Home / Arte / Exposição “Concrescer”, inspirada na poesia concreta brasileira é prorrogada até o dia 27 de janeiro
Francisco Zorzete. A rosa doente. Poema de William Blake; “intradução” de Augusto de Campos, 1975. Maquete de instalação em madeira, PVC e esmalte, 2017. (80 x 76 x 12 cm) Instalação ocupando 120 m² em espaço público, exposta no campus da Cidade Universitária de São Paulo, 1984.

Exposição “Concrescer”, inspirada na poesia concreta brasileira é prorrogada até o dia 27 de janeiro

No sábado, 19, acontece o “Encontro Concrescer – Arte, Poesia, Cidade e Política em debate” com os artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani, a museóloga Mariana Várzea e o poeta Jorge Salomão. A mediação é do jornalista do Jornal O Globo, Nelson Gobbi. A proposta é refletir sobre o diálogo entre as artes visuais e a poesia, como formas de re-imaginar a cidade, ocupar criativamente os espaços e fortalecer a resistência política em tempos de intolerância. Acontece às 15h30, na galeria do Centro Cultural Parque das Ruinas, em Santa Teresa.

“Encontro Concrescer – Arte, Poesia, Cidade e Política em debate” – sábado, dia 19, às 15h30.
Entrada gratuita

A exposição “Concrescer” foi prorrogada até o dia 27 de janeiro devido ao sucesso de público. Para fomentar a reflexão sobre os temas arte, poesia e cidade, a pluralidade dessas áreas de expressão em nossa cultura tendo como premissa a resistência e as intolerâncias, acontece no sábado, dia 19, o “Encontro Concrescer – Arte, Poesia, Cidade e Política em debate” com a participação dos artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani, da museóloga Mariana Várzea e do poeta Jorge Salomão, sob a mediação do jornalista de artes visuais do Jornal O Globo, Nelson Gobbi, às 15h30, na galeria do Centro Cultural Parque das Ruinas, em Santa Teresa. Os debatedores conversam com o público sobre a interseção entre a arte, poesia, cidade, identidade, resistência e intolerâncias, além de outras questões que reforçam a força política das artes contemporâneas.

A mostra Concrescer é inspirada na poesia concreta brasileira e apresenta dez obras (objetos e instalações) criadas entre 1983 e 2017, pelos artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani, a partir da leitura e da reinterpretação plástico-espacial de poemas concretistas da primeira fase – na passagem dos 1950 para 1960.

A exposição mostra que, apesar da revolução digital que derrubou todos os limites entre códigos e linguagens, a experiência poética é sempre sensorial, corporal. A espacialização dos poemas em sua concretude conduz a outras condições de experimentação da poesia, preservando muitos de seus atributos semânticos e gráficos, mas propondo novas formas de percepção e leituras.

No Centro Cultural Parque das Ruinas estão expostas as obras: Concretus (poema de Pedro Xisto), Cheio/Vazio (poema de Pedro Xisto), Velocidade (poema de Ronaldo Azeredo), Infinito (poema de Pedro Xisto), LIFE (poema de Décio Pignatari), Gravidade Zero (poema de Pedro Xisto), Forma (poema de José Lino Grünewald) e Bola Azul (poema de Pedro Xisto), a Rosa Doente (poema de Willian Blake, traduzido por Augusto de Campos) e Ocupe se Vire, inspirada no poema “pílulas do tipo deixa o pau rolar” de Torquato Neto, que este ano completou 46 anos da morte. Esta última é uma obra adesivo e o público pode levá-la para casa. “Esta homenagem ao Torquato não é para lembrar a morte do grande poeta, mas para agradecer a poesia e a vida que ele nos deixou”, dizem os artistas Francisco Zorzete e Jorge Bassani.

