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Peça “Por Que Não Vivemos”. Foto: Nana Moraes.

“Por Que Não Vivemos?” debate a importância do indivíduo para as transformações sociais

Espetáculo de Marcio Abreu adapta texto de Anton Tchekhov, no Teatro Cacilda Becker; Camila Pitanga está no elenco de oito atores

Entre os dias 14 de fevereiro e 1º de março, a peça “Por Que Não Vivemos?” faz temporada no Teatro Cacilda Becker, voltando a ser encenada de 20 de março a 19 de abril. Dirigida por Marcio Abreu, a produção é uma adaptação, feita pelo diretor ao lado de Nadja Naira e Giovana Soar, de um texto sem título escrito pelo autor russo Anton Tchekhov (1860-1904), que busca meditar sobre a potencialidade de cada pessoa e a grandeza de seus atos sob uma ótica social.

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A montagem conta a história de Platonov, um aristocrata falido que tornou-se professor e reencontra Sofia, um amor da juventude. A reaproximação faz com que ambos pensem sobre seus passados e as coisas que abdicaram.

Segundo o diretor, o texto observa enfoca a potência de cada indivíduo. “Esta peça, de algum modo, reflete sobre como cada um pode – ou poderia – agir a partir de sua pequena vida, que tem muita importância, uma dimensão maior, mais coletiva”, conta.

Marcio diz que o processo de adaptação do texto foi longo. Foi encomendada uma tradução diretamente do idioma original, o russo. Depois, compararam o resultado com versões em francês e espanhol, até chegar a um material para o português que consideravam bom. Após finalizada a tradução, foram feitas várias sessões de trabalho no sentido de ajustá-la. Segundo o diretor, o objetivo foi aproximar o conteúdo da sua perspectiva de entendimento sobre o teatro hoje e dialogar com o público por meio dele.

O espetáculo traz no elenco Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo dos Santos. O diretor conta que, durante a preparação, a própria adaptação foi se refinando conforme os artistas tinham contato com a obra. “Os atores foram fundamentais para que a gente chegasse ao texto como é hoje”, conta. Marcio salienta a importância em fazer da sala de ensaio um “lugar de construção de memória e de ativação do acontecimento teatral.”

A inspiração para o título da peça, originalmente, foi extraída de uma fala do personagem Platonov em um diálogo com a personagem Sofia. “Em determinado momento, ele pergunta: ‘por que não vivemos como poderíamos ter vivido?’”, conta o diretor. O nome do espetáculo, no entanto, simboliza algo maior, alcançado por meio de uma ambiguidade proposital da equipe. “Por Que Não Vivemos?” tem um movimento adequado tanto para um apelo ao futuro quanto a uma indagação acerca do passado e o que renunciou-se. “Este título se refere muito ao olhar, ao recorte que a gente buscou criar nessa obra de Tchekhov”, diz.

A equipe responsável pela adaptação também preocupou-se em fortalecer a visão feminina da peça, dando maior relevo a estas personagens. Segundo Marcio, os textos de Tchekhov têm sempre mulheres emblemáticas, mas, neste caso, “elas têm uma função de gerar transformações e mudanças nas rotas, acionando pequenas revoluções.”

O diretor considera “Por Que Não Vivemos?” uma peça atual e pertinente. “O espetáculo busca refletir e pensar a nossa ruína de hoje e para onde vamos a partir de uma perspectiva do indivíduo como potência para as mudanças coletivas”. Para ele, “cada existência, cada vida é dinâmica, se transforma e transforma o outro”. Nesse sentido, quem está vivendo é “quem busca viver sua singularidade em consonância com um sentido mais coletivo do mundo”, não apenas como uma “afirmação tirânica do sujeito.”

O espetáculo é dividido em três partes, com linguagens diferentes entre si: uma primeira que o diretor caracteriza como “um ato de convivência”, na qual há uma proximidade com o público; a segunda é “sensorial” e conta com um trabalho de articulação de imagens que Marcio criou ao lado do artista visual Bat Zavareze; e, por fim, quanto à última parte, o diretor diz ser “mais despojada de elementos teatrais” por buscar uma “afirmação de uma crueza da presença daqueles corpos.”

| Teatro Cacilda Becker. Rua Tito, 295, Lapa. Zona Oeste. | tel. 3864-4513. De 13/2 a 1/3 e de 20/3 a 19/4. Sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h (com sessões extras nos dias 13, 20 e 27/2, às 20h). R$30. 16 anos.

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