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Exposição de gravuras “São Paulo em Movimento”, por Rosângela Vig

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Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Chamam de xilogravura
Esta arte muito pura
Que há milênios já perdura
A gravura na madeira
Arte séria ou brincadeira
Porém nunca falta o amor
Para o xilogravador
Ter a arte verdadeira.
(…)
Na madeira entintada
Uma folha é colocada
E depois logo é prensada
Da maneira que quiser
Com uma prensa ou colher.
Está pronta a gravura
Resultado é a arte pura
Pro desenho que vier.

No nordeste brasileiro
Seguiu um lindo roteiro
E a xilo bem ligeiro
O folheto ilustrou.
Tradução que fixou
O cordel e a gravura
Uma dupla muito pura
Que ao mundo encantou.
(OBEID, 2009, p.19)




A poesia encanta por meio da palavra ilustrando de forma simples, como são produzidas as lindas gravuras dos livros de cordel. A pintura e a poesia caminham então lado a lado, há Poesia na Pintura, há Pintura na Poesia, nos gestos delicados do artista que ricamente calcula o entalhe da matriz que pode ser de madeira, de metal, de pedra ou tecido estêncil.

Organizando seus pensamentos e aflições e os expondo no branco espaço, o artista calcula e centraliza a imagem, distribui a cor e as ideias em tinta forte, ajustando o molde. Essa arte é a Arte da Xilogravura, mas também tem a Linoleogravura, a Gravura, o buril, a Água tinta e a Água Forte, com técnicas de superfícies como a serigrafia e a litografia.

Inspirada em idéias, pensamentos, aflições, impressões e muita Poesia, Rosane Maria Damasceno Viegas produz sua gravura a partir de desenhos que faz na matriz e que são reproduzidos no papel por meio de uma prensa. Mais que apenas imagens, a poesia de sua obra concretiza o pensamento abstrato, a construção de sistemas descritivos e explicativos, a capacidade de alterá-los e de reorganizá-los, isto é possibilitam as pessoas a significarem o mundo e a sociedade.




Rosane traduziu o que é São Paulo por meio de sua dialética na forma de uma comunicação expressiva. A própria artista afirma: “Estava ouvindo a lindíssima música de Elis Regina ‘O Bêbado e a Equilibrista’ e pensei como seria interessante fazer um prédio bêbado. Nessa época estava desenhando uma série com detalhes de prédios de São Paulo e parei para fazer a xilogravura ‘bêbada’. Gostei muito. Pensei então continuar a série sobre São Paulo. Porém com a Estação da Luz, não a quis bêbada, mas sim com toda a velocidade. Com uma curva francesa fui encurvando as linhas, para que representassem a efervescência de São Paulo. A seguinte foi a Casa das Rosas que me remete a uma dama antiga com cintura fina. E esta imagem me inspirou a fazer uma Casa das Rosas com a cintura fina. Em cada gravura eu procurava algo que relacionasse com a construção. O MASP, não sei por quê, eu relacionei à imagem de um touro. Essa gravura parece um touro correndo pela Paulista. O Municipal foi um desafio porque queria representá-lo bailando. Quase desisti, mas ficou incrível. Esta coleção “São Paulo em Movimento” procura mostrar mais que simples prédios de São Paulo, mas sim, uma energia muito além de suas linhas retas, janelas e portas, eles me transmitem vida em ebulição”.



Assim como a cidade que a artista retratou, a cidade em eterna ebulição parece movimentar seus prédios e construções infinitamente pelo horizonte de concreto. A vida então parece pulsar com mais velocidade, feito uma locomotiva em movimento, sem sair dos trilhos do dia a dia afobado. As curvas de arranha-céus e de famosos edifícios pertencem a seus horizontes e ao corre-corre diário de uma cidade que nunca pára. A impressão é a de que o calor do asfalto torna a visão da cidade turva, modificando as linhas retas para linhas curvas. Ou ainda pode se inferir que as construções precisam caminhar com a velocidade das pessoas apressadas que vão e que voltam diariamente.

Sob a curadoria de Rita Caruzzo, as gravuras de Rosane podem ser vistas no Museu Paulo Setúbal, na cidade de Tatuí – SP, na Rua Manoel Guedes, 98, a partir de 26 de novembro de 2022, com vernissage e abertura marcada para o dia 25 de novembro, às 15h.

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Referências:

OBEID, César. Desafios de Cordel. São Paulo: Editora FTD. 2009.

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