“Meretrizes” é sobre respeitar a escolha das mulheres

Peça do coletivo Projeto Gompa, de Porto Alegre, leva à cena relatos de profissionais do sexo

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Meretriz, a nova produção que o Projeto Gompa apresenta no 32.º Festival de Curitiba nasceu da vontade de conhecer o universo da prostituição no Brasil e leva à cena relatos de profissionais do sexo, tendo como ponto de partida a prostituição feminina no Rio Grande do Sul.

Investindo no pouco explorado formato de teatro documental, Meretrizes tem trilha original em piano, ao vivo para acompanhar as histórias reais de profissionais do sexo. Em cena, três profissionais do sexo, uma convidada de Curitiba.

“Porque é tão difícil para nós, sociedade, aceitar escolha a profissional da mulher? A pergunta vale para muitas outras profissões também”, questiona Camila Bauer, a diretora.

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Com duas apresentações – dias 29 e 30 de março às 20h30, no Teatro Paiol – a companhia de Porto Alegre retorna ao Festival em 2024, na Mostra Lucia Camargo.

Por quase um ano, a atriz Liane Venturella e Camila conversaram com dezenas de profissionais do sexo para construir o roteiro e a dramaturgia da peça. Parte dos depoimentos colhidos serão projetados em áudio ou vídeo durante as apresentações. Os relatos abordam diferentes fases de uma das primeiras profissões do mundo.

“Há um preconceito muito grande, uma dificuldade de aceitar que existem, sim, muitas mulheres trabalhando com essa profissão no Brasil e no mundo. E é preciso entender que em alguns casos foi falta de opção, mas em outros foi escolha”, observa.

“Tem meninas que gostam e querem e meninas que não tiveram outras oportunidades. Nem sempre é uma vontade, mas às vezes é – e isso precisa ser respeitado”, completa.

O caráter performático busca fazer o espectador perceber como estamos próximos dessas realidades, cotidianamente silenciadas. Ao contrário do que muitos pensam várias dessas mulheres não vivem à margem da sociedade. São casadas, exercem o seu trabalho em horário comercial e buscam os filhos nas escolas.

E, um detalhe importante, ressalta a diretora: a peça foi construída com elas, não foi um trabalho isolado. “Tudo que tá lá foi dito por elas, em entrevistas por zoom, inclusive, pois falamos com pessoas de outros lugares do Brasil”, explica contando sobre a presença de Paula Assunção e Soila Mar nos ensaios, apontando “o que era drama, o que era real ou estereotipado”.

Paula e Soila, que estarão em Curitiba, representam gerações diferentes. Soila, tem 40 anos de trabalho nas ruas de Porto Alegre; Paula é uma jovem que atua em ambiente virtual antes de definir se o encontro irá para o presencial.

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“O trabalho aproxima a ideia de arte e comunidade e traz para debate um assunto pouco falado em nossa sociedade, que é o direito que a mulher tem sobre o seu corpo e suas escolhas a partir do ponto de vista de uma das profissões mais antigas da humanidade e, ainda hoje, pouco respeitada”, observa a diretora.

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“Queremos, por meio de uma obra artística que transita entre o teatro documental, a música ao vivo e a presença de profissionais do sexo em cena, sensibilizar o espectador nesta busca pelo respeito às escolhas de todas as mulheres”, completa.

A Mostra Lucia Camargo é apresentada por Banco do Brasil, Sanepar e Tradener Comercialização de Energia, com patrocínio de EBANX, Banco CNH Industrial e New Holland, ClearCorrect, Copel – Pura Energia, Brose, UNINTER e GRASP.

Ficha Técnica

Direção: Camila Bauer. Elenco: Liane Venturella. Trilha sonora original e piano ao vivo: Catarina Domenici. Participação especial em Curitiba: Paula Assunção e Soila Mar. Dramaturgia: Camila Bauer e Liane Venturella, a partir dos relatos de diferentes profissionais do sexo. Pesquisa em História Oral/ Entrevistas: Juliana Wolkmer. Iluminação e videografia: Isabel Ramil. Figurino: Liane Venturella. Consultoria: Paula Assunção, Monique Prada e Soila Mar, Arte gráfica: Mitty Mendonça. Assessoria de imprensa: Léo Sant’Anna. Fotografia: Laura Testa Realização e produção geral: Projeto Gompa. Apoio: NEP (Núcleo de Estudos sobre a Prostituição) e Fatal Model. Duração: 70 minutos. Classificação indicativa: 18 anos (sem cenas de nudez)

Serviço:

“Meretrizes”
Dias: 3 e 4/4 às 20h30.
Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/n)

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no ParkShoppingBarigüi – piso térreo – (Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Ecoville), de segunda a sábado, das 10h às 21h, e, domingos e feriados, das 12h às 20h.

Confira também descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clientes Banco do Brasil, clubes de desconto e associações.

Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.

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1 comentário em ““Meretrizes” é sobre respeitar a escolha das mulheres”

  1. Meretrizes.,
    Ora “São” ora “Estão” meretrizes…
    Imagine que no tempo da Roma antiga uma meretrix (latim), era uma prostituta registrada…
    Já, as que não eram registradas caiam na categoria geral de prostíbulas e/ou prostibulae no latim.
    Aos dias de hoje; as colunas que sustentam nossa sociedade nos parece realmente tão fortes, dignas, virtuosas e respeitadas diante das coisas do mundo?…

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