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Stephanus – “Abertura ao diferente”

Tony Franco é Administrador de Empresas.

Tony Franco é Administrador de Empresas.

Stephanus, fale-nos um pouco sobre você…

Eu sou piracicabano, graduado em Geografia pela UNESP de Rio Claro e com mestrado em Educação, no núcleo de Filosofia, na UNIMEP – Piracicaba. Alguns hobbies são cinema, marcenaria, dança e música, muita música.

Desde a adolescência sou um apreciador e pesquisador da música brasileira e ativista em movimentos em prol da cultura. Sempre buscando caminhos em volta das manifestações artísticas, entre a música e as artes plásticas.

Tive aulas de pintura no Narege Atelier de Artes – Grupo Patamares – em Campinas, por seis meses. Atuei como radialista em Campinas e apresentei o programa Raízes Africanas na Educativa FM de Piracicaba por 12 anos. Em meu currículo artístico, constam inúmeras exposições, desde 1999. A primeira foi a mostra coletiva de abertura do Centro Ecológico e Cultural da Rua do Porto – GAIA. Desde então, tenho participado de exposições em Piracicaba, Campinas, Santos e São Paulo. Com dois prêmios aquisições, sendo um Internacional.

Eu e Tom Zé, 70 x 50 cm, ast, 2020 (série - encontros temporais).

Eu e Tom Zé, 70 x 50 cm, ast, 2020 (série – encontros temporais).

Fui convidado para participar de alguns sites como do Oscar D’Ambrosio – jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Quando despertou seu desejo de ser um artista plástico?

Foi no ano de 1997, no meu último ano do curso de Geografia. Como minha monografia já estava bem adiantada, por ser contemplado com bolsa de iniciação científica, restavam poucas matérias para concluir o curso de Geografia. Então comecei a confeccionar algumas telas de pintura. Já que meu irmão e um amigo próximo já faziam telas. Meu irmão e outros amigos eram artistas plásticos, participavam de exposições em Campinas, São Paulo, Piracicaba e Americana. Até ganhavam prêmios e isto foi me influenciando. Sempre tive uma busca, como me expressar artísticamente. Tentei teatro música e me encontrei nas artes plásticas. Depois de confeccionar minhas próprias telas, reaproveitando materiais, comprei umas tintas e pincéis e começei a pintar na república que eu morava na cidade de Rio Claro.

Que tipo de arte mais gosta?

Gosto muito de Van Gogh, do chamado néo-impressionismo, do expressionismo alemão, da arte “naïf”. Mas não levanto bandeiras. Acho que a expressão artística, neste caso a visual, não devia ser tão rotulada. Admiro arte contemporânea também, como a arte conceitual de Cildo Meirelles, as pinturas de Siron Franco, Bansky.

Na verdade quem rotula são alguns críticos e o mercado de arte. Colocar em uma prateleira, encaixar a criação artística em um nicho de Mercado para virar peça de produção, traz como efeito sua descaracterização. Quem é contrário a esses ditames totalitários, e não tem a intenção que suas obras virem apenas mercadoria, é as vezes rotulado e colocado á margem, chamado de “maldito”. Segundo o músico Jards Macalé: “O maldito é uma espécie de bendito de forma invertida”. O “preço” por essa liberdade e a não integração a certos grupos, pode levar ao ostracismo e o esquecimento. Apesar que muitos artistas, como em alguns casos, como o de Van Gogh, Cézzane, não terem sido compreendidos na época em que viveram, por serem inovadores, na linguagem estética, e por realizarem um trabalho atemporal, sofreram por isso.

Como desenvolveu seu estilo (técnicas)?

Meu estilo, foi desenvolvido como um artista auto-didata, que frenquentou muito pouco um curso de arte e nunca universidade de artes plásticas. Sempre pensei que isto não fosse necessário, já que muitos artistas de qualidade não passaram por isso. Usei o conceito do “faça você mesmo”. Mas comecei a desenhar desde a tenra infância e acho que meu irmão e amigos me influenciaram. Mas sempre busquei um estilo próprio e acho que começei como expressionista e naïf (por não ter uma formação em artes), meus desenhos foram se aperfeiçoando com a prática, já que não tive formação acadêmica.

