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Paola Publio, Mandala, destaque. Foto: Divulgação.

Paola Publio – “A arte cura”

Paola Publio, Mandala. Foto: Divulgação.

Paola Publio, Mandala. Foto: Divulgação.

“Sinto que habita entre os sagrados. O sagrado do catolicismo materializado na arquitetura majestosa do convento do Carmo em Cachoeira da Bahia e o sagrado das deusas ancestrais das águas do Paraguaçu receptáculo de oferendas aos orixás. E nesse entroncamento pleno de significados que crio e recrio imagens fundamentais para todos os sagrados: o círculo, a roda, a geometria visível da unidade do divino, de sua imanência sem princípio nem fim, onde tudo começa e acaba num mesmo ponto. A mandala. Palavra em sânscrito para dizer círculo sagrado.”

Para Paola esse desenho preciso, disciplinado, harmônico, contido, intenso, perfeito, se mostra caminho de sua própria interrogação espiritual bem como uma irradiação de sua ancestralidade.

Brasileira de Petrolina, de mãe anglo indiana, Paola leva essa ancestralidade em seus olhos do rosto e naqueles da alma. A busca de uma fusão entre a forma e o intangível do divino por meio da mandala surge espontaneamente de algum remoto arquivo interior.

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Nas mandalas de Paola os tempos se entrelaçam, a mais longínqua e tradicional forma do passado com a vontade do ser contemporâneo de encontrar sua essência, de vasculhar o próprio centro refletido nesse microcosmo do macrocosmo. Há um desejo de fusão com o escondido ponto de centramento de si.

Nesses círculos mágicos, como falava Jung das mandalas, as potências da alma, os sentidos, a inteligência, a vontade, a imaterialidade e a impermanência presentes em nosso viver assumem uma concretude possível de ser rebatida para dentro, para o interior de nós mesmos, criando harmonia, integração e gerando uma energia concentrada. Mandalas despertam a alma. Porque são movimento, porque as rodas giram, porque querem que a vida se movimente, porque levam em sua essência a memória de rituais que objetivam se aproximar de atributos divinos. Porque desde o século VIII a.C. foram usadas como caminhos para a concentração, a estabilização do pensamento e a vivência de estados superiores de meditação. Se espiritualmente, a mandala é a expressão da interiorização e da ascensão espiritual, para Jung as mandalas imaginam caminhos para a ordem psíquica, a tomada de consciência, a integridade e a individuação.

A mandala carrega em si toda a simbologia do divino, da totalidade, do cosmos. A forma redonda toca apenas com alguns pontos a terra, toda a sua força é para o alto e para o centro como um girassol e os anéis das árvores, cujos espirais representam o Universo.

Paola ao pintar uma mandala diz estar construindo uma forma que informa e transforma aquele que a verá, despertando nele uma referência cósmica. As reações diante de uma mandala serão sempre particulares, individuais. Cada um entenderá o jogo de formas e cores de acordo com o seu próprio estado de espírito.

“Pintar mandalas se tornou um tratado de paz com os meus ancestrais. Venho buscando a cura e compartilhando o saber.” – Paola Publio.

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