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Noa Eshkol, Sunset by the Lake, 1995, wool, cotton, corduroy, silk, polyamide, polyester, 254 x 221 cm with fringe. Courtesy The Noa Eshkol Foundation for Movement Notation, Holon, Israel, and neugerriemschneider, Berlin. © The Noa Eshkol Foundation for Movement Notation, Holon, Israel. Photo: Jens Ziehe, Berlin.
Noa Eshkol, Sunset by the Lake, 1995, wool, cotton, corduroy, silk, polyamide, polyester, 254 x 221 cm with fringe. Courtesy The Noa Eshkol Foundation for Movement Notation, Holon, Israel, and neugerriemschneider, Berlin. © The Noa Eshkol Foundation for Movement Notation, Holon, Israel. Photo: Jens Ziehe, Berlin.

EXPOSIÇÃO DE NOA ESHKOL GANHA ESPAÇOS DA CASA DO POVO

Mostra da artista israelense integra a programação da 34ª Bienal de São Paulo. Centro Cultural do Bom Retiro recebe documentos, obras têxteis (wall carpets) e vídeos

A Casa do Povo recebe a partir de 21 de agosto, sábado, às 10h, a exposição Noa Eshkol: Corpo Coletivo, da coreógrafa, teórica e artista israelense Noa Eshkol. Conhecida pela criação do Eshkol-Wachman Movement Notation [Anotações de Movimento Eshkol-Wachman], incorporou à sua prática, a partir de 1973, a criação de tapeçarias costuradas com aparas e trapos pelos próprios dançarinos de sua companhia. A exposição é uma correalização com a Fundação Bienal de São Paulo, integra a rede da 34ª Bienal e traz ao público uma seleção de tapeçarias e parte do arquivo da artista. As obras de Eshkol também estarão na 34ª Bienal de São Paulo, que poderá ser visitada gratuitamente no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, de 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021.





A produção de Noa Eshkol (1924, Kibbutz Degania Bet, Palestina | 2007, Holon, Israel) é marcada por processos coletivos de trabalho. Se no Pavilhão da Bienal de São Paulo é possível ter acesso ao resultado de diversas experimentações do Eshkol-Wachman Movement Notation [EWMN], na Casa do Povo serão mostrados os bastidores e o processo da pesquisa de Eshkol. Dividida em dois andares da instituição do Bom Retiro, a exposição, que conta com apoio internacional da Artis e Consulado Geral de Israel em São Paulo, procura mostrar não apenas os trabalhos realizados pela artista, mas o ambiente em que foram criados.

A curadora Marilia Loureiro, destaca o caráter coletivo e comunitário do trabalho de Noa Eshkol, que por meio de documentos, obras têxteis (wall carpets) e vídeos, se cruza e se confunde em tantos momentos com a própria história da Casa do Povo. “Um espírito comunal, ligado ao desenvolvimento de pedagogias experimentais e modos de vida mais igualitários conecta os universos da artista e da instituição, que agora se encontram por meio da exposição”, explica ela.

Tapeçarias com mais de 2 metros

A primeira parte da exposição é composta por uma série de documentos do arquivo da Noa Eshkol Foundation, colocados em diálogo com o acervo documental da Casa do Povo. O diálogo entre acervos procura criar uma perspectiva intimista tanto da pesquisa da artista, como da história do Centro Cultural do Bom Retiro, aproximando o visitante desses dois universos cruzados. “Tomamos emprestada a metodologia do arquivo de Noa com a divisão dos documentos em cápsulas temáticas (Educação, Vida em Comum, Anotações de Movimento e Levante do Gueto de Varsóvia) e a replicamos em nosso acervo institucional como forma de tentar criar novas relações visuais e narrativas entre o material exposto”, adianta a curadora.