Publicidade: Banner Luiz Carlos de Andrade Lima

A pesquisa que originou as obras desta mostra recebeu o nome de Transcodificações, cujo título surgiu da ideia de tradução para códigos diferentes – no caso, do verbal gráfico (a palavra escrita e toda a superestrutura sintática e léxica) para o puramente visual (cores e formas sem relação mimética com o pressuposto semântico). “Desde o início, contamos com a colaboração e a orientação valiosíssima de Augusto de Campos e Júlio Plaza, além de muitas outras grandes personalidades da poesia concreta, como Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo Azeredo e Pedro Xisto”, explicam os artistas Jorge Bassani e Francisco Zorzete. “Todos generosamente nos receberam e se dispuseram a longos debates sobre a intrínseca relação de suas obras poéticas com a visualidade da folha impressa.”

Os anos 1980 foram uma espécie de “ponto de ruptura” do eletromecânico para o digital. Ou seja, Bassani e Zorzete iniciaram sua produção experimental no vórtice da mais profunda revolução nos meios de produção, de reprodução e de operacionalização das linguagens. “A poesia concreta não apenas atravessou todo esse vendaval com um status inabalado de experiência profunda, como foi alçada a patamares mais elevados em suas perspectivas visionárias da operação poesia + vida urbana + tecnologia da informação + cultura pop + explosão midiática dos signos”, ressaltam. Os artistas acreditam que, no mundo de hoje, esta pesquisa contribui para esse debate, mas não se restringe aos poemas. A releitura propõe, também, novos olhares sobre a enorme importância de artistas como Julio Plaza, no sentido de expandir e explodir os limites semânticos e formais do signo. “Mais do que uma referência fundamental para nossa pesquisa, foi do contato com conceitos de tradução intersemiótica, especialmente a partir de Roman Jakobson, que ela de fato tomou corpo”, contam.

Concrescer que tem a produção executiva de Mariana Várzea, da Inspirações Ilimitadas Projetos Culturais, foi realizada em São Paulo, no Centro Cultural Casa das Rosas, em novembro de 2017, com grande sucesso de público.

Os artistas e debatedores:

Jorge Bassani e Francisco Zorzete iniciaram suas carreiras nos anos 1970, com o grupo Manga Rosa, atuando especialmente com intervenções artísticas na cidade. Com o grupo realizaram ações na cidade como Sinalização (de) Formativa (1979) Projeto Ao-ar-livre (1980) e Homenagem a Flavio de Carvalho (1982). Com o término das atividades do grupo, em 1983, realizaram durante quatro anos um extenso trabalho investigando diálogos entre o espaço tridimensional e a poesia concreta. Entre as exibições de produtos desse trabalho, destacam-se as instalações em espaços públicos A Rosa Doente (1984) e Concretus (1985). Bassani e Zorzete participaram de exposições em dupla e também de coletivas, como Imagicidade (CCSP, 1986), Panorama da Arte Atual Brasileira (MAM-SP, 1985) e Transcriar (MAC-SP, 1986). Em 2013, publicaram o São Paulo: Cidade e Arquitetura – Um Guia, com a seleção de 284 obras arquitetônicas mapeadas no contexto da infraestrutura urbana de cada época, nos diversos períodos históricos de São Paulo.

Jorge Bassani é graduado, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo e professor no Departamento de História da FAU-USP, onde coordena o Grupo de Estudos Mapografias Urbanas. Integra como co-coordenador o grupo de pesquisa internacional ARTSBANK sediado no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, dedicado ao estudo das transformações nas bordas metropolitanas a partir de suas produções culturais. Nos últimos anos vem desenvolvendo a pesquisa “Das intervenções artísticas às ações políticas urbanas”. Autor de As Linguagens Artísticas e a Cidade (2003) e organizador de PDP – Mapografias Urbanas (2012). Depois do Manga Rosa e do projeto Transcodificações, realizou outros trabalhos de intervenções urbanas, como As cores do MAC (Parque Ibirapuera, SP, 1992), Caminho (os “arcos da Av. Paulista”, com Dr. Arnaldo, 1993) e Tramas Urbanas (SESC Paulista, 1994).

