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Marcelo Silveira. Foto: Divulgação.
Marcelo Silveira. Foto: Divulgação.

V744atelier traz a obra de Marcelo Silveira a Porto Alegre a partir de 14 de maio

Expoente das artes plásticas brasileira, o artista pernambucano propõe novos diálogos à arte na exposição “C+asa”

C+asa dá nome à nova exposição do V744atelier, que traz o artista plástico pernambucano, Marcelo Silveira, grande expoente da arte brasileira, a Porto Alegre. A mostra será inaugurada no próximo dia 14 de maio, sábado, às 17h, dando continuidade à aspiração da idealizadora do espaço, a artista visual Vilma Sonaglio, de ser um lugar para criar, expor, divulgar e fruir arte contemporânea.





Silveira considera o convite para expor no V744atelier um desafio. – Trata-se de caminhar pelo território das incertezas; em continuar uma conversa iniciada com Vilma em 1985, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, em Diamantina, e também reencontrar a cidade e os amigos que gosto e foram fundamentais na minha formação, afirma.

C+asa será uma intervenção no V744atelier. Alguns dos trabalhos serão produzidos durante o período da residência, explica. “Ata” e “Lições Modernas” serão dois trabalhos que farão parte do projeto, ambos foram produzidos com letra tone e letra sete, respectivamente.

C+asa pretende estabelecer uma conversa entre cinco pontos de interesse de Marcelo Silveira. O primeiro ponto é a casa de Vilma Sonaglio, da qual utiliza materiais originários da habitação, que foi construída em 1962, ano do nascimento do artista; o segundo, a casa de Leno – dos desenhos de Heleno (1987), criança que acompanhou, por dois anos, em atividades relacionadas com arte-educação e convivência realizadas no seu atelier, em Gravatá-PE, cidade a 80 quilômetros de Recife; o terceiro são as Roupas de Casa (2002/2003), realizado em Cachoeirinha-PE, com couro de cabra e aço, tendo como referência a ocupação dos sem-terra ao longo das estradas federais e as capas que são usadas para “proteção” dos eletrodomésticos; o quarto ponto é a Casa Inventada, a partir de seu contato com a obra da escritora gaúcha, Lya Luft, e o quinto ponto é O Desenho da Casa, série de trabalhos desenvolvida a partir de materiais oriundos da extinta Casa do Desenho, de Porto Alegre.

O atual projeto de Marcelo Silveira na Capital gaúcha envolve uma residência artística no V744atelier. – Nesta residência, as minhas investigações irão se concentrar em estabelecer aproximações entre a ficção e a realidade; a memória do espaço, das convidadas e a minha, detalha. – O resultado desta ação será um diálogo continuado, aberto e rico em dúvidas, antecipa. Para ele, interessa, principalmente, pensar a ocupação dos espaços institucionais e não institucionais, o espaço privado e o público. Sem esquecer as relações entre obra e expectadores.

Carga simbólica

Desde os anos 1980, Marcelo Silveira destaca-se pelo constante interesse em explorar as características físicas dos materiais com os quais trabalha, investigando e revelando as possibilidades de manipulação e significação de cada um deles. Desta forma, faz uso de materiais variados – madeira, couro, papel, alumínio, ferro, vidro – frequentemente combinados entre si. Este traço se mantém na nova exposição. – Quase sempre, sou provocado pela carga simbólica dos materiais. Transparência, fragilidade, maleabilidade, coloração, temperatura ou a possibilidade de deixar de existir, sinalizam o momento da aproximação, coleta, seleção e reflexão nos espaços expositivos, aponta.

Assim, é possível depreender que se estabelece, na obra do artista, um jogo entre produção e apropriação. – Entendo produção como sendo reunir e associar uma infinidade de possibilidades; dentre elas a apropriação, ressalta Silveira.

Exemplo disso pode ser constatado na exposição “Madeira de Lei, Madeira sem Lei”, projeto em desenvolvimento, no qual o artista faz uma reflexão sobre o uso racional da madeira; sobre o descarte do material nas áreas urbanas. A madeira, como sempre foi classificada como de lei, perde a lei quando descartada.