Já o segundo andar da Casa do Povo recebe oito wall carpets, peças coloridas de tapeçaria em grandes dimensões, e dois vídeos. Se à distância os wall carpets podem parecer obra de uma artista visual individual, o visitante que esteve no primeiro andar da exposição sabe que eles fazem parte do processo coletivo de um grupo coreográfico. Tecidos em muitas mãos, os wall carpets são fruto do trabalho colaborativo do The Chamber Dance Quartet, coletivo de dançarinos fundado em 1954, que acompanharia Noa até o fim da vida. O grupo viveu, trabalhou e viajou junto ao longo de décadas, desenvolvendo uma série de colaborações e processos coletivos, motivados pela convivência do dia a dia e pelas experiências compartilhadas.

É da vivência comunitária que surgem as peças têxteis apresentadas tanto na Bienal, como na Casa do Povo. Por fim, os dois vídeos presentes entre os wall carpets mostram alguns ensaios do The Chamber Dance Quartet e os processos de pesquisa de Noa com crianças em kibutzim, em quase quatro décadas de trabalho. Juntos, os vídeos trazem o movimento dos corpos para o espaço do segundo andar, lembrando ao visitante que o trabalho de Noa Eshkol só se faz com o corpo e a partir dele. Mas não qualquer corpo, e sim em corpo coletivo.

Sobre Noa Eshkol

A artista começou sua carreira profissional na década de 1950 em Holon, cidade vizinha a Tel Aviv, em Israel. Na busca por sistematizar movimentos do corpo, Eshkol e o arquiteto Avraham Wachman criaram o Eshkol-Wachman Movement Notation [EWMN], um conjunto de símbolos e números para representar o movimento físico. Como uma partitura para o corpo, o EWMN criava a possibilidade de documentar e comunicar séries de movimentos sem a necessidade de acompanhamento musical. Com isso, o trabalho de Noa Eshkol transbordou as fronteiras da dança e se abriu para uma ideia mais ampla e experimental de movimento, incluindo estudos em neurociência, zoologia, esportes, linguagem de sinais, entre outros.

Sobre a 34ª Bienal

Com curadoria geral de Jacopo Crivelli Visconti, a 34ª Bienal – Faz escuro mas eu canto, iniciada em fevereiro de 2020, vem se desdobrando no espaço e no tempo com programação tanto física quanto online, e culminará na mostra coletiva que vai ocupar todo o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, a partir de setembro de 2021, simultaneamente à realização de dezenas de exposições individuais em instituições parceiras na cidade de São Paulo. De 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021. Entrada gratuita.

Sobre a Casa do Povo

Centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória. Fundada a partir de uma associação cultural sem fins lucrativos logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, a Casa do Povo foi erguida pelo esforço coletivo de uma parcela da comunidade judaica então chamada de “progressista”, originária da Europa Oriental, politicamente engajada e instalada majoritariamente no bairro do Bom Retiro. O espaço nasceu de um desejo duplo: homenagear os que morreram nos campos de concentração nazistas e criar um espaço que reunisse as mais variadas associações que tinham nascido aqui, na luta internacional contra o fascismo – visando assim dar continuidade à cultura judaica laica e humanista que o nazifascismo tentou silenciar na Europa.

Habitada por uma dezena de grupos, movimentos e coletivos, alguns há décadas e outros mais recentes, a Casa do Povo atua no campo expandido da cultura. Sua programação transdisciplinar, processual e engajada entende a arte como ferramenta crítica dentro de um processo de transformação social.

Serviço:
NOA ESHKOL: CORPO COLETIVO
Abertura dia 21 de agosto, sábado, às 10h, na Casa do Povo [não é necessário convite, mas haverá limitação de acesso ao espaço seguindo os protocolos de segurança].
Visitação até 15 de outubro de 2021, terça-feira a sábado, das 12h às 18h [quintas-feiras com horário estendido até 20h].
Entrada gratuita. Não é necessário agendamento prévio. Devido à pandemia, a sala expositiva possui capacidade máxima de 20 pessoas.
Casa do Povo
Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro – São Paulo
(11) 3227-4015
Instagram – @casadopovo | Facebook – @casadopovoxxi
casadopovo.org.br

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