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“A Rede, A Mole, A Boa” por Jessica Theodoro

Jessica Theodoro é Designer de Interiores.

Jessica Theodoro é Designer de Interiores.

Como esse ano a Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues completa 60 anos e mesmo depois de tanto tempo continua super atual e presente em vários ambientes assinados por arquitetos e designers, mostrarei tanto ela quanto outros mobiliários brasileiros, os quais trazem toda estética e estilo de viver nossa brasilidade, como a rede (a INI em tupi guarani) e o Sofá Boa dos Irmãos Campana.

A Rede foi enraizada na nossa cultura antes mesmo dos portugueses chegarem ao Brasil e foi incorporada rapidamente na vida colonial como mobiliário brasileiro, pois os colonos, agricultores, bandeirantes e jesuítas a utilizavam como cama e como meio de transporte.

Na Região Norte e Nordeste, ainda utilizam a rede para dormir. Porém nos grandes centros urbanos, como em residências de veraneio são utilizadas para descansar ou tirar uma sesta.

Podemos considerar a rede como a gênese do design brasileiro, entre suas características fundamentais, está a ausência de estruturas rígidas, sem saliências que determinem sua utilização, constitui-se em um entrelaçamento de fibras naturais que permitem a transpiração, com forma indefinida, sem possibilidades de representação técnica ou geométrica. A configuração amorfa, deste objeto, permite que ele envolva de maneira confortável, como um abraço mole, suave, delicado.

Rede/Praia do Espelho. Foto: Evelyn Muller.

Rede/Praia do Espelho. Foto: Evelyn Muller.

A Poltrona Mole estabelece um rompimento com os paradigmas do design universal, sua estrutura em jacarandá com pés abaulados e travessas arqueadas permitem diversas posições da trama de percintas em couro que sustentam almofadas moles e macias, a qual recobrem praticamente toda a estrutura. Esta configuração desconstrói a maneira do sentar reto, imposta por toda a história do mobiliário universal.

Sérgio Rodrigues desenvolveu a Poltrona Mole, a partir da solicitação de um amigo que queria um sofá de dois lugares, que pudesse ficar em qualquer ambiente e não fosse parecido nem como uma cama nem um colchão, mas que fosse muito confortável, onde se pudesse sentar com determinada preguiça.

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A Mole conquistou o primeiro lugar, entre os 438 candidatos de 27 países e a justificativa do júri foi que a poltrona não era influenciada por modismos e absolutamente representativo da região de origem, nosso Brasil.

Após o Concurso na Itália, Sérgio Rodrigues teve grande visibilidade e a Poltrona Mole tornou-se símbolo do design universal e um marco para o design brasileiro, pois a partir de sua concepção abriu-se a possibilidade de fruição para os designers brasileiros ousarem e libertarem-se dos dogmas do design europeu e caminharem a procura de uma estética que se alimenta do nosso jeito de viver.

Poltrona Mole/Projeto: Yamagata Arquitetura e Imagem 3D: Studio Vir.

Poltrona Mole/Projeto: Yamagata Arquitetura e Imagem 3D: Studio Vir.

Seguindo essa proposta, temos o Sofá Boa dos Irmãos Campana que foi inspirado na jibóia encontrada na Bacia Amazônica Brasileira, e depois de Humberto e Fernando Campana ao estudarem o veludo. Com isso, surge um sofá feito de tubos de espuma de poliuretano, penas de ganso e veludo. Assim, o sofá aparenta uma forma interminável, com grande variedade de posições, sem a necessidade de uma estrutura interna convencional e esta inovadora configuração estética resulta em um objeto que nos lembra algo semelhante a um “sofá”, mas por sua utilização do que pela sua forma.

Através da sua configuração entrelaçada, o Sofá Boa quebra as regras comportamentais impostas pela sociedade e assim permite a preguiça e o refastelamento do corpo.

Esses três mobiliários brasileiros da forma que foram inspirados e produzidos, nos trazem a perspectiva e estética brasileira com nossas características autenticas e regionais, os quais só poderiam ser fruto de designers brasileiros, não ocorrendo esse processo construtivo em nenhum outro lugar no mundo.

Sofá Boa/Desenho: Jessica Theodoro.

Sofá Boa/Desenho: Jessica Theodoro.

Referências:

  1. ANDRADE, MARIA DO CARMO. Rede de dormir. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=218&Itemid=1 [Acesso em 7 de Novembro de 2015].
  2. BORGES, ADÉLIA. Sergio Rodrigues. 2. ed. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2007. 131 p. (Coleção Arquitetura e Design).
  3. Como Sérgio Rodrigues criou a poltrona Mole. Disponível em: http://www.osvaldoantiguidades.com.br/poltrona-mole-sergio-rodrigues/ [Acesso em 12 de Outubro de 2015].
  4. Instituto Sérgio Rodrigues. Disponível em: http://institutosergiorodrigues.com.br/ [Acesso em 11 de Outubro de 2015].
  5. Sérgio Rodrigues. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa230381/sergio-rodrigues [Acesso em 11 de Outubro de 2015].
  6. Campana. Disponível em: http://campanas.com.br/pt#home [Acesso em 11 de Outubro de 2015].
  7. CAMPANA, HUMBERTO. Cartas a um jovem designer: do manual à indústria, a transfusão dos Campana. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
  8. CAMPANA, HUMBERTO. The Campana Brothers: complete Works (So far). New York, 2010.

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Como esse ano a Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues completa 60 anos e mesmo depois de tanto tempo continua super atual e presente em vários ambientes assinados por arquitetos e designers, mostrarei tanto ela quanto outros mobiliários brasileiros, os quais trazem toda estética e estilo de viver nossa brasilidade, como a rede (a INI em tupi guarani) e o Sofá Boa dos Irmãos Campana. A Rede foi enraizada na nossa cultura antes mesmo dos portugueses chegarem ao Brasil e foi incorporada rapidamente na vida colonial como mobiliário brasileiro, pois os…

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