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"Jacaré" 2021, de Catharina Suleiman. 18x 1,5 cm. Seringa antiga, original de vidro reutilizável e ouro 24 kilates. Foto: Divulgação.
"Jacaré" 2021, de Catharina Suleiman. 18x 1,5 cm. Seringa antiga, original de vidro reutilizável e ouro 24 kilates. Foto: Divulgação.

Galeria Casa Jacarepaguá re-abre a exposição coletiva “Fechado Para Balanço”

Mostra conta com obras inéditas dos artistas Mônica Barbosa, Bea Corradi, Catharina Suleiman, Priscila Barbosa, Leiga, Gen Duarte, Caligrapixo e Fabiano Senk

Há um ano o mundo parou, os comportamentos mudaram e o mercado sentiu o forte impacto da crise mundial gerada pela pandemia do COVID-19. Chegamos em 2021 em seguimos em tempos instáveis e cheios de dúvidas. Antigamente, era comum o comércio fechar nos primeiros dias do novo calendário para colocar organizar as contas, refletir sobre o próximo período e planejá-lo a partir dos desejos para a nova fase que chega. Com base nesse conceito, a Galeria Casa Jacarepaguá re-abre neste sábado, dia 8 de maio, a exposição “Fechado para Balanço”.

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“Fizemos a abertura simbólica online e tivemos ótimos resultados. Mas os colecionadores e admiradores da arte sempre esperam pelo contato visual pessoalmente para analisar cada detalhe das obras. Existe uma expectativa pelas texturas, cheiros e a singularidade de cada quadro”, comenta Zé Brazuna, curador e sócio da galeria.

A curadoria propôs aos artistas o desafio de produzir nos primeiros meses do ano duas obras diametralmente opostas: uma inspirada no pior, e a outra no melhor sentimento do seu “balanço individual” de 2020. A exposição conta com 16 obras de oito artistas, que direcionaram as felicidades e angústias contidas em 2020 para um ciclo criativo em dois extremos. O objetivo foi também “expurgar” o ano passado. Para isso, a galeria convidou não apenas artistas que já integram seu portfólio, mas também três mulheres que estão em destaque no mercado: Priscila Barbosa, Catharina Suleiman e Bea Corradi.

“Não achava possível meramente virar a página de 2020 e fazer uma exposição em 2021. Seria necessário aprender com este ano duro, independente do que nos espera. Por isso o tema do acerto de contas, de refletir sobre os extremos”,comenta José Brazuna, sócio e curador da galeria. “Também acreditamos que era essencial trazer novos talentos, abrindo o leque, e, buscando equilibrar mais a representatividade de sexo, raça, visões de mundo, etc. Dessas ponderações nasceu a exposição, e, me senti muito acolhido pelos artistas, que estão muito felizes com seus resultados”, complementa.

Sobre os artistas

Artista paulista multidisciplinar, Catharina Suleiman, é especializada em fotografia analógica histórica e experimental pela Faculdade Saint Martins em Londres, desenho pelo Senac, artes gráficas pelo Taller de Grafica de Havana, em Cuba, e escrita com imagens na City Lit em Londres. Suas obras trazem a marca da criação camada por camada, e contam histórias sobre a natureza, sonhos, memórias e arquétipos do feminino, com técnicas de xilogravura, aquarela, stencil, colagem, bordado, fotografia, escultura, tipografia, tinturaria natural, entre outras. A artista participa de renomadas coleções, como Coleção latino americana da UNESCO, Coleção permanente do museu de arte contemporânea do Peru. Já atuou em lugares como o Memorial da América Latina (São Paulo – SP), Instituto Tomie Ohtake, MIS, CCSP, EPA, entre outros. Seu trabalho já foi exposto individual e coletivamente em vários países na Europa, América do Sul e América do Norte.

Gen Duarte começou no street art no final dos anos 90 e migrou para as belas artes. O diálogo entre o estúdio e a cidade é recorrente em sua produção. Com uma pesquisa artística baseada no choque entre a geometria e o orgânico, suas imagens são carregadas de padrões, ritmo e dinamismo. Dentro de um colorismo vibrante que aparece em camadas, justaposições e sobreposições, os campos são delimitados pelo encontro das cores. Subjetivamente, é possível criar paralelos e diálogos com os padrões geométricos, pinturas tribais e a arte decorativa de várias culturas, povos e épocas. O artista já expôs suas obras em outros países, como Argentina, Inglaterra e Estados Unidos. Trabalhos recentes: exposição Cartel-011 (2019); arte do show e DVD de Ivete Sangalo 2018/19, individual no SENAC (2018), Arte-BH (2018), Arte do show e DVD do Retorno dos Novos Baianos. (2018).

Mônica Barbosa, nascida no Piauí, morou 13 anos no Ceará, e agora reside em São Paulo. Sua estética é autobiográfica, traz um diálogo entre o feminino, os sentimentos e as inquietações cotidianas. Suas obras refletem a construção do discurso de transgressão com um toque ancestral e orgânico. As linhas tortas, o uso das cores, a desconstrução da técnica e a assimetria fazem parte do seu trabalho. Sua inspiração vem muito a partir da sua busca por respostas às inquietações causadas pelas questões sociais relacionadas à mulher. Mônica já expos na Casa José de Alencar em Fortaleza – CE, foi convidada do Festival Internacional Feminista em Porto – Portugal e já participou de diversas exposições no Ceará, Paraíba e São Paulo.

