Bresani
Texto: Pascal Rambert
Tradução: Marcus Vinícius Borja
Produção: Taís Felippe
Elenco: Ada Luana, João Campos e Taís Felippe
Iluminação: Diego Bresani
Fotografia: Henri dos Anjos
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Realização, Cenografia e Figurinos: Companhia Setor de Áreas Isoladas

SERVIÇO

Local: Espaço Tápias

Endereço: Av. Armando Lombardi, 175, 2° andar, Barra da Tijuca. Entrada pela Rua Pedro Bolato.

O estacionamento rotativo ao lado do prédio oferece desconto para frequentadores do Espaço Tápias.

Informações: 21 97279-9684

Temporada: 23 a 25 de setembro de 2022; em únicas apresentações.

Horário: Sexta-feira e sábado, às 20h, e domingo às 19h.

A sessão de sexta-feira (23) será com intérprete de Libras.

Ingressos gratuitos, com retirada 1 horas antes.

Capacidade de público: 80 pessoas

Duração do espetáculo: 100 minutos

Classificação etária: 16 anos

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