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PROJETO DIAS DE RECLUSÃO – Coletânea de Artes e Antologia do Projeto “Dias de Reclusão”, flyer, destaque. Divulgação.
PROJETO DIAS DE RECLUSÃO – Coletânea de Artes e Antologia do Projeto “Dias de Reclusão”, flyer, destaque. Divulgação.

PROJETO DIAS DE RECLUSÃO, por Rosângela Vig

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Crianças produzindo Cultura

Coletânea de Artes e Antologia do Projeto “Dias de Reclusão”

Quando encontrava uma pessoa que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre “É um chapéu”. Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me a seu alcance. Falava de Bridge, de Golfe, de Política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável. (SAINT-EXUPÉRY, 1977, p. 11)

Afortunado é quem permite à infância aflorar todos os dias e se permite devanear sobre as asas de um anjo investigando mundos. Mais feliz é quem imagina os universos sonhados e que trafega por eles, sem hora marcada, borboleteando, observando-lhes as cores e os espaços vazios. Contente é aquele que adormece como criança, que sorri com os olhos, que desperta e rodopia de maneira incerta encantado com a música que um sonho lhe sussurrou ao pé do ouvido. De repente, do rodopio a que se entregou, o sonho se desenrola e se estende num colorido tapete sobre a realidade cinza, distribuindo fantasias, matizando tudo ao redor, fazendo brotar flores e convidando a criança interior a despontar e a se encantar também. Amanhecer é rumorejar a música entoada por esse sonho; é espargir as cores e deixá-las brotarem em solo cinza, seduzindo a veracidade das coisas e atenuando a dureza do concreto. A infância tem esse poder.

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E os olhares que caminharam por esses mundos deixaram-se rodopiar pelas fantasias de pequenos artistas, que imprimiram seus universos em sua forma de manifestação. As obras são lindas viagens etéreas, sonhos abstratos, traduções de infinitos enredos inventados e poesias cultivadas. As obras desses pequenos fazem parte do Projeto de Reclusão e vieram na forma de Artes Visuais e de Texto Literário.

Lançado oficialmente em 2020, no dia 16 de Agosto, o e-book consiste em uma antologia com 118 textos, entre Poesias e Crônicas, em diferentes idiomas, de 105 autores, de 14 países, de 4 continentes. Entre os textos, São Paulo tem dois representantes, com a poesia de Guilherme Fortes, de 10 anos, da cidade de Registro, e dois lindos textos de Yara Cluxnei, de 14 anos, de Sorocaba. Do Pará, participa a poesia de Mateus Marinho, de 10 anos, o Menino Poeta Obidense, da cidade de Óbidos.

A Coletânea de obras de Arte teve seu lançamento oficial também em 2020, no dia 23 de Agosto e conta com imagens de 228 obras de artes visuais, com diferentes técnicas e suportes de artistas de vários países do mundo, incluindo-se os mundos de sonhos imaginados por crianças como Amélie Wagner, 9 anos; André Ciarlini, de 12 anos; André K. B. De Azevedo, de 6 anos; Beatriz Pontes, de 9 anos; Duda Yule, de 11 anos; Henrique Figueira, de 11 anos; Manoela B de Farias Carvalho, de 6 anos; Maria Eduarda, de 10 anos; Maria Gabriela, de 12 anos; Maria Luiza Albuquerque, de 13 anos; Miguel Pontes, de 13 anos; Suzana Veloso, de 12 anos; Valentina Ramos, de 9 anos; Victor Silva de Veras Souza, de 12 anos; e Yara Cluxnei, de 14 anos. Algumas crianças foram selecionadas pelo Ateliê de Rejane Melo, em Manaus; e Edimara Arouca, na Alemanha, indicou mais uma e duas são do interior de São Paulo.

Com uma apresentação impecável, os trabalhos das crianças deixaram à mostra sua competência com as técnicas utilizadas; provaram o poder da superação como os exemplos de autismo e da pintura com a boca; e transbordaram em talento e brilhantismo. Em meio a um conturbado e assustador período, a fantasia estendeu seu tapete colorido e se deixou rodopiar, perfumando de flores, um mundo, que de repente havia se tornado mais cinza e pedregoso.

O livro está hospedado em plataforma digital, com acesso facilitado para promover esta Ação Solidária e pode ser adquirido por meio do link. Da venda da publicação digital de ambos, 70 % serão revertidos a famílias em situação de vulnerabilidade social, através de três instituições que receberão este recurso para executar tais ações: a Instituição Pastos Verdes em Moçambique, na África, que receberá 30%; o Instituto Janeraka, para preservação da cultura indígena da etnia AWAETE ASSURINI do Xingu, que também receberá 30%; e o Instituto o Bem Nunca Para, Vila Velha, ES, Brasil, que receberá 10%.