Cite caso tenha tido influências artísticas em suas obras e de quais artistas?

São muitos, mas eu citaria Van Gogh, James Ensor, Egon Shiele, Chagal, Miró, Paul Klee, George Grozz, Di Cavalcanti, José Antonio da Silva, Jota Carlos, Géricaut, Ribens, Delacroix, são inúmeros.

Tem algum familiar ou conhecido que é artista plástico?

Tenho alguns amigos artistas, os de Campinas, Heitor Takahashi, Fábio Bittencout (ambos in memorian), o paraibano Tito Lobo, Henry Victor, Marinilda Boulay. O angolano Paulo Chavonga. Em Piracicaba, o pernambucano Tony Azevedo, Pacheco Ferraz (in memorian), Marilu Trevisan para citar alguns. Conheci Niobe Xandó em uma exposição do grupo de colagem de São Paulo no qual participei.

Viver de arte é possível?

Eu acho que é possivel nos grandes centros, quando você é representado por alguma galeria.

Algum dia já pensou em não atuar mais com arte? pode comentar porquê?

No sentido da falta de valorização dos artistas no Brasil, mas também pela forma com a Industria da Cultura se apropriou dos meios no qual você possa chegar a ser inserido no mercado de arte. Não concordo quando se oferece um pacote no qual você recebe uma proposta de ser colocado no Mercado em Nova York, só para citar como exemplo.

Quais habilidades são necessárias hoje para o artista plástico?

Acho que além de fazer um curso de arte, é realmente “colocar a mão na massa”, como disse o músico e compositor Tom Zé, quando perguntam sobre a sua genalidade, e ele responde: “Não sou gênio, sou como japonês, quebro pedra todos os dias, ou melhor, trabalho muito com afinco e insistência, até revelar algo”. Então acho que o que traz algo novo, ou algo interessante, inusitado, é a insistência, a persistência, o ato de não se contentar fácil com algo, ser inquieto e sempre estar buscando.

O que você sente quando cria ou aprecia uma obra de arte?

A sensação é de bem estar, relaxamento, com um efeito parecido a de uma sessão de Ioga ou Tai-chi-chuen.

Suas inspirações para criar uma obra de arte?

As diversidades de cores e imagens que permeiam o nosso cotidiano e nossa gente. Os sambistas, pessoas do cotidiano.





O produto de uma obra sua é único ou tem alguma relação próxima ou distante de sua obra anterior?

Acho que sempre busquei um caminho próprio, apesar das influências, apesar de auto-didata, minha técnica foi se aprimorando. Acho que tenho duas principais vertentes na minha pintura, uma é de um estilo livre, próximo a técnica de escrita surrealista, no qual crio com pouquíssima interdição do pensamento consciente, deixando os desenhos aparecer por si só. O tema dá pintura ganha forma a posteriori. Outra linha do meu trabalho, é quando penso em um tema como o quadro no qual ganhei o Prêmio Amigos da Galeria na Eslovênia ano passado, intitulado “Homenagem ao samba paulista I”, no qual criei através de desenhos de fotos.

Quais os desafios da arte/artista no cenário atual?

Ser crítico, emancipador. A arte é urgente e necessária no momento atual, já que nos leva há outros lugares, o estranho, o desconhecido. A arte não é a realidade, mas dialoga com ela e a reinventa. Necessitamos desta reinvenção, da ilusão, como disse Ferreira Gullar: “Só a vida não basta”.

As redes sociais têm lhe ajudado na divulgação de seu trabalho?

Sim as redes sociais hoje são uma importante ferramenta de divulgação, e foi e está sendo de muito ajuda, neste tempo pandêmico que estamos passando.