Leiga parte do conceito apelidado de BUBBLES, com formas orgânicas, palavras soltas e com o uso de pastel, acrílica, spray, outros materiais e suportes inusitados. Além do Brasil, já expôs na França, Alemanha e Estados Unidos.

Priscila Barbosa, artista visual, muralista e ilustradora paulistana, graduada em artes visuais pelas Belas Artes, com extensões pela PUC/SP, apresenta em suas obras a investigação dos corpos de mulheres, com percepções críticas sobre padrões estéticos e comportamentais, enfrentando as relações de poder. Utiliza referências da arte clássica europeia questionando o papel frágil de musa dócil, imposto ao longo da história da arte. Reivindica o reconhecimento das mulheres como seres intelectuais, autoras, artistas e agentes diretas de mudanças culturais, sociais e políticas. Tal questionamento também passa pela valorização de tradições ancestrais, representadas pelos elementos botânicos e anatômicos em registros sensíveis de corpos com potencial poético, afetivo e revolucionário.

Fabiano Senk, novo talento das ruas que começou na cena do grafite em 2007 em São Mateus. Navega no universo do surrealismo e do exagero. Seus personagens, em geral garotos de pele rosa, ou em folha de ouro, com formas exageradas, e disformes, pedalam monociclos, passeiam entre as nuvens, vagam no espaço infinito, passeiam de barco, ou pousam em cenários áridos. O pequeno príncipe encontra a psicodelia, com seus planetas fantásticos, seus meninos, mas também homens e mulheres sofridos e bastante duros. Apesar da origem no street art, é forte a referência no trabalho de Senk do universo do Sertão do Vale do Jequitinhonha, região de origem de sua família. O mix das ruas com a referência rural torna o trabalho do artista bastante particular.

Bea Corradi, graduada em Desenho Industrial, encontrou na pintura sua forma de manifestação artística. Retrata mulheres em suas mais diversas formas e cores, estimulando, por meio dos olhares, o acolhimento e a conexão com emoções e histórias que remetem à experiência do que é ser mulher. Bea busca em si e nas ruas narrativas e sentimentos inspiradores para cada obra e utiliza seu trabalho como ferramenta de questionamento e transformação. Trabalhos de destaque: Exposição individual intitulada “Despertar”, Centro de Cultura Raul Leoni em Petrópolis – RJ (2016); Em 2017 produziu murais em diversos locais da cidade, realizou pinturas dentro das salas de aula de escolas públicas e foi convidada a fazer um mural dentro da Fundação Casa; Residência artística RASA em Caruaru – PE, UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em 2018; Festival Internacional de Arte, “Nosotras Estamos en La Calle”, em Lima – Peru. Primeiro lugar na categoria Pintura do Concurso de Arte AURA da Enxaqueca, Abraces (2019); Em 2020 foi selecionada para a ocupação do Ateliê Coletivo Nave.

Caligrapixo, há mais de 20 anos fazendo intervenções nas ruas paulistanas, ele vem acompanhando de perto a mudança de status da pichação, hoje encarada como arte. Ele cria seus trabalhos, desde 2011, baseados na caligrafia da pichação, movimento de rua conhecido mundialmente por sua singularidade e que faz parte desde 1996. Seu trabalho também aponta para como a cidade apaga as intervenções nela realizadas e como os artistas continuam interferindo dentro dela em um ciclo infinito. A pichação tem essa função de contestar, protestar e transgredir, e o mais importante: questionar.

Sobre a Casa Jacarepaguá

Dedicada ao universo do street art, a Casa Jacarepaguá, criada em 2015, realiza diversas exposições da cena e já participou de feiras como Feira Parte 2016 e 2017, SP-Arte 2018 e Arte-BH 2018. Artistas como Senk, Ciro Schu, Caligrapixo, Gen Duarte e Fabio Biofa já ocuparam a galeria, que hoje está instalada em um galpão de 400m², com pé direito de 8m, localizado no Butantã, bairro de São Paulo – SP. “A Casa Jacarepaguá tem em seu DNA o street art. Temos orgulho de estar 100% focados neste mercado, e ter o prazer de promover encontros como estes, de artistas de origens díspares, mas, com obras que conversam tão bem entre sí”, explica Zé Brazuna, sócio e curador do local.

Serviço
Exposição coletiva “Fechado Para Balanço”, com obras de Mônica Barbosa, Catharina Suleiman, Priscila Barbosa, Leiga, Gen Duarte, Caligrapixo, Bea Corradi e Fabiano Senk na Galeria Casa Jacarepaguá
Local: Rua João Della Manna, 1228 – Butantã, São Paulo – SP
Data de abertura: 8 de maio, sábado
Horário da abertura: das 14h às 19h
Datas de visitação: de 8 a 31 de maio
Horário de visitação: das 14h às 21h
Entrada Gratuita

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