O objetivo do projeto foi criar um inventário artístico e coletivo sobre o período da pandemia. Idealizado e coordenado pela artista visual e curadora Maria Vieira de Souza, residente em Sorocaba, SP, a iniciativa mobilizou artistas de cinco continentes e contou com a colaboração da brasileira Edimara Condé Arouca, que vive na Alemanha; Ruben Zacarias, de Moçambique; Laís Kaori e Go Kawana, do Japão, que voluntariamente atuaram como “líderes continentais”, convidando as pessoas e pré-selecionando os trabalhos. Outros voluntários se juntaram ao projeto no período de divulgação, para receber as obras, ou por se interessarem pelo projeto, como Rejane Melo de Manaus; Marisa Pedrosa, de Portugal; Denise da Cruz de Liechtenstein; e Angela Cardoso da Bélgica.

Colaboraram também com o projeto, que poderá ter futuramente, edição impressa, Janete Manacá e Ana Maria Reis com a divulgação; André Franco, Flávia Volpi, Matheus Lobo, com a tradução dos documentos em inglês; Elsa Viviana (Colômbia) e Ivana Boero (Argentina), com a tradução em Espanhol; Carla Fernandes de Portugal, com a tradução em Francês; Edimara, com a tradução em Alemão; Kelvin Cluxnei, com a programação digital; Gilda Sabas com a correção; e Rosângela Vig, com a revisão final. O artista Ruben Zacarias chegou a viajar longas distâncias, na busca de cada talento, possibilitando que todos tivessem a oportunidade de estar no livro. A antologia teve prefácio do escritor, jornalista e artista digital Ale Abdo que ajudou na divulgação do projeto. A coletânea teve curadoria e texto do Crítico de arte e curador Oscar D’Ambrósio, com seu esmerado trabalho que permitiu estabelecer uma linha de pensamento a respeito de artistas e suas obras. A inspiração de Isabele Nardo levou à perfeita montagem, design e diagramação do e-book. O renomado muralista e professor de Design da Universidade Federal de do Rio Grande do Norte, Andruchak Marcos fez a direção e arte final da obra. Das mãos do artista ainda veio a inspiração para a capa, repleta de significados ligados à inclusão e a um mundo melhor, propósito maior deste trabalho feito a tantas mãos e tão grandioso. A coletânea está sendo comercializada por R$80,00 e a antologia por R$40,00 e, ao efetuar a compra, o e-book será encaminhado para o e-mail.

Link do E-Book Antologia e Coletânea:
vieirarte.com/antolgia-literaria-dias-de-reclusao
Contato Maria Vieira (015) – 99704 0361

Link do projeto com vídeo no Instagram:
www.instagram.com/p/CIdSVM6HXTk
www.instagram.com/p/CIWCQwCD2Zz

Links das obras dos pequenos artistas:

Amélie Wagner
www.instagram.com/p/CKOvd27MSoh

André Ciarlini com a obra Pré História:
www.instagram.com/p/CKSk7I6MNEC

André K. B. De Azevedo com sua tela Parque de diversão:
www.instagram.com/p/CLX9mGssFRC

Beatriz Pontes e sua obra Aquário:
www.instagram.com/p/CLX-QPlMcfc

Duda Yule e a obra a Dança Frida Kahlo:
www.instagram.com/p/CLQAKgTMTcY

Henrique Figueira:
www.instagram.com/p/CKr2580MMGr

Manoela B de Farias Carvalho:
www.instagram.com/p/CLP_f_ssdfM

Maria Eduarda com a obra Cidade dos Cachorros:
www.instagram.com/p/CKpz-BtMyc0

Maria Gabriela e sua Dança Flamenga:
www.instagram.com/p/CKka6aMMlTh

Maria Luiza Albuquerque e seu Olhar Amazônico:
www.instagram.com/p/CKfdHcZMSFr

Miguel Pontes com sua Infinita Manopla:
www.instagram.com/p/CKfcXlystJT

Suzana Veloso com sua obra Jaguar:
www.instagram.com/p/CKOukfcsynn

Valentina Ramos com seu Cachorro no Mundo Colorido:
www.instagram.com/p/CKNgkMSswAo

Victor Silva de Veras Souza com sua obra Outono Laranja:
www.instagram.com/p/CKNfytPsF-h

Yara Cluxnei e sua obra Réstia:
www.instagram.com/p/CKPyNt2Mo_-

E a brincadeira de imaginar continua na linda Poesia de uma das crianças,

GUILHERME FORTES
REGISTRO, SP, BRASIL

BRINCADEIRA DE IMAGINAR

Imagina a história que eu vou te contar
Viajar sem sair do lugar
Vai de carro, moto, nave ou num grande balão
Feche os olhos use a imaginação
Imagine uma estrela lá no céu a brilhar,
Se esticando você vai alcançar
Imagine que você está nadando no mar,
só cuidado para não afundar
Vire um pássaro, um gatinho, um cachorro (au, au)
Muito bem que brincadeira
Brincadeiraaaa
Legal! Eeeeee!

Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do Bicho-papão.
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim meu amor
Sem crescer
(MORAES, 2015, p.20)

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Referências:

MORAES, Vinícius de. A Arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1977.

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Crianças produzindo Cultura Coletânea de Artes e Antologia do Projeto “Dias de Reclusão” Quando encontrava uma pessoa que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre “É um chapéu”. Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me a seu alcance. Falava de Bridge, de Golfe, de Política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada…

Revisão Geral

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