Como as artes plásticas podem contribuir para a educação e cultura?

Na transformação das pessoas principalmente. Como a arte mostra uma outra dimensão da vida, ela cria um outro olhar, muda a percepção das pessoas e o modo como elas enxergam a si mesma. Logo como efeito de mudança, uma outra percepção do mundo ao seu redor, assim a relação com o entorno e com as pessoas se torna outra.

Como analisa as qualidades de uma obra de arte?

Pela expressão, pela vibração, se a mesma traz algo de novo, de diferente, se destoa do status quo, além do feijão com arroz.

Quais os critérios para estipular o valor de uma obra de arte?

Acho que quem não está realmente inserido no Mercado de arte, fica com dificuldade para colocar um preço aos seus trabalhos.

Fale sobre seus projetos atualmente…

É sempre estar produzindo, e tentando achar um nicho de mercado.

Qual o seu conselho para os que estão começando agora?

Nunca desistir apesar dos altos e baixos.

Sobre suas exposições, tem algum comentário a respeito, sentimentos…

É bom participar, estar em contato com artistas, apreciadores e curadores. Ouvir opiniões sobre os trabalhos.

Poderia comentar alguma curiosidade artística?

Na obra Passagem (ver site), técnica mista, utilizei a técnica da colagem e o curioso é que apareceu uma imagem próxima da minha cachorra, que havia falecido a pouco tempo. Assim cito “Artaud” quando o questionaram: “A arte representa a vida? Não é a arte que representa a vida, mas a vida é um princípio transcendente no qual a arte nos volta a por em contato”.

Como definiria sua arte em uma linha?

Abertura ao diferente.

Coloco o texto do Oscar D’Ambrosio e algumas reflexões:

Segundo o crítico, o trabalho de Stephanus: “A santa insatisfação – A arte é, de uma maneira ou de outra, dependendo do artista, sempre uma expressão de um eu em relação a um mundo circundante. Ela se revela de diversas formas, mas traz um conhecimento próprio que se manifesta, por exemplo, na seleção dos temas e das cores utilizadas em cada trabalho. Em seus quadros, Stephanus apresenta algo que me arrisco a chamar de santa insatisfação. Reside em sua obra justamente a devoção a um pensamento do qual é geralmente protagonista no sentido de estar na pintura ou de, por intermédio dela, expressar um conteúdo com bom humor e ironia. O descontentamento se torna visível na constante busca que cada tela propõe. O grande assunto é a procura de uma solução plástica para uma energia que extravasa em cada nova composição, marcada por um saber muito pessoal, desenvolvido na mistura do pensar com o fazer. As tonalidades mais quentes são uma alternativa visual muito próxima a essa junção do sagrado com a contestação. A arte, para Stephanus, parece surgir justamente como algo divino, não no sentido de estar inacessível, mas de guardar dentro de si uma magia que permite espaço para a reflexão crítica”.

Ao meu olhar e na visão da Artista Lídice Salgot: A festa, o utópico, o mundo não vivido, mas desejado ou algumas vezes já experimentado. A serenidade, a leveza, no meio do confuso e do caótico. A paisagem de dentro, a expressão, a cor e o movimento. O efêmero, a passagem, tudo isto se faz presente na obra de Stephanus. Insatisfação por acreditar no utópico, no amor, nos valores éticos. Insatisfação por querer a medida justa das coisas.

Redes Sociais:

Facebook perfil: @Stephanus Moschini Carlos

Instagram: @stephanusmoschini

Website: stephanusm.wixsite.com/site

Oscar D’Ambrosio:

oscardambrosio.com.br/textos/2710/pilula-visual-abertura-ao-diferente

oscardambrosio.com.br/textos/1715/arte-em-tempo-de-coronavirus-376

oscardambrosio.com.br/textos/1532/arte-em-tempo-de-coronavirus-224

oscardambrosio.com.br/textos/680/contra-os-rotulos

 

 


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