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MUSEU FRIDA KAHLO, por Rosângela Vig

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços, para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado.
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
(MEIRELES, 1995, Cântico XIV)

Os sonhos cabem num momento de pensar, numa noite dormida, num acordar tranqüilo, ou num despertar pensativo. Os sonhos podem flutuar no etéreo, banhar o céu azul e ainda assim repousam amplamente na pontinha de um alfinete. Dentro dele engendram-se idéias, edificam-se colunas, e a História vai sendo construída paulatinamente, a várias mãos. Voejar de mãos dadas com um sonho é não voltar mais a solo firme; é desatar cordas; soltar-se flutuando dentro de uma bolha de sabão, percebendo-lhe as nuances e nela adormecer de tanto sonhar.

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Dentro desse sonho o Surrealismo nos fez acordar. Dentro dele, a artista Frida Kahlo também um dia sonhou e hoje, um museu em homenagem a essa grande artista edifica-se em solo Brasileiro, levando consigo nomes de artistas brasileiros. A Criação do projeto para o Museu Frida Kahlo (MUHFK) foi idealizado por Vera Itajaí, também curadora do acervo, na cidade de Curitiba, no Paraná.

Concretizando essa idéia, o acervo do museu, que está sendo montado, já conta com mais de 200 obras, criteriosamente selecionadas pela curadoria. Em todas elas está presente o rosto marcante da artista mexicana, elementos de suas obras e de seu tempo. O contraste do colorido e do monocromático de Francisco Machado (Fig. 1) mostra uma Frida contemporânea. Também é um contraponto que fica nítido na Frida de Kenzo Kuroda (Fig. 2), com dois mundos diferentes, um dos sonhos e o outro real. A Frida séria de João Ribeiro (Fig. 3) parece ter o olhar perdido em seu tempo.

Sob o olhar da aquarela, Ivani Ranieri (Fig. 4) ressaltou o vermelho, que tanto revela a personalidade forte da Frida que o mundo conheceu. Também pelos traços da aquarela, Fátima Lourenço (Fig. 5) destacou não somente a notável Frida, mas também revelou um colorido do país da artista. E ainda tem a Frida de Esther Poroger (Fig. 6), em meio ao verde, com suas vestes costumeiras. A elegante Frida de Ana Bittar (Fig. 7) tem a seu ombro um pequeno representante da fauna, que também foi o protagonista de obras da artista mexicana.

Pelas mãos de um grande incentivador do projeto e artista, Roberto Rodrigues, as várias Fridas em suas versões e em seus momentos. Na figura 8, a luz tênue e azulada sobre a artista mexicana tem recortes retilíneos, lembrando uma obra de Cézanne. Na figura 9, uma releitura da obra da própria Frida, tem os mesmos princípios do Cubismo, com recortes e colagem. Nas imagens 10 e 11, Roberto Rodrigues deixou à mostra em duas versões, sua visão e interpretação do casal, Frida e seu amado Diego Rivera, também artista.

Por meio do monocromático (Figuras 12 e 13), João Moro desenhou pedacinhos e trechos de uma época e da vida de Frida. Há elementos de suas obras, pessoas que passaram por sua vida como se o tempo não tivesse parado. O espectro de Frida (Fig. 14) com cores puras que se plasmam, mas não se misturam fazem a obra de Francisco Borges Laranjal. O rosto da artista pouco iluminado elucidam o aspecto empalidecido, reforçado pelas cores umbráticas.

Além das pinturas, em suas variadas formas de expressão, o acervo do museu abriga colagens e esculturas, que podem ser visitadas no link www.museu-muhfk.org. Além da visita, o museu convida artistas a também fazerem parte do acervo, com suas Fridas.

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Referências:

MEIRELES, Cecília. Cânticos. São Paulo: Editora Moderna, 1995.

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Renova-te. Renasce em ti mesmo. Multiplica os teus olhos, para verem mais. Multiplica os teus braços, para semeares tudo. Destrói os olhos que tiverem visto. Cria outros para as visões novas. Destrói os braços que tiverem semeado. Para se esquecerem de colher. Sê sempre o mesmo. Sempre outro. Mas sempre alto. Sempre longe. E dentro de tudo. (MEIRELES, 1995, Cântico XIV) s sonhos cabem num momento de pensar, numa noite dormida, num acordar tranqüilo, ou num despertar pensativo. Os sonhos podem flutuar no etéreo, banhar…

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