Francisco Zorzete trabalhou na Divisão de Preservação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) de São Paulo, tendo depois assumido a Chefia da Seção do Laboratório de Restauro, dedicada às obras de escultura dos logradouros públicos da cidade. Em 1997, estruturou a Companhia de Restauro, empresa especializada na restauração e conservação de bens de interesse histórico, e responsável pelo restauro de importantes imóveis, entre eles o Edifício Central dos Correios, Edifício Altino Arantes (Banespão), Edifício Itália, Palácio dos Campos Elíseos, além de obras de arte, como os Chafarizes e Monumento do Parque da Independência, Esculturas da Praça Ramos de Azevedo, Monumento às Bandeiras, Esculturas da Praça da Sé e Jardim das Esculturas do MAM. Foi também um dos idealizadores da Escola Paulista de Restauro e do MuBE Virtual.

Jorge Salomão

Jorge Dias Salomão é um poeta brasileiro, compositor, diretor de teatro e conhecido agitador cultural, que nasceu em Jequié, Bahia em 3 de novembro de 1946. Estudou Ciências Sociais e Filosofia em Salvador (BA), onde participou de movimentos estudantis. Estudou Teatro com Luiz Carlos Maciel, na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e dirigiu vários espetáculos teatrais e shows entre 1967 e 1968 em Salvador, tais como: “O Macaco da Vizinha”, de Joaquim Manuel de Macedo e “A boa alma de Setchuan”, de Bertold Brecht. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1969, quando participou como colaborador na revista “Navilouca” criada por Waly Salomão e Torquato Neto. Dirigiu o antológico show “Volta pra Curtir” do compositor e cantor brasileiro conhecido como o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, no Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro. Participou de vários espetáculos em São Paulo durante a ditadura militar. Publicou os livros: Mosaical (1996), O olho do tempo (1997), Campo da Amerika (1998), Sonoro (1999), A estrada do pensamento (2006), Conversa de mosquitos (2010), Alguns poemas e alguns (2016). Colabora com textos e produções em vários jornais e revistas brasileiras. Lançou o CD “Cru Tecnológico” (poemas e sons) com apresentações em várias cidades brasileiras. Jorge Salomão é compositor de músicas gravadas pelas cantoras Marina Lima, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Zizi Possi, pelo grupo Barão vermelho, entre outros artistas.

Nelson Gobbi

Jornalista de artes visuais do Jornal O Globo, pós-graduado em Jornalismo Cultural pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); formado em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com habilitação em Jornalismo e Cinema. Foi editor do Caderno B e da Revista Programa, ambos do Jornal do Brasil, entre 2006 e 2010 e repórter do mesmo jornal entre 2002 e 2006, como setorista de cultura.

Mariana Várzea:

Museóloga, mestre em História Social da Cultura e doutoranda em Políticas públicas em Museus. Atua há 20 anos na área da cultura exercendo distintos cargos públicos, privados e em organismos do terceiro setor, sempre convergindo as áreas de Cultura e Sustentabilidade. Atualmente, dirige a Inspirações Ilimitadas Projetos Culturais, dedicada ao planejamento gestão de projetos e conteúdos culturais em museus e centros culturais. É professora da Universidade Cândido Mendes, coordenadora do MBA de Produção Cultural e professoras dos MBAs de Gestão Cultural e Gestão de Museus.

Exposição Concrescer – Rio de Janeiro/RJ
“Encontro Concrescer – Arte, Poesia, Cidade e Política em debate” – Dia 19 de Janeiro, às 15h30 – Entrada gratuita
Centro Cultural Parque das Ruinas Parque das Ruínas:
Exposição: de 10 de novembro de 2018 a 27 de janeiro de 2019
Rua Murtinho Nobre, 169
Telefone: (21) 2215-0621

Comentários

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios estão marcados *

*