Também é relevante na trajetória de Marcelo Silveira sua atuação como arte-educador, fato que se reflete indelevelmente na sua atividade artística. – A minha prática como educador, muitas vezes, confunde-se com a de artista, observa. Ele lembra que, por duas vezes, participou do Festival de Inverno de Porto Alegre, tendo, em sua segunda visita, ministrado uma oficina na Ilha da Pintada. – Pensar os processos de construção do conhecimento, a partir de uma prática artística, interessa-me bastante, constata.

Ele ainda lembra que, em 2004, realizou uma intervenção no Torreão. O trabalho consistiu em construir uma malha de couro de cabra reproduzindo as dimensões do espaço; em seguida foi apresentado na Usina do Gasômetro, em Recife (Mamam), João Pessoa (Centro Cultural São Francisco), Belo Horizonte (Escola Guinard) e São Paulo (Galeria Nara Roesler). A obra foi destruída em um incêndio em março/2021. Em 2005, participou da 5ª Bienal do Mercosul com um trabalho comissionado. “Tudo ou Nada” resultou de uma pesquisa sobre a “estética do armazém”; o trabalho, hoje, integra a coleção do MAC-USP. – As trocas estabelecidas em Porto Alegre foram muito ricas. Foram duas experiências produtivas, enriquecedoras, muitos desdobramentos aconteceram, enfatiza.

Concomitante à sua presença no V744atelier, em Porto Alegre, Silveira está com duas exposições em cartaz. Em Recife, apresenta trabalhos resultantes do descarte da arquitetura urbana, e em New York, uma série de trabalhos que vêm sendo produzidos desde a década de 90, a partir de uma pesquisa com a cajacatinga, uma madeira coletada na zona rural. Ambas as mostras receberam o nome de “Hotel Solidão”, por reunirem um conjunto de colagens, que integraram os diferentes espaços. Estas obras falam da dificuldade de se iniciar um processo criativo, pelo fato de que é preciso convencer o outro de que este é o caminho a ser tomado.

Sobre Marcelo Silveira

Marcelo Luiz Silveira de Melo (Gravatá-PE, 1962) é escultor e, desde os anos 1980, destaca-se pelo contínuo interesse em explorar as características físicas dos materiais com os quais trabalha, investigando e revelando as possibilidades de manipulação e significação de cada um deles. Participou da 1ª Bienal Internacional de Buenos Aires, Argentina (2000); da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (2005); a 4ª Bienal de Valência, Espanha (2007), e da Bienal de São Paulo (2010). Suas obras integram importantes coleções institucionais, como a do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Sobre o V744atelier

Idealizado pela artista visual Vilma Sonaglio, o V744atelier é um local para criar e expor arte contemporânea. Abriga exposições de artistas convidados, mas também aceita propostas de criadores que estejam desenvolvendo sua pesquisa e produção em todas as linguagens na arte contemporânea. Inaugurado em 18 de setembro de 2021, com a exposição “ViCeVeRSa…pode não ser o que é”, de Sonaglio, o atelier já sediou a exposição “Paisagem sem Volta”, de André Venzon e Igor Sperotto (19/12/21 a 25/02/22) e “Beabá”, de Maria Paula Recena e Marcos Sari (12/03/22 a 28/04/22). “C+asa” é a quarta mostra do espaço expositivo.

Acesse e curta os canais de comunicação do V744atelier:

www.instagram.com/v744atelier

www.facebook.com/vilma.sonaglio

www.instagram.com/vilmasonaglio

Acesse e curta a rede social de Marcelo Silveira:

Instagram: @marcelosilveiraarte

SERVIÇO:

Quê: “C+asa” exposição do artista plástico Marcelo Silveira

Quando: Abertura dia 14 de maio de 2022, sábado, das 17h às 20h.

Visitação até 22 de julho de 2022, de quartas as sextas, das 14h às 17h. Outros horários serão contemplados com agendamento pelo direct do Instagram V744atelier.

Recomenda-se o uso de máscara e álcool em gel à disposição.

Onde: V744 Atelier | Rua Visconde do Rio Branco, 744, Bairro Floresta, Porto Alegre-RS

Quanto: Entrada franca

Recomendação etária: 12 anos

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