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Manoel Lima. Foto: Paulo Desana.
Manoel Lima. Foto: Paulo Desana.

Fotógrafo indígena revelação, Paulo Desana, participa de exposição online

Registros inéditos do universo dos pajés e artesãos de etnias do alto do Rio Negro, são apresentados na exposição ‘Desmanche’, em cartaz no site do Centro Cultural Vale Maranhão

Adentrar os mistérios do mundo dos pajés e artesãos indígenas que vivem no Rio Negro será possível através de registros fotográficos inéditos apresentados na exposição virtual ‘Desmanche’. Em cartaz até o dia 31 de agosto no site do Centro Cultural Vale Maranhão, este e outros conteúdos que farão parte da exposição foram escolhidos através do edital Ocupa CCVM 2020/2021.

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O material é fruto do projeto do cinegrafista e fotógrafo indígena Paulo Desana, intitulado ‘Pamürimasa (Os Espíritos da Transformação)’, que explora a mitologia da viagem da Cobra-Canoa da Transformação, ou Pamürimasa, como é chamada pelos indígenas na língua Tukano. A proposta é fomentar temas da cultura indígena como mitologia, tradição, arte, identidade, por meio da fotografia. A produção da obra foi bem desafiadora para Paulo, que sentia necessidade de reinventar os caminhos de seu trabalho artístico. Entendendo que o interesse pela cultura indígena cresce a cada dia, o artista decidiu criar uma forma de apresentar elementos da sua experiência cotidiana de forma supreendente. “Eu sentia que faltava algo mais forte, que pudesse mostrar que nas pinturas corporais e nos artefatos que os índios têm em mãos, como o arco e flecha ou uma cestaria, existe uma ancestralidade que os povos indígenas carregam”, conta Paulo.

Utilizando tinta neon, ele criou registros fotográficos dos rostos e corpos dos pajés, benzedores e artesãos de tribos que vivem no Rio Negro, das etnias Tuyuka, Desana, Tukano, Baré, Wanano, Tariana e Baniwa. O mito da Pamürimasa conta, em resumo, que as habilidades dos indígenas foram herdadas pelos seus antepassados, todos provindos da “Cobra-Canoa da Transformação”. A utilização da tinta neon foi escolhida pelo fato de refletir à luz negra, provocando efeitos luminescentes, representando intencionalmente a simbolização dos espíritos desses antepassados. “Pesquisando, vi que o efeito que a tinta causava resultaria em uma experiência sensorial e artística, onde as pessoas e os grafismos nos rostos e nos artesanatos dos parentes indígenas se tornariam telas de pinturas brilhantes”.

O projeto, além de disseminar a cultura indígena, pretende divulgar o trabalho dos artesãos das etnias do Rio Negro e auxiliar nas vendas, bastante afetadas por conta da pandemia da covid-19. O trabalho conta com a parceria da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representante legal da Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro – Wariró, e das associações indígenas que atuam no fortalecimento da produção de artesanato, como a Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI) e a Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI).

Outros artistas participantes da ‘Desmanche’ são: Camila Soato, Marcos Ferreira, Wilka Sales, Iedoa Oliveira, Júnior Suci, Tales Frey, João Almeida, João Angelini, Marcelo Muniz e Cadós Sanchez.

Sobre Paulo Desana

Paulo Desana atua desde 2010 como Cinegrafista e Fotografo indígena, mas foi no fim de 2019 e 2020 que seus trabalhos começaram a ter destaque e serem vistos como referência no retrato indígena. Em 2020, Paulo participou do Festival Arte como Respiro, do Itaú Cultural, com a série fotográfica ‘E Nós Parente?’; também esteve no Prêmio de Fotografia Indígenas.BR do CCVM, com seu registro ‘Flautas de Cerimônia/Dabukuri’. Esta mesma fotografia, e também a ‘Barqueiro ao pôr do sol’, estiveram no Foto Em Pauta, do Centro Cultural Yves Alves, também em 2020.

Ainda no ano passado, o Global Poverty Project (Global Citizen), uma organização internacional de educação e defesa que trabalha para catalisar o movimento para erradicar a pobreza extrema, selecionou dois registros fotográficos de Paulo para compor um artigo sobre a Amazônia, a região considerada o ‘marco zero para as maiores batalhas do mundo contra a Covid-19’. Como cinegrafista, no fim de 2019, Paulo trabalhou no projeto de registro do patrimônio cultural, social e ambiental do povo Yepá Mahsã – Tukano da terra indígena Balaio.

Serviço
O quê: Exposição coletiva virtual ‘Desmanche’
Quando: Até 31 de agosto 2021
Onde: www.ccv-ma.org.br

Sobre o Centro Cultural Vale Maranhão

O Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) é um espaço cultural mantido pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com o objetivo de contribuir na democratização do acesso à cultura e valorização das mais diversas manifestações e expressões artísticas da